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2.3 – Em Montes Claros

Mapa 1 Municípios componentes da região do Norte de Minas

Legenda: Microrregiões: A – Microrregião Januária: 3 – Bonito de Minas 42 – Chapada Gaúcha 4 – Cônego Marinho 48 – Icaraí de Minas 8 – Itacarambi 41 – Januária 1 – Juvenília 6 – Manga 9 – Matias Cardoso 5 – Miravânia 2 – Montalvânia

40 – Pedras de Maria da Cruz 46 – Pintópolis

47 – São Francisco 7 – São João das Missões 43 – Urucuia B – Microrregião Janaúba: 15 – Catuti 12 – Espinosa 11 – Gameleiras 10 – Jaíba 34 – Janaúba 13 – Mamonas 16 – Mato Verde 14 – Monte Azul 33 – Nova Porteirinha 32 – Pai Pedro 31 – Porteirinha

58 – Riacho dos Machados 30 – Serranopólis de Minas C – Microrregião Salinas: 23 – Águas Vermelhas 24 – Berizal 25 – Curral de Dentro 22 – Divisa Alegre 61 – Fruta de Leite 28 – Indaiabira 18 – Montezuma 21 – Ninheira 62 – Novorizonte

29 – Rio Pardo de Minas 64 – Rubelita

63 – Salinas

26 – Santa Cruz de Salinas 17 – Santo Antônio do Retiro 20 – São João do Paraíso 27 – Taiobeiras

19 – Vargem Grande do Rio Pardo D – Microrregião Pirapora:

84 – Buritizeiro 85 – Ibiaí 77 – Jequitaí

86 – Lagoa dos Patos

89 – Lassance 88 – Pirapora 44 – Riachinho 83 – Santa Fé de Minas 45 – São Romão 87 – Várzea da Palma

E – Microrregião Montes Claros: 52 – Brasília de Minas

81 – Campo Azul 56 – Capitão Enéas 76 – Claro dos Poções 79 – Coração de Jesus 57 – Francisco Sá 70 – Glaucilândia 38 – Ibiracatu 51 – Japonvar 69 – Juramento 39 – Lontra 50 – Luislândia 53 – Mirabela 55 – Montes Claros 54 – Patis 82 – Ponto Chique 78 – São João da Lagoa 36 – São João da Ponte 80 – São João do Pacuí 49 – Ubaí

37 – Varzelândia 35 - Verdelândia

F – Microrregião Grão Mogol: 67 – Botumirim 66 – Cristália 59 – Grão-Mogol 68 – Itacambira 65 – Josenópolis 60 – Padre Carvalho G – Microrregião Bocaiúva: 72 – Bocaiúva 74 – Engenheiro Navarro 75 – Francisco Dumont 71 – Guaraciama 73 – Olhos D’Água

Oliveira (1995) acredita que a cidade de Montes Claros pode ser considerada como principal centro urbano da região. Conforme o autor, existem vários fatores que contribuíram para que a cidade se tornasse um centro regional, dentre estes, “a maior densidade populacional e melhores condições infra-estruturais contribuíram para que percentual significativo dos investimentos se concentrassem nesta cidade.”(Oliveira, 1995. p.165). Outro fator que o autor também considera é a relativa distância de Montes Claros com Belo Horizonte e demais centros, que fez com que se localizasse na cidade parte dos serviços administrativos, como órgãos públicos e estaduais, colaborando para que a cidade se fortalecesse como centro de serviços, administração e comércio.

Oliveira et al (2000) acredita que a consolidação de Montes Claros como centro regional se deve, também, à chegada da ferrovia à cidade, em 1926. Segundo o autor, “a ferrovia causou grandes impactos no processo de consolidação da polarização”.(OLIVEIRA et al, 2000. p.27) Após a implantação da ferrovia, o comércio da cidade se modificou e desenvolveu, de modo que colaborou para o surgimento de sistemas atacadistas e expandiram-se as agências bancárias.

