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linguagem para a comunicação com pessoas, famílias, comunidades, membros de outras disciplinas e público em geral. Quando utilizadas na prática clínica, auxiliam na documentação do trabalho dos enfermeiros, bem como determinam o impacto das intervenções nos resultados dos pacientes (BUTCHER et al., 2020).

segurança aos envolvidos, melhor qualificação da tomada de decisão assistencial do profissional, inovação do cuidado, racionalização de recursos, transparência no processo, controle de custos, entre outros benefícios. Além disso, facilita o desenvolvimento de indicadores de processo e resultados, disseminação de conhecimento, comunicação profissional e coordenação do cuidado (PIMENTA et al., 2017a).

Importante destacar que a resolução COFEN n°358/09 estabelece que o Processo de Enfermagem deve ser realizado de modo sistemático em todos os âmbitos da enfermagem, com suporte teórico que oriente a coleta de dados, estabelecimento de diagnósticos de enfermagem e o planejamento de ações ou intervenções de enfermagem, fornecendo base para avaliação dos resultados de enfermagem alcançados, de modo a ampliar os conceitos de Consulta e Sistematização da Assistência de Enfermagem como forma de organização do trabalho. Essa Sistematização da Assistência de Enfermagem pode-se realizar mediante organização de protocolos, procedimentos e rotinas (PIMENTA et al., 2017a).

Diante do exposto, vê-se que a Sistematização da Assistência de Enfermagem valoriza a utilização de instrumentos/ferramentas por meio do desenvolvimento e validação de protocolos, sendo esse processo extremamente benéfico em toda a rede de atuação do enfermeiro, contribuindo para a prática assistencial, para o serviço, para o ensino e para o usuário em diferentes aspectos.

Protocolos devem ter boa qualidade formal, ser de fácil leitura, confiáveis, válidos, construídos a partir de conteúdo baseado em evidências científicas, ser corretamente utilizados e comprovadamente efetivos. Tudo isso implica em rigoroso processo de construção, adaptação à realidade local e implementação, além de seguimento por meio de indicadores de uso (processo) e efetividade (resultado) (PIMENTA et al., 2017a).

Após uma busca na literatura, no intuito de encontrar uma metodologia mais adequada para a construção de protocolo com instrumentos para a consulta de enfermagem no cuidado as pessoas com Parkinson, foi selecionada como referência para este estudo o guia do Conselho Regional de Enfermagem (COREN) de São Paulo, publicado em 2015, com revisão em 2017, que consiste em um guia específico para a construção de protocolos assistenciais de enfermagem (PIMENTA et al., 2017a).

De acordo com Pimenta et al. (2017a) para a construção e avaliação de protocolos em enfermagem é necessário seguir critérios de órgãos nacionais e internacionais, entre os quais se destaca a OMS. Nesse sentido os autores apresentam esses critérios, que foram sintetizados em 12 passos, sendo eles: origem; objetivo; grupo de desenvolvimento, conflito de interesse;

evidências; revisão; fluxograma; indicador de resultado; validação pelos profissionais que

utilizarão o protocolo; validação pelo usuário; limitações e plano de implementação, que serão descritos a seguir:

Quadro 2 - Elementos para a construção e avaliação de protocolos de assistência/cuidados

Elemento/critério Definição

1) Origem Identificar claramente a instituição que vai emitir o protocolo.

2) Objetivo

Informar a situação e as categorias de pacientes para os quais o protocolo foi organizado, assim como, o grupo de profissionais que o implementará.

3) Grupo de desenvolvimento

Incluir profissionais especialistas e relevantes na área e usuários finais.

Incluir profissionais com experiência em metodologia da pesquisa científica, em busca de evidências, análise crítica da literatura científica e análise de custo-efetividade.

4) Conflito de interesse

Refere-se a aspectos de cunho comercial, econômico/financeiro, ideológico, religioso e político. Na declaração de conflito de interesses devem constar as instituições de provisão de recursos e profissionais que elaboraram e revisaram o protocolo.

5) Evidências

São as informações cientificamente fundamentadas que justificam as ações propostas. O protocolo deve conter a descrição da estratégia para busca da evidência (estratégia de revisão da literatura), qualidade da evidência, grau da força da recomendação das evidências, identificação do percentual de recomendações baseadas em evidências, identificação das informações oriundas da opinião de especialista, considerações sobre segurança das ações e mau uso potencial em diferentes cenários e localização; custo-efetividade e escassez potencial de recursos.

6) Revisão

Conter revisão por profissional externo ao grupo elaborador, aprovação do documento pelos membros do grupo de desenvolvimento do protocolo e diretivo da instituição e plano de atualização. A atualização deve ser periódica (dentro do limite de tempo proposto, geralmente dois anos), instantânea (sempre que o grupo elaborador recuperar informação impactante que exija mudanças fundamentais) e devido a incorreções (percebidas pelo público leitor ou outros profissionais), que deverão ser

inseridas a qualquer momento. Local para

comentários/objeções/correções ao protocolo deve estar disponível e ser de fácil acesso e aberto a profissionais e usuários.

7) Fluxograma

É a representação esquemática de um protocolo. É a representação esquemática do fluxo de informações e ações sobre determinado processo que subsidia a avaliação e a tomada de decisão sobre determinado assunto. Fluxogramas, para serem de compreensão fácil e rápida, devem ser específicos.

8) Indicador de resultado

É uma variável resultante de um processo, capaz de sintetizar ou representar o que se quer alcançar, dando informações sobre uso, eficácia e efetividade de uma ação/protocolo. Indicadores precisam ser válidos (medir o que se pretende medir) confiáveis (serem estáveis, reprodutíveis). O monitoramento de indicadores deve ser atividade planificada e sistemática, para permitir a detecção de falhas e a implementação de melhorias.

