5.1 Análise Primeira Etapa
5.1.2 Análise das Variáveis Comportamentais
5.1.2.3 Teste de Kruskal Wallis para Perus de 131 dias de Idade
Através das Figuras 50 e 51, pode-se observar as medianas para as durações médias dos comportamentos comendo e bebendo frente às distintas condições de conforto térmico. Para comprovar essa significância apresenta-se por meio das Tabelas 33 e 34, o teste de Kruskal Wallis.
Figura 50: Duração média do comportamento comendo para as distintas condições de conforto térmico.
Figura 51: Duração média do comportamento bebendo para as distintas condições de conforto térmico.
Tabela 33: Teste Kruskal Wallis para o comportamento comendo frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 -0,3 CM 42 27,5 2,76 CB 42 0 -2,52 Total 105 H = 10,06 GL = 2 P = 0,007
Tabela 34: Teste Kruskal Wallis para o comportamento bebendo frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 -1,98 CM 42 0 1,52 CB 42 0 0,09 Total 105 H = 6,56 GL = 2 P = 0,038
Através das Figuras 52 e 53, pode-se observar as medianas para as durações médias dos comportamentos descansando e canibalismo frente às distintas condições de conforto
térmico. Para comprovar essa significância apresenta-se por meio das Tabelas 35 e 36, o teste de Kruskal Wallis.
Figura 52: Duração média do comportamento descansando para as distintas condições de conforto térmico.
Figura 53: Duração média do comportamento canibalismo para as distintas condições de conforto térmico.
Tabela 35: Teste Kruskal Wallis para o comportamento descansando frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 287 1,85 CM 42 18 -3,19 CB 42 217 1,68 Total 105 H = 10,84 GL = 2 P = 0,004
Tabela 36: Teste Kruskal Wallis para o comportamento canibalismo frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 -1,56 CM 42 0,5 1,88 CB 42 0 -0,61 Total 105 H = 5,81 GL = 2 P = 0,055
Através das Figuras 54 e 55, pode-se observar as medianas para as durações médias dos comportamentos banho de cama e coçando frente às distintas condições de conforto térmico. Para comprovar essa significância apresenta-se por meio das Tabelas 37 e 38, o teste de Kruskal Wallis.
Figura 54: Duração média do comportamento banho de cama para as distintas condições de conforto térmico.
Figura 55: Duração média do comportamento coçando para as distintas condições de conforto térmico.
Tabela 37: Teste Kruskal Wallis para o comportamento banho de cama frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 1,35 CM 42 0 -0,55 CB 42 0 -0,55 Total 105 H = 16,47 GL = 2 P = 0,000
Tabela 38: Teste Kruskal Wallis para o comportamento coçando frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 -3,73 CM 42 0,024 3,91 CB 42 3,5 -0,87 Total 105 H = 21,84 GL = 2 P = 0,000
Através das Figuras 56 e 57, pode-se observar as medianas para as durações médias dos comportamentos bicando cama e arrepiando frente às distintas condições de conforto térmico. Para comprovar essa significância apresenta-se por meio das Tabelas 39 e 40, o teste de Kruskal Wallis.
Figura 56: Duração média do
comportamento bicando para as distintas condições de conforto térmico
Figura 57: Duração média do
comportamento arrepiando para as distintas condições de conforto térmico.
Tabela 39: Teste Kruskal Wallis para o comportamento bicando cama frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 0,28 CM 42 0 -0,6 CB 42 0 0,37 Total 105 H = 0,73 GL = 2 P = 0,694
Tabela 40: Teste Kruskal Wallis para o comportamento arrepiando frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 -0,88 CM 42 0 1,52 CB 42 0 -0,8 Total 105 H = 5,29 GL = 2 P = 0,071
Através da Figura 58, pode-se observar as medianas para a duração média do comportamento espreguiçando frente às distintas condições de conforto térmico. Para comprovar essa significância apresenta-se por meio da Tabela 41, o teste de Kruskal Wallis.
Figura 58: Duração média do comportamento espreguiçando para as distintas condições de conforto térmico.
Tabela 41: Teste Kruskal Wallis para o comportamento espreguiçando frente às distintas condições de conforto térmico.
Condições N Mediana Z CA 21 0 1,33 CM 42 0 0,1 CB 42 0 -1,18 Total 105 H = 5,00 GL = 2 P = 0,082
Pode-se observar que o teste de Kruskal Wallis apontou para uma diferença significativa (p<0,05) entre condições de conforto avaliadas. Este teste é um teste de posição, ou seja, indica se houve diferença entre pelo menos duas amostras independentes, não nos informando a qual delas se refere. Desta forma, por meio da diferença entre o Z valor do teste de Kruskal Wallis e pelos gráficos Box plot, pode-se concluir sobre quais condições de conforto são diferentes significativamente entre si.
