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7.5 Efeitos da regulação estatal sobre nossas atividades

(a) necessidade de autorizações governamentais para o exercício das atividades e histórico de relação com a administração pública para obtenção de tais autorizações

Relacionamento com o Poder Público

Nossa estratégia de relacionamento com as instituições governamentais tem como diretriz a ética e a transparência. Acreditamos que a atuação da Natura deve ir além das fronteiras empresariais, desejamos contribuir para a formulação de políticas públicas e participar de discussões que sejam, ao mesmo tempo, relevantes para a nossa agenda e para a transformação social.

Um dos temas que a Natura articula e debate com o governo brasileiro, há mais de uma década, é a legislação para o acesso à biodiversidade e ao conhecimento tradicional a ela associado. Ao lado de uma série de outras empresas, especialistas e entidades da sociedade civil, defendemos a criação de um novo marco legal para a pesquisa e uso dos insumos da sociobiodiversidade brasileira, capaz de combinar a inovação e o uso sustentável desses recursos.

Atualmente, o acesso ao patrimônio genético é regulado por uma Medida Provisória imperfeita, que não oferece segurança às empresas, aos pesquisadores, e tampouco ao meio ambiente. A Natura defende a ideia de que é possível gerar competitividade para o País por meio do uso responsável dos recursos e anseia pela criação de um sistema que integre a produção, o consumo e que, acima de tudo, favoreça a conservação da diversidade biológica do planeta.

Por conta desse impasse, recebemos em 2011 dois autos de infração do Ibama por acesso supostamente irregular à biodiversidade para a realização de pesquisas e desenvolvimentos de produtos. As notificações, no valor de R$ 500 mil, estão sendo contestadas na esfera administrativa.

Apesar da falta de resultados concretos – tínhamos a expectativa de ver um novo anteprojeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pela Casa Civil ainda em 2011 –, consideramos que houve avanços. O tema foi discutido por diferentes ministérios, como Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento e Tecnologia e chegou-se ao consenso de que a legislação precisa evoluir. Percebemos também uma maior articulação e atenção da sociedade civil para a questão da biodiversidade, liderada por entidades como a Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), da qual a Natura faz parte.

Outra evolução importante foi termos iniciado uma negociação com o Governo Federal para realizar o pagamento de repartição de benefícios por acesso ao patrimônio genético em terras da União. O procedimento não era permitido pelo poder público por conta da divergência entre a política da Natura e o marco legal.

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

Por meio do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), cuja fundação foi liderada pela Natura, participamos dos primeiros diálogos setoriais promovidos pelo governo brasileiro em busca da definição das metas brasileiras de biodiversidade para 2020.

A votação do novo Código Florestal Brasileiro também fez parte da nossa agenda. Compartilhamos com nossas Consultoras e Consultores as reformas propostas à legislação e divulgamos nosso posicionamento de que as mudanças sugeridas não atendem ao compromisso com a conservação ambiental. A mobilização gerou 40 mil assinaturas à petição da campanha Floresta Faz a Diferença, promovida pela internet para colocar a reforma do Código no dia a dia das pessoas.

Ainda em 2011, estabelecemos os primeiros diálogos sobre biodiversidade com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Nosso objetivo é propor uma convergência entre as agendas de biodiversidade da esfera acadêmica e empresarial.

Estamos atentos à agenda de discussão da Rio+20, que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. Acreditamos que a conferência pode ser uma grande oportunidade para o estabelecimento de um novo patamar no debate a respeito do papel e responsabilidade dos países na construção de um novo modelo de economia e para a aplicação da Convenção da Diversidade Biológica.

Amparados pelo uso intenso das mídias sociais, queremos contribuir para que a população conheça os temas discutidos, dialogue e reflita independente dos resultados diplomáticos. Ainda integramos o “Grupo de Mulheres Rumo à Rio+20 – Sustentabilidade no Feminino”, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, que tem como objetivo levar uma pauta própria para a conferência. A iniciativa pretende estimular as discussões sobre o protagonismo feminino; o incentivo ao empreendedorismo verde e a promoção do consumo responsável.

