2.2 Objetivo Específico
7. Embasamento Teórico
Em meados de 1972, o clube de Roma21 já estava atento sobre uma possível ocorrência de escassez de recursos, principalmente, de energia para os anos futuros. Nas nações mais avançadas estava-se vivendo um período de consumo excessivo de determinados recursos, que se baseava, de um lado na sustentação de uma ampla região colonizada, e de outro no domínio da exploração e comercialização dos recursos naturais das nações economicamente subdesenvolvidas, porém politicamente independentes.
Segundo Ferreira (2004), o aumento da demanda iniciado na década de 1970, fez com o que Governo Mineiro implantasse o Programa de Carvão Vegetal, que abrangeria um desenvolvimento das técnicas florestais, dos métodos de produção e de caracterização do carvão, como também, da introdução de inovações no processo de carbonização. Além desse impulso do crescimento da demanda, a atividade florestal também foi influenciada pelos dois choques de preços do petróleo, que estimulou o uso industrial da lenha e do carvão vegetal em substituição ao óleo combustível e ao carvão metalúrgico importado. Assim, cabe ao carvão vegetal uma participação expressiva nesse esforço de substituição, pois, o carvão pode ser considerado como vetor energético de uso amplo.
O principal consumidor de carvão vegetal é o setor siderúrgico. Dessa forma, as perspectivas para a produção de carvão vegetal, está de certa maneira, ligada às perspectivas para o mercado mundial de aço, sendo que o Brasil exporta grande parte do aço bruto que produz.
As condições de produção e de uso do carvão vegetal na siderurgia examinadas por Ferreira (2004), mostram que a indústria de carvão pode expandir em função de uma elevação do preço do petróleo que conduziria ao aumento dos preços dos demais vetores energéticos. O carvão vegetal concorre com um combustível-redutor fóssil, assim como o álcool combustível, no entanto, o carvão tem um custo bem inferior do que este último.
Seguindo esta mesma tendência, Fonseca (1989) acredita:
[...] que o uso do carvão vegetal na metalurgia é o mais importante tecnicamente devido as suas propriedades excepcionais da redução do
21 Clube de Roma é uma organização com sede oficial na Alemanha, formada por profissionais de
minério de ferro. Assim, o carvão vegetal é o redutor que vem participando da siderurgia brasileira desde o seu nascimento. Até o ano de 1945, a totalidade do ferro-gusa foi produzido com a utilização do carvão vegetal aproveitado através do material lenhoso, proveniente do desmatamento que se fazia necessário, para a implantação da pecuária, da lavoura, das estradas, cidades, etc. (FONSECA, 1989. p.06)
O carvão vegetal também é utilizado para o consumo doméstico em residências , bares, restaurantes, onde o carvão é queimado produzindo o calor necessário para assar alimentos para o consumo humano. Porém, o consumo doméstico do carvão vegetal é feito em escala muito menor em comparação ao consumo industrial.
A matéria prima utilizada na produção do carvão vegetal é a madeira extraída das florestas nativas ou plantadas. No Brasil, o plantio de florestas homogêneas foi incentivada pela criação da nova Legislação Florestal, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e pela legislação especifica dos incentivos fiscais para o reflorestamento. O eucalipto é essência preferida para o reflorestamento. Estas florestas de eucalipto se implantadas corretamente, atendendo as técnicas de reflorestamento e a legislação florestal atual, protegem as nascentes d’água, as veredas e as demais áreas de preservação permanente. Sem contar que a fauna encontra refúgio e alimento nestas florestas, e que o seu maciço de folhagens é responsável pelo seqüestro de carbono, que purifica o ar. A atividade de reflorestamento poupa a mata nativa, além de empregar muitos trabalhadores rurais nas suas diversas etapas, tais como: preparo do solo, adubação, melhoramento na produção de mudas, adequação de espaçamento entre as árvores, plantio, colheita, carbonização e transporte.
Este mesmo autor, afirma que a atividade do carvoejamento em Minas Gerais é muito importante para a economia do estado, uma vez que é responsável pela geração de empregos beneficiando, sobretudo, as populações rurais carentes.
Sob esta mesma linha de raciocínio, Ferreira (2004) também considera que o carvão vegetal tem suas vantagens sociais e ecológicas, uma vez que emprega grande mão- de- obra não qualificada, localizando-se em regiões menos férteis, com a ocupação de terras de valor marginal por não serem propícias a produção agrícola. Assim, o carvão vegetal gera renda em regiões desprovidas de recursos, na qual, alternativas de emprego não são favoráveis ao trabalhador. Esta renda, se bem orientada, pode promover uma maior fixação do homem em seu habitat, dando-lhe condições de se desenvolver em seu
próprio meio, sem provocar alterações violentas em seus valores culturais que a migração normalmente acarreta.
