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ENGENHEIROS(AS) E ENGENHEIROS(AS) CIVIS:

No documento FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS (páginas 35-39)

O CONTEXTO RECENTE

1.2. ENGENHEIROS(AS) E ENGENHEIROS(AS) CIVIS:

Se a construção civil está em expansão desde 2003, houve uma aceleração em 2006 e crescimento excepcional até 2013, como se demonstra a seguir. Justamente em 2006 – ano inicial do dito “boom” da construção civil – Salerno et al. (2013a) indicavam a consolidação da construção como terceiro maior empregador de engenheiros, depois da Indústria de Transformação e dos Serviços.

1.2.1. OCUPAÇÃO FORMAL E INFORMAL

Segundo as PNADs, em 2013, entre os 356 mil ocupados como engenheiros, 300 mil eram homens e 56 mil, mulheres. A ocupação para engenheiros e para engenheiros ci-vis cresceu significativamente entre 2002 e 2013 e parte expressiva desse crescimento aconteceu entre 2006 e 2013 (Tabela 2).

TABELA 2 – ENGENHEIROS E ENGENHEIROS CIVIS: OCUPAÇÃO POR SEXO E VARIAÇÕES (BRASIL 2002-2013)

ENGENHEIROS/SEXO

VARIAÇÃO 2002-2013 VARIAÇÃO 2006-2013 INCREMENTO OCUPAÇÃO VARIAÇÃO

NO PERÍODO INCREMENTO OCUPAÇÃO VARIAÇÃO NO PERÍODO

NA % NA %

TOTAL ENGENHEIROS 228 532 72,4 151 552 38,6

Homens 173 173 61,8 103 205 29,5

Mulheres 55 359 155,8 48 347 113,6

TOTAL ENGENHEIROS CIVIS 153 030 139,2 130 294 98,2

Homens 123 521 132,6 102 008 89

Mulheres 29 509 175,9 28 286 157,1

Fonte: IBGE-PNADs (2015b).

Assim, a variação para o total de engenheiros entre 2002 e 2013 foi de 72,4% (ou 6,5%

ao ano em média), incorporando aproximadamente 228 mil ocupados, sendo 38,6%

deles entre 2006 e 2013. Ao confrontar esses percentuais referentes ao conjunto da categoria profissional com os dos engenheiros civis, pode-se perceber o incremen-to mais significativo na absorção dessa especialidade da engenharia, provavelmente devido à pujança do setor de construção na absorção desses profissionais. A Tabela 2 mostra que a variação na ocupação dos civis foi de 139,2% (ou 12,6% ao ano) entre 2002 e 2013, absorvendo 153 mil profissionais a mais; daquele crescimento, 98,2% se deu entre 2006 e 2013. Merece menção especial o comportamento da ocupação femi-nina nos dois períodos. Em termos relativos, sua expansão foi sempre maior que a masculina, sugerindo a integração definitiva da engenharia às escolhas profissionais das jovens. Entre 2002-2013, por exemplo, confrontem-se as variações do crescimen-to da ocupação feminina para o conjuncrescimen-to da categoria (155,8% contra 61,8% dos ho-mens), com aquela referente ao total dos civis (175,9% para elas e 132,6% para eles).

A maior inserção de engenheiras e também de estagiárias nas construtoras foi favo-recida pela expansão das atividades da construção. Somem-se à conjuntura favorável o maior interesse das mulheres pela carreira, o que resultou no aumento das matri-culadas e das formadas em cursos de engenharia, e o interesse de parte delas em tra-balhar na construção civil e em obras, como se pôde apurar junto às construtoras e aos entrevistados nesta pesquisa. Segundo as estatísticas do Censo do Ensino Supe-rior do Ministério de Educação e Cultura (MEC) compiladas no site EngenhariaData, entre 2003 e 2013 o total de matrículas de pessoas do sexo masculino em cursos de engenharia no Brasil teve variação positiva de 308% enquanto as do sexo feminino

variaram 537% (ENGENHARIADATA, 2016). Tratou-se, portanto, de uma “janela” de oportunidade para a inserção das mulheres, em que jogaram positivamente alguns fatores, como o aumento da procura por engenheiros em um momento de expansão de atividades e a existência de um contingente de engenheiras civis que desejavam trabalhar na construção. Esse cenário remete aos estudos realizados por Forté e Rebeuh (2011) em empresas da região da Alsácia francesa, em que situações asseme-lhadas estimularam a feminização de várias profissões, uma vez que esse processo não acontece de per si.

