3. RESPONSABILIDADE CIVIL
3.4 Elementos da responsabilidade civil
Para a configuração da responsabilidade civil, não basta somente que o ato meramente ocorra e que cause dano. Existem elementos a serem analisados e estejam presentes para que possa se configurar um dano, que de fato é cabível de reparação. São elementos da Responsabilidade Civil: a “ação”, o “dano”, o “nexo de causalidade” e a “culpa”.
“Ação” nada mais é do que o ato que gera o dano, ou seja, é o fato gerador da responsabilidade civil, ato de alguma forma irá prejudicar alguém.
Ao consultar o artigo 186, do Código Civil, temos que:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. (BRASIL, 2002)
Na responsabilidade civil requer que tenha a existência de uma ação comissiva ou omissiva, uma vez que juntamente com a culpa há o risco com fundamentos da obrigação de indenizar, essa obrigação de indenizar via de regra, advém da culpa, da reprovabilidade da conduta do agente.
Para SILVIO RODRIGUES, a ação ou omissão do agente, que dá origem à indenização, geralmente decorre da infração de um dever, que pode ser legal (disparo de arma em local proibido), contratual (venda de mercadoria defeituosa, no prazo da garantia) e social (com abuso de direito: denunciação
42 caluniosa). (RODRIGUES apud GONÇALVES, 2017)
Para que se configure a responsabilidade por omissão é necessário que exista o dever jurídico de praticar determinado fato (de não se omitir) e que se demonstre que, com a sua prática, o dano poderia ter sido evitado. (GONÇALVES, 2017)
A ação é a forma mais comum de exteriorização da vontade humana, consistindo no movimento corpóreo comissivo, um comportamento positivo, o qual provoca a destruição de um bem alheio. Por outro lado, a omissão se interpreta na inatividade, na abstenção, em impedir que um ato aconteça, responderá pelo dano não porque o causou, mas sim porque não impediu que acontecesse. (CAVALIERI FILHO, 2012)
O agente poderia ter agido de outra forma nas circunstâncias do caso. Porém, atualmente não há um único padrão de conduta correta, existem vários modelos, os quais devem ser levados em consideração quando da apuração de culpa.
“Dano” nada mais é que o resultado da ação, o dano é o vilão da responsabilidade civil, pois, não há que se falar em ressarcimento se não houver o dano.
O dano é, sem dúvida, o grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria que se falar em indenização, nem em ressarcimento, se não houvesse o dano. Pode haver responsabilidade sem culpa, mas não pode haver responsabilidade sem dano. A obrigação de indenizar só ocorre quando alguém pratica ato ilícito e causa dano a outrem. O dano encontra-se no centro da regra de responsabilidade civil. O dever de reparar pressupõe o dano e sem ele não há indenização devida. Não basta o risco de dano, não basta a conduta ilícita. Sem uma consequência concreta, lesiva ao patrimônio econômico ou moral, não se impõe o dever de reparar. (CAVALIERI FILHO, 2012)
O dano possui várias tipificações, entretanto, no presente capítulo será abordado somente o “dano patrimonial/material” e o “dano moral”
O Dano Patrimonial ou Dano Material como também é conhecido, é aquele que reflete o mundo real, concreto, irá atingir os bens integrantes do patrimônio da vítima. O dano moral ainda se subdivide em “dano emergente” e “lucros cessantes”. Dano emergente corresponde àquilo que a vítima perdeu, já os lucros cessantes, correspondem àquilo que a vítima deixou de ganhar em razão do dano.
Com referência ao dano emergente, sempre presentes são as palavras de AGOSTINHO ALVIM, que pondera ser “possível estabelecer, com precisão, o desfalque do nosso patrimônio, sem que as indagações se perturbem por penetrar no terreno hipotético. Mas, com relação ao lucro cessante, o mesmo já não se dá”. E a respeito do lucro cessante, assevera, com maestria: “Finalmente, e com o intuito de assinalar, com a possível precisão, o
43 significado do termo razoavelmente, empregado no art. 1.059 do Código, diremos que ele não significa que se pagará aquilo que for razoável (ideia quantitativa) e sim que se pagará se se puder, razoavelmente, admitir que houve lucro cessante (ideia que se prende à existência mesma de prejuízo). Ele contém uma restrição, que serve para nortear o juiz acerca da prova do prejuízo em sua existência, e não em sua quantidade. Mesmo porque, admitida a existência do prejuízo (lucro cessante), a indenização não se pautará pelo razoável, e sim pelo provado” (AGOSTINHO ALVIM, 1995 apud GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012)
Vale ressaltar que o dano material pode atingir não somente o patrimônio presente da vítima, mas também o futuro, pode provocar não somente a diminuição, mas também o impedimento de seu crescimento.
Dano Moral é um dano abstrato, não sendo possível nota-lo no mundo concreto de forma objetiva. É o dano que atinge o indivíduo em seu íntimo, age essencialmente da “psique” da pessoa.
Dano moral seria aquele que não tem caráter patrimonial, ou seja, todo dano não material. Segundo Savatier, dano moral é qualquer sofrimento que não é causado por uma perda pecuniária. Para os que preferem um conceito positivo, dano moral é dor, vexame, sofrimento, desconforto, humilhação - enfim, dor da alma. (CAVALIERI FILHO, 2012)
A Constituição Federal de 1988 elevou o dano moral em patamar de direito fundamental, artigo 5°, incisos V e X:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
(...)
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Após a elevação do dano moral a um direito fundamental, diversas legislações infraconstitucionais passaram a inserir normas referentes ao dano moral, como foi o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A reparação por esse tipo de dano não visa dar preço a dor que o indivíduo sofreu, mas sim com a finalidade de compensar, reparar.
“Nexo de causalidade” é uma relação lógica entre o ato e o resultado, pois, não há como atribuir uma responsabilidade a alguém sem que o resultado
44 danoso tenha ligação lógica com o ato praticado e seu agente.
“Uma das condições essenciais à responsabilidade civil é a presença de um nexo causal entre o fato ilícito e o dano por ele produzido. É uma noção aparentemente fácil e limpa de dificuldade. Mas se trata de mera aparência, porquanto a noção de causa é uma noção que se reveste de um aspecto profundamente filosófico, além das dificuldades de ordem prática, quando os elementos causais, os fatores de produção de um prejuízo, se multiplicam no tempo e no espaço” (SERPA LOPES, apud GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012)
O nexo causal sempre deve ser analisado ao caso concreto, pois, somente poderá responsabilizar alguém quando o comportamento houver dado causa ao dano.
“Culpa” é o indício que demonstra quem deve ser responsabilizado pelo dano.
A culpa (em sentido amplo) deriva da inobservância de um dever de conduta, previamente imposto pela ordem jurídica, em atenção à paz social. Se esta violação é proposital, atuou o agente com dolo; se decorreu de negligência, imprudência ou imperícia, a sua atuação é apenas culposa, em sentido estrito. (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012)
A culpa por si só não conseguia resolver os problemas referentes a responsabilidade civil. Foi então que surgiu a teoria do risco, fundamento da responsabilidade objetiva, onde o sujeito seria responsabilizado caso empreendesse atividade perigosa, independente de análise de culpa.