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O Estatuto da A.L.E.C.A

CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO E REFLEXÃO SOBRE OS DADOS

5.1 Análise documental

5.1.1 O Estatuto da A.L.E.C.A

O Estatuto da instituição foi aprovado por meio de uma Assembleia Geral que se realizou no dia sete de setembro de dois mil e quatro, em observância às normas de direitos civis brasileiras para a criação de pessoas jurídicas, tendo elegido os membros do primeiro Conselho Orientador, Conselho Fiscal e Diretoria.

De modo geral, o Estatuto é formado por quarenta e seis artigos e subdividido em seis Títulos, contendo a denominação, fins, sede, quadro social, colaboradores, patrimônio, receita, administração, eleições e disposições gerais.

Da leitura do Estatuto, foi possível verificar que a A.L.E.C.A. foi constituída por integrantes de um Grupo Espírita, sem fins lucrativos, para viabilizar

duas grandes áreas: a social e a educacional. Na área social, a instituição visa apoiar famílias em difícil situação econômica, sem acesso a elementos e serviços básicos como alimentação, vestuário, saúde, educação etc.

A entrada nos programas e ações da A.L.E.C.A. se dá inicialmente com a família. Esta, após passar por uma análise de profissionais da assistência social e preenchendo os requisitos de miserabilidade, moradia em áreas de exclusão social, família numerosa, dificuldades em acessar os serviços básicos de saúde e educação oferecidos pelo Governo e aceitar voluntariamente o convite, é cadastrada e começa a desfrutarar de benefícios oferecidos, que vão desde alimentação, passando por vestuário, saúde, cursos, creche etc., chegando à inserção das crianças e adolescentes na escola.

O Estatuto (2004, p. 1) traz de forma expressa no artigo 2º que um dos objetivos é proporcionar, dentro do espírito de solidariedade cristã, assistência integral e bem-estar, estimulando uma ampla afetividade e senso de responsabilidade nos beneficiários (crianças, adolescentes, adultos e idosos). Mais especificamente na área educacional, consta que será facultada orientação e conscientização para uma vida plena por meio de uma formação humanística, um desenvolvimento integral.

Sobressai da análise, que existe, neste documento original de criação da instituição, a declaração de que haverá uma preocupação com aspectos interiores do indivíduo, como a solidariedade, a afetividade, o senso de responsabilidade, busca por uma vida plena, uma formação humana e um desenvolvimento integral. Estes dispositivos deixam ressaltar o aspecto intencional da instituição.

No aspecto comportamental, a instituição é composta por Associados Fundadores e Associados Efetivos, em número ilimitado, com direitos e deveres expressos. O Conselho Orientador é o órgão deliberativo, consultivo e fiscalizador. A Assembleia Geral é órgão de deliberação máxima. Nas observações e em conversas informais, percebe-se o quanto os gestores têm consciência de um movimento cada vez mais acelerado do mundo e das necessidades dos alunos e funcionários. Isto tem demandado da organização, uma contínua atualização de habilidades e conhecimentos em diversas áreas.

O aumento das necessidades de todas as ordens, para a manutenção dos serviços, contempla desde aspectos humanos até o financeiro, e influenciam diretamente o comportamento da instituição. As pessoas são diferentes e resistem a se tornarem mais flexíveis a ponto de acompanhar a rápida mudança. Por outro lado, percebe-se que a instituição também é fator de modelagem das pessoas, pois pode influenciar suas necessidades e motivos. Contudo, o elemento humano se torna preponderante a consecução dos objetivos institucionais.

Os aspectos comportamentais e interpessoais são, indiscutivelmente, responsáveis pela maior parte dos conflitos presentes no dia a dia da instituição.

O comportamento da instituição, em um aspecto qualitativo, está diretamente ligado ao modelo de administração que se adote. No caso estudado, verifica-se que a administração promove um clima de ajuda ao crescimento dos empregados e realização daquilo que são capazes. Por outro lado, nem todos os professores estão motivados a se desenvolverem no sentido de chegar ao uso pleno das suas capacidades, seja por não terem se apropriado dos objetivos maiores, seja pelo clima de instabilidade quanto a manutenção dos programas e projetos, isto é, há um clima de incerteza quanto ao futuro.

Há pessoas na instituição que assumem responsabilidades, sentindo-se parte do processo, com desejo de contribuir e desenvolver a si mesmas, sejam gestores, professores, voluntários ou funcionários. Este grupo de pessoas tende a formar uma espécie de instância colegiada com objetivos comuns.

No aspecto cultural, o estatuto expressamente declara que há uma crença na Doutrina Espírita (KARDEC, 1999). É vedada a filiação político partidário e todos os cargos de direção não fazem jus a qualquer tipo de remuneração. Em que pese haver uma religião fundadora da instituição, não se exige de seus filiados, funcionários ou voluntários a adesão a esta religião.

Nos depoimentos, pôde-se perceber que muitas vezes a moral está diretamente ligada ao aspecto religioso. O ensino religioso complementaria a formação do cidadão. Utiliza-se a história de vida de pessoas ou personalidades que vivenciam ou vivenciaram experiências religiosas, muitas vezes diferentes da professada, e que dão importância à espiritualidade, tais como Madre Tereza, Gandhi, Sai Baba, Jesus, Buda etc, com objetivos pedagógicos.

A filosofia da escola investigada vê o educando como um ser em processo de desenvolvimento e acredita em sua projeção a uma vida social mais digna. Sua missão compreende que o educando deve ser visto como ser completo, com necessidades múltiplas. Seu currículo tem como requisito básico a abordagem dos temas transversais e uma abordagem pedagógica que o aluno possa interagir com teoria, prática e experiências coletivas.

As estratégias adotadas na A.L.E.C.A buscam agregar os alunos, os gestores, os funcionários e voluntários em torno de uma identidade, um conjunto de características que possa distinguir a escola de outras. Nas observações de campo, pôde-se evidenciar que os gestores costumam solicitar dos professores e funcionários, muito afeto, carinho e amor no trato com as crianças e adolescentes.

A identificação com a liderança, que no caso investigado recai sobre poucas pessoas, funciona criando uma espécie de modelo através da imagem do líder, consequentemente, o grupo interioriza valores e condutas. Novos membros são socializados dentro dos padrões estabelecidos e há uma reprodução da cultura vigente.

A escola está imersa em um contexto social, econômico e político macro, e sofre diretamente as amarguras e alegrias destes fatores. Em certa medida, verifica-se que há uma rotinização das atividades e uma homogeneização do comportamento. Os professores, muitas vezes, agem exatamente de acordo com a educação tradicional.

No aspecto social, há previsão (art. 2º, alínea “e”) de constituição de creches, escolas, cursos, serviços de atendimento à saúde, promoção social, oficinas, agropecuária, abrigos, lares comunitários, bibliotecas, livrarias, editoras e locais próprios ao auxílio e conforto a criatura humana.

A escola procura incentivar que as comunidades onde as suas duas unidades estão inseridas se envolvam e participem cada vez mais da vida escolar. Há uma boa relação escola-comunidade e alguns problemas comuns que existem em comunidades periféricas, em grande parte são facilmente solucionados. Mesmo sem recursos e muitas vezes sem conhecimentos, a comunidade, quando

estimulada, participa e ajuda bastante a melhorar a escola e também a sua própria qualidade de vida.