A evolução da ocupação dos(as) engenheiros(as) nos segmentos formal e informal15 indica o crescimento importante do primeiro (variação de 78,7% em 2002-2013, ou 7,2% ao ano em média) contra 32,1% no informal (ou 3% ao ano), decorrente da expan-são do emprego com carteira assinada, principalmente. Novamente, a maior parcela da variação positiva do emprego formalizado se deu a partir de 2006 (43,7%), como mostra a Tabela 3. Destaca-se o excepcional crescimento dos empregadores (356,4%

em 2002-2013 ou 32,4% ao ano, em média). De fato, a PNAD de 2013 demonstrava que a grande maioria desses empregadores (89%) tinha até cinco empregados e a sua quase totalidade (97%) estava constituída legalmente, com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ (IBGE, 2015b). Note-se ainda que a ampliação da ocupação dos empregadores se deveu ao protagonismo masculino.

TABELA 3 – ENGENHEIROS: POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO SEGUNDO O SEXO (BRASIL 2002-2013)

ENGENHEIROS/POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO/SEXO (1)

VARIAÇÃO 2002-2013 VARIAÇÃO 2006-2013 INCREMENTO

OCUPAÇÃO

VARIAÇÃO NO PERÍODO

INCREMENTO OCUPAÇÃO

VARIAÇÃO NO PERÍODO

NA % NA %

TOTAIS

Engenheiros 228.532 72,4 151.552 38,6

Formal 174.778 78,7 120.766 43,8

Informal 27.707 32,1 11.247 10,9

Empregador 26.047 356,4 19.539 141,4

HOMENS

Engenheiros 173.173 61,8 103.205 29,5

Formal 132.696 67,6 81.639 33,0

Informal 16.739 21,8 2.872 3,2

Empregador 23.738 324,8 18.694 151,3

MULHERES

Engenheiros 55.359 155,8 48.347 113,6

Formal 42.082 162,8 39.127 135,8

Informal 10.968 113,2 8.375 68,2

Empregador ** ** ** **

** Taxas de variação desconsideradas em função das pequenas bases numéricas.

Fonte: IBGE- PNADs. (1) formal: empregado com carteira, funcionáio público estatutário e militar; informal: empregado sem carteira, conta própria e não remunerado.

Por sexo, os índices de formalização e informalização tenderam a ser sempre maio-res entre as engenheiras do que entre os engenheiros. Mesmo que as engenheiras sejam minoria na categoria profissional, em termos de tendência, verificou-se maior alocação das engenheiras nas posições nas ocupações aqui consideradas informais, quando comparadas às dos engenheiros. Entre 2002 e 2013, o aumento da ocupação

15 Neste estudo adotou-se a seguinte classificação: formal:

empregados com carteira, funcionários públicos estatutários, militares; informal: empregados sem carteira, conta própria e não remunerado. Excluídos os empregadores.

das engenheiras em posições informais foi de 113,2% (ou 10,3% ao ano em média), en-quanto a variação da ocupação informal dos engenheiros foi de 21,8%.

A PNAD informa também que o crescimento do segmento informal deveu-se à ex-pansão dos conta própria e dos sem carteira e, nessas duas posições, o crescimento foi maior entre as mulheres do que entre os homens. Em suma, deve-se notar que apesar de a formalização dos vínculos de trabalho ter favorecido engenheiros de ambos os sexos, o trabalho com vínculos informais persistiu e se expandiu, embora em ritmo menor.

