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EMPREENDIMENTOS DO PMCMV FAIXA
MUNICIPIO FASE 01 FASE 02 TOTAL
Natal - 13 13
Parnamirim 8 5 13
São Gonçalo Do Amarante 1 6 7
RMN 21 30 51
Fonte: Ferreira (2016), com base nos dados do SIAFI – PMCMV/CEF (2015), 2016. (Adaptado pela autora).
Nos municípios selecionados para a presente investigação, em Natal, a contratação de unidades do PMCMV Faixa 1 aconteceu somente na fase 02 do Programa. Dos 13 empreendimentos contratados em Natal (Residencial Vivendas do Planalto I a VI, Residencial Morar Bem Pajuçara, Residencial São Pedro e o Complexo Habitacional Village de Prata), apenas 5 foram entregues às famílias. Em 2014, foi entregue o Vivendas do Planalto (I a IV), o qual está localizado no Bairro do Guarapes (Zona Oeste), próxima ao assentamento Leningrado.
Em 2016, o município de Natal realizou o reassentamento11 de 200 famílias oriundas das comunidades Maruim, Jacó e outras, que se encontravam no Programa de Auxílio Moradia, para o empreendimento São Pedro, cujas obras fazem parte da conjugação entre os Programas PAC e PMCMV (Figura 4). De acordo com informações da SEHARPE, foi realizado todo o processo de preparo das famílias para as novas habitações através do trabalho social.
O empreendimento Morar Bem Pajuçara conta com 176 apartamentos que estão sendo construídos no Bairro de Pajuçara, Zona Norte de Natal. Porém, o residencial foi
11Em 2013, a Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária realizou uma nova proposta
ao Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, na qual se conjugou a Reurbanização da área ocupada da comunidade Maruim, com o Reassentamento das famílias para um Empreendimento do PMCMV, em terreno doado pela Prefeitura, no Bairro da Ribeira/Natal-RN.
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invadido, em 2015, e desde então encontra-se em processo de reintegração de posse e retomada das obras, pois a construtora responsável rescindiu contrato com a CEF.
Figura 4: Empreendimento São Pedro (PMCMV/Faixa-1), em Natal-RN.
Fonte: Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes, 2016.
Além disso, no Bairro do Guarapes (Zona Oeste), encontra-se em fase de obras o Complexo Habitacional Village de Prata (Figura 4), com 1.792 apartamento. O empreendimento terá 50% das unidades habitacionais destinadas ao reassentamento das favelas do Cambuim, 8 de março e famílias remanescentes da favela do Alemão. Durante a investigação, a Secretaria de Habitação de Natal ainda não tinha realizado o sorteio de definição das famílias e não tinha iniciado o trabalho social com as famílias da demanda fechadas. Na Figura 5 é possível observar as obras do complexo habitacional Village de Prata, no Bairro do Guarapes:
Página | 72 Figura 5: Obras do Empreendimento Village de Prata (PMCMV/Faixa-1), em Natal.
Fonte: Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes, 2016.
Em todos os empreendimentos do PMCMV, no Município de Natal, o Programa foi utilizado, fundamentalmente, como um instrumento para o amplo processo de remoção de favelas na Capital. Ao total, através do PMCMV, em Natal foram reassentadas 4 favelas (8 de outubro, Anatália, Monte Celeste, Maruim e famílias que residiam em áreas de risco da Comunidade São José do Jacó). Ademais, a previsão é a de que, nos próximos empreendimentos do Village de Prata e Morar Bem Pajuçara, sejam removidas as favelas Cambuin, 8 de março, remanentes da favela do Alemão e famílias da Comunidade África que são alvo do Programa de Mobilidade Urbana Pró- Transporte, do Governo do Estado do RN.
O reassentamento de favelas para os condomínios verticalizados do PMCMV Faixa1, reproduz um modelo em que o Estado não leva em consideração as características socioeconômicas destas famílias e as relações com o território.
A remoção destas famílias para estes conjuntos habitacionais, em Natal, de certa forma reproduziu o processo de segregação socioespacial, tendo em vista que a maioria dos residenciais foram construídos na periferia da cidade, que apresenta graves
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problemas de acesso à infraestrutura e aos serviços urbanos, não garantindo a efetivação do direito à cidade e moradia às famílias beneficiárias.
A cidade de Parnamirim é a cidade que possui a maior quantidade de unidades habitacionais contratadas no PMCMV na RMN, cerca de 56% nas duas fases do Programa. Na Figura 5, é possível visualizar a espacialização dos empreendimentos do PMCMV Faixa 1, em Parnamirim. No total, o Município recebeu 13 empreendimentos do Programa na Faixa 1, atendendo cerca de 21.952 pessoas. Sobre isso, Silva et al, (2015, p. 286), comentando o crescimento anual da cidade afirmam que:
Essa produção mantém estreita correlação com o próprio processo de crescimento do Município, pois, comparando os Censos de 2000 e 2010, verifica-se que dos municípios que integram a RMNatal, Parnamirim foi o que mais cresceu, tendo uma taxa de crescimento de quase 5% no período em tela.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária (SEHAB), como forma de incentivo à realização de parcerias com a iniciativa privada, a Prefeitura encaminhou um projeto de lei à Câmara de Vereadores de Parnamirim, com a proposta de isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) e parcelamento do Imposto de Transmissão Intervivos (ITIV), durante o prazo da obra, para os empresários da construção civil que tivessem interesse em construir na cidade. Para as famílias beneficiárias com renda entre zero e três salários mínimos, o benefício proposto foi a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) durante 10 anos e do ITIV, principalmente para o PMCMV Faixa 1.
