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EM QUE MEDIDA A DOUTRINA DE EMPREGO EM VIGOR DA

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.5 EM QUE MEDIDA A DOUTRINA DE EMPREGO EM VIGOR DA

Da análise das seções anteriores, restou apurado que a FT BIB sofre

influências do ambiente urbano quando realiza operações de ataque à localidade.

Estas influências reduzem seu poder de combate.

Para multiplicar o poder de combate da FT BIB, a Tu Cçd deve ser capaz de

reduzir tais influências, por meio da aplicação adequada de sua doutrina, o que

garantirá que se alcancem suas capacidades.

As capacidades da Tu Cçd, no cumprimento das missões primária e

secundária são: a letalidade seletiva, a detecção e engajamento oportuno de alvos,

o aumento do poder de fogo, a consciência situacional e a proteção da tropa. Sendo

empregada corretamente, a Tu Cçd utilizará suas capacidades em prol da FT e a

dotará das mesmas.

Para que a doutrina de emprego da Tu Cçd do EB, em vigor, seja eficaz no

apoio à FT BIB no Atq Loc, esta deve ser detalhada e contemplar as atividades e

tarefas das missões primária e secundária. Também deverá descrever os princípios

de emprego, as formas de emprego, a constituição da Tu e da Eqp Cçd e as

atribuições de seus integrantes, estes, que são a base de como a Tu será

empregada neste tipo de operação.

De posse do acima exposto e antes de realizar a análise, se faz necessário

observar as respostas obtidas nas entrevistas, relativas ao tema em questão, tudo

com a finalidade de encontrar subsídios para a discussão. Foi realizada a seguinte

pergunta aos especialistas “O Senhor acredita que a atual doutrina do Caçador do

EB, no tocante ao emprego tático em Op Atq Loc, encontram-se atualizadas?

Justifique.”, obteve-se os dados apresentados no quadro 23:

Entrevistado Observações realizadas nas entrevistas Especialidade do entrevistado

Realizaram uma análise profunda

1 Encontram-se sobremaneira desatualizadas e incipientes. Os manuais do Caçador encontram-se como IP ou Caderno de Instrução (não aprovado). Além disso, os próprios manuais doutrinários de Batalhão de Infantaria não vislumbram de maneira pormenorizada o uso das Turmas de Caçadores nas operações, em particular o combate em áreas urbanas.

Estágios: Cçd no Brasil

2 Não. Baseado nos intercâmbios com frações de nações amigas, em especial dos EUA, observa-se que em Amb Urb a tendência é o emprego de frações compostas por 4 Elm: Cçd, Obs, Aux Com e Aux Sau. Nos EUA o Cçd e o Obs são capacitados com o Curso de Cçd e os Aux são capacitados em estágio interno na própria OM, de forma que cumpram a sua missão principal de transmitir dados e prestar a assistência pré-hospitalar, respectivamente, assim como prover a segurança da equipe, participar dos rodízios de monitoramento e, eventualmente, realizar a observação e correção do tiro.

Estágios: Cçd no Brasil Cçd Op Esp Cursos: Cçd Colômbia FE Realizaram uma análise profunda

3 Não. Acredito que se encontram desatualizadas. As IP 21-2, pouco contemplam as situações de emprego da Tu Cçd em um Combate em Localidade, assim como técnicas de tiro empregadas em localidade. Técnicas essas em que se exige uma expertise na busca e seleção de alvos na camuflagem, no tiro sob ângulo (seja em aclive ou declive), entre outras TTP da Tu Cçd, que influenciam para o cumprimento da missão.

Estágios: Cçd no Brasil

Cursos: Cçd Colômbia

4 Não. Diversos manuais doutrinários abordam o emprego do caçador de modo genérico e insuficiente. Desconheço em caderno de instrução, em vigor, no EB que aborde aspectos específicos do emprego tático do caçador. […]

Estágios: Cçd no Brasil

Cursos: Guerra na Selva

5 Acredito que apesar de termos alguns estágios espalhados pelo Brasil, o Cçd do Btl Inf não tem seu emprego acontecendo efetivamente até hoje, mesmo já existindo Doutrina, QCP há muito tempo. Sendo assim, creio que um efetivo emprego de Cçd no dia a dia da instrução é o que pode nos responder essa pergunta. Creio que deveríamos focar antes em botar nossa doutrina à prova. No momento não temos condições de julgá-la.

