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LISTA DE ABREVIATURAS

1.1 EMBRIOLOGIA RENAL

O desenvolvimento dos sistemas urinário e genital está intimamente relacionado e ocorre a partir do mesoderma intermediário. Dos cordões nefrogênicos são formados o sistema urinário e a saliência gonadal origina o sistema genital (QUEIROZ; SILVA, 2004).

Os rins se desenvolvem em três estágios, sequenciais, nos quais se identifica que a ontogênese repete a filogênese (TANK et al., 2012). O mesênquima intermediário, disposto longitudinalmente no tronco fetal, subjacente aos somitos e adjacente ao mesoderma esplancnopleural (medialmente) e ao mesoderma mesodérmico (lateralmente), tal como ocorre nos vertebrados inferiores, desenvolve divertículos epiteliais, segmentados, seriais, denominados nefrótomos. Cada nefrótomo é formado por uma cavidade (nefrocele) que se comunica com o celoma por meio de um tubo denominado nefróstoma, cuja parede dorsal evagina como um cordão nefrogênico formado por túbulos (MICU et

al., 2013).

A partir desses primórdios, têm origem os pró-nefros, que se constituem em aglomerados celulares nas partes mais craniais do cordão nefrogênico, cujas extremidades centrais são conectadas ao epitélio celômico sob a forma de conjuntos celulares de conformação linear, que provavelmente representam o tubo peritoneal elementar. Os pró-nefros, que se constituem em rins não funcionantes, surgem no início da quarta semana gestacional, mas degeneram no início da quinta semana de vida uterina (SCHNECK; BELLINGER, 2007; TANANGO, 2007).

As extremidades dorsais dos túbulos craniais se dobram caudalmente e se fundem para formar o ducto excretor primário longitudinal. Na medida em que o processo embrionário prossegue, o ducto excretor primário alonga e sua porção caudal se destaca do cordão nefrogênico, para permanecer imediatamente abaixo da ectoderme. Nesse nível, ele cresce caudalmente, independente do mesênquima nefrogênico, curva-se ventralmente para se abrir na cloaca. Os túbulos formados mais tardiamente, portanto mais caudais, também se abrem nesse ducto e proliferam a partir dele. Na parede ventral da nefrocele ou no teto do celoma adjacente ao tubo peritoneal, são formados arranjos capilares específicos (glomérulos), margeando o epitélio celômico, os quais, contudo, não são funcionantes (MICU et al., 2013).

O segundo estágio de desenvolvimento renal humano consiste na formação dos mesonefros, os quais servem como órgãos excretores para o embrião. Sua

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formação se dá pela conexão dos túbulos ao ducto excretor primário, agora denominado ducto mesonéfrico. Caudalmente inicia-se a formação de cúpulas constituídas por mesênquima intermediário, que darão origem aos nefrons, mas estes ainda não são metaméricos, pois, não estão organizados em uma série de segmentos (QUEIROZ; SILVA, 2004).

Dentro de cada mesonefro, cada túbulo mesonéfrico é uma condensação de células mesenquimais que se epiteliza para formar vesículas. As vesículas crescem, assumem a forma de um S, e uma de suas extremidades se abre no ducto mesonéfrico, enquanto a outra dilata e invagina, de tal forma que a camada mais externa forma a cápsula glomerular, ou cápsula de Bowmann, e a mais interna diferencia-se em podócitos mesonéfricos, que se ligam a capilares invaginados, provenientes de ramos laterais da aorta, para formar os glomérulos (SCHNECK; BELLINGER, 2007; MICU et al., 2013).

Ao final da sexta semana gestacional, cada mesonefro é um órgão fusiforme, alongado, que se projeta na cavidade celômica, bilateralmente ao mesentério dorsal, em nível do septo transverso do terceiro segmento lombar. A projeção completa desse conjunto é denominada ponte mesonéfrica, mesonefro ou corpo de Wolff, resultante de interações epitélio-mesenquimais. A diferença entre o mesonefro e o metanefro (que constitui o rim) é a ausência da alça de Henle, porque no mesonefro os túbulos contorneados proximal e distal já estão formados (SCHNECK; BELLINGER, 2007; MICU et al., 2013).

É importante ressaltar que o ducto mesonéfrico se alonga caudalmente na parte lateral da ponte néfrica e na extremidade caudal da ponte, projeta-se na cavidade celômica, na substância de uma dobra mesonéfrica. Na medida em que os ductos mesonéfricos se aproximam do sinus urogenital, as dobras se fundem entre a bexiga (ventralmente) e o reto (dorsalmente). No embrião do sexo masculino, o ducto mesonéfrico forma os ductos epididimal, eferente e ejaculatório (MICU et al., 2013).

Na porção distal do ducto mesonéfrico, é formado um botão uretérico, originado da transformação de células mesenquimais em células epiteliais, o qual

assume a forma de platô, em cujas extremidades superiores aglomeram-se células mesenquimais. A epitelização dessas células pode originar as vesículas mesonéfricas e, posteriormente, a cápsula de Bowman, o glomérulo e os túbulos contorneados distal e proximal, como também ramificar para formar os túbulos coletores, os cálices e a pélvis renal dos metanefros (QUEIROZ; SILVA, 2004; SCHNECK; BELLINGER, 2007; TANAGO, 2007; MICU et al., 2013).

Os metanefros compartilham com os mesonefros exclusivamente as evaginações do ducto mesonéfrico cuja dicotomização produz o padrão de ductos coletores. Assim, os metanefros são formados a partir de três conjuntos celulares: uma evaginação do ducto mesonéfrico para formar o botão uretérico; uma condensação local do mesênquima para formar o blastema metanéfrico e a migração do mesênquima angiogênico no blastema metanéfrico, para dar origem aos glomérulos e aos vasa recta (MICU et al., 2013).

Durante todo o processo embriológico renal, são observadas

transformações de células mesenquimais em células epiteliais, importantes para a compreensão da patogênese do TW. As interações epiteliais mesenquimais entre o sistema de ductos e o mesênquima circundante ocorrem tanto no sistema mesonéfrico como no metanéfrico. A diferença está em, nos mesonefros, ocorrer uma progressão craniocaudal, com degeneração dos nefros craniais antes que os caudais estejam formados, enquanto que, nos rins metanéfricos, uma parte do mesênquima se mantém como células-tronco, que continuam a se dividir para alongar os túbulos e os ductos coletores, sob a ação da angiotensina II, responsável pela maturação renal e pela formação ureteral (MICU et al., 2013).

A manutenção de células mesenquimais como células-tronco explica o porquê mutações ou interrupções no processo de diferenciação celular podem acarretar na malformação do rim, resultando inclusive em TW (LI et al., 2002).

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