2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.7. EFEITOS DO NOx NA SAÚDE HUMANA E AMBIENTAL
O elevado número de veículos em circulação libera uma quantidade
significativa de gases poluentes. Esses gases causam sérios danos à saúde
humana e ambiental. Para diminuir esses danos, medidas eficazes de controle da
poluição veicular devem ser adotadas de forma direta ou indireta.
Na natureza pode-se encontrar sete óxidos de nitrogênio diferentes. O
óxido nitroso (N2O) é um gás estável e pouco reativo. O N2O é usado como
anestésico, principalmente por dentistas. Também é conhecido como gás
hilariante, porque quando inalado em pequenas quantidades provoca euforia.
Além do N2O pode-se encontrar o trióxido de dinitrogênio (N2O3), o tetróxido de
dinitrogênio (N2O4), pentóxido de dinitrogênio (N2O5) e o trióxido de nitrogênio
(NO3).
São encontrados também o óxido de nitrogênio (NO), um gás incolor, e o
dióxido de nitrogênio (NO2). Este último é um gás castanho avermelhado e tóxico,
quando inalado, e por ser uma substância de baixa solubilidade atinge as porções
periféricas dos pulmões (LEE, 2000).
Estudos uniram poluição do ar e sua forma de afetar a saúde humana.
Doenças respiratórias afetam diretamente crianças, idosos elevando de forma
significativa os índices de morbidade e mortalidade.
Dentre as doenças destacam-se: asma, bronquite, tosse, doença de
obstrução crônica pulmonar, problemas cardiovasculares, que provocam enfarto
do miocárdio, morbidez e mortalidade.
A Tabela 3 apresenta um resumo de artigos relacionados a alguns efeitos
de NOx na saúde humana. O NOx é computado a partir do somatório das
concentrações de NO e NO2, que são os principais contribuintes.
Tabela 3 – Resumo dos dados epidemiológicos relacionados à presença de
NOx atmosférico
Efeito Referência Concentração de NOx Estudo
Asma GRUZIEVA, O. et al (2011) >10,6 mg/m
3Estocolmo,
Suécia, e Kiev, na
Ucrânia
LINDÉN, J. et al (2011) >67 μg/m
3Gothenburg,
Suécia
HAIDONG, K. et al (2011) >10 μg/m
3Shanghai, China
Bronquite GHOSH, R.et al (2011) >35 μg/m
3Califórnia,
Estados Unidos
KALANTZI E. G. et al (2011) >NO: 13,52 μg/m
3; NO
2: 30,12
μg/m
3; NOx: 40,67 μg/m
3Grécia
LIAQUAT A. M. et al (2010) >45 μg/m
3Malásia
Doenças
respiratórias
SAVA, F. e CARLSTEN, C.
(2012)
>5,8 mg/m
3Vancouver,
Canadá
TZAMKIOZIS L et al (2011) >43 μg/m
3Tessalônica,
Grécia
Os problemas associados aos veículos automotores e aos gases emitidos
têm efeitos sérios sobre a saúde ambiental. Os congestionamentos urbanos
agravam mais ainda as emissões veiculares que prejudicam a saúde do ser
humano.
Segundo definições das Resoluções do Conselho Nacional de Meio
Ambiente (CONAMA) 003/1990 e 436/2011, poluente atmosférico é “toda e
qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade,
concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis
estabelecidos em legislação e que tornem ou possam tornar o ar impróprio,
nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos
materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da
propriedade e às atividades normais da comunidade”.
Os veículos automotores são as principais fontes de emissão de óxido
nítrico (NO) e dióxido de nitrogênio (NO2). Com temperaturas elevadas, o oxigênio
reage com o nitrogênio durante a combustão formando óxido nítrico, dióxido de
nitrogênio e outros óxidos derivados do nitrogênio (NOx). Esses óxidos são muito
reativos e, na presença de oxigênio atmosférico (O2), ozônio e HC, ocorre a
transformação do NO em NO2. O NO2 produzido, na presença de luz do sol,
continua seu caminho reativo. Agora a reação do NO2 ocorre com HC e O2
formando ozônio, sendo este considerado um dos principais poluentes da
troposfera (GUARIEIRO et al, 2011).
Consequentemente, são os agentes que alteram as características da
atmosfera e geram impactos, tais como: danos à camada de ozônio, efeito estufa
e/ou chuvas ácidas.
Assim, os grupos de poluentes que servem como indicadores de
qualidade do ar, adotados mundialmente e que são escolhidos em função da
frequência de ocorrência e de seus efeitos nocivos são: materiais particulados
(MP), óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono
(CO), dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e o ozônio (O3). Desses poluentes,
são precursores do efeito estufa o CO, CO2 e o CH4; que comumente são
agrupados em função da ponderação dos seus níveis de impacto como CO2eq,
dióxido de carbono equivalente (DIAS, 2013).
A concentração de poluentes está fortemente relacionada à composição
dos combustíveis utilizados e nas condições meteorológicas.
Para além das emissões de GEE’s, como o dióxido de carbono (CO2),
metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), o setor dos transportes tem uma contribuição
significativa na emissão de poluentes como óxidos de nitrogênio (NOx), óxidos de
enxofre (SOx), compostos orgânicos voláteis (COV) e matéria partículada (PM),
responsáveis por muitos impactos ambientais. Além disso, estes poluentes
desempenham um papel fundamental na formação de ozônio (O3) (SAVA e
CARLSTEN, 2012).
Segundo HOU et al (2008), o setor dos transportes gera impactos
negativos em quatro grandes questões ambientais: alterações climáticas, O3
troposférico, acidificação e exposição da população.
O O3 troposférico é um poluente que resulta da reação entre a luz solar e
outros poluentes como o CH4, COV, NOx e CO – precursores de O3. Os NOx e os
COV são os principais intervenientes na sua formação (HOU et al, 2008).
A acidificação é um processo de conversão de poluentes atmosféricos
como NOx e SO2 em substâncias ácidas. O monóxido de nitrogênio (NO)
resultante da combustão incompleta nos motores de veículos reage com o azoto
existente na atmosfera produzindo dióxido de nitrogênio (NO2) que, ao reagir com
mais oxigênio e água, forma ácido nitroso (HNO2). Ao se depositar na superfície
terrestre, essas substâncias provocam problemas como a desflorestação, a
acidificação de massas de água, entre outros (LAPUERTA et al, 2007).
A emissão de GEE (LAPUERTA et al, 2007) no setor dos transportes
resulta da combustão incompleta nos motores e são responsáveis pela absorção
da radiação infravermelho (IV) que é reemitida pela superfície terrestre
potencializando, assim, o efeito estufa.
Associados a esses acontecimentos, foram também observadas
variações no teor de CO2 na atmosfera, o que indica o fenômeno das Alterações
Climáticas.
No documento
UNIVERSIDADE POSITIVO WELLINGTON FERREIRA RIBAS
(páginas 30-34)