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1.3 A DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

1.4.2 Objetivos Específicos

Como objetivos específicos, buscaremos:

a) Avaliar a progressividade/regressividade do sistema tributário implantado nos anos 1964/1980;

b) Avaliar também se o sistema tributário (que foi reformado pelo governo militar nas décadas de 1960 e 1970) reduziu as disparidades regionais e as desigualdades sociais (particularmente as do norte e nordeste em relação às regiões mais desenvolvidos da federação).

E para melhor esclarecer o assunto, vamos desenvolver ainda os seguintes objetivos específicos:

a) Identificar o sistema tributário, que se inicia em 1964, mas que toma o verdadeiro perfil a partir de dezembro de 1965;

b) Verificar as relações intergovernamentais, ainda que no mesmo contexto de federalismo da Welfare Economics e Welfare State, mas com a União retendo a maioria dos recursos;

c) Analisar os aspectos econômicos no debate sobre regionalidade e sobre a economia brasileira nos anos 1960 e 1970.

1.5 O MÉTODO

O desenvolvimento deste trabalho terá o seguinte roteiro: além desta Introdução, apresentaremos, na segunda parte, uma revisão da literatura sobre o problema da nossa pesquisa (quando foi possível analisar os conceitos sobre financiamento à economia, progressividade/regressividade tributária, desigualdades sociais e disparidades regionais) e a fundamentação teórica dos temas Estado, Federalismo, Formas de Governo e Tributos.

Na terceira parte, apresentaremos o desenvolvimento de outros objetivos, como a composição do Estado, que é o sistema tributário nacional, que, no período em foco, apresentou a mais expressiva reforma no Brasil. E ainda na parte da composição do Estado, trataremos de outro objetivo - as inter-relações dos governos subnacionais no federalismo brasileiro, ou seja, um primeiro momento de federalismo com ajuda mútua entre os entes federados, depois, com o advento do AI-5, uma grande independência por parte do governo central para tomar decisões e, no terceiro e último momento, quando do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), nova inter-relação de ajuda mútua entre o governo federal e os demais subníveis de governo, mas apenas dos estados do norte e nordeste.

Na quarta parte apresentaremos as diversas críticas ao sistema tributário implantado (seja aos seus princípios originados em Adam Smith (1983), seja à estrutura tributária brasileira instituída nos anos 1960 e 1970). Avaliaremos também se o sistema tributário diminuiu a regressividade e se reduziu as desigualdades sociais e as disparidades regionais.

Conforme Gil (2010, p. 67), podemos classificar a metodologia a ser utilizada como uma pesquisa documental (já que se baseará em dados quantitativos já existentes em registros, tabelas, gráficos ou em bancos de dados, quando se fará análise através da estatística já apresentada pelos autores consultados e com base na literatura disponível e possível, como teses, livros, artigos de periódicos, documentos oficiais, etc.). Acreditamos que essa não seja uma pesquisa ex-post-facto (“a partir do fato passado”), pois os dados disponíveis não serão submetidos a tratamento estatístico. Acreditamos também que não seja um levantamento uma vez que foi elaborada a partir dos dados disponíveis, portanto não obtidos diretamente das pessoas. E também não seria uma investigação bibliográfica já que não tem cunho exploratório e sim tentar fornecer uma resposta definitiva ao problema sobre os diferentes ângulos que serão analisados (portanto não se trata de um aperfeiçoamento apenas, posto que não se busca tornar perfeito os trabalhos já apresentados sobre o tema; mas se busca aproximar os trabalhos já realizados, já que possuem um ponto em comum: a análise da reforma tributária brasileira da época. E ao pô-los em paralelo, tenta-se esclarecer o problema nas suas diversas faces por diversas visões). Vamos descrever/explicar a resposta do problema a ser investigado, a fim de que possa se aproximar da maior clareza, precisão e especificidade possível.

No que tange à pesquisa documental realizada, à qual está inclusa a revisão da literatura (principalmente sobre os conceitos e pesquisas científicas), procuramos usar a mais diversificada possível, não se atendo a questões ideológicas fechadas, muito pelo contrário, apresentando, quando possível, os contrapontos. Nesse caso, ao apresentar qualquer tema apoiado em um ou diversos autores, não significa que estamos concordando com o posicionamento ideológico deles.

