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1. Introdução

2.5 Dança e Terceira Idade

2.5.2 Elementos da Dança

A dança é uma atividade corporal que possui características e especificidades próprias, um conjunto de elementos que, em combinação, tornam possível a identificação como tal.

De acordo com Laban (1978), o homem pode modificar a sua conduta de esforço e refinar os seus movimentos habituais até torná-los expressivos, transformando-se em atividades rítmicas orientadas, o que denomina a dança. Rudolf Laban codificou quatro fatores do movimento e as suas respetivas possibilidades qualitativas:

• Fluência - livre ou controlada: é o controle ou expansão do movimento ou das partes do corpo em relação à reação de estímulos internos e externos;

• Espaço - focado ou multifocado: é o lugar que o corpo ocupa e executa formas e movimentos;

• Peso - leve ou firme: a energia e força muscular utilizadas na resistência do peso do corpo em relação à lei da gravidade;

• Tempo - rápido ou lento: é o elemento necessário à observação das ações corporais que se processam durante um período e podem ser medidas através da velocidade, ritmo, pausa, acento ou unidade

É importante ressaltar que estes fatores do movimento podem caracterizar diversos instrumentos utilizados na aprendizagem ou construção da

dança. Fluência pode abranger continuidade ou pausa. Espaço pode abranger linhas, formas, retas, curvas, sinuosidades. Peso pode abranger força, energia, intensidade. Tempo pode abranger duração, métrica, ritmo, pulsação. (Laban, 1978)

Para uma maior explanação sobre os elementos da dança, vê-se necessária a abordagem mais específica dos seguintes fatores:

2.5.2.1. MOVIMENTO

Segundo Nanni (1995), desde o nascimento o homem utiliza o movimento como uma linguagem para comunicar as suas necessidades, sentimentos e emoções, o que possibilita a interação deste com o meio em que vive e com os outros. Segundo o autor o movimento pode ser compreendido como uma ação motora, resultante da integração de processos físicos, cognitivos, afetivos, sociais e ambientais.

O movimento pode ser compreendido como uma força resultante de uma reação psíquica ou emocional que atua sobre o corpo e determina variações de tensão muscular e gasto de energia (Fahlbusch, 1990).

2.5.2.2. ESPAÇO

O conceito de espaço no contexto da dança pode ser descrito como o lugar que o corpo ocupa em determinados limites e tem como referenciais os planos, sentidos, direções, deslocamentos e trajetórias (Nanni, 1995).

De acordo com Fahlbusch (1990), o espaço na dança significa um potencial de dimensão e de posição para o dançarino. A posição determina o plano do dançarino em relação à superfície do solo e à direção em que ele se movimenta. A dimensão refere-se à amplitude do movimento do dançarino.

Segundo Rengel (2003), a “cinesfera” é o espaço pessoal de cada um, delimitado pelo alcance dos membros e outras partes do corpo a partir de um determinado ponto fixo referencial. A “cinesfera” coexiste com o ambiente, com o espaço e mantém-se em constante relação com o corpo.

Ossona (1988) refere que na dança ou coreografia, há a utilização da formação espacial, que se pode estabelecer de formas diferentes: círculos,

linhas paralelas, filas, diagonais, divisão em diferentes grupos. Para a autora, cada formação espacial pode conter características expressivas, objetivos específicos ou funções decorativas.

Monteiro (2007), afirma que, na dança, é possível realizar a exploração de uma multiplicidade de elementos a nível de espaço pessoal e geral, como as trajetórias, padrões de deslocamento, progressões espaciais, direções e níveis, exploração de eixos e planos, a delineação de focos ou pontos focais e o design corporal no espaço.

2.5.2.3. SOM, RITMO E TEMPO

O ritmo é a estrutura do desenho do movimento num tempo específico e, no contexto da dança, requer um padrão estruturado de movimentos. O ritmo pode ser compreendido também como fenómeno grupal, que na dança significa a sincronia de movimentos na execução coletiva (Fahlbusch, 1990).

Segundo Nanni (1995), a música pode ser considerada um fator de estimulação e de excitação de todo sistema motor. A música pode favorecer a execução do movimento ao estabelecer o seu ritmo, que é a disposição harmónica entre o movimento potencial e o movimento libertado em diferentes intensidades e vibrações.

