1.1 ASPECTOS E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
1.1.4 Embasamento teórico
Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foram encontradas duas pesquisas sobre a editora: uma dissertação de Silva (2006) sobre as publicações da Grafipar com temática de terror e ficção científica; um trabalho de conclusão de curso de Sarmento (2012) sobre o sucesso dos quadrinhos eróticos da editora Grafipar.
Percebeu-se ser importante primeiro compreender a relação das sociedades ocidentais e japonesa – em virtude da ascendência do quadrinista – com a arte erótica. Para isso foram consultados dois autores: Bradley Smith (1975), com seu livro “Erotic art of the masters” que analisa esse tema ao longo dos séculos XVII, XIX e XX – tanto no ocidente como no oriente; “Eroticism in western art”, de Edward Lucie-Smith (1972) aborda a arte erótica desde a Antiguidade até os anos 1970. Outro livro consultado mas, principalmente, para referências visuais foi “Erótica universalis”, de Gilles Néret (2016). Especificamente sobre arte erótica japonesa foi usado o livro “A erótica japonesa na pintura & na escritura dos séculos XVII a XIX”, de Madalena Cordaro (2017).
Como referencial teórico sobre a arte de produzir quadrinhos foram usados como referência Eisner (2015) pioneiro e referência mundial na produção de histórias em quadrinhos, apresenta em “Quadrinhos e arte sequencial” o conteúdo que ministrava na School Arts de Nova York; McCloud (2005 e 2008) no livro “Desvendando os quadrinhos” apresenta detalhadamente os elementos usados na produção dos quadrinhos, já em “Desenhando quadrinhos” esse autor aspectos relacionados com as narrativas. Barbieri (2017) no livro “As linguagens dos quadrinhos” destaca-se por apresentar elementos gráficos da e técnicos da produção. Cagnin (2015) reune um vasto estudo sobre arte sequencial à luz da semiótica em seu livro “Os quadrinhos: linguagem e semiótica”, importante para o desenvolvimento dos modelos para a análise dos quadrinhos de Maria Erótica; Ramos (2009), na obra “A leitura dos quadrinhos”, também aborda a questão semiótica, mas pelo viés da
linguística, em que a presença do texto nos quadrinhos desempenha um papel preponderante: a análise do discurso. Álvaro de Moya teve duas de suas obras consultadas “Shazam!” (1977) e “História da história em quadrinhos” (1994). Outro autor brasileiro clássico sobre quadrinhos é Moacy Cirne, cuja obra consultada foi “Bum! A explosão criativa dos quadrinhos” (1977).
Outro conteúdo importante a ser abordado são as histórias em quadrinhos brasileiras, mais especificamente as do gênero erótico. Vergueiro (2017) pesquisa quadrinhos há muitos anos e em sua publicação “Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil” faz um apanhado histórico nacional, importante para nos situarmos nos contextos de publicação dos quadrinhos eróticos. Lucchetti (2001), autor de “As sedutoras dos quadrinhos” e de “Desnudando Valentina” (2005) e Rosa (2003), com “As taradinhas dos quadrinhos”, apresentam as personagens femininas de histórias em quadrinhos que fizeram sucesso. No cenário internacional de quadrinhos eróticos, foi usado como referência Tim Pilcher (2008) com o livro “Erotic Comics: A Graphic History”. As informações obtidas nesses livros foram de grande relevância para situar Maria Erótica comparativamente com as demais protagonistas femininas eróticas criadas e entender qual é sua influência, a sua originalidade e a sua repercussão. Gonçalo Junior (2010) com “A guerra dos gibis 1 e 2” e Danton (2012) com “Grafipar: a editora que saiu do eixo” puderam fornecer algumas respostas. O primeiro faz um grande levantamento histórico sobre o início do mercado nacional de quadrinhos e da repressão política e física da ditadura militar com os quadrinhos eróticos. Ainda dentro dessa temática, também foi consultado outro livro de Gonçalo Junior “A morte do Grilo” (2012) em que o autor analisa a perseguição da ditadura sobre a revista “O Grilo”, responsável por trazer para o Brasil grande parte dos quadrinhos estrangeiros de contracultura. “O Deus da sacanagem” é outro livro de Gonçalo Junior (2018) que contribui com uma profunda pesquisa histórica sobre um dos pioneiros dos quadrinhos eróticos/pornográficos no Brasil: Zéfiro, autor dos catecismos que foram objetos de leitura de muitos quadrinistas quando jovens. Gian Danton, também aborda esse assunto, mas volta-se especificamente para a Grafipar e o papel de destaque de Claudio Seto nessa editora. Essas duas publicações foram fundamentais para conhecer a biografia de Seto, bem como a abrangência nacional que a Grafipar teve entre os anos 1970 e início dos 1980. Essas informações foram relevantes também para estruturar as entrevistas com os ex-colegas de Seto e, com isso, obter informações inéditas que
contribuíssem academicamente para construir uma biografia mais consistente do artista. Além disso, o conteúdo sobre censura e repressão ajuda a pensar sobre o impacto da ditadura militar em Maria Erótica. Claudio Seto é considerado como um dos introdutores do estilo mangá no Brasil, como referências sobre o mangá foram consultados Mazur e Danner (2014) com o livro “Quadrinhos: história moderna de uma arte global” e Koyama-Richard (2007) com a obra “One thousand years of manga”.
Apesar das heroínas dos quadrinhos daquela época muitas vezes serem consideradas – Lucchetti (2001), Rosa (2003) e Pilcher (2008) – símbolos da revolução sexual dos anos 1960 e 1970, observa-se que muitas vezes elas acabavam sendo apenas um objeto do fetiche masculino. Como fonte de informação a respeito da representação feminina nos quadrinhos foi consultada a tese “De Maria a Madalena” de Ediliane Oliveira Boff (2014). Para aspectos relacionados com a sexualidade feminina foram consultadas autoras como Mary Del Priore (“Histórias íntimas” – 2017); Alessandra El Far (“Páginas de sensação” – 2004); Lilia Schwarcz (“História da vida privada no Brasil 4”, 2010); Maria Rita Kehl (In: “Libertinos e libertários” – 1996); autores como Michel Foucault (“História da sexualidade” – 2017) e Anthony Guiddens (“A transformação da intimidade” – 1993).