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Encontro realizado em 05 de setembro de 2005

Anexo 2: Encontros

2. Encontro realizado em 05 de setembro de 2005

AN Conforme eu lhes disse outro dia, eu trouxe aquele Termo de Consentimento para cada uma de vocês. É este aqui. Eu pensei em ler com vocês, o que acham?

BEL Pode ser.

AN Prezada professora, eu Maria Ângela Pasquini Zani, aluna regular do curso de pós-graduação em nível de mestrado, orientada pela Profª Drª Ângela de Fátima Soligo, matriculada na área de Formação de Professores da Faculdade de Educação da Unicamp, realizando pesquisa intitulada Contribuições da Psicanálise na Formação de Professores, venho através desta requerer sua participação na mesma, concordando com a sua gravação em vídeo , voz e imagem, nas reuniões de HTPC que ocorrerem no segundo semestre de 2005 na Escola “Professor Silvio de Souza”. Também solicito sua permissão para análise de material escrito que produzirá ao longo deste mesmo semestre –, relatos de situações do cotidiano de sua prática como professora, associados aos diálogos ocorridos nos horários de reuniões citados acima. Por último, solicito sua autorização para que o conteúdo gerado nas atividades acima descritas possa ser utilizado na construção da pesquisa citada, para o que presto os seguintes esclarecimentos: título provisório da pesquisa – é algo próximo disso, mas irei definir melhor no final – por enquanto é Contribuições da Psicanálise na Formação de Professores; objetivos – conhecer a possibilidade da psicologia psicanalítica enquanto instrumento reflexivo das práticas docentes. Aí justificativa – Com os dados obtidos na pesquisa pretendemos conhecer os alcances do saber psicanalítico em relação às práticas docentes. Nossa hipótese é que os saberes provenientes do contato com a psicologia psicanalítica contribuam para a ampliação das possibilidades de reflexão do docente frente às inúmeras e diversas circunstâncias que o trabalho pedagógico coloca aos professores. Procedimentos que serão utilizados na pesquisa: gravação de voz e imagem dos professores em horário semanal de reunião na escola na qual trabalham, e produção escrita de cada professor ao longo do semestre, na qual relacione os diálogos das reuniões com situações de sua prática docente. Fica estabelecido que toda pergunta e/ou dúvida da professora será respondida em qualquer momento da pesquisa – quando vocês quiserem. Será mantido sigilo quanto à identificação da professora, bem como dos dados coletados nas reuniões e nas produções escritas e que pode desistir de sua participação na pesquisa no momento em que quiser – no momento em que desejar, aí só precisa me comunicar disso, se vocês acharem que em algum momento não querem estar, que os dados de vocês não devem estar na pesquisa. Aí vocês me avisam [inaudível]

LEA Eu tenho uma pergunta: não tem possibilidade da gente passar pra terça?

AN Então, eu estou fazendo esse trabalho numa outra escola também, lá do outro lado da cidade, e é justamente às terças-feiras, das onze e meia ao meio-dia e vinte, horário do HTPC deles, que é o mesmo de vocês.

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AN Não, eu escolhi esta escola porque está próxima a região na qual trabalho.

BIA Mas como soube de nós?

AN Eu procurava uma escola de primeira a quarta série, quando ouvi através de uma mãe que havia uma possibilidade de seu filho estudar aqui, e foi assim que eu cheguei aqui.

BIA Ah, que bom!

AN Que mais?

BIA Não tem, não tem. Eu acho que é de praxe.

AN É. É um cuidado com aquilo que nós conversarmos aqui.

LEA Cuidado, né? A nossa escola é que está precisando ser cuidada. Mas contratamos uma pessoa para fazer os reparos e até hoje não terminou.

AN Não entendi. Vocês contrataram para quê e o que aconteceu?

LEA É assim: nós recebemos uma verba e contratamos um profissional.

AN Ele não tem nada a ver com o Estado?

LEA Não, nós contratamos esse profissional, esse profissional tem que fazer o serviço pra nós, só que ele não fez. E aí, nós estamos dependendo muito, essa escola tem um grande problema de aparência, eu não sei se nós conversamos sobre isso.

AN Não, ainda não.

LEA É assim: essa população em volta da escola, eles não colocam os filhos aqui porque eles acham essa escola feia.

AN Como assim?

LEA É, eles acham feio e têm toda a razão, porque o ambiente em que eles vivem não é bonito, certo? Por que é que eles vão colocar os filhos numa escola parecida com o ambiente em que eles vivem? Então eles não colocam aqui. Então, nós perdemos assim uma clientela imensa por causa disso. É ruim perder a clientela? É ruim, pelo lado profissional nosso, porque o aluno vai embora, ninguém dá chance de mostrar o nosso trabalho, e outra coisa, a gente teve um problema prático, que é o seguinte: se não tem aluno, fecha a classe, o professor perde a classe, ele vai pra outra escola. Então, tem esse lado também, que a gente está fazendo um trabalho de tentar trazer essa escola pra cá, nós estamos participando de um projeto, que é com a Arcor, que é com a C&A, que é pra trazer várias coisas pra escola, jardim, sabe?, biblioteca, mas isso vai acontecer ano que vem, essa verba é pro ano que vem. Então nós vamos toda semana, nós estamos tentando fazer alguma coisa, uma festa da primavera dia

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primeiro, nós fazemos um convênio com a Casa de Cultura lá também, retornando com uma ONG, pra trazer aqueles tambores da Casa de Cultura pra fazer uma festa, pra ver se a população começa a dar valor pra essa escola.