Por exemplo, para a construção do problema, discussão que está na parte dois, cujos temas são financiamento à economia (governo e atividade econômica), progressividade/regressividade dos tributos, desigualdades sociais e disparidades regionais, utilizamos autores de várias matizes a fim de dar conta do assunto e fazer o contraponto nas suas respectivas ideias. Assim, foi possível utilizar os textos do Profº Reginaldo Souza Santos (2003, 2013) e outros, para tratar da discussão sobre o financiamento à economia. Sobre a progressividade/regressividade dos tributos

trabalhamos com o texto do Profº Fabrício Augusto de Oliveira (2007b). No que tange às disparidades regionais, usamos também vários textos, como o da Profª. Tânia Bacelar (2000) e outros. Sobre as desigualdades sociais, foi possível trabalhar com os textos dos professores Albert Fishlow (1975) e Carlos Geraldo Langoni (1978).

Nas condicionantes econômicas tanto resultantes do Plano de Metas quanto do curto período de Jânio Quadros e de João Goulart (e seu Plano Trienal), faz-se necessário apresentarmos o quadro da crise de 1964 por várias correntes de pensamento, bem como em todo o período que se busca estudar, ou seja, até 1980.

Utilizaram-se mais as teses (e outras pesquisas disponíveis) para esclarecer a funcionalidade do Estado (as relações intergovernamentais) e a sua composição (o perfil do sistema tributário brasileiro no período em estudo). Na composição do Estado utilizamos textos dos professores Fabrício Augusto de Oliveira (2010) (que discute o sistema tributário brasileiro) e Francisco Luiz Lazeiro Lopreato (1981, 1992, 2002).

Nas justificativas de Estado e sobre formas de governo, foi utilizado o livro do renomado cientista político, Profº Sahid Maluf (2003). No que tange ao Estado autoritário, usamos a visão de Gudin e Campos apud Silva (1998, 2008) para dar a explicação econômica. Já a interpretação marxista do Estado brasileiro nos sessentas inicias dos séculos XX, trabalhamos com o Octávio Ianni (2004) para tratar do Federalismo, além do texto do Profº Maluf (2003), utilizamos a tese do Profº Rui de Brito Álvares Affonso (2003) como o texto base, dentre outros. Quanto às questões ligadas à Tributação, usamos o entendimento do economista Gunnar Myrdal (1989), com o qual foi possível nortear a discussão (com este, foi possível caminharmos nessa discussão profícua dos princípios tributários nas suas diversas correntes – pelo princípio do benefício, Hobbes (1979), Smith (1983), etc; pelo princípio de capacidade Rousseau (2002), Mill (1983, v.2), etc.). Sobre a história do pensamento econômico brasileiro utilizamos Bielschowsky (2000). E para tratar do comportamento da economia brasileira foram utilizados vários textos, dentre os quais: Simonsen e Campos (1976), Velloso (1998), Furtado (1982).

Nas críticas ao sistema tributário, tivemos vários pontos de vista. O Profº Wagner Leal Arienti (1987) apresenta seu pensamento contrário à estrutura tributária de Adam Smith (1983), que por sua vez vai ao encontro do pensamento dos professores Fabrício Augusto de Oliveira (2010) e Francisco Luiz Lazeiro Lopreato (1978, 1981, 1992, 2002) já que consideram que a reforma tributária beneficia/beneficiou mais o capital - além das várias observações que fazem acerca do sistema tributário nacional em foco no que tange às disparidades regionais e às desigualdades sociais. Também nas questões sobre a progressividade/regressividade tributária, disparidades regionais e desigualdades sociais utilizamos a pesquisa do Profº Rui de Britto Álvares Affonso (1988, 2003) Adicione-se as nossas avaliações sobre a progressividade/regressividade da estrutura tributária implantada tomando como base a carga tributária em relação ao PIB.

Por último, afirmo que é minha a responsabilidade pela interpretação do uso desse conjunto de obras para esclarecer o tema da minha Tese.