Para a idade de 61 dias, observa-se que houve diferença significativa para a duração média dos comportamentos frente às distintas condições de conforto: comer, beber, descansar (deitar) e bicar cama. Para a idade de 96 dias, observa-se que houve diferença significativa para a duração média dos comportamentos: beber, descansar (deitar), canibalismo, coçar e bicar cama. Já para a idade de 131 dias, observa-se que houve diferença significativa para a duração média dos comportamentos: comer, beber, descansar (deitar), banho de cama e coçar. Observa-se que houve quatro comportamentos em que as condições de conforto foram significativas para a idade de 61 dias, e cinco para as idades de 96 e 131 dias. Os comportamentos que apresentaram duração significativa foram muito semelhantes, mas percebe-se que o estresse por calor afeta mais as aves mais velhas.
Para a idade de 61 dias, percebe-se que a diferença significativa entre o comportamento comendo reside sobre as condições CA e CBF; CA e CM; CB e CBF, podendo ser visualizado pela Figura 32 e Tabela 15. Observa-se, também, que o estresse por frio afeta com uma intensidade maior as aves mais jovens que o estresse por calor, devido a diferença significativa apontada para as condições CB e CBF. Resposta semelhante obtiveram as aves de 131 dias de idade em que as condições de conforto afetaram de forma significativa
estão de acordo com María et al. (2004) que afirmaram que as atividades locomotoras diminuem com o aumento do estresse, incluindo a atividade de busca por alimentos e com Warren & Schnepel (1940), Andrade (1976) e Mashaly et al. (2004), que constataram uma redução significativa no consumo de ração em condições de altas temperaturas.
Para o comportamento de beber água, também encontrou-se diferença significativa entre as condições avaliadas, para todas as idades de perus estudadas. Para a idade de 61 dias, a condição CA difere significativamente das demais condições, exceto da CM, ou seja, o ambiente térmico afeta diretamente a atividade de ingestão de água. Por meio da Figura 33, observa-se que a maior duração desse comportamento foi quando a ave se encontrava em estresse por calor e a menor duração, quando se encontrava em estresse por frio. Esse resultado está de acordo com Pereira (2005), em experimento com matrizes para postura, onde concluiu que o tempo médio de beber água e a permanência no bebedouro das aves aumentou conforme o aumento da temperatura, denotando associação positiva entre estas variáveis.
Para as idades de 96 e 131 dias esse efeito do ambiente térmico no comportamento de beber água pareceu ser menor, pois a diferença significativa se encontra entre as condições CA e CM (Figuras 42 e 51; Tabelas 25 e 34). Explica-se que há uma maior resposta do comportamento de beber água em função das condições ambientais para a idade 61 (aves mais jovens), pois estas foram afetadas, intensa e positivamente, ao estresse por frio, demonstrando que sofreram mais nessa condição em comparação à condição de estresse por calor. Esse resultado corrobora com Boni et al., (2007), que relataram a busca dos perus selvagens mais jovens pelo aquecimento junto ao corpo da mãe, se deslocando apenas para beber e comer para não perderem calor ao meio. Outro aspecto importante é quanto à perda de calor sensível que ocorre através da convecção, podendo ser afetada pelo fluxo sanguíneo, pela área de superfície e pela cobertura corporal, ou seja, aves com pouca cobertura de penas perdem mais calor para o meio (PECH-WAFFENSCHMIDT et al., 1995).
Nessa visão, o comportamento de beber água está associado negativamente com o bem-estar, ou seja, o aumento do tempo de duração médio desse comportamento sugere um prejuízo do bem-estar geral dos perus.
Encontrou-se diferença significativa entre as condições avaliadas para a duração média do comportamento de descansar (deitar), para todas as idades avaliadas. Para a idade de 61 dias, a condição CA difere significativamente das demais condições, ou seja, o ambiente
térmico afeta diretamente a duração desse comportamento. Por meio da Figura 34, observa-se que a menor duração desse comportamento foi quando a ave se encontrava em CA, pois é na condição de conforto que as aves manifestam uma maior atividade locomotora. Já a maior duração desse comportamento foi observada na condição de estresse por frio (CBF), quando a ave permanece deitada (agrupada) para evitar a perda de calor. Conforme citado, a diferença significativa das condições CA com CB, segue a mesma explicação, porém as aves permanecem deitadas para evitar a geração de calor pela atividade locomotora. Para as idades de 96 e 131 dias também observou-se esse efeito da condição climática afetar a duração do tempo em que as aves permaneceram deitadas, para ambas as idades (Figuras 43 e 52).
