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Elementos caracterizadores de uma Educação Integral

CAPÍTULO 2 EDUCAÇÃO INTEGRAL

2.3 Elementos caracterizadores de uma Educação Integral

Neste trabalho, assume-se a perspectiva holística defendida por Yus (2002) que contempla as características de uma educação integral. Assim, apontar- se-á seus principais elementos caracterizadores iniciando pela concepção de J.P.Miller (1996 apud YUS, 2002, p. 14-15) ao indicar que o centro de atenção da educação holística está em todos os tipos de relações:

Relações entre pensamento linear e intuição (exemplo, utilização de

metáfora e visualização), entre mente e corpo (exemplo, pelo movimento, pela dança, pela dramatização e pelos exercícios de concentração e de relaxamento), entre domínios de conhecimento (exemplo, as abordagens interdisciplinares do pensamento e as centradas no tema, na linguagem global, etc), entre o eu e a

comunidade (exemplo, habilidades interpessoais, de serviço

comunitário e de ação social) e, entre o eu e o Eu (exemplo, busca a parte mais profunda através da dança, música, poesia, pintura, drama, mitologia).

Para a Holistic Education Network of Tasmania (HENT) (apud YUS, 2002, p. 18-19), a educação holística pode ser caracterizada da seguinte maneira:

1. Está relacionada com o crescimento de todas as potencialidades da pessoa; 2. É uma questão de compreensão e significado: dá condições para que se compreendam os contextos que determina e dão significado à vida; 3. Reconhece o potencial inato de todo aluno para um pensamento inteligente, criativo e sistêmico; 4. Reconhece que todo conhecimento é criado a partir de um contexto cultural e que os “fatos”, raras vezes, são algo mais do que pontos de vista

compartilhados; 5.valoriza o conhecimento espiritual entendido como conexão de toda vida, respeitando a diversidade na unidade.

Noticia Yus (2002, p. 20) que em junho de 1990, ocorreu a Oitava Conferência Internacional de Educadores Holísticos na cidade de Chicago, originando-se dela a Declaração de Chicago, tida como o principal marco da educação holística no planeta, cujo texto deixa ressaltar alguns aspectos importantes tais como:

A perspectiva holística é o reconhecimento de que a vida neste planeta está interligada de incontáveis, profundas e sutis maneiras. A visão da Terra, suspensa sozinha no véu negro do espaço, revela a importância de uma perspectiva global voltada para realidades sociais e educativas. A educação deve nutrir-se da comunidade humana de todo o planeta. [...]. O holismo procura ampliar a maneira como nos vemos e a relação que temos com o mundo, exaltando nossos potenciais humanos inatos: o intuitivo, o emotivo, o físico, o imaginativo e o criativo, assim como o racional, o lógico e o verbal.

Ainda como fruto dessa Conferência, foi fundada a Global Alliance for Transforming Education (GATE), que elaborou o documento intitulado Educação 2000: uma perspectiva holística, onde constam os dez princípios que atualmente servem de referência a todos os educadores holísticos do mundo:

Princípio I: educar para o desenvolvimento humano; Princípio II: respeitar os alunos como indivíduos; Princípio III: o papel central da experiência; Princípio IV: educação holística; Princípio V: o novo papel dos educadores; Princípio VI: liberdade de escolha; Princípio VII: educar para uma democracia participativa; Princípio VIII: educar para uma cidadania global; Princípio IX: educar para a alfabetização da Terra; Princípio X: espiritualidade e educação.

A Educação holística tem por finalidade restabelecer as conexões de todas as esferas da vida (POVALUK, 2011, p. 7242). Esta afirmação está de acordo com os ensinos de Yus:

A educação holística não se centra na determinação de quais fatos ou habilidades os adultos deveriam ensinar as crianças, mas na criação de uma comunidade de aprendizagem que estimule o crescimento do envolvimento criativo e interrogativo da pessoa humana. Ela é nutridora de pessoas saudáveis, completas e curiosas, que podem aprender qualquer coisa que precisem e em qualquer contexto (YUS, 2002, p. 17).

Yus (2002, p. 21 a 25) revela importantes elementos constitutivos de uma educação holística ou integral a partir dos estudos que empreende acerca dos inúmeros conceitos existentes, sendo extremamente pertinente e esclarecedor destacá-los abaixo:

1.Globalidade da pessoa. A pessoa não é apenas “mente”, mas também é corpo e espírito, e estes são elementos que estão estreitamente relacionados com um todo. Está interessada no crescimento de todas as potencialidades humanas: intelectual, emocional, social, física, artística/estética, criativa/intuitiva e espiritual. 2. Espiritualidade. Estado de conexão de toda a vida, de experiência do ser, de sensibilidade e compaixão, de diversão e esperança, de sentido de reverência e de contemplação diante dos mistérios do universo, assim como do significado e do sentido da vida. 3. Inter-relações. Todos os seres animados e inanimados estão interligados e unificados. 4. Equilíbrio. Afasta o dualismo e busca conciliar as diversas verdades. 5. Cooperação. Privilegia decisões coletivas. 6. Inclusão. Respeito à igualdade. 7. Experiência. Educação não é uma preparação para a vida, ela “é” a vida. 8.

Contextualização. A educação se dá em um contexto histórico e

cultural.

Yus (2002, p. VIII) afirma de forma enfática que “O que precisamos é de uma mudança de paradigma”. Mudar de paradigma na educação segundo Trevisol (2008, p. 104) “é passar de um conceito de educação informativo-racional para aquele formativo-integral”. Busca-se recuperar a totalidade da pessoa, e uma das maiores dificuldades é a superação da visão fragmentada surgida em nome de uma racionalidade científica.

A escola, de forma ampla, está totalmente dividida em disciplinas isoladas, ensina a ter certeza das coisas, a memorização, a repetição mecânica, a não questionar, gera padrões comportamentais preestabelecidos sob pena de punição, limita o educando seja nos movimentos - quando preso a uma cadeira - seja em suas falas e expressões. O professor é o único a transmitir o conhecimento. O aluno tem a obrigação de assimilá-los para sair bem nas provas. Currículo e horário são rígidos e as aulas quase sempre são expositivas. É assim que se compreende educação como instrução.

Influenciados por novas teorias que se somam em um novo paradigma à educação, de saída, é preciso buscar um modo de perceber a globalidade da realidade a ser transformada, com uma metodologia que não reduza todos os aspectos do fenômeno a setores estanques.

Uma ou várias inquietações se mostram presentes: a) Pode haver um ou mais referenciais teóricos com capacidade de nortear a busca de um novo paradigma a educação? b) Em existindo estes referenciais, serão eles capazes de conciliar as grandes verdades e proporcionar um desenvolvimento do homem e do mundo? Tentando encontrar respostas para estas indagações, encontra-se em Ken Wilber um conjunto de possibilidades onde se busca a superação das visões separatistas, com respeito aos pontos fortes e limites de cada época, e um modelo pós-metafísico capaz de abraçar a ciência, a arte e a ética numa estrutura de todos os quadrantes e todos os níveis.

CAPÍTULO 3