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4.5 Procedimentos Metodológicos

4.5.2 Elaboração dos instrumentos de coleta de dados

A elaboração de nossos instrumentos decorreu de um prévio levantamento de bibliografia que nos possibilitou circunscrever o objeto e, portanto, ter parâmetros de escolha da forma de coleta dos dados. Para o tipo de pesquisa que escolhemos, a quantitativa, o questionário é o melhor recurso para coletar dados em amplitude e com tempo escasso. Por outro lado, as questões qualitativas de nossa pesquisa, originadas em nossas hipóteses, em nossa intuição e, ainda também, em dados do campo e do discurso científico, nos exigiam a utilização de entrevistas, uma vez que essas possibilitam um maior refinamento e aprofundamento na abordagem das questões.

Assim, pelas características das informações a serem coletadas, optou-se por utilizar o questionário na coleta de informações junto aos professores, e entrevista de roteiro semi estruturado junto aos gestores.

4.5.2.1 Sobre o Questionário

Considerando que as questões orientadoras de nossa investigação encontram-se no bojo de um campo de pesquisa pouco investigado no Brasil, optamos pela elaboração de questionário novo, pois os questionários existentes na área em estudo não poderiam ser

(re)utilizados por nós, já que retratam questões do universo estrangeiro, ora inexploradas em nosso país, ora desencontradas das nossas intenções mais gerais.

A construção da estrutura das perguntas do questionário pautou-se nas idéias de Hill e Hill (2000) que destacam pontos essenciais para investigações de pesquisas por questionário.

Assim, elaboramos e selecionamos algumas perguntas consideradas importantes para identificar necessidades formativas dos professores em exercício nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Para tanto, tomamos como base o estudo de Rodrigues e Esteves (1993) no qual se faz referência a questões voltadas às necessidades de formação docente e identificação de necessidades em pesquisas educacionais. Ressaltamos também a consulta que realizamos em alguns estudos estatísticos sobre o professor, como O PERFIL (2004) que traz alguns indicativos de necessidades a partir de problemas levantados pelos professores em pesquisa nacional financiada pela UNESCO, e o estudo de SINISCALCO (2003) que apresenta dados internacionais sobre os professores.

Um aspecto que nos preocupava na composição do questionário refere-se à forma didática de apresentação das perguntas, bem como a clareza e a síntese que as mesmas deveriam conter, uma vez que questionários muito longos dispersam a atenção e a colaboração com a pesquisa, além de dificultar a análise qualitativa em profundidade.

Alguns dados da literatura e de nossa experiência profissional nos possibilitaram o aperfeiçoamento das questões que compuseram nosso primeiro questionário, o qual foi avaliado por meio de um estudo piloto e reformulado posteriormente.

4.5.2.2 Sobre o estudo piloto

Seguimos as orientações de Hill e Hill (2000) no que se refere a amostra de composição de estudos preliminares: aleatória, pequena e extraída do universo de respondentes da investigação principal. Compuseram essa amostra 9 sujeitos do universo eleito, professores em exercício nas séries iniciais do Ensino Fundamental de 3 municípios, sendo 3 de Araraquara, 2 de Américo Brasiliense e 2 de Santa Lúcia.

O questionário do estudo piloto era composto de 20 perguntas, sendo 4 abertas e 16 fechadas. Esse momento possibilitou-nos perceber que alguns professores apresentavam dificuldade para responder as perguntas fechadas que tinham mais de uma opção de resposta, bem como as que atribuíam uma mensuração valorativa, como aquelas cujas opções eram:

“muito”, “médio”, “pouco”, e ainda: “ótima”, “boa”, “regular”, “ruim”, “péssima”, “desconhece”.

Os respondentes precisaram de um tempo estimado de 10 a 15 minutos, valendo a ressalva de que alguns ainda, em discurso explicativo e/ou dúvidas sobre a resposta chegaram a ocupar até 25 minutos para responder ao questionário. Fazia-se evidente, já no segundo município em que aplicamos o estudo piloto, a necessidade de redefinição do questionário.

E como uma das finalidades do estudo piloto se refere à identificação de incoerências e erros, foi possível visualizar na aplicação junto aos docentes, um erro referente aos intervalos de tempo descritos para idade e tempo de atuação na profissão docente.

4.5.2.3 Sobre o Questionário Definitivo

Para a composição do questionário definitivo sentimos a necessidade de uma apresentação formal de seus objetivos, descrevendo as informações básicas da pesquisa. Também se fazia necessária a diminuição do número de perguntas, sob uma linguagem direcionada e específica ao conteúdo da resposta que implicasse um entendimento claro e ágil das perguntas, de modo que a aplicação não requeresse demasiado tempo dos professores, podendo, os questionários serem recolhidos após alguns minutos da entrega pela pesquisadora. Foram poucos professores que apresentaram algumas dúvidas relativas às questões que compuseram o questionário final.