Medeiros (1995) aponta que no inicio a produção de carvão vegetal estava concentrada em torno do pólo guseiro de Minas Gerais, porém com o decorrer dos anos a atividade de carvoejamento foi-se ampliando, estando centralizada hoje principalmente nas regiões do Triângulo Mineiro, Noroeste e Norte de Minas. Inicialmente, a produção de carvão vegetal era feita a partir da exploração de matas nativas, passando recentemente a ser feita a partir da lenha de reflorestamento. Na região do Norte de Minas, a atividade de reflorestamento com finalidades energéticas foi se desenvolvendo com rapidez e em grande escala, pelo fato das terras terem um baixo preço, pelos incentivos fiscais, pelos baixos custos de mão-de-obra local, entre outros atrativos.
Medeiros (2003), diz ainda que é de se considerar que a viabilidade da siderurgia a carvão vegetal sempre teve uma forte ligação com o baixíssimo custo de mão-de-obra rural no Brasil, como também com o desenvolvimento das novas tecnologias florestais:
Em seguida, com o grande desenvolvimento obtido nas novas tecnologias florestais e com a introdução do eucalipto para a formação de florestas energéticas, a possibilidade de produção de carvão vegetal em condições sustentadas econômica e ambientalmente passou a ser fortemente considerada. Utilizando o carvão vegetal como energético e redutor, viriam a ser criadas mais de uma dezena de outras usinas, das quais destacam-se atualmente: PAINS, MANNESMAN, COSIGUA e ACESITA, todas com produção anual acima de 500 mil toneladas de aço bruto. MEDEIROS (2003, p.83) (Grifo do autor)
Ao contrário dos outros autores, Medeiros (2003), ressalta que a atividade de produção de carvão vegetal, e o seu conseqüente uso na siderurgia sempre esteve relacionado a idéia de devastação ambiental. Devastação esta, que pode ser observada nas várias etapas dessa atividade. Os impactos dessas devastações fazem-se sentir em dimensões locais e até mesmo regionais. Dessa forma, verifica-se que o solo, o ar, a água, a flora, a fauna e o próprio homem são afetados em dimensões sensivelmente perceptíveis.
Este autor acredita, que o processo de desmatamento das matas nativas vem provocando fortes pressões ambientais em alguns ecossistemas, como cerrados, com ameaça de extinção de espécies animais e vegetais, além do elevado índice de emissões de fumaça na época das queimadas, aumento da erosão hídrica com a formação de
voçorocas, e a modificação do regime hídrico dos rios. Já os eucaliptos utilizados nos reflorestamentos têm sido considerados, em todo o mundo, como grande impactantes do meio ambiente, tendo estas plantas esta característica peculiar. Além disso, na etapa de produção do carvão é comum se observar condições de trabalho subumanas, tarefas estafantes, ambientes insalubre e a exploração do trabalho de crianças. Assim, apesar do carvão vegetal ser menos danoso ao meio ambiente do que o coque mineral, a sua carbonização é foco de geração e emissão de poluentes, tais como o CO2, CO particulados e deposição de pós e sólidos, bem como escória e finos de carvão.
Os diversos impactates ambientais ocasionados pela produção do carvão vegetal que Medeiros (2003) considera são: perda do solo com as operações de desmatamento; o comprometimento dos recursos hídricos; a emissão de poluentes tais como CO e CO2 na atmosfera. Apesar disso, este autor acredita que a devastação das matas nativas faz com que as condições de vida das populações locais piorem, por eliminar as atividades de extração de alimentos e matérias-primas, e contribuir para o êxodo rural e a favelização das cidades por não absorver toda a mão-de-obra gerada.
8. Cronograma
ANO: 2006
Período Atividades
2005 2006
Set. Out. Nov. 1º Bi 2º Bi 3º Bi 4º Bi Levantamento de literatura
X
Montagem do projetoX
X
Correção preliminarX
Aplicação dos questionários.X
Processamento dos dadosX
Redação e entrega da monografia.X
9. Orçamento
Material Quantidade Valor por unidade Total
Papel 1 resma 18,00 18,00 Canetas 3 unidades 1,00 3,00 Xérox 500 cópias 0,08 40,00 Cartuchos 1 unidades 35,00 35,00 Disquetes 1 caixa 14,00 14,00 Encadernação 1 unidade 8,00 8,00 Livros 3 unidades 53,00/65,00/62,00 180,00 Total 298,00
10. Bibliografia
FONSECA, Sebastião Dirceu. O carvão vegetal como fonte de renda para o produtor rural do norte de minas nos anos de 1987 e 1988.1989, 187f.Monografia.(Graduação em ciências Econômicas) Universidade Estadual de Montes Claros, Montes Claros.
BORGES, Maurício Hansenclever, et all. A produção de carvão e o processo de carvoejamento. Conferência nº3. Florestal Acesita S.A, 1990.
MAY, Peter H. Economia ecológica: aplicações no Brasil.Rio de Janeiro: Campus, 1995.
MEDEIROS, Josemar Xavier de. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 2003.
CUNHA, Sandra Baptista da. Avaliação e perícia ambiental. 4ªed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
ECONOMIA E ENERGIA. Emissões de gases de efeito estufa na produção e
uso do carvão vegetal. Disponível em