Pereira (2005) relata que é notória a maior ocorrência de prostrações nas matrizes de frango que estiveram submetidas ao estresse térmico acima da zona de termoneutralidade (T = 35ºC) e a ocorrência do ato de deitar nas demais condições ambientais estressantes aplicadas, conforme relatado por Rutz (1994).
Observa-se pelas Tabelas 21 e 30 que houve diferença significativa para a duração média do comportamento de bicar a cama para as idades de 61 e 96 dias. Para a idade de 61 dias essa diferença foi verificada entre as condições CA e CBF, e CA e CB. Este comportamento obteve maior duração na condição de conforto baixo por frio, podendo ser explicado facilmente, pois as aves permaneceram mais tempo deitadas nessa condição, não buscando o comedouro (Figura 38). Já para a idade de 96 dias os efeitos das condições climáticas impostas foram mais amenos, conforme pode-se observar na Figura 47.
Observa-se pelas Tabelas 36 e 45 que houve diferença significativa para a duração média do comportamento de coçar para as idades de 96 e 131 dias. Para a idade de 96 dias essa diferença foi verificada entre as condições CM e CB (Figura 56). Já para a idade de 131 dias os efeitos das condições climáticas impostas foram mais severos denotando diferença significativa entre as condições CA e CM, e CM e CB, conforme pode-se observar na Figura 55.
Observa-se pela Tabela 37 que houve diferença significativa para a duração média do comportamento banho de cama somente para a idade de 131 dias. Nesta idade essa diferença foi verificada entre a condição de CA com as demais condições, ou seja, para perus mais velhos, que sofrem mais com condições de estresse calórico, o comportamento de tomar banho
(Figura 54). Esse resultado corrobora com Barbosa Filho et al., (2007), que obtiveram diferenças significativas desse comportamento para galinhas poedeiras, quando estas se encontram em conforto e em estresse calórico. De acordo com Hogan & Van Boxel (1993), o estímulo da luz e da temperatura ambiental pode controlar o horário de realização do banho das aves, bem como a sua ocorrência ou não, podendo ter afetado o comportamento das aves mais jovens neste estudo.
Não se encontrou diferença significativa da duração do comportamento canibalismo (agressividade) frente às distintas condições de conforto para ambas as idades avaliadas (Tabelas 18, 27 e 36). Esse resultado está de acordo com Barbosa Filho et al., (2007), em avaliação com galinhas poedeiras. Pettit-Riley et al., (2001), Pettit-Riley et al., (2002) e Estevez et al., (2003) explicam que o comportamento agressivo está muito direcionado a disputas por alimento e por espaço.
Conforme as Tabelas 22, 31 e 40, não houve diferença significativa para a duração média do comportamento de arrepiar frente às distintas condições de conforto para ambas as idades de perus estudadas, de acordo com Barbosa Filho et al., (2007), que também não obtiveram diferenças significativas desse comportamento para galinhas poedeiras, quando estas se encontravam em conforto e em estresse calórico.
Igualmente para a duração média do comportamento de espreguiçar frente às distintas condições de conforto não encontrou-se diferença significativa para ambas as idades avaliadas (Tabelas 23, 32 e 41).
Efetuando uma avaliação geral e comparando com estudos comportamentais conduzidos igualmente por meio de análise de imagens com aves (XIN & SHAO, 2002; SEVEGNANI et al., 2001; PEREIRA, 2005; BARBOSA FILHO, 2004; ALVES, 2006) percebe-se que há uma tendência do peru de ser uma espécie mais resistente às condições climáticas que o frango de corte e galinhas poedeiras. Percebe-se que os perus sofrem e possuem igualmente perdas produtivas pelo estresse térmico, porém há uma representação menor do efeito do ambiente térmico em seu comportamento. Todavia, de maneira geral, muitas respostas comportamentais foram semelhantes as das demais espécies de aves citadas, frente às condições climáticas estressantes (comer, beber, canibalismo, descansar).
Cabe-se ressaltar também que uma diferença genética entre as aves aqui utilizadas e as aves utilizadas por Brown-Brandl et al., (1998) na definição do ITU, pode causar alguma
variação entre as respostas fisiológicas e a sensação de estresse e conforto frente às condições impostas.
5.2 Análise Segunda Etapa (Fase Inicial de Criação)