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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 FORMAS DE GOVERNO

2.5.1 Elementos econômicos / fiscais principais

Como já dissera antes, a nossa meta é discutir o Estado brasileiro nos anos 1964 a 1980, dado o perfil do federalismo que assumiu no novo sistema tributário que instituiu a construção de políticas públicas. Mas para discutir a nova estrutura tributária é necessário apresentar os princípios gerais em que se baseiam os tributos, ou seja, o princípio de benefício e o princípio de capacidade. Cada um desses princípios será apresentado através dos seus principais defensores, terá

discussões sobre as aplicações das alíquotas, quais são os impostos que melhor os representa e quais as dificuldades de incidência.

É preciso esclarecer o caráter regressivo dos impostos indiretos e o caráter progressivo dos impostos diretos, bem como as suas respectivas alíquotas.

Situaremos também quais são os impostos indiretos e diretos. Com isso, poderemos compreender também as críticas, sob os diversos ângulos, que se faz ao sistema tributário, particularmente, ao brasileiro.

E, para atingir tal meta, vamos recorrer aos textos norteadores de Nicholas Kaldor (1957) – neste caso, lembrando que existe um contraponto que é o Modelo de Mundel-Fleming - e de Gunnar Myrdal (1989). No caso de Myrdal (1989), vamos poder apresentar a discussão sobre os princípios que apoiam os tributos, quais sejam, o princípio do benefício e o princípio da capacidade. Cada corrente de pensamento que ampara esses princípios contém os seus respectivos defensores, os quais, e sem querer esgotar nada, vamos apresentá-los. Vamos também tratar da aplicação desses princípios e verificar o conteúdo dos conceitos de regressividade e progressividade, os quais são imanentes ao tema.

E, para atender a tal finalidade, é necessário que delimitemos o assunto, que no caso significa que focaremos apenas os aspectos econômicos da tributação e que estão vinculados ao Estado.

Vale observar, conforme Kaldor (1957), que as receitas do governo, para desenvolver uma nação, estiveram sempre atreladas à inflação; enquanto isso, no que tange a levantar esses mesmos recursos, através da política fiscal, para o desenvolvimento das nações, isto nem sempre foi reconhecido. E essa experiência está atrelada ao keynesianismo, que se tornou o novo mecanismo de geração de rendas.

Especificamente, queremos dizer que até a 2ª Guerra Mundial a política fiscal apenas era usada como instrumento de estabilização das flutuações econômicas (diante da depressão e do desemprego). Os tributos eram arrecadados para aumentar ou diminuir o poder aquisitivo dos indivíduos, objetivando neutralizar as tendências deflacionistas ou inflacionistas espontâneas, originadas nas variações da propensão a investir.

Dessa maneira, diz Kaldor (1957), os economistas repensaram a política fiscal, dando-lhe a responsabilidade de instrumento de compensação das flutuações, bem como de acelerar o progresso econômico através da redistribuição dos recursos entre consumo e investimento. A política fiscal passou a ter duas perspectivas:

a) retardar ou acelerar (via alterações na tributação) o crescimento da capacidade de compra do consumidor para que se mantenha de acordo com a taxa de crescimento da capacidade produtiva;

b) reorientar a procura do país através de diferentes tipos de bens e serviços para assegurar uma taxa mais elevada da capacidade de crescimento econômico.

Então, há o emprego consciente da política fiscal visando liberar os recursos da sua utilização com fins socialmente desnecessários (ou seja, necessidades que não são essenciais para a sociedade) para objetivos de grande prioridade social.

Assim, afirma Kaldor (1957), isto significa que a política fiscal engloba o superávit orçamentário (arrecadação de tributos maior do que o necessário para financiar a despesa do governo ou mesmo combate à inflação). É a poupança pública suplementando a poupança privada, ainda que aquela seja utilizada não somente em investimento público mas também alocada no sistema bancário (ao aumentar o crédito bancário), o que financiará os investimentos particulares.

Claramente, a política fiscal é usada, através da poupança pública, na forma de superávits orçamentários para o investimento. Diferentemente de antes, quando o investimento era financiado pela expansão inflacionista dos lucros ou pela pressão do aumento geral dos preços.

Cria-se essa poupança forçada via excedentes orçamentários do mesmo modo que se cria através da inflação. O que a diferencia é que, no caso da inflação, a poupança forçada provoca uma redução obrigatória do consumo dos cidadãos que tenham padrões de consumo relativamente baixos, ainda que sua capacidade de reduzi-los seja baixa. A capacidade de aumento das poupanças da comunidade através da inflação é limitada, já que o padrão de vida dessas pessoas não permite.

Para Kaldor (1957), limitações ao aumento das poupanças da comunidade através da inflação acontecem pelas pressões sociais e pelas políticas decorrentes da

inflação. Os assalariados conseguem se proteger da tentativa de reduzir seus padrões de vida, pelos aumentos compensatórios de salários. Além disso, o processo inflacionário não consegue usar o potencial de poupança de uma comunidade pela redução dos padrões de vida das classes de renda mais alta, que possuem uma maior capacidade. Ao contrário, eles aumentam o consumo suntuário, já que o aumento dos lucros, em termos reais, é um subproduto do aumento generalizado dos preços.

Isso quer dizer que o potencial de poupanças de uma comunidade resulta de consumo não necessário, isso é, aquele consumo que excede as necessidades mínimas e que pode ser reduzido sem desestimular a capacidade de trabalho e dos incentivos econômicos. E isso pode ser obtido pelo uso adequado da tributação e não através da inflação.

Para Kaldor (1957), há uma discussão sobre a política fiscal para atender ao desenvolvimento econômico via estímulos aos investimentos através de concessões e isenções ao capital estrangeiro, concessões às novas empresas, bonificações sobre o desenvolvimento, etc. E existe uma discussão secundária sobre a política fiscal para se obter recursos adicionais para investimentos, que no modo de observar dele, esta é mais importante.