1.5 EFEITOS JURIDICOS DO CASAMENTO
1.6.3 Efeitos patrimoniais
Os efeitos patrimoniais disciplinam as relações econômicas entre os cônjuges durante o casamento, que se submetem a três princípios básicos: a) Variedade de Regime de Bens; b) da liberdade dos pactos antenupciais; c) da mutabilidade justificada do regime adotado; d) da vigência do regime de bens.
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DINIZ, Maria Helena. Curso de direito Civil brasileiro. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 141.
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GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: direito de família. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 180.
a) Variedade de Regimes de bens. A norma jurídica coloca à disposição dos nubentes não apenas um modelo de regimes de bens, mas quatro, a saber: Comunhão Universal; o da Comunhão Parcial; o da Separação; e o da Participação Final dos Aquestos.
Estatui, o artigo 1.639 do Código Civil que é lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, “estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver".
Podem, também, adotar um dos regimes - modelos mencionados, como combiná-los entre si, criando um regime misto, bem como
eleger um novo e distinto. Neste contexto, Rodrigues56, leciona “que podem
combinar regras de um com outro, ou ainda estabelecer um regime peculiar”.
Esse princípio, entretanto, admite uma exceção: a lei fixa, imperativamente, o regime de bens a pessoas que se encontrem nas situações
previstas no artigo 1.64157. A livre estipulação deferida aos conjugas também não
é absoluta, pois o artigo 1.655 do referido diploma legal, declara “nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta da lei”.
b) Liberdade dos pactos antenupciais. A escolha do regime de bens é feita no pacto antenupcial.
Para Rodrigues58, “pacto antenupcial é o contrato solene,
realizado antes do casamento, por meio do qual as partes dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre elas, durante o matrimônio”. É solene, porque será nulo se não for feito por escritura pública.
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RODRIGUES, Silvio. Direito de família. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 138.
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art. 1.641. È obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I – das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II – da pessoa maior de sessenta anos; III – de todos que dependerem, para casar, de suprimento judicial.
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Se este não for feito, ou for nulo ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial, por isso também chamado de regime legal.
A sua eficácia, quando realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante legal, salvo as hipóteses de regime obrigatório de separação de bens (art. 1.654 CC).
Nesta trilha Rodrigues59 dispõe:
A lei condiciona a eficácia do pacto antenupcial realizado por menor de idade entre 16 e 18 anos à aprovação de seu representante legal. Cabe aos pais zelar pelo interesse dos filhos; e, se entendem não haver inconveniente na adoção de um daqueles regimes, o legislador não contraria seu julgamento.
Para valer contra terceiros, o pacto antenupcial deve ser registrado em livro especial, no registro de imóveis do domicílio dos cônjuges.
c) Da mutabilidade justificada do regime adotado. O Código Civil, em seu artigo 1.639, § 2º, admite a alteração dos regimes de bens, “mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razoes invocadas e ressalvados os direitos de terceiros”.
Observe-se que a referida alteração não pode ser obtida unilateralmente, ou por iniciativa de um dos cônjuges em processo litigioso, pois o ilustre dispositivo citado exige pedido motivado de ambos.
d) Vigência do regime de bens – Começa a ter vigência na da data da celebração do casamento, não podendo em caso nenhum, iniciar-se antes ou depois do ato nupcial.
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1.6.3.1 Regimes de bens
1.6.3.1.1 Regime da Comunhão Parcial
Para Wald60, “é o regime no qual cada um dos cônjuges
mantém como próprios os seus bens anteriores ao casamento, comunicando-se os adquiridos onerosamente na vigência da sociedade conjugal”.
Sucintamente Venosa61, aponta que neste regime, “cada
esposo guarda para si, em seu próprio patrimônio, os bens trazidos antes do casamento”.
É o que prevalece, se os consortes não fizerem pacto antenupcial, ou o fizerem, mas se for nulo ou ineficaz. Por essa razão é chamado de regime lega. Caracteriza-se por estabelecer a separação quanto ao passado ( bens que cada cônjuge tinha antes do casamento ) e comunhão quanto ao futuro ( adquiridos na constância do casamento ), gerando três massas de bens: os do marido, os da mulher e os comuns.
1.6.1.1.2 Regime da Comunhão Universal
É o regime em que se comunicam todos os bens, atuais, e futuros, dos cônjuges, ainda que adquiridos em nome de um só deles, bem como as dívidas posteriores ao casamento, salvo os expressamente excluídos pela lei ou pela vontade dos nubentes, expressa em convenção antenupcial (art. 1.667 CC).
Wald62, defini-o “como aquele em que se tornam comuns
tanto os bens com os quais os cônjuges entraram na sociedade conjugal como os que foram posteriormente adquiridos pelo marido ou pela mulher”.
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WALD, Arnoldo. O Novo direito de família. 15. Ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p.117.
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VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : Direito de Família. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2005. p.365.
Por tratar-se regime convencional, deve ser estipulado em pacto antenupcial. Nesse regime, predominam, os bens comuns, podendo, no entanto existir bens próprios do marido e bens próprio da mulher.
1.6.1.1.4 Regime da separação convencional
Neste regime, cada cônjuge conserva a plena propriedade, a integral administração e a fruição de seus próprios bens, podendo aliená-los e gravá-los de ônus real livremente, sejam móveis ou imóveis.
Eis o conceito para Diniz63:
O regime de separação de bens vem a ser aquele em cada consorte conserva, com exclusividade, o domínio, posse e administração de seus bens presentes e futuros e a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao matrimônio.
Esse regime matrimonial poderá advir de lei ou convenção.
1.6.1.1.5 Regime da Participação Final dos Aquestos
Trata-se de um regime misto, pois durante o casamento aplicam-se às regras da separação total e, após a sua dissolução, as da comunhão parcial.
No tocante ao tema abordado, Rodrigues64:
Representa um regime híbrido, ou misto, ao prever a separação de bens na constância do casamento, preservando, cada cônjuge, seu patrimônio pessoal, com a livre administração de
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WALD, Arnoldo. O Novo Direito de família. 15. Ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p.109.
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DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil Brasileiro. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 166.
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seus bens, embora só se possa vender os imóveis com a autorização do outro, ou mediante expressa convenção no pacto dispensando a anuência. Mas, com a dissolução, fica estabelecido o direito à metade dos bens adquiridos a título oneroso pelo casal na constância do casamento.
O regime em comento nasce de convenção, dependendo, pois, de pacto antenupcial.