Estágios: Cçd no Brasil

QUADRO 23 – Dados sobre a doutrina da Tu Cçd do EB obtidos nas entrevistas Fonte: o autor

De uma simples análise das Instruções Provisórias IP 21-2, O Caçador,

datada de 1998 e único manual em vigor relativo ao tema em estudo, observa-se

que já possui 19 anos de sua publicação, sem nenhuma atualização ou aprovação

para manual de campanha.

O manual em questão é anterior a 2ª Batalha de Grosny (1999), a Batalha de

Bagdá (2003), a 2ª Batalha de Fallujah (2004) e da Batalha de Sadr City (2008).

Todas estas tiveram grandes ensinamentos colhidos sobre o emprego de caçadores

no ambiente urbano e pelo motivo temporal, esses ensinamentos não se encontram

incorporados ao mesmo. Além disso, também não há nenhuma referência a estudos

de casos e de batalhas anteriores à sua publicação, nem mesmo das batalhas de

Stalingrado (1942-1943) e da 1ª de Grosny (1994), conflitos em que houve largo

emprego de caçadores e muitos ensinamentos colhidos acerca do tema.

Em seu corpo, as IP 21-2 possuem menos de duas páginas que tratam do

assunto Áreas Urbanas, sendo essas duas páginas destinadas à descrição de como

montar PFT neste tipo de ambiente, não abordando nada de emprego tático da Tu.

O Caderno de Instrução CI 21-2/2, O Caçador, datado de 2006, não se

encontra em vigor, entretanto, de acordo com as entrevistas e o grupo focal

realizados, tem sido utilizado como meio de apoio para a formação dos caçadores

na Seção de Tiro da AMAN. Tal caderno, abrange melhor o assunto o Caçador no

Combate em Localidade, possuindo um Artigo destinado ao assunto, contando com

7 páginas. Observa-se que o caderno de instrução é posterior a maioria das

batalhas citadas, com exceção da Batalha de Sadr City, entretanto, da mesma forma

que as IP, o presente é muito genérico e não suficiente.

O CI descreve as missões primária e secundária, porém não realiza

detalhamento das tarefas e atividades das mesmas. Nele, estão presentes as

definições dos princípios de emprego do Cçd, sendo necessário um ajuste no 3º

princípio, conforme seção anterior. As formas de emprego são descritas no manual,

faltando apenas a descrição das maneiras de empregar a Tu, como: as equipes

trabalhando em forma de rodízio ou mais de uma equipe atuando ao mesmo tempo.

Por fim, a constituição da Tu e Eqp Cçd encontram-se desatualizadas, e por

consequência, não há descrição das atribuições de todos os seus membros.

4.5.1 Conclusão parcial

De posse do acima exposto e do que foi corroborado pelos entrevistados,

tanto na entrevista exploratória, quanto no grupo focal, infere-se que a doutrina de

emprego da Tu Cçd do EB, em vigor, encontra-se desatualizada e atende em parte

as necessidades da FT BIB no Atq Loc.

Em sua entrevista, o indivíduo 5, aborda que a doutrina do EB ainda não foi

efetivamente testada pelas tropas convencionais, o que dificulta sua análise

pormenorizada. Tal observação foi alvo de discussão no grupo focal e onde

chegou-se à conclusão que outros paíchegou-ses já o fizeram e verificaram a necessidade de chegou-se

complementar tal doutrina. Para isso, levaram em consideração os estudos de casos

e ensinamentos colhidos de batalhas em que houve o emprego de caçadores.

Concluiu-se ainda que deve-se aproveitar a literatura estrangeira já produzida, para

melhorar a doutrina do EB.

Diante do exposto, cabe a revisão dos citados manuais, comparando-os com

os de outros países, o que será objetivo da próxima seção.

4.6 LEVANDO-SE EM CONTA AS DOUTRINAS DOS EXÉRCITOS DOS EUA, DO