Em relação ao Município de São Gonçalo do Amarante, para Bentes et al. (2015), este vem passando por importantes transformações na sua dinâmica socioespacial e econômica. Conforme os autores, estas transformações ganharam celeridade e expressividade também em virtude dos investimentos decorrentes do PMCMV. Segundo Bentes et al (2015, p. 73), “[...] têm contribuído para a continuidade da dinâmica do setor habitacional iniciada com os investimentos do imobiliário turístico em São Gonçalo do Amarante”.
Por outro lado, por estar localizado próximo à cidade do Natal, o Município tem apresentado crescimento demográfico desordenado, consequência do transbordamento da mancha urbana da capital do Estado sobre seu território. Esse processo desordenado de uso e ocupação do solo tem gerado alguns problemas para
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os dois municípios, principalmente, de ordem territorial, provocando a formação de novas periferias e assentamentos precários.
Para enfrentar essa situação, em parceria com o Governo Federal, foi construído, por meio do PMCMV, o empreendimento Jomar Alecrim, com 305 casas, distante 2,5 Km da área central da cidade.
Além do empreendimento Jomar Alecrim, o Município também abriga duas grandes obras do PMCMV. A Área de Interesse Social (AEIS) Padre João Maria e as Dez, que segundo o Plano Diretor, está situada em uma zona isofônica (ruído), por estar próxima ao Aeroporto Internacional Aluísio Alves, também é alvo de intervenções do Programa. Através da conjugação do PAC e do PMCMV, cerca 344 casas foram construídas para atender às famílias reassentadas da AEIS, cujas obras foram custeadas com recursos do Governo Federal, da ordem de R$ 29 milhões (Figura 6).
Figura 6: Obras do Empreendimento Padre João Maria e as Dez (PMCMV/ PAC), em São Gonçalo do Amarante/RN.
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Ainda para atender às necessidades habitacionais do Município, em 2013, o Ministério das Cidades aprovou a contratação de 1.800 unidades habitacionais através do PMCMV (Faixa 1). Composto por 6 conjuntos residenciais de 300 apartamentos, o Residencial Ruy Pereira, atualmente, é o maior empreendimento habitacional do Rio Grande do Norte. A construção do Residencial Ruy Pereira ainda não supre as necessidades habitacionais do Município, pois a cidade de São Gonçalo do Amarante encontra-se em elevado processo de crescimento, conforme relato da Coordenadora do PMCMV da SEHAB:
[...] que até, então, ainda é pouco para o déficit habitacional. Porque nós somos uma região metropolitana que cresceu muito e que está crescendo muito! Antes éramos uma cidade dormitório, hoje nós não somos mais, porque está vindo muitas empresas. Veio o aeroporto, agora está vindo o Açaí, está vindo o Hiper Queiros. Então assim, SGA vai ser um polo industrial muito forte, aqui na Região Metropolitana. As pessoas estão vindo habitar, porque moram perto do trabalho, é até uma sugestão própria do empresário, a questão da demanda de moradia. Então assim, na hora que você abre uma empresa, os trabalhadores precisam morar próximo ao trabalho, então o déficit habitacional do Município vai aumentar. Então a gente, temos o maior empreendimento do RN, que está em fase de construção (Coordenadora do PMCMV da SEHAB, em São Gonçalo do Amarante, setembro de 2016).
Os dados apresentados revelam um panorama geral sobre as características do PMCMV Faixa 1 na RMN, ao qual está relacionado, principalmente, como atendimento ao setor imobiliário e à construção civil, o enfrentamento do déficit habitacional e as necessidades dos municípios de reassentar populações de assentamentos precários, com ampla repercussão sobre a estruturação do espaço urbano e metropolitano.
No entanto, esta dinâmica de construção de novas moradias pelo PMCMV, como dimensionam Silva et al (2015) está levando a expansão urbana “sem urbanidade”. Isso significa que existe uma baixa cobertura de infraestrutura urbana, com ausência de equipamentos sociais, como escolas, creches, postos de saúde, segurança pública e transporte público nas áreas que estão sendo ocupadas pelos beneficiários do Programa. Silva et al (2015, p. 265) revelam que esses processos de espraiamento das novas manchas urbanas apresentam:
[...] ao mesmo tempo em que se verifica uma expansão da metrópole pela produção de solo semiurbanizado (na maior parte das vezes apenas com abastecimento de água e eletrificação), dispersando a metrópole, recrudesce o quadro da inadequação habitacional nas áreas internas a Natal e periféricas à metrópole.
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Para Moura (2014), a construção dos empreendimentos Faixa 1 do PMCMV na RMN aponta para uma crescente expansão da periferia metropolitana, o que está relacionado, inicialmente, com a indisponibilidade de áreas de baixo custo para os investimentos imobiliários deste porte. De acordo com Bentes et al. (2015, p. 14), quando se trata das intervenções do Programa, os autores destacam que “essas intervenções atuam de modo a reforçar a centralidade de Natal como polo metropolitano, enquanto o PMCMV evidencia um movimento de reforço aos processos de fragmentação do espaço urbano, com expansão das periferias”. Em síntese, o PMCMV tem muitos impactos sociais e econômicos na RMN, principalmente no que se refere às dinâmicas de produção e consumo de moradia. Todavia, após sete anos de sua criação, o Programa se tornou a única forma de intervenção habitacional em contexto local.
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