3 Criação de Valor no RUP
3.3 RUP-VC: Uma Extensão do RUP para Criação de Valor
3.3.5 Engenharia Simultânea de Sistemas e de Software
Do exposto na Seção 3.2.5, vimos que o RUP apresenta um bom nível de convergência ao elemento-chave que preconiza a simultaneidade entre o desenvolvimento da solução (engenharia de sistemas) e o desenvolvimento do software (engenharia de software). Para aumentar ainda mais a convergência a este elemento-chave, estendeu-se a tarefa de revisão dos marcos de ciclo de vida, como descrito a seguir.
Ponto de Extensão nº 10: Revisão de Marco de Ciclo de Vida Baseada em Valor
A VBSE considera, como uma característica importante do elemento-chave, o uso de múltiplos indicadores de consistência e viabilidade como critérios de revisão e decisão dos marcos de ciclo de vida. Reifer (2002) propõe que o Caso de Negócio do projeto de desenvolvimento seja utilizado como um dos balizadores da revisão. Esse artefato deve ser examinado para revalidar suas suposições e conclusões, à luz de qualquer alteração no contexto geral do negócio ou dos sistemas do projeto.
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A avaliação dos resultados do desenvolvimento do software (atividade sob a abrangência da Engenharia de Software) e das outras atividades necessárias à conclusão do projeto ou iniciativa de negócios (área abrangida pela Engenharia de Sistemas) é prevista no RUP dentro da tarefa Revisão de Marco de Ciclo de Vida, da disciplina de Gerenciamento de projeto. Durante a tarefa, os trade-offs analisados e descritos no Caso de Negócio, descritos na Seção 3.3.3, devem ser reavaliados; analogamente, mudanças nas premissas, contribuições e resultados da Cadeia de Resultados também devem ser analisadas na revisão. Os principais fatores para avaliação foram incluídos como extensão do RUP-VC à tarefa acima mencionada, na seção “Problemas para Consideração” da descrição principal da tarefa.
3.3.6
Monitoramento e Controle Baseados em Valor
Como visto no Capítulo 2, a VBSE questiona o método Earned Value Management (EVM) para o monitoramento de projetos de software baseados em valor, tanto pelo fato de o EVM se tornar difícil de implementar se o projeto sofre muitas e frequentes mudanças, quanto por não se conseguir obter qual o real valor que está sendo criado pelo projeto. Assim, a VBSE propõe outras técnicas que devem ser utilizadas para o controle baseado em valor.
Analisando o RUP no que diz respeito a essas técnicas, propõe-se que algumas tarefas da disciplina de Gerenciamento de Projeto sejam modificadas para atender ao monitoramento baseado em valor.
Ponto de Extensão nº 11: Monitoramento de Valor no Nível do Projeto
A VBSE propõe que o Caso de Negócio forneça indicadores do valor que deverá ser criado pelas funcionalidades desejadas pelo software. Estes indicadores devem ser utilizados no monitoramento do valor criado no projeto para a organização.
No RUP, a diretriz de Métricas descreve princípios relativos a medidas que devem ser coletadas e analisadas no monitoramento dos projetos que usam o processo. Também descreve um conjunto mínimo de métricas a ser aplicado no projeto. A diretriz é um dos insumos para a tarefa Desenvolver Plano de Medidas da disciplina de Gerenciamento de Projeto. O cumprimento bem sucedido do projeto será determinado pelas metas descritas no Plano de Medidas.
de negócio que devem ser monitorados, tendo sido adicionados alguns exemplos de tais
indicadores, basicamente extraídos de duas fontes:
• Fatores de trade-off, contidos no Caso de Negócio e apresentados na Seção 3.3.3;
• Iniciativas e resultados da Cadeia de Resultados nos quais o projeto está envolvido.
Além disso, foi estendido o passo “Desenvolver os objetivos primários de gerenciamento” da tarefa supracitada, que é onde são determinadas e registradas as restrições e os requisitos funcionais, não-funcionais, orçamentários e de programação importantes que precisam ser controlados. Nesse passo foi incluída a menção à Cadeia de Resultados como fonte de indicadores de valor de negócio.
Ponto de Extensão nº 12: Monitoramento de Valor no Nível da Organização
O RUP é um processo cujo foco é o projeto de software individual. A extensão RUP- VC adicionou a disciplina de Gerenciamento de Portfólio, que permite criar, conduzir e monitorar diversos projetos de software, agrupados ou não em programas. Na disciplina, a tarefa Monitorar Portfólio trata de fazer o monitoramento do portfólio baseado em valor. Utilizando a Cadeia de Resultados e os Casos de Negócio individuais de cada projeto, é possível derivar e monitorar indicadores dos objetivos estratégicos de negócio relativos aos projetos e programas. Uma abordagem para alcançar esse cenário é a implantação da Fábrica de Experiências baseada em valor (BOEHM et al., 2002). Uma diretriz foi criada no RUP-VC descrevendo a abordagem.
3.3.7
Mudança como Oportunidade
Com o sentido de prover o RUP com ferramentas para responder às mudanças que trazem consigo oportunidades, propõe-se neste trabalho fazer uma adaptação (tailoring) do RUP ao projeto de desenvolvimento, de maneira baseada em valor, de forma que o processo adaptado torne-se mais “ágil”. A decisão para a adaptação baseia-se na natureza do projeto: caso seja de tamanho pequeno para a organização, e com requisitos que mudam rapidamente, dar agilidade ao processo é fundamental para o aproveitamento das oportunidades que as mudanças podem trazer. Caso o tamanho e a criticidade do projeto exijam um grande esforço para incorporar as demandas frequentes por mudanças, é mais indicada a abordagem tradicional do RUP, de controle de mudanças de requisitos associada à modularização
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arquitetural das funcionalidades mais passíveis de ser fontes de mudança.
Ponto de Extensão nº 13: Permitir Adaptações Visando Agilidade do Processo
O RUP contempla o tailoring do processo na tarefa Adaptar o Processo de
Desenvolvimento para o Projeto, da disciplina Ambiente. Nela são apresentadas as
considerações a serem avaliadas para a definição do escopo da adaptação. A extensão RUP- VC acrescenta a essas considerações a exposição aos riscos decorrentes de se adicionar ou retirar “burocracia”, ao processo, deixando-o mais pesado ou mais leve. Também foi estendida a diretriz “Discriminadores do Processo”, que apresenta fatores que afetam a customização do RUP. A diretriz recebeu a adição do fator adaptabilidade a mudanças. Também foi acrescentada uma referência a Lines et al. (2008), que oferece sugestões de aplicação de estratégias ágeis no RUP.
Figura 3.3 - Home page do site do RUP-VC