Sob esta mesma linha de raciocínio, Borges (1990) diz que a cidade de maior importância da região do Norte de Minas é Montes Claros, pois, dela, irradiam rodovias e ferrovias comunicando as diversas regiões do Estado. Montes Claros recebe, anualmente, grandes contingentes populacionais migrados de outras cidades. A região de Montes Claros possui um clima muito quente e seco, com baixo índice pluviométrico. Assim, nesta região de difíceis condições climáticas, recomenda-se, para o meio rural, duas atividades econômicas inerentes à própria vocação da região. A primeira atividade é a silvicultura, e a segunda é a criação extensiva dos rebanhos: bovinos, caprinos, ovinos e outros. A atividade de carvoejamento se faz necessária para a expansão da fronteira agropecuária ou para a geração de receita por meio da venda do carvão.

Seguindo esta mesma tendência, Fonseca (1989) acredita que no Brasil:

[...] Até o ano de 1945, a totalidade do ferro-gusa foi produzido com a utilização do carvão vegetal aproveitado através do material lenhoso, proveniente do desmatamento que se fazia necessário, para a implantação da pecuária, da lavoura, das estradas, cidades, etc. (FONSECA, 1989. p.06)

Deste modo, para que se façam os pastos para a criação de animais, é preciso desmatar uma determinada área. A Lei Florestal do Estado de Minas Gerais,

nº 14309 de 19.06.2002 (vide anexo), exige que se dê um fim econômico ao material lenhoso proveniente do desmate. Daí a importância da produção de carvão vegetal no município de Montes Claros. O produtor rural, ao aproveitar o material lenhoso que seria queimado, está obtendo uma renda a mais, e também, para que ele produza o carvão, ele precisa contratar trabalhadores para fazê-lo. Além disso, o produtor tem de pagar algumas taxas florestais, o que gera receita para o Estado. De acordo com Borges (1990), Montes Claros é uma região de clima quente e seco, onde chove pouco, o que torna a agricultura inviável para a subsistência das famílias no meio rural. Desse modo, a atividade do carvoejamento vem a contribuir para que essas famílias tenham mais uma opção de trabalho e complemento de renda. Porém, muitas vezes, o dinheiro ganho pelos trabalhadores na produção do carvão é a única renda que eles possuem. O fabrico do carvão, conseqüentemente, fixa o homem no meio rural e concebe um ganho financeiro necessário à subsistência das famílias.

Borges (1990) diz que a produção de carvão vegetal nativo, na cidade de Montes Claros, é muito praticada por produtores rurais que visam ampliar sua fronteira agropecuária. Deste modo, para que a limpeza da área seja feita, é necessário que se produza o carvão, pois a Lei Ambiental exige que se dê um fim econômico para o material lenhoso. Entretanto, a produção do carvão vegetal nativo também é feita por produtores rurais que visam somente à renda auferida com a venda do carvão. Segundo o autor, o carvoejamento é importante para a economia do município de Montes Claros, já que gera uma considerável receita para o produtor e, conseqüentemente, para o município, por meio das taxas impostas, além de colaborar com a limpeza da área para a atividade agropecuária. Contudo, Borges afirma que o maior empecilho para a produção do carvão na região é a burocracia encontrada, por parte dos órgãos ambientais competentes, como o IEF.

Montes Claros, como mostra a tabela 3, é o quinto maior município produtor de carvão vegetal da silvicultura, tendo produzido, em 2004, 50.187 toneladas de carvão, correspondendo a 2,33% da produção nacional, e gerando receita de R$15.056 milhões para região. Ao longo do município de Montes Claros, podem-se observar grandes plantações de eucaliptos de propriedade de indústrias siderúrgicas (vide anexo), havendo também pequenas plantações de proprietários particulares. Ambas plantações têm por finalidade a produção de carvão vegetal.

Pesquisa feita pelo IBGE, sobre o pessoal ocupado com a produção de carvão legalizado em Montes Claros no ano de 199611, mostrou que os doze

produtores de carvão vegetal entrevistados empregam, ao todo, 64 trabalhadores, dos quais um tem idade inferior a quatorze anos.