Ainda no plano ambiental, fazemos parte da comissão da Abihpec para construir um acordo setorial que atenda aos requisitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010. A legislação exige a criação de sistemas de destinação de resíduos em toda a cadeia, incluindo os fabricantes, o governo e os consumidores. Apesar de considerarmos a lei um avanço, entendemos que ainda existe um longo trabalho a ser feito no que diz respeito ao estabelecimento de metas e responsabilidades. A Natura está em busca de meios que transformem este desafio socioambiental em oportunidades de negócios para a sua cadeia produtiva.

No cenário tributário, atuamos, principalmente, por meio da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Defendemos o estabelecimento de uma metodologia comum para a apuração da Margem de Valor Agregado (MVA) em todos os estados brasileiros. Acreditamos que essa medida é necessária para evitar a possibilidade de conflitos fiscais ainda maiores e distorções entre os estados.

Estabelecemos para 2012 dois importantes desafios para o processo de relações governamentais: a ampliação do relacionamento da Natura com o governo em nossas Operações Internacionais e a regionalização da nossa agenda prioritária. Atuaremos nas seguintes frentes: Biodiversidade, Programa Amazônia, Tributos, e Legal Status Venda Direta.

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

A Natura não tem qualquer litígio envolvendo matérias de direito concorrencial, nem apresenta histórico de multas significativas ou sanções não monetárias resultantes da não conformidade com leis e regulamentos.

Em 2011, os financiamentos de órgãos de fomento do governo por meio de incentivos fiscais totalizaram R$ 37,3 milhões. Parte desses recursos é oriundo da lei 11.196, a Lei do Bem, de 2005, que prevê incentivos às empresas que desenvolvem inovações tecnológicas. No entanto, em 2011, a Receita Federal criou uma instrução normativa, estabelecendo novas regras para a utilização dos benefícios previstos na Lei do Bem. Acreditamos que essa alteração coloca em risco a concessão dos recursos a muitas empresas, entre elas a Natura. Ao lado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), estamos mobilizados para rever esse posicionamento que poderá prejudicar o potencial de inovação das empresas brasileiras.

Também obtivemos R$ 71,2 milhões de financiamento de órgãos de fomento como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) para inovação, capacitação industrial, logística e tecnologia da informação.

Ainda fez parte da agenda de relações com o governo em 2011 a transferência das instalações da Natura

em Itapecerica da Serra (SP) para uma nova área em São Paulo (SP). Uma vez que todas as licenças

necessárias sejam obtidas, a mudança ocorrerá em 2012. Há dois anos, informamos a prefeitura da decisão, de forma que ela pudesse se preparar e minimizar os impactos financeiros gerados com a nossa saída. A relação de diálogo que construímos ao longo de anos com a comunidade local tem possibilitado que essa transição ocorra de maneira tranquila.

Recursos Governamentais (R$ Milhões) 2011 2010 2009 Incentivos fiscais de apoios e patrocínios (1) 10 9 6 Lei do Bem (dedução nas bases do IR e CS de até o

dobro dos gastos com pesquisa e inovação tecnológica) (2) 22 21 12 Subvenção de ICMS de Itapecerica da Serra 4 6 3

Outros (3) 1 1 0

Total 37 36 22

(1) Incentivos fiscais de IRPJ relacionados à Lei Rouanet, Ancine, Fundo dos Direitos da Criança e Adolescente, Programa de Alimentação do Trabalhador e Incentivo Fiscal ICMS-MG, referente aos projetos do Natura Musical.

(2) O benefício fiscal referente à Lei do Bem de 2010 foi alterado pela revisão/auditoria nos projetos.

(3) Incentivo referente à prorrogação em dois meses da licença maternidade, instituído pelo Decreto 7052/2009. A despesa é dedutível na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, porém, é deduzida integralmente no IRPJ.

Regulação dos nossos negócios

A indústria de cosméticos brasileira é regulada pela ANVISA, que foi criada pela Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Nossas operações estão, deste modo, sujeitas à obtenção de autorizações da ANVISA e fiscalização por esta agência. A ANVISA também indica padrões sanitários para a fabricação, estocagem e transporte de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal.