AN Aqui então sobram vagas, é isso?

LEA Sobram vagas, e sobram vagas e o fator principal é a aparência, a escola é feia, ela é mal cuidada, ela é suja. Nossa! Era de você que a gente estava falando. [sobreposição de vozes

impede o entendimento do que se fala].

Obs. O pintor contratado, Sr. Francisco, entra na sala acompanhado do diretor da escola, Sr. Joel*.

P/tor Eu falei com o Joel* porque eu peguei 22 escolas, então a qualidade nossa era a sala de aula, parede, aquelas coisas [inaudível] ... diretor vai fazer reunião com os alunos pra poder fazer grafite no muro. O que ficou é só isso aí. Semana que vem eu vou fazer no sábado e domingo, tem a semana de 7 de setembro, vêm outras escolas que estavam bem na frente. Isso aqui, num dia, dois dias termina.

LEA E a nossa preocupação é o [inaudível] ... nós estamos vendo assim, se foi dado uma mão só.

P/tor Não, foi dado duas mãos, é que a tinta vermelha, porque é um vermelho...

RA Marrom, né?

LEA Um marronzão, Nossa Senhora!

LIA Mas tem lugar que eu vejo que não está bem pintado.

P/tor Não, isso aí dá um retoque, tudo bem.

BEL E no chão, porque o chão é prioridade também, tem sala de aula.

P/tor Eu falei pro Joel*, pra mim pintar o chão, tem que retocar o chão. Não adianta eu passar a tinta sem retocar. Eu vou retocar, talvez eu venha dia de feriado, 7 de setembro, retocar o chão, talvez eu comece a pintar no domingo o chão. Isso não tem problema nenhum, porque isso aqui num instantinho pinta o chão.

BIA Francisco, quando você fala em prioridade, pra nós não é interessante saber quantas escolas você pegou; você pegou um trabalho e já recebeu por isso. Então, a prioridade é entregar pronto. Se soubéssemos que era assim, naquele dia procuraríamos outra empresa pra fazer, porque nós estamos perdendo crianças, nós estamos tendo problemas sérios, salas sendo fechadas aqui, colegas que não poderão vir pra cá mais porque no ano que vem só teremos quatro salas, e a reclamação da nossa comunidade é justamente isso aí, a escola é feia, a escola não está boa, não é quanto a profissionais da escola, é quanto ao prédio. Então, nós temos zelado por isso. E quando veio essa verba do Estado pra pintar a escola, entendíamos que seria pintada e não parcelada a pintura dela. Então essa é a nossa cobrança pra você. Estávamos todos juntos e conversamos sobre o piso. Naquele dia você garantiu que era

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possível sim, dentro desse orçamento, você fazer o piso pra nós, você pintar o piso pra nós. Escolhemos cor, não é? Você nos garantiu a possibilidade disso. Então, aí você entende a nossa chateação, já estamos em setembro. O que me chateia mais ainda em relação a você é dizer que isso aqui não é prioridade, pra nós é prioridade sim. Trabalhamos, ficamos quase cinco horas dentro de uma sala de aula nesse estado, e olhando a pintura que o nosso próprio aluninho olha pra tia tá caindo, olha a tinta aparecendo, olha o fundo aparecendo. O próprio aluno, aluno de nove anos tem essa percepção já de perceber um trabalho, me perdoe, malfeito.

P/tor Mas a tinta pintada é tinta de qualidade, não é tinta de segunda, é tinta de primeira; agora, de retocar, se tiver de retocar alguma coisa vai retocar, isso aí não tem nada que ver, isso aí é normal retocar. Agora, questão do chão eu vou pintar o chão, isso aí num dia pinta, o chão é o de menos.

LEA Francisco, mas nós já conversamos várias vezes com você e você prometeu pra nós, e ai nós chegamos aqui na segunda, uma tremenda de uma frustração. Foi o que [inaudível] falou, nós estamos com um problema sério aqui, nós estamos tentando arrumar a aparência dessa escola, mas nós não podemos mexer uma palha sem que você termine o seu trabalho. A gente precisa que você termine esse trabalho pra começar a fazer alguma coisa.

P/tor Essa semana tem aula aqui segunda-feira?

BIA Não. É feriado. Agora, se você disser pra nós que você vem durante a semana, nós damos um jeito de ficar aqui, você pinta lá, nós vamos pra outra sala, nós fazemos qualquer coisa.

P/tor Pelo menos na sexta-feira, daí eu faço sexta aqui e sábado.