9) Validação pelos profissionais que utilizarão o protocolo

É importante para garantir que o mesmo seja aceito e utilizado. Pode ser realizada pela inclusão de profissionais da instituição no grupo elaborador, sem prejuízo de participação de autoridades no tema, sendo recomendável uma validação externa.

10) Validação pelo usuário

O uso de protocolos de assistência tem como premissa a participação dos usuários dos serviços no processo de tomada de decisão. A participação pode ser individual ou por meio de entidades representativas desse grupo. A participação pode ser menor ou maior, dependendo do tipo de protocolo e serviço. O protocolo deve estar disponível aos interessados, de forma estruturada e organizada, para consulta e manifestação. O grupo elaborador deve considerar em qual etapa do processo a participação dos usuários é viável, desejável ou fundamental.

11) Limitações Deve conter identificação e aconselhamento sobre práticas não efetivas ou sobre as quais não há evidências ou as evidências são fracas.

12) Plano de implementação

O plano de implementação deve prever treinamento de todos que utilizarão o protocolo. A divulgação deve ser feita nos websites oficiais, fazer parte dos livros de divulgação, cursos, seminários e disponibilizadas eletronicamente.

Fonte: Pimenta et al., 2017a, p.17 a 19.

Antes de serem considerados aptos para a utilização na prática clínica, na avaliação em saúde ou em pesquisas, os instrumentos e protocolos devem oferecer dados precisos, válidos e interpretáveis para a avaliação de saúde da população (ALEXANDRE et al., 2013).

A elaboração de um instrumento é satisfatória quando se consegue resultados merecedores de crédito para a solução de um problema de pesquisa ou relatório de trabalho profissional, sendo importante obedecer a dois critérios, confiabilidade e validade (MARTINS, 2006; SOUZA; ALEXANDRE; GUIRARDELLO, 2017).

Instrumentos confiáveis são replicáveis e consistentes, que geram os mesmos resultados.

A confiabilidade de um instrumento refere-se à consistência ou estabilidade de uma medida.

Para a confiabilidade é preciso comparar resultados de situações semelhantes e sucessivas, através do grau em que sua repetida aplicação ao mesmo sujeito ou objeto, produza resultados iguais. Uma medida confiável não flutua entre uma leitura ou outra do mesmo objeto ou sujeito, sendo uma medida fidedigna do que se pretende aplicar (MARTINS, 2006; SOUZA;

ALEXANDRE; GUIRARDELLO, 2017).

Validade refere-se a condição de um instrumento medir exatamente o que deve medir (MOKKINK et al., 2010; LOBIONDO-WOOD; HABER, 2021). O processo de validação consiste na execução de procedimentos que visam atestar confiança na eficácia do material produzido para determinado objetivo. Existem diferentes tipos de validação, sendo que os métodos mais citados na literatura são: validade de conteúdo, validade de critério e validade de constructo. Como a proposta desta pesquisa é realizar a validação de conteúdo, passa a deter-se na fundamentação teórica desdeter-se tipo de validação (REIGADA et al., 2015; SOUZA;

ALEXANDRE; GUIRARDELLO, 2017).

A validação de conteúdo tem sido definida como: o grau que o conteúdo de um instrumento reflete adequadamente o constructo que está sendo mensurado; se existe ou não amostras de itens para a inclusão adequada do instrumento no domínio de representação do conteúdo abordado; e a medida que o instrumento tem amostras adequadas no domínio da pesquisa de interesse ao tentar medir os fenômenos (POLIT; BECK, 2019).

Existe uma concordância geral nessas definições de validade do conteúdo que concerne no grau que cada amostra de itens, tomadas em conjunto, constituem uma definição operacional adequada de uma construção (POLIT; BECK, 2019). A validade de conteúdo significa reconhecer o quanto a medida incorpora o domínio do fenômeno estudado, sendo usada para determinar a relevância de itens ou componentes do instrumento (FERNANDES; LACERDA;

HALLAGE, 2006).

Como não existe um teste estatístico específico para avaliação da validade de conteúdo, geralmente utiliza-se uma abordagem qualitativa, por meio da análise de um comitê de especialistas, os quais são indivíduos que possuem capacidade de analisar o constructo, conferindo-lhe validade (KIMBERLIN; WINTERSTEIN, 2008) e após uma abordagem quantitativa com utilização do índice de validade de conteúdo - IVC (SALMOND, 2008). Esse método de análise por meio da avaliação de especialistas na criação e aperfeiçoamento de instrumentos na área da saúde já é prática consolidada (FUJINAGA et al., 2008).

Ainda que os Protocolos Assistenciais de Enfermagem tenham um grande potencial de melhorar a prática clínica, após a sua celaboração e validação a sua adoção e uso não ocorrem de forma automática. A implementação de evidência é um processo complexo que envolve além do desenvolvimento de protocolo, a sua disseminação e a busca de estratégias para promover a adesão dos profissionais ao protocolo construído (PEARSON; JORDAN; MUNN, 2012).

Dessa forma, a implementação de um Protocolo Assistencial de Enfermagem requer avaliação prévia e criteriosa das práticas que serão alteradas, da instituição onde as práticas ocorrem, da personalidade e valores dos profissionais que serão envolvidos no processo de

mudança e dos consumidores finais (PIMENTA et al., 2017b)

Nessa fase é importante a identificação de resistências e barreiras e os mecanismos para superá-las, assim como aspectos facilitadores a implementação do protocolo, como identificação de recursos disponíveis, profissionais facilitadores do processo e examinar que estratégias de implementação poderão funcionar em cada contexto e prever os principais resultados esperados após a implementação (PIMENTA et al., 2017b).

4. Referencial Teórico