Quanto à regulação de vendas diretas de bens de consumo, não há legislação consolidada no Brasil. A Lei n.º 6.586, de 6 de novembro de 1978, regulamenta a condição de contribuinte individual autônomo das

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

Consultoras Natura e a legislação tributária prevê a substituição tributária das Consultoras Natura pela nossa companhia no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS.

Obtenção da certificação NBR ISO 9001

Em 2005 a Companhia foi certificada na NBR ISO 9001. A certificação é resultado do nosso contínuo comprometimento com a qualidade de nossos processos, produtos e serviços, que buscamos aprimorar no dia-a-dia. Assim, nos últimos anos sempre obtivemos a recertificação, inclusive em 2010 e 2011.

Regulação de Vigilância Sanitária

De acordo com a Constituição Federal brasileira, o Governo Federal, os estados e municípios têm o poder de regular os assuntos relacionados à saúde e vigilância sanitária, a fim de eliminar, reduzir e prevenir problemas sanitários decorrentes da fabricação de produtos e da prestação de serviços relacionados à saúde dos indivíduos. O Governo Federal dispõe de leis e regulamentos para aplicação genérica, os quais são reforçados e complementados por ações dos estados e municípios. Dessa forma, a vigilância sanitária é realizada pelas autoridades federais, estaduais e municipais, que agem de forma integrada em busca da proteção da saúde da população.

Nos termos da Lei Federal n.º 6.360, de 23 de setembro de 1976, as companhias que pretendem extrair, produzir, fabricar, transformar, sintetizar, purificar, fracionar, embalar, re-embalar, importar, exportar, armazenar ou expedir medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, produtos de higiene, cosméticos, perfumes e saneantes domissanitários devem possuir uma autorização de funcionamento junto à ANVISA, que verificará a atividade industrial, natureza e espécie dos produtos e comprovação da capacidade técnica, científica e operacional da Companhia, bem como outras exigências aplicáveis.

Além da autorização federal, é necessário que as companhias tenham o licenciamento na respectiva autoridade sanitária local, para todos os estabelecimentos industriais e/ou comerciais que exerçam as atividades de fabricação e comercialização dos produtos acima citados.

A operação de companhias sem os registros mencionados acima ou sem a presença de um profissional responsável pela operação técnica, bem como qualquer violação às leis e aos regulamentos relativos à vigilância sanitária federal, estadual ou municipal, sujeita a companhia infratora a penalidades como advertência, multa, suspensão das atividades e cancelamento da permissão ou registro junto às autoridades de vigilância sanitária.

Para detalhes sobre os nossos ativos imobilizados relevantes, vide alínea “a” do item 9.1 deste Formulário de Referência.

Adicionalmente, detemos registros de nossos estabelecimentos e responsáveis técnicos junto aos Conselhos Regionais de Química e/ou Farmácia dos respectivos estados, devidamente acompanhados das anotações de responsabilidade técnica para as nossas seguintes unidades: Castanhal, Jundiaí, Matias Barbosa, Jaboatão dos Guararapes, Uberlândia, Simões Filho, Benevides, Cajamar, Canoas e Itapecerica.

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

Já obtivemos a renovação da inscrição nos conselhos de todas as empresas da Natura para o ano de 2012.

Registro de Cosméticos, Produtos de Higiene, Perfumes e outros

De acordo com a Lei Federal n.º 6.360/76, o registro dos cosméticos, dos produtos destinados à higiene pessoal, dos perfumes e demais de finalidade congênere, deverá se enquadrar na relação de substâncias declaradas inócuas, elaborada pelo órgão competente da ANVISA e publicada no Diário Oficial da União, a qual conterá as especificações pertinentes a cada categoria, bem como às drogas, aos insumos, às matérias-primas, aos corantes, aos solventes e aos demais permitidos em sua fabricação. Não se enquadrando na relação referida anteriormente, deverá ter reconhecida a inocuidade das respectivas fórmulas, em pareceres conclusivos, emitidos pelos órgãos competentes do Ministério da Saúde.

Os cosméticos, produtos de higiene pessoal de adultos e crianças, perfumes e congêneres poderão ter alteradas suas fórmulas de composição desde que as alterações sejam aprovadas pela ANVISA, com base nos competentes laudos técnicos.

Para detalhes sobre os nossos registros e depósitos, vide alínea “b” do item 9.1 deste Formulário de Referência.