O tempo de resposta variou de 3 a 7 minutos, sendo que nos momentos em que conseguimos reunir os professores de uma mesma escola em uma única sala, utilizamos um quarto de hora (15 minutos) entre a entrega dos questionários, explicação e recolha. O tempo destinado a cada UE variou de 35 minutos a pouco mais de 1 hora para os casos em que foi impossível disponibilizar uma sala para reunir os professores e, portanto, que as aplicações e explicações se davam em pequenos grupos ou individualmente. Em algumas escolas dos municípios de Matão, Nova Europa e Santa Lúcia, a aplicação do questionário junto aos professores se efetivou posteriormente à explicação e justificativa junto à direção das unidades escolares.

Tomamos cuidado para selecionar as perguntas a compor o questionário definitivo, e mesmo sabendo da pouca viabilidade de permanência de perguntas com pouca incidência de resposta (HILL e HILL, 2000, p. 76-77) – em nosso caso, as perguntas abertas – optamos pela

permanência de 3 das 4 perguntas abertas existentes em nosso questionário preliminar, pois se faziam potencializadoras de questões emergentes do cotidiano de trabalho dos professores e, também, quanto às motivações e desmotivações no que se refere às práticas de formação a que lhes eram destinadas.

Pedimos a um profissional da estatística alguns parâmetros para validarmos a definição dos tipos de cruzamentos que as perguntas selecionadas nos possibilitariam e, assim, fechamos o questionário15 com 11 perguntas, sendo 2 abertas e o restante fechadas. Assim, nosso questionário definiu-se pela constituição de dois tipos de perguntas:

Perguntas fechadas

As perguntas fechadas ou possuíam apenas uma opção de resposta, ou duas ou mais opções. Percebemos já no momento da coleta dos dados, uma maior adesão dos professores em termos de disposição para responder às perguntas dessa natureza.

Perguntas abertas

As poucas perguntas abertas que compuseram o questionário obtiveram reformulação de linguagem, mas permaneceram sob a essência da busca pelo objeto definido a priori no estudo piloto. Elas nos possibilitaram criar um banco de dados para subsidiar pesquisas e análises futuras, uma vez que a literatura sobre “temas” de formação, “motivações versus desmotivações” frente a ações de formação continuada oferecidas pelos municípios são carentes no campo educacional.

Tanto as perguntas abertas, quanto as perguntas fechadas nos oferecera dados de inferências sobre opinião, fatos, atitudes, valores e motivos (HILL e HILL, 2000, p.89), além de desejos, expectativas, carências e dificuldades (RODRIGUES e ESTEVES, 1993) que favoreceram a análise dos dados.

15

Dados sobre a construção e reestruturação do questionário foram apresentados no ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO, 13, 2006. Recife-PE. Anais do XIII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, Recife, 2006.

4.5.2.4 Sobre as Entrevistas

As entrevistas se deram junto aos responsáveis pela educação no âmbito das municipalidades. Nosso intuito não era de estabelecer contrapontos, mas de 1) identificar ações das Secretarias Municipais de Educação na formação continuada de docentes e os critérios que servem para essas ações, bem como o de 2) identificar campos e áreas privilegiadas na formação continuada dos professores das respectivas redes de ensino do interior paulista. Isso porque, como se sabe (ESTRELA, 1998), as necessidades formativas dos docentes, não de desvinculam do contexto organizacional e pedagógico da formação que lhe é direcionada.

Os contrapontos ou “viéses” escaparam, inevitavelmente, ao escopo de nossas intenções, confirmando nossa hipótese inicial de que há diferenças paralelas, convergentes e divergentes entre a forma de se desempenhar a formação continuada e de acatar as necessidades de formação apontadas pelos professores.

A entrevista ainda possibilitou traçar um perfil dos gestores dos sistemas de educação nos municípios, bem como identificar as dificuldades que possuem na gestão dessa prática.

A escolha dessa técnica de roteiro estruturado se mostrou frutífera para validar investigações que focalizam necessidades de formação, ainda que não seja utilizada com os sujeitos foco da pesquisa.

No que refere-se à construção do instrumento de coleta de dados, cabe registrar nesse momento que solicitamos de um especialista na área de planejamento e gestão da educação, um parecer sobre nosso roteiro de entrevista. Esse parecerista, professor de universidade, sugeriu algumas modificações que foram acatadas em função da plena pertinência das observações realizadas.