LEA Mas eu não sei como fica isso, Joel*? Não pode, por exemplo, você vem na quarta, pinta uma... se você pintar aqui, se você arrumar aqui, então eu saio da minha classe, a BEL e eu juntamos e ficamos aqui enquanto você está fazendo outra sala, entendeu? Se você fizer uma sala pelo menos na quarta, ou até duas... duas aqui, duas ali [sobreposição de vozes impede

o entendimento do que se fala]

P/tor Se fosse uma semana normal...

BIA Não, tem o feriado...

P/tor Não, mas eu acho que aí no caso eu venho na quarta-feira, faço o conserto, porque eu não posso pintar na hora. Aí, depois do conserto, aí na quinta-feira eu passo pra ver como é que ficou, aí a gente podia agendar pra sexta.

BIA Lembra que esse conserto era pra ser feito o ano passado? Você lembra, Francisco? Até a nossa discussão foi quantidade, mas você sabe do que eu estou falando, você lembra do que a gente conversou, discutiu com relação ao orçamento, quantidade de material, essas coisas. Pra mim, também, haveria condição [inaudível] .. Joel*, pra retocar os buracos da sala. Onde era mais profundo, foi colocado um pouquinho de cimento, onde estava assim, ficou lá, a sala está do mesmo jeito que estava antes, voltou, porque foi um trabalho que não foi

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bem-feito, não foi bem passado aquele cimento lá. Então, se o ano passado a gente tivesse

[inaudível] porque estava dentro do nosso requerimento, Joel*, estava dentro, a gente

encontrou força até pra lutar contra [sobreposição de vozes impede o entendimento do que

se fala]

P/tor Eu só vou pintar mesmo aqui essa semana. A sala de informática nem tem que pintar.

LEA Não, quando eu disse isso aqui [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se

fala]

Joel* Essa daí eu mando pro conserto na quarta-feira do feriado, e na quinta-feira eu passo pra ver como que a gente faz, porque daí eu posso [inaudível] ... porque essa tinta, ela seca rapidinho. E a gente podia trocar as salas também.

BIA Você pode até vir na quinta, não se preocupe que a gente troca as salas.

LIA [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se fala] aí na sexta, vamos supor, faz as duas salas lá e viriam duas pra cá. Aí, depois do intervalo, a gente dispensa os alunos, aí dá. Então teria que mandar um bilhetinho, né? Porque aí, se a gente tirar daqui, mais aquela outra sala, vai ficar triste, vai ficar muito, dá problema. A gente manda um bilhetinho segunda-feira, [inaudível] ... aí, até a hora do intervalo dá pra fazer duas, depois do intervalo fica uma vazia...

P/tor É, porque pra pintar essa sala aí é uma hora, é pouco serviço [sobreposição de vozes

impede o entendimento do que se fala]

Joel* ... aí ficaria livre e no sábado eu falo pro pessoal não usar as salas, pra ficar aqui fora.

MEL Sábado? Tem um bilhete lá, eles usaram a minha sala...

Joel* Usaram lá?

MEL Usaram, tem um bilhete lá usamos, estamos deixando como encontramos.

Joel* Acho que foi o [inaudível] ... porque eu não deixei eles entrarem. Eu disse leve um rack, ponha ali fora, que começou às duas.

BIA Então, Francisco, esses retoques. Hoje sabe o que eu fiz? Eu peguei [inaudível] ... quando eu fui tirar, saiu tinta na minha mão.

P/tor [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se fala] ... o muro pode ser num final de semana, que o muro não atrapalha, retoca rapidinho também faz. Mas as salas esse semana eu deixo pronto. [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se fala] ... aí na sexta eu deixo tudo prontinho, duas horas, três horas está tudo pronto. O que vai ficar de cheiro de tinta na sala é na hora que for retocar. Aí eu deixo pra retocar no sábado.

164 porque você vai vir pelo menos ...

P/tor Se estiver chovendo amanhã, pode ser que amanhã eu pinto, se continuar chovendo do jeito que está.

LEA Por quê?

P/tor Porque daí a turma fica parada, né?

LEA Então pode vir amanhã, nós damos um jeito, nós ficamos aqui, é o de menos [sobreposição

de vozes impede o entendimento do que se fala]

P/tor Se estiver chovendo do jeito que está assim e ficar parado, daí eu trago pra cá.

BIA Daí você vai fazer um serviço de qualidade.

P/tor [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se fala] Vamos analisar, eu peguei vinte e duas escolas pra pintar, toda escola ninguém reclamou [sobreposição de vozes

impede o entendimento do que se fala]

BIA O bebedouro vai cair. Se o ano que vem o Joel* te contratar pra alguma coisa, pode ter certeza já tem voto contra. Tem, Francisco.

P/tor A questão do bebedor ...

BIA Está até hoje lá, está caindo [sobreposição de vozes impede o entendimento do que se

fala]

P/tor O bebedor, a peça tá pra colocar lá [sobreposição de vozes impede o entendimento do que

se fala]

P.S. – Onde lê-se AN = Pesquisadora Joel* = diretor da escola

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