Registro de Alimentos

Todo e qualquer alimento fabricado, preparado, beneficiado, acondicionado, transportado, vendido ou depositado no Brasil, definição que inclui nossos produtos, deve ser previamente registrado na ANVISA, exceto quando a própria regulamentação dispensar tal registro. O Decreto-Lei n.º 986, de 21 de outubro de 1969, e regulamentações posteriores estabelecem regras e padrões para rotulagem dos alimentos que observamos integralmente.

Os registros de alimentos são válidos por um período de cinco anos, em todo o território nacional, sendo que somos obrigados a solicitar a revalidação do registro no prazo de até 60 dias antes da data de seu vencimento. A autoridade sanitária terá um prazo de 60 dias, a contar da data da comunicação da empresa para proceder à inspeção sanitária na unidade fabril que, dependerá, isoladamente ou em conjunto, da natureza, do risco associado ao produto, da data da última inspeção e do histórico da empresa. No caso de sermos reprovados na referida inspeção, seremos notificados para (i) suspender a produção, e (ii) recolher o(s) produto(s) no mercado, quando a autoridade sanitária julgar necessário com base na legislação pertinente, hipótese na qual arcaremos com os custos da divulgação e notificação da população, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas na legislação.

A análise do processo de pedido de registro do produto é realizada pela Secretaria de Vigilância Sanitária (“VISA”) do Estado, do Distrito Federal ou do Município, de acordo com os Regulamentos Técnicos, as Resoluções, as Portarias e outros instrumentos legais pertinentes ao produto, inclusive os de rotulagem. A VISA encaminhará à ANVISA parecer conclusivo e fundamentado sobre a aprovação ou indeferimento do

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

pedido de registro do produto. A ANVISA é responsável por deferir ou indeferir, com as devidas justificativas, as solicitações de registro previamente analisadas pela VISA. Cabe à ANVISA, ainda, cancelar o registro do produto a pedido, por irregularidade ou por erro de publicação.

Possuímos uma linha de alimentos chamada “Frutífera” e mantemos autorização da ANVISA para distribuição de alimentos em nossa controlada localizada em Cajamar (SP).

Licenças e Autorizações Ambientais

A legislação ambiental brasileira determina que a instalação de empreendimentos e atividades que de qualquer forma causem, ou possam causar, degradação do meio ambiente está condicionada ao prévio licenciamento ambiental. Esse procedimento é necessário tanto para as fases de instalação inicial do empreendimento, quanto para as ampliações nele procedidas, sendo que as licenças emitidas precisam ser renovadas periodicamente.

A competência para licenciar, no que se refere aos empreendimentos de impacto ambiental nacional ou regional é do IBAMA. Nos demais casos, a competência é dos órgãos ambientais estaduais ou municipais.

O processo de licenciamento ambiental compreende, basicamente, a emissão de três licenças, todas com prazos determinados de validade: licença prévia, licença de instalação e licença de operação. Cada uma destas licenças é emitida conforme a fase em que se encontra a implantação do empreendimento e a manutenção de sua validade depende do cumprimento das condicionantes que forem estabelecidas pelo órgão ambiental licenciador. Quando obrigatória, a ausência de licença ambiental, independentemente de a atividade estar ou não causando danos efetivos ao meio ambiente, consiste em crime ambiental, além de sujeitar o infrator a penalidades administrativas, tais como multas de até R$ 10,0 milhões e a interdição da atividade cuja licença não foi obtida.

Na data-base deste Formulário de Referência a Companhia detinha todas as licenças ambientais necessárias à manutenção de suas atividades.

Obtenção da certificação NBR ISO 14001

Nos últimos anos, a nossa Companhia obteve a recertificação segundo a NBR ISO 14001, com base na qual mantemos o Sistema de Gestão Ambiental Natura. Por meio desse sistema, estabelecemos um acompanhamento dos riscos ambientais.

Assim, detentores da certificação NBR ISO 14001, destinamos recursos e esforços permanentes à melhoria das condições ambientais de nossa produção.

