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As principais doenças que acometem exclusivamente perus e demais aves estão listadas na Tabela 4.

Tabela 4: Lista das principais enfermidades que acometem perus e galinhas.

Doenças prevalentes ou exclusivas em perus Doenças comuns a perus e galinhas

Arizonose Aspergilose

Bordeteliose Botulismo

Enterite hemorrágica Bouba aviária

Enterite por coronavirus Cólera aviária

Erisipela Colibacilose

Histomoníase Doença de Newcastle

Mycoplasma iowae Enterite necrótia

Mycoplasma meleagridis Influenza aviária

Ornitobacteriose Micotoxicose

Pneumovirose (C) Mycoplasma galliseptium

Síndrome coração redondo Mycoplasma synoviae

Síndrome entérico (PEMS) Pneumovirose (A e B)

Coccidiose Salmoneloses

Fonte: Back (2007).

3.4.1. Doenças Respiratórias

Diferentemente dos mamíferos, que possuem pulmões com capacidade de expansão e contração, as aves possuem pulmões rígidos e sacos aéreos, ou seja, finas membranas que preenchem todos os espaços das cavidades torácicas e abdominais, as quais são responsáveis por suprir os pulmões com ar inspirado durante o processo de expansão das cavidades tóraco- abdominais da ave (BERCHEIERI & MACARI, 2000).

Para se entender melhor, os sacos aéreos são estruturas delicadas e muito susceptíveis a danos, respondendo, quase sempre, com espessamento da membrana e infiltrado por células inflamatórias e exsudato. Esta reação inflamatória dos sacos aéreos é denominada de aerossaculite.

Outra particularidade dos sacos aéreos das aves é sua baixa irrigação sangüínea, o que dificulta o tratamento sistêmico com antibioticoterapia, reduzindo assim as opções de bases

medicamentosas, sendo preferível medidas de controle dos agentes infecciosos como o uso de sanitizantes em aerossóis, sob forma de nebulização no ambiente.

O aparelho respiratório dos perus é normalmente equipado com mecanismos de defesa que previnem ou limitam infecções por agentes de doenças respiratórias e removem partículas inaladas, mantendo as vias respiratórias limpas. Desta forma, a saúde das aves é afetada pela função destes elementos de defesa: os cílios, a secreção mucosa, e a presença de células fagocitárias que combatem as bactérias (Figura 7a).

Os cílios são pequenas estruturas de defesa localizadas na traquéia, onde também é produzida a mucosa. A secreção mucosa e a movimentação dos cílios são bem desenvolvidos nas aves. A consistência da mucosa produzida é importante para a eficiência da atividade ciliar e, conseqüentemente, a defesa do organismo das aves.

As agressões ao sistema natural de proteção das aves são favorecidas pela ação direta de gases tóxicos e irritantes, que são umas das principais causas dos quadros de aerossaculite, como mostra a Figura 7b (WEGHER, 2007).

(a) (b)

Figura 7: Vista aproximada dos cílios localizados na traquéia das aves (a) e aerossaculite em início do processo (b).

Neste contexto, a qualidade do ar ambiental que as aves inalam durante o período de criação ganha grande importância, pois a presença de gases tóxicos no ambiente, como o gás amônia e o excesso de CO2, associados à presença de agentes virais e bacterianos serão

responsáveis pelas falhas no sistema mucociliar, ocasionando assim os quadros respiratórios nas aves (WEGHER, 2007).

Pesquisas sobre o trato respiratório dos perus têm mostrado que camas que geram uma concentração de 10 ppm de amônia no ambiente de alojamento causam excessiva produção de muco e danificam os cílios. Pesquisas também têm revelado que níveis de amônia de 10 a 40 ppm levam o organismo a reduzir a eficácia da clearance da Escherichia Coli dos sacos aéreos, dos pulmões e da traquéia.

Outro ponto a considerar é a sinergia entre amônia (NH3), poeira e microorganismos,

com a potencialização dos efeitos negativos sobre a saúde animal. O NH3e as partículas de

poeira suspensas no ar criam uma carga adicional sobre o sistema respiratório e facilitam a entrada e a multiplicação de microorganismos infecciosos no trato respiratório (PICKRELL, 1991; CIGR, 1994; GUSTAFSSON, 1997).

Somando-se a isso, a respiração de ar com contaminantes desenvolve lesões nos pulmões associadas com acúmulo de fluido e baixa oxigenação sangüínea, tornando os animais mais suscetíveis a infecções (APPLEBY et al., 1992).

Segundo Poss (1998), a presença de poeira e particulados em galpões também pode levar a ocorrência de pneumonia e aerossaculite por infecção de Aspergillus fumigatus.

Quando em regiões com temperatura e umidade baixas, além do uso dos sistemas de ventilação que removem o excesso de umidade, a poeira é gerada pelas fezes secas, e serve como carreador de microrganismos fecais que afetam o sistema respiratório das aves. Em climas quentes, apesar da ocorrência de cama úmida, a condição de estresse térmico causa a hiperventilação que, por sua vez, também conduz a infecções respiratórias relacionados à inspiração de poeira. Ambas as condições conduzem a sérios problemas respiratórios, levando a perdas produtivas dos lotes (NOLL et al., 2003).