Além disso, a expansão da informalidade tendeu a ser maior entre elas do que entre eles.

O Gráfico 1 mostra a evolução da informalidade para os engenheiros civis.

GRÁFICO 1 – ENGENHEIROS CIVIS: INFORMALIDADE SEGUNDO O SEXO (BRASIL 2002-2013)

Fonte: M.T.E./Rais.

As taxas de ocupação informal dos(as) engenheiros(as) civis eram de aproximada-mente 1/3 no início do período (2002), referendando a percepção de especialistas na área da engenharia e da construção, para quem, entre 30 e 40% da categoria tra-balhariam informalmente. No período anterior à grande expansão da construção (2002-2005), a ocupação informal dos dois sexos oscila, ora sendo maior entre os ho-mens, ora entre as mulheres. Em 2006, início do período de crescimento excepcio-nal da construção, 42,2% deles trabalhavam informalmente e 33,2% delas. A partir daí observa-se a tendência de queda para ambos os sexos até 2009, quando se registrou a menor proporção da série para as engenheiras, 19,1%. Em 2011, a informalidade volta a crescer para ambos os sexos (32,3% para eles e 28,9% para elas), tendendo a cair no-vamente até 2013. Nesse ano ocorreu uma inversão de tendência entre as taxas, a das engenheiras (26,3%) superando a dos engenheiros (23,1%).

É importante ressaltar que a diminuição da informalidade nos anos 2000 foi obser-vada para o conjunto dos trabalhadores brasileiros no mesmo período (ARAÚJO;

LOMBARDI, 2013), ao mesmo tempo em que cresceu o segmento formal. No caso dos(as) engenheiros(as) civis, a virtuosidade da política pública de qualidade na ha-bitação, como já se comentou, impulsionou a formalização dos vínculos de trabalho, fosse como empregado ou prestador de serviço, o que tornou especialmente visível a queda na ocupação informal a partir de 2006.

Em que ponto da cadeia produtiva da construção de um edifício se pode localizar o trabalho informal dos engenheiros e das engenheiras? Essa pergunta foi feita aos

entrevistados e a maioria se referiu a engenheiros(as) civis autônomos, que trabalham para um construtor individual ou para microempresas de construção ou para particu-lares, por empreitada. No tocante aos projetos de engenharia, alguns mencionaram o trabalho autônomo eventual que muitos profissionais realizam simultaneamente a um trabalho formal, mas também fizeram menção a projetistas autônomos que reali-zam partes de projetos subcontratadas por outros. Em outras palavras, para localizar o trabalho informal da categoria seria necessário se afastar das empresas contratan-tes (incorporadoras, construtoras e escritórios de projeto de engenharia) e do pri-meiro e talvez do segundo nível de subcontratação. Essa é uma pista para pesquisas futuras sobre o trabalho informal de engenharia na indústria da construção.

Engenheiras trabalham informalmente em maior proporção que engenheiros? A essa questão, os entrevistados responderam negativamente com base na sua percepção da distribuição dos sexos na categoria. O maior volume de profissionais ocupados formal e informalmente é do sexo masculino uma vez que a categoria é majoritaria-mente masculina. Os dados da PNAD, contudo, mostraram que, em termos relativos, a ocupação informal das engenheiras se ampliou mais que a dos engenheiros em todo o período analisado, incluído no período 2006-2013 (Tabela 3). Em outras palavras, as engenheiras – assim como as demais trabalhadoras – tendem a se inserir no mercado de trabalho em posições mais vulneráveis do que a dos homens, mesmo em conjun-turas econômicas favoráveis. Nesse sentido, o sexo do(a) profissional e as relações de gênero são tão importantes para a colocação das engenheiras no mercado de trabalho quanto a dinâmica do mercado profissional. A hipótese de pesquisa 3, que priorizava o modo de funcionar deste último às relações de gênero como explicação para a infor-malidade na engenharia, portanto, foi parcialmente rejeitada.

No documento FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS (páginas 35-39)