Nesse sentido, vale ressaltar que temos normas e procedimentos claros para a seleção de nossos fornecedores em relação ao seu desempenho ambiental, conforme os requisitos da NBR ISO 14001. Exemplificadamente, os nossos fornecedores são avaliados no mínimo a cada dois anos, por meio de uma análise de sua documentação legal e de uma auto-avaliação ambiental.

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Responsabilidade em Matéria Ambiental

A legislação ambiental brasileira prevê a imposição de sanções penais e administrativas a pessoas físicas e jurídicas que praticarem condutas caracterizadas como crime ou infração ambiental, independentemente da obrigação de reparar os danos ambientais causados. As sanções que podem vir a ser impostas pela prática de eventuais crimes e infrações ambientais incluem, dentre outras:

a imposição de multas que, no âmbito administrativo, podem alcançar até R$50,0 milhões, de

acordo com a capacidade econômica e os antecedentes da pessoa infratora, bem como com a gravidade dos fatos e antecedentes, as quais podem ser aplicadas em dobro ou no triplo em caso de reincidência;

a suspensão ou interdição de atividades; e

a perda de benefícios, tais como suspensão de financiamentos e não habilitação para licitações

públicas, e incentivos fiscais.

Na esfera civil, os danos ambientais implicam responsabilidade solidária e objetiva, direta e indireta. Isso significa que a obrigação de reparar a degradação causada poderá afetar a todos os direta ou indiretamente envolvidos, independentemente da comprovação de culpa dos agentes. Como consequência, a contratação de terceiros para proceder a qualquer intervenção em nossas atividades, incluindo, por exemplo, o tratamento e a destinação final de resíduos sólidos, não exime a nossa responsabilidade por eventuais danos ambientais causados pela contratada.

Adicionalmente, a legislação ambiental prevê a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, relativamente ao controlador, sempre que esta for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Regulamentação Brasileira de Biodiversidade

Em 16 de março de 1998, a Convenção sobre Diversidade Biológica, ou CDB, foi introduzida no sistema jurídico brasileiro através do Decreto n.º 2.519, de 16 de março de 1998. A CDB foi elaborada por líderes mundiais em 1992 na Eco 92 ocorrida na Cidade do Rio de Janeiro, estabelecendo três objetivos principais: (i) a conservação da diversidade biológica; (ii) o uso sustentável de seus componentes; e (iii) a divisão justa e equitativa dos benefícios derivados do uso de recursos genéticos. A CDB estabeleceu princípios gerais que podem ser implementados por cada uma das partes signatárias com a intenção de promover os objetivos da convenção, as quais incluem a elaboração e promulgação de legislação apropriada, a realização de campanhas de educação pública e de conscientização, o monitoramento periódico de recursos disponíveis e a cooperação financeira entre as partes signatárias.

A CDB também obriga os estados signatários a regular o acesso aos seus recursos genéticos e ao conhecimento tradicional associado à biodiversidade. Não obstante o conteúdo da CDB, a legislação brasileira referente ao acesso e exploração da biodiversidade brasileira é incipiente. Em 2000, o Governo

7.5 - Efeitos relevantes da regulação estatal nas atividades

Federal iniciou a regulamentação ao acesso de recursos retirados da biodiversidade brasileira e do conhecimento tradicional associado à biodiversidade com a Medida Provisória nº 2.052 -1, sendo que o atual marco legal é a Medida Provisória n.º 2.186-16, publicada em 23 de agosto de 2001, que, inclusive, criou o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) para regular as políticas do Ministério do Meio Ambiente com respeito às matérias indicadas na referida medida provisória. A medida provisória estabelece, de maneira genérica, os conceitos de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento deste patrimônio, com o objetivo de viabilizar pesquisas científicas, tecnológicas e de desenvolvimento, bem como o desenvolvimento de processos biológicos e suas metodologias para utilização em atividades industriais e em outras aplicações, além de diversas condições pelas quais tais atividades podem ser realizadas.

Destacamos que defendemos, há alguns anos, a necessidade de uma nova legislação, que proteja o patrimônio genético nacional e o conhecimento tradicional associado, ao mesmo tempo em que garanta condições de pesquisa e desenvolvimento de produtos com base em nossa biodiversidade. Atualmente, temos práticas para gestão do acesso do patrimônio genético e conhecimento tradicional associado para