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Para Rumble (2003), a gestão é um exercício comum a todas as organizações, sejam públicas ou privadas, grandes ou pequenas. Concordando com Rumble sobre processo de gestão, Moore e Kearsley (2008, p. 12) completam, afiançando que, independentemente do tamanho da instituição de ensino, ela precisa garantir a existência dos componentes elencados no Quadro 4.

Quadro 4 – Componentes de um sistema de Educação a Distância.

ITEM COMPONENTES DE EaD

1 Fonte de conhecimento que deve ser ensinada e aprendida

2 Subsistema para estruturar o conhecimento em materiais e atividades para os alunos 3 Subsistema para transmissão dos cursos

4 Professores para interagir com os alunos, à medida que usam materiais 5 Alunos em seus ambientes distintos

6 Subsistema para controlar e avaliar resultados e intervir quando ocorrerem falhas 7 Organização e política para ligar a estrutura organizacional e seus componentes.

Fonte: Adaptado de Moore e Kearsley, 2008, p. 12-13.

Moore e Kearsley (2008) propõem que as instituições educacionais monitorem os fatores relacionados à quantidade e qualidade de consultas e matrículas (acompanhamento das variáveis demográficas e socioeconômicas); ao sucesso dos alunos (obtenção de certificação em outras instituições); à satisfação dos cursistas (avaliação e comentários sobre o conteúdo, organização do curso, instrutores, materiais de instrução e sistema de veiculação); à satisfação do corpo docente (avaliar o grau em que as estratégias de ensino e os materiais são eficazes, se os serviços de apoio aos alunos são adequados e se o curso atende às necessidades dos alunos e da instituição); à reputação do programa ou da instituição (matrículas efetuadas, número de formandos satisfeitos com seus cursos e se os empregadores que os contratam estão satisfeitos com o desempenho no cargo); à qualidade dos materiais do curso (produzir um material de qualidade e seguindo padrões estabelecidos pelos órgãos nacionais).

Rumble (2003) descreve a gestão como um processo que permite o desenvolvimento de atividades de forma efetiva, a tomada de decisão com respeito às ações que se fizerem necessárias, a escolha e verificação da melhor forma de executá-las.

Aires e Lopes (2009, p. 241) veem a gestão atualmente como “um dos grandes desafios enfrentados pelas organizações”, necessitando buscar propostas e desenvolver práticas que superem as perspectivas tradicionais de seus processos e componentes de gestão. García Aretio (2009, p. 55) salienta que a estrutura administrativa e de gestão da Educação a Distância deve adotar “enfoque específico e bastante distinto” quando se trata de ensino presencial e à distância e recomenda cuidados com a definição de tarefas docentes, competências, gestão do desempenho individual acadêmico e administrativo, avaliação dos alunos e organização de diferentes âmbitos de interação.

Para fazer gestão na educação escolar no Brasil é preciso conhecer uma gama de leis e normas relacionadas, criadas nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal, considerado sistema legal, que abrange desde diretrizes curriculares a financiamento e fontes

de recursos (CURY, 2011). Além desses, os gestores precisam estar atentos a outros elementos que são gerenciáveis.

Assim, Aires e Lopes (2009) compreendem como componentes de sistema de EaD: sistemas administrativos; os serviços de atenção ao aluno; desenvolvimento e produção de materiais, mediação tecnológica e acompanhamento tutorial.

Gerir o sistema de Educação a Distância envolve promover ações ligadas a equipes multidisciplinares, recursos materiais, físicos, financeiros, pedagógicos, entre outros. E outros serviços devem ser incluídos também, como: apoio aos alunos; acompanhamento tutorial; desenvolvimento e produção de materiais; suporte tecnológico. Esses últimos componentes, se funcionarem integradamente, podem proporcionar melhores resultados e maior qualidade para os cursistas (MOORE; KEARSLEY, 2006, AIRES E LOPES, 2009). Autores como Mill (2012) também fazem recomendações particulares aos processos da EaD, pois entendem que se houver um pronto atendimento em relação ao gerenciamento desses aspectos, maior será a probabilidade de sucesso da gestão.

Recomenda-se que na fase de concepção, elaboração e implementação dos cursos pela modalidade de EaD, “os gestores que nela atuam” sejam “convidados a atentarem para diversos aspectos: legislação; cultura institucional; infraestrutura; recursos humanos; financeiros; materiais; tecnológicos; parcerias; logísticas”, dentre outros. E segue afirmando que o desafio do gestor “é gerenciar questões microscópicas cotidianas, sem perder de vista as inter-relações dos processos, numa perspectiva macroscópica”, ou seja, pensar no todo para agir por partes, conforme descreve Mill (2012, p. 28).

5 ADESÃO, EVASÃO, PERSISTÊNCIA E PERMANÊNCIA DISCENTE

Segundo o Censo EaD Brasil 2015-2016, os cursos a distância tiveram aumentos de matrículas com valores significativos:

Em 77,77% das instituições do SNAs, houve aumento em matrículas de cursos semipresenciais. Órgãos públicos, instituições públicas municipais e instituições privadas com fins lucrativos apresentaram aumento significativo de matrículas nos cursos totalmente a distância, com 60%, 50% e 45,46%, respectivamente. Os cursos livres se destacaram nas ONGs, que apresentaram aumento de matrículas na faixa dos 66,67% (CENSO EaD BRASIL, 2015, p. 68).

A modalidade oferece algumas facilidades quanto à logística de deslocamento, flexibilização de horários, tipos de tecnologias utilizadas, valores de mensalidade, entre outras características peculiares. Com isso cresce também a preocupação em criar estratégias para elevar as taxas de permanência, e assim, entender as causas e os motivos da adesão, retenção, permanência e evasão se tornaram imprescindíveis.

Para que se estimulem os estudantes a permanecerem no sistema de ensino com sucesso, a fim de obterem sua diplomação, Freitas (2009) ressalta que é necessário que se volte a investigar como os estudantes podem ser encorajados a persistir na vida escolar, passando-se a enfatizar a prevenção da evasão e a permanência. Entende que para isso é preciso definir qual termologia seria a mais adequada, considerando que na literatura existem os termos adesão, aderência, permanência e persistência, abordados a seguir.

Compreender as variáveis que compõem esses conceitos pode ajudar a entender determinadas escolhas feitas pelos discentes e talvez auxiliá-los em alternativas mais acertadas a fim de melhorar os índices ou indicadores que favorecem a diplomação com sucesso e no tempo considerado adequado nos cursos. A falta de retenção, ou mesmo o abandono, tem desafiado os sistemas educacionais e parece ser especialmente acentuado no ensino à distância, além de ser considerado um tema complexo e multidimensional (BERGE; HUANG, 2004).