3.4.2. Problemas Locomotores

No que diz respeito a problemas locomotores, sabe-se que o melhoramento animal de postura e de corte na avicultura tem se baseado principalmente em dados de produtividade e de desempenho, pois doenças locomotoras em aves são um importante indicador econômico e de bem-estar animal nas cadeias avícolas (JULIAN, 2005). Devido a este tipo de seleção, surgiram diversos transtornos locomotores, incluindo-se a discondroplasia tibial (DT),

fêmur, pododermatite, doença articular degenerativa, rotação da tíbia e a síndrome dos dedos tortos, além de agentes infecciosos que causam enfermidades, tais como: doença de Marek, micoplasmose, artrite viral e salmoneloses Pode-se destacar ainda outras causas de distúrbios locomotores (LIMA et al., 2007):

a) Fatores nutricionais: os problemas nutricionais que influenciam o desenvolvimento ósseo são, principalmente, os desequilíbrios envolvendo o metabolismo de vitaminas, minerais e eletrólitos, além de outros nutrientes, tais como proteína e energia.

- Balanço eletrolítico: é estudado que o balanço de ânions-cátions pode influenciar a ocorrência de DT. Os principais íons envolvidos são o sódio, o potássio e o cloro.

- Micotoxinas: sabe-se que ingredientes contaminados com certas micotoxinas podem influenciar ou agravar problemas esqueléticos. A aveia contaminada com Fusarium roseum causa DT. Aflatoxinas e ocratoxinas causam diminuição da resistência óssea, o que deve estar relacionado ao metabolismo da vitamina D.

- Ingredientes da dieta: diversas pesquisas mostraram o efeito benéfico de produtos como levedura de cerveja e grãos de destilaria sobre o desenvolvimento ósseo. Diferentes fontes de soja têm marcado efeito na ocorrência de DT. Em um determinado experimento, foram testadas três amostras de soja de diferentes origens, sendo que duas delas causaram alta incidência enquanto que a outra causou uma diminuição na DT. Porém, quando a soja é submetida a um tratamento térmico, há uma marcada diminuição na ocorrência da DT, o que faz com que os pesquisadores considerem a existência de uma relação entre a ocorrência de DT e os conhecidos fatores antinutricionais da soja (LIMA et al., 2005).

b) Genética: observações a campo indicam marcantes diferenças na incidência de problemas de pernas em diferentes linhagens de frangos. É provado que a maioria dos problemas esqueléticos tem uma forma de transmissão vertical hereditária. Pesquisadores mostraram que é possível selecionar para um aumento na resistência do úmero em frangos de corte e que, em apenas três gerações, apresentou diferenças estatísticas.

c) Efeito do sexo: problemas de perna e defeitos esqueléticos são mais comuns em machos que em fêmeas, embora seja muito difícil determinar se esses transtornos são devidos ao sexo ou à maior taxa de crescimento apresentada pelos machos.

d) Peso corporal/Taxa de crescimento: pesquisas sugerem que o peso corporal por si só não afeta o desenvolvimento esquelético. No entanto, as altas taxas de crescimento têm uma estreita relação com o aparecimento de problemas locomotores. Isso pode ser comprovado através de práticas de restrição alimentar (menor taxa de crescimento), que conferem uma menor incidência de DT.

3.4.3. Lesões Cutâneas

As lesões de pele despertam grande interesse em função dos prejuízos que acarretam aos produtores, tendo em vista a ocorrência de condenação parcial ou total das carcaças, da redução no valor do produto final, do aumento no custo da mão-de-obra, da redução na velocidade de processamento industrial e dos gastos com a limpeza e desinfecção das instalações.

A incidência de dermatite é muito comum em frangos e perus de corte (MARTLAND, 1984; GREENE et al., 1985). Esta doença é diagnosticada pela observação de pontos marrons e/ou pretos nas patas das aves. Os sintomas são inflamações na pele devido a diversos fatores, como por exemplo, fatores corrosivos presentes em cama úmida.

Com relação ao sexo, os machos apresentam empenamento mais lento, são mais agressivos e, dessa forma, mais afetados por doenças cutâneas associadas a traumatismos. Essas aves, em geral, movimentam-se menos, tendendo a permanecer mais tempo em contato com a cama e sofrendo arranhões provocados pelas unhas das outras. Esse problema pode ainda acentuar-se quando da ocorrência de outras doenças ligadas ao crescimento rápido, como é o caso da síndrome ascítica e dos problemas locomotores, as quais diminuem mais ainda a mobilidade dos animais (FALLAVENA, 2007).

A densidade populacional alta é um fator muito importante para o aumento na ocorrência de lesões cutâneas, por favorecer o contato das aves entre si. Além disso, a

deterioração da qualidade da cama favorecerá a multiplicação de agentes patogênicos que poderão invadir a pele lesada e multiplicar-se nos hospedeiros.

A experiência em diagnóstico rotineiro e de pesquisa mostra que a classificação das doenças cutâneas não deve se basear apenas no exame macroscópico da pele, uma vez que isso freqüentemente resulta em erros. A maioria das doenças da pele causam aumento na espessura e alterações na coloração da mesma sendo, por isso, difícil o seu diagnóstico macroscópico. Essa é uma das razões pelas quais, em muitos países, o serviço de inspeção veterinária nos abatedouros costuma agrupar as diferentes enfermidades cutâneas em uma categoria denominada "dermatite" ou "dermatose". A conseqüência disso é que faltam dados epidemiológicos indispensáveis para o conhecimento de muitos aspectos ligados à etiologia de algumas das mais importantes doenças da pele (FALLAVENA, 2007).

As doenças da pele das aves incluem a celulite, a varíola, o carcinoma dérmico de células escamosas, a forma cutânea da doença de Marek e outras dermatites (gangrenosa, de contato, traumática, micótica).