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LEVANDO-SE EM CONTA AS DOUTRINAS DOS EXÉRCITOS

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.6 LEVANDO-SE EM CONTA AS DOUTRINAS DOS EXÉRCITOS

DOUTRINA DE EMPREGO DA TU CÇD DO EB, NO ATQ LOC REALIZADO PELA

FT BIB, CONTEMPLA OS ASPECTOS NECESSÁRIOS AO COMBATE ATUAL?

A resposta da questão de estudo da seção 4.5 (pág 108), fornece subsídios

para se inferir que, diante das doutrinas dos exércitos citados, a do EB, não

contempla os aspectos necessários ao combate dos dias atuais. Neste contexto, e

visando realizar uma busca por mais subsídios que corroborem esta afirmação, será

realizada uma análise do contexto histórico e social em que as doutrinas

estrangeiras foram produzidas, visando adequar aquilo que couber na DMT para o

preenchimento das lacunas identificadas.

Os Exércitos dos EUA, do Canadá, da Espanha e os Marines dos EUA tem

participado ativamente nos últimos conflitos ocorridos no mundo, particularmente no

Oriente Médio. Atuando dentro de uma Força-Tarefa Multinacional, a principal

ameaça atualmente encontrada, tem sido grupos insurgentes de cunho extremista

religioso e que afetam a estabilidade dos países sede dos conflitos.

Diante da assimetria entre as forças da coalisão e dos insurgentes, estes

últimos procuram meios de igualar o poder de combate, se utilizando de técnicas de

terrorismo, artefatos explosivos e caçadores, tudo predominantemente dentro do

Amb Urb. Os insurgentes dominam este tipo de terreno e são providos pela sua

grande capacidade defensiva, proporcionada pelas características já descritas neste

estudo, pela maciça presença da mídia internacional e da RE restritas nestes

combates.

Os três países utilizam largamente os Cçd, tanto em operações

convencionais, como em Op Esp. Das dez mortes mais distantes confirmadas, acima

de 1800 metros, 3 foram causadas por canadenses e 4 por americanos, o que prova

a grande utilização e eficiência desse sistema de armas. Esse grande emprego de

Cçd tem produzido muitos ensinamentos e conhecimentos acerca do assunto.

Além dos conflitos citados, o Exército dos EUA se envolveu em combates

contra inimigo convencional na Operação Liberdade do Iraque em 2003, onde

também foram utilizados Cçd dentro das operações.

No contexto apresentado e valendo-se de ensinamentos colhidos de outros

conflitos, a doutrina desenvolvida e apresentada por esses países, tem se baseado

no desenvolvimento de capacidades e nas características de flexibilidade,

adaptabilidade, modularidade, elasticidade e sustentabilidade.

Além disso, em virtude do amplo desenvolvimento de batalhas em áreas

urbanas, observa-se uma grande importância dada a este ambiente, tanto em

estudos de caso quanto nos manuais doutrinários. Dada essa importância, quando

os manuais não são específicos do tema, observa-se que contém capítulos inteiros

dedicados ao assunto. Exemplos claros disso, são as fontes de consultas citadas

nos resultados obtidos nesta pesquisa, particularmente os estudos conduzidos pela

RAND Corporation, os manuais americanos, canadense e espanhóis e o artigo do

The Canadian´s Army Journal. Esse último que propõe uma reformulação da

estrutura da Infantaria Canadense, se baseando nos ensinamentos colhidos dos

conflitos atuais enfrentados pelo Canadá, propondo uma revisão da Tu Cçd.

Desta feita infere-se que as doutrinas destes países se encontram alinhadas

com o cenário atual e buscam se desenvolver para o combate que está por vir, pois

estão em constante atualização, buscando adaptar-se ao ocorrido e criar novas

capacidades para as ameaças futuras.

O Exército Colombiano, por sua vez, esteve envolvido em uma Guerra Civil

contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Exército de Libertação

Nacional, ambos grupos paramilitares que buscavam a criação de um governo de

esquerda no país. O conflito durou mais de 60 anos e se caracterizou por ser

assimétrico e de baixa intensidade, sendo conduzido predominantemente em

ambiente de selva, havendo embates em cidades e vilarejos. A doutrina colombiana

tem sido apoiada neste tipo de enfrentamento e na americana, devido ao forte apoio

militar dado pelos EUA.

O manual mais atual que tratam do assunto caçador é de 2003, entretanto,

dado a experiência de dois entrevistados, que realizaram o curso de caçador no

Exército Colombiano, em 2010 e em 2013, observa-se que a execução das tarefas

nas atividades de instrução, assim como no combate real, tem se adaptado, a

despeito da desatualização das fontes doutrinárias.

4.6.1 Conclusão parcial

O Cçd, em virtude de suas principais características, pode atuar em vários

níveis de conflito, desde operações de não guerra até a guerra total. Também pode

atuar em praticamente qualquer ambiente operacional. O emprego deste meio tem

crescido exponencialmente devido a baixo custo de formação e manutenção e dos

grandes resultados alcançados, particularmente no Amb Urb. Os resultados

atingidos por uma pequena Eqp Cçd são muito maiores do que os efeitos produzidos

pelo seu disparo, podendo inclusive ter repercussões em níveis acima do tático.

Dada essa grande eficiência, os países estudados têm adaptado e renovado

sua doutrina, em busca de adaptá-la ao combate presente e futuro e de obter

melhores resultados desse sistema de armas.

O Brasil, apesar de não se envolver em conflitos armados a algumas

décadas, precisa ter um Exército capaz, o que tem se desenvolvido dentro do

Processo de Transformação do Exército e da nova DMT.

Cabe ressaltar que o Brasil atuou na última década em Missões das Nações

Unidas em território estrangeiro e em Operações de Apoio a Órgãos

Governamentais em território nacional, ambas predominantemente em Amb Urb.

Nessas situações, que se assemelham aos combates assimétricos atualmente

enfrentados por outros países, onde foi empregado o uso da força letal e de Cçd,

tem se realizado TTP, organizações das equipes, tarefas e atividades não previstas

nos manuais do EB.

Tal fato por si só, não justificaria a atualização da doutrina do EB, entretanto,

quando se observa que outros países, referência no assunto, têm atualizado suas

doutrinas e adotado novas maneiras de empregar suas Tu Cçd e que o próprio EB

tem visto a necessidade de se adaptar, o fazendo nas operações recentes, infere-se

que a doutrina atual não contempla os aspectos necessários ao combate atual e

necessita de revisão.

Do exposto e em virtude da flexibilidade e da capacidade do Cçd de atuar em

um grande gama de situações, conclui-se que a doutrina estrangeira pode servir de

base para a nacional, mesmo tendo sido escrita em um contexto histórico e

situacional diferente, pois o foram levando em consideração o amplo espectro dos

conflitos e o planejamento baseado em capacidades, como o recentemente adotado

pelo EB em sua nova DMT.