Tabela 4 – Quantidade produzida e valor da produção do carvão vegetal nativo12 no município de Montes Claros – MG. 1994-2004

Ano 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Quantidade Produzida (t) 5.700 6.427 2.785 2.600 2.720 1.533 1.953 565 450 435 427 Valor da Produção (R$1.000) 456 578 139 234 245 153 234 73 68 78 107

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, 2004.

Como é possível observar na tabela 4, acima, em 1994, Montes Claros produzia 5.700 toneladas de carvão vegetal nativo. Em 1995, esta produção teve um aumento, passando para 6.427 toneladas. Este aumento pode ser explicado pelo fato de as indústrias siderúrgicas passarem a pagar um maior preço pela tonelada do carvão, visto que, em 1994, pagava-se R$80 por tonelada (456.000/5.7000), e, em 1995, passou a ser pago aproximadamente R$90/t13. Em 1996, houve uma

queda significativa na produção, de 6.427t para 2.785t (redução de 3.642t), devido à redução do preço pago pelo carvão, aproximadamente R$50/t (ou 50t/3.314 igual a

R$15.15/MDC).

A redução do preço, em 1996, acarretou pequena queda na quantidade produzida em 1997 (2.600t), porém, houve um aumento do preço pago pela tonelada (R$90/t) do carvão. Conseqüentemente, o aumento do preço, em 1997, elevou a produção em 1998 para 2.720t. O preço pago pelo carvão permaneceu estável em 1998, contudo, em 1999, a produção caiu para 1.533t. Esta redução ocorreu por razão de a lei florestal, em 1998, impor limites à produção de carvão vegetal nativo.

11 Último censo realizado pelo IBGE sobre o assunto.

12 Os dados fornecidos pelo IBGE são feitos a partir da produção de carvão vegetal legalizado. 13 Noventa reais por tonelada.

Em 2000, a produção do carvão apresentou um aumento, pois, em 1999, o valor pago pelo carvão subiu para aproximadamente R$100/t. De 2001 a 2004, apesar de haver um aumento gradativo no valor pago pelo carvão (aproximadamente R$129/t, R$151/t, R$179/t e R$251/t, respectivamente), a produção do carvão caiu. A queda da produção em 2001 e 2002 deu-se por maiores impeditivos burocráticos no processo de desmate da mata nativa.

No ano de 2002, entrou em vigor a Lei Florestal do Estado de Minas Gerais n° 14.309 (19 de Jun. 2002), que trouxe novas regras ao licenciamento ambiental, dificultando a exploração das florestas nativas e proibindo qualquer alteração do solo, desmate, no bioma conhecido como mata seca15, sem que

houvesse a regulamentação da Lei. Então, a queda da produção de carvão, de 2002 a 2004, deveu-se ao seguimento desta lei, pelos órgãos responsáveis pelo licenciamento da exploração da mata nativa.

Considerações Parciais

Verificou-se, neste presente capítulo, que a produção de carvão vegetal é de grande relevância para a economia brasileira, uma vez que gera receita em diversos setores: setor florestal, siderurgia, produtores rurais e trabalhadores rurais. Minas Gerais apresenta-se como a maior produtora de carvão vegetal da silvicultura, sendo a cidade de Montes Claros o quinto maior município produtor de carvão desta categoria. O Estado de Minas Gerais também produz carvão vegetal a partir de matas nativas, porém em um volume menor do que o carvão da silvicultura (considerando-se os dados do IBGE). De acordo com Oliveira (1995), Montes Claros pode ser considerada como principal centro urbano da região, uma vez que, nesta cidade, encontram-se centros de serviços, administração e comércio. A produção de carvão, oriundo de matas nativas, tem grande importância social no município de Montes Claros, tendo em vista que fixa o homem no meio rural e representa um ganho financeiro necessário à subsistência das famílias que ali vivem.

15 Tipologia florestal, a qual não possui associação com cursos de água, ocorre em solos drenados e

ricos em nutrientes, e suas árvores atingem altura média de 15 a 25 m (cobertura arbórea de 70 a 95 % na época de chuvas). Ex. Cerejeira, Cedro, Angico, Caroba, Aroeira, Cega-machado.

Capítulo 3 – Impacto social, econômico e ambiental da produção do