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4 POLÍTICAS E PROGRAMAS INTEGRADOS

4.3 Emissões de GEE e reciclagem

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, 2018c), a produção e o uso da energia estão entre as maiores fontes de emissão de GEE. A Figura 4.4 ilustra projeções feitas pela AIE sobre a evolução das emissões de CO2 associadas com energia durante o período de

2015 a 2040 considerando dois cenários de desenvolvimento: a New Policies Scenario - NPS e um cenário de desenvolvimento sustentável, a Sustainable Development Scenario – SDS 17.

Conforme indicado nesta figura, ações associadas com ganhos de eficiência energética permitiriam reduzir em 40,2% as emissões do cenário NPS em 2040, se forem mantidas as políticas já existentes e implantadas as políticas anunciadas no Acordo de Paris em 2015.

Segundo o IPCC (2018), há evidências de que após o período pré-industrial a elevação crescente na temperatura média do planeta ocorreu como decorrência das ações antrópicas e as emissões líquidas de CO2e de forçantes radioativos 18 não-CO2 contribuíram para o

aquecimento global. Como consequência, há riscos relacionados aos sistemas naturais devido à elevação da temperatura que pode provocar em algumas regiões do planeta variações na frequência e na intensidade das precipitações, como também em outras regiões período de seca intensa.

Fonte: Elaboração própria com base em IEA (2018c)

Figura 4. 4 - Projeções das emissões de CO2 associadas com energia nos cenários NPS e SDS da

Agência Internacional de Energia (2015 – 2040)

17 O cenário SDS descreve uma abordagem integrada para atingir os objetivos acordados entre os países

sobre mudança climática, qualidade do ar e acesso universal à energia moderna.

18 O forçamento radioativo significa que um agente climático tende a aquecer o planeta, como os GEE

originários das atividades humanas ou antrópicas, ao passo que outros “forçantes” radioativos podem resfria-lo, como as nuvens.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a participação, em 2017, dos projetos envolvendo eficiência energética e fontes renováveis de energia nos investimentos públicos em projetos de P&D na área de energia associados com tecnologias de baixo carbono corresponderam a 23% e 18%, respectivamente, conforme indicado na Figura 4.5 (IEA, 2018b).

Fonte: Elaboração própria com base em IEA (2018b)

Figura 4. 5 - Evolução percentual dos investimentos públicos em energia associados com tecnologias de baixo carbono, de 1974 a 2017

A estimativa das emissões de GEE do Brasil em 2015 foi de 1.368 milhões de toneladas de CO2e (GWP/SAR) 19. Naquele ano os processos industriais20 foram responsáveis por 7%

das emissões líquidas21 do país, com destaque para os segmentos siderúrgico e de cimento, que contribuíram, respectivamente, com 3,7% e 1,7% das emissões totais do setor (MCTIC, 2017).

Conforme o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), órgão do governo federal brasileiro responsável pela publicação das estimativas e inventários nacionais de emissões, em 2016 o Brasil ratificou o compromisso firmado em 2015 na COP 21 (21ª Conferência das Partes da UNFCC, em Paris) de adotar medidas para reduzir as emissões de GEE. A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira assumiu o compromisso de reduzir as emissões em 37% em 2025 e 43% em 2030, tendo como referência o ano de 2005 (MCTIC, 2018).

19 Para o GWP (Global Warming Potential) foram adotadas as referências do IPCC (Second Assessment Report – SAR), 1995.

20 Emissões resultantes dos processos produtivos nas indústrias e que não são resultado da queima de

combustíveis. Os segmentos industriais considerados no cálculo destas emissões são os de produtos minerais, metalurgia e química, além da produção e consumo de HFCs e SF6.

21 Os resultados das emissões líquidas correspondem às remoções decorrentes do crescimento de florestas

De acordo com Goldemberg e Lucon (2008) a diferença da energia gasta na produção utilizando material reciclado como o alumínio, plástico e aço em relação à requerida para produzi-los a partir da matéria prima é de 75%, 57% e 57%, respectivamente, em cada processo de produção destacado.

Além do gerenciamento dos respectivos resíduos gerados na produção, a legislação pode aumentar a responsabilidade dos fabricantes em recolher, armazenar e dispor adequadamente os seus produtos depois de comercializados respeitando o ciclo de vida, riscos e os impactos ao meio ambiente.

Segundo Ribeiro e Morelli (2009), as indústrias podem buscar reduzir a geração de resíduos nos processos de produção, e investir em alternativas economicamente viáveis para reutilizar e/ou reciclar esses rejeitos dentro das empresas ou enviar para outros processos produtivos. Ao reciclar alguns materiais os processos de produção podem reduzir o consumo de energia em relação à energia requerida no processamento a partir da matéria prima como, por exemplo, para o alumínio, vidro, papel, aço, plástico e borracha.

Em 2010: a Lei nº 12.305 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) visando a prevenção e a redução na geração de resíduos. Esta política tem como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).

Os processos de logística reversa promovem o retorno de resíduos sólidos urbanos pós- consumo para aplicação na produção industrial, e são desenvolvidos através da reciclagem, tratamento e reutilização de produtos, assegurando a destinação adequada de parte desses resíduos. Entre os princípios desse processo destacam-se os acordos setoriais com o Poder Público para atender a legislação que envolve a implantação de procedimentos para a coleta, triagem, armazenamento e compra de produtos usados (NASCIMENTO e BORGHETTI, 2018). Outra iniciativa que está sendo implantada (e.g. estado de São Paulo), devido às dificuldades e o custo para as organizações coletarem os resíduos derivados dos produtos industrializados para atender a legislação e manutenção das licenças ambientais, foi a criação de um sistema de créditos de logística reversa 22 para auxiliar as empresas a cumprir as

22 Certificados emitidos por empresas independentes (certificadoras) que comprovam um serviço de

logística reversa e destinação adequada de certa quantidade de resíduos. Esses certificados são comprados pelos produtores para remunerar o serviço de coleta e reciclagem (https://www.nhecotech.com/).

responsabilidades legais, aumentar a coleta e o aproveitamento de resíduos sólidos (FIESP, 2019).