De acordo com Fux (1983), o movimento em junção com o estímulo musical permite a total compreensão da musicalidade, ou seja, a compreensão e a apreciação musical são ampliadas a partir da mobilização corporal. A autora defende que é indispensável o estudo do movimento através da expressão musical para que haja a integração e vinculação entre música e dança.

Para Monteiro (2007), o tempo, em termos de dança, pode ser trabalhado com incidência na velocidade e na duração, no fraseamento, na métrica e compasso e nos padrões rítmicos.

O ritmo pode ser considerado o elemento propulsor dos jogos coreográficos, que se estruturam como um todo harmónico com a música, o tempo e os movimentos do corpo (Nanni, 1995).

2.5.2.4. CORPO

Nanni (1995) considera que o corpo pode ser compreendido em duas dimensões: o corpo individual, que consiste no corpo pelo qual o ser se expressa e toma consciência do mundo de forma geral, e o corpo relacional, que possibilita o diálogo e a troca com o ambiente e com o outro, através das relações e interações.

De acordo com Greiner & Katz (2001) o corpo resulta de negociações contínuas com o ambiente e transporta essa forma de existir para outras instâncias de funcionamento. As autoras afirmam que o processo de troca de informação entre o corpo e o ambiente resulta no estabelecimento de redes de conexão, já que cada tipo de aprendizagem traz ao corpo uma rede conectiva particular. Meio e corpo ajustam-se permanentemente num fluxo de transformações e mudanças.

Segundo Fux (1983), a expressão e a criação no nível do corpo são próprias do ser humano, independentemente de seu estágio cultural ou de suas condições físicas.

Monteiro (2007), afirma que na perspetiva da dança, o corpo pode ser compreendido como um instrumento, um veículo, no sentido de ser um transmissor de mensagens e emoções, e uma matéria, por ser uma realidade física.

2.5.2.5. COREOGRAFIA

Para Moura (2007), na coreografia tradicional o processo de criação deve ser pensado e desenvolvido em função dos objetivos do professor ou coreógrafo, dos participantes e do contexto em que se aplica. A autora afirma que a coreografia é um espaço de composição coreográfica desenvolvida sobre materiais da cultura tradicional, com o objetivo de obter um produto performativo capaz de ser apreciado enquanto elemento de espetáculo.

No processo de composição coreográfica, há elementos estruturantes, como: função, que seria o motivo ou objetivo da dança; materiais, que incluem os materiais físicos, ou materiais móveis, a audiência, que diz respeito ao público

que visualiza ou aprecia a obra (Moura, 2007).

Em seguida, um quadro com maior abrangência dos fatores de movimento e elementos da dança em geral:

Tabela 1 - Resumo dos temas e conteúdos da Dança (Carvalho & Lebre, 2011)

Temas e conteúdos - Dança

Temas Conteúdos Exemplos/explicação:

N

oçã

o

C

orporal

Ações Deslocar/locomoção, elevar/salto, virar/volta, gesto/isolamento, pausa, queda/desequilíbrio, torcer, fletir/contração, expandir/alongamento, transferir peso….

Partes Cabeça, braços…

Formas Dobradas, alongadas…

N oçã o de te m po

Ritmo/cadência Repetição dos fenómenos em intervalos regulares - (sons, musicas)

Ritmo/estrutura Modificações periódicas qualitativas (intensidade – forte/fraco), ou quantitativas (duração – longo/curto) - (sons, musicas)

N oçã o de E s paç o

Níveis Alto, médio e baixo

Amplitude Abertura, fecho

Direções Cima, frente, trás …

Percursos Retilíneos, curvos, irregulares…

R e la ç ã o

R. com o corpo Tocar, puxar… R. com o/os colega/s Empurrar, aproximar… R. com objetos Afastar, envolver… R. com o meio Interpretar, sentir, reagir …

E

ner

g

ia

Tempo Rápido, descontraído …

espaço Amplo, contido …

peso leve, em esforço …

Fluência Livre, continua, aos solavancos…

Cr ia tiv id a d

e Improvisação Com diferentes estímulos (temas, vídeos, palavras) sem a preocupação de reprodução

Composição De movimentos Membros Superiores, de sons, de passos. Com a preocupação de reprodução/repetição C ore ograf ia Relação

musica/movimento Estreita afinidade e intencionalidade entre o movimento e a música/som

Trabalho de dinâmica coreográfica (grupo)

Execução dos mesmos movimentos de forma sincronizada, em rápida sucessão, em “canon”, em “ contraste “…

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