3. REVISÃO METODOLÓGICA
3.4 ENQUADRAMENTO DE TRABALHO
Antes de iniciarmos a análise, salientamos a importância de apresentar o contexto no qual os sujeitos participantes estão inseridos, além de explicar cada passo necessário para o desenvolvimento desta pesquisa. Uma vez que a metodologia que utilizamos é a Pesquisa-Ação, partimos de suas concepções e orientações para construirmos nosso viés de trabalho.
3.4.1 contexto da pesquisa
As atividades desenvolvidas para a geração de dados da pesquisa foram realizadas com uma turma de oitavo ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental Olavo Bilac, cuja autorização (Anexo 1) foi fornecida pela escola, permitindo que nossas ações acontecessem. O educandário é localizado na comunidade de Nova Boêmia, no interior do município de Agudo, RS. O público escolar é composto, em sua maioria, por alunos residentes nas localidades vizinhas, as quais se distanciam cerca de 30 km do centro da cidade. A atividade econômica predominante da comunidade é o plantio do tabaco, inclusive das famílias dos
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alunos da pesquisa, em que todos dependiam da renda advinda do fumo e trabalhavam com a agricultura familiar, constituindo-se como pequenos agricultores.
O grupo que participou das oficinas foi composto por 15 alunos, com faixa- etária entre 14 e 18 anos. Dentre esses alunos, optamos pelo sujeito de pesquisa JD. Em sala de aula, o professor deve ter ciência de que nem sempre há 100% de presença por parte dos alunos. Essa realidade acabou se tornando critério de escolha de nosso sujeito de pesquisa: participação em todas as oficinas, realização de todas as escritas e reescritas, pesquisas e leituras propostas.
Esse contexto foi determinante para a escolha da temática agricultura familiar e as atividades diárias dos agricultores. Tais temáticas foram abordadas em sala de aula, inclusive por meio das produções textuais propostas.
Além disso, levamos em consideração a prática da produção textual nas aulas de Língua Portuguesa desenvolvidas anteriormente as nossas intervenções, pois não aconteciam nas mesmas configurações que propomos aos alunos. Como exemplo disso, podemos citar a pouca exploração dos temas vivenciados no cotidiano dos alunos, a ausência da reescrita orientada, análise textual roteirizada e o trabalho com gêneros textuais que, até então, era desconhecido pelos alunos.
A pesquisadora assumiu a regência da turma no decorrer do ano letivo devido à necessidade de substituir a professora que até então vinha ministrando as aulas, o que nos possibilitou um olhar tanto de pesquisadora quanto de professora. Nossas ações foram desenvolvidas em cinco meses, mais precisamente, de julho a dezembro de 2016. Cada uma dessas ações será detalhada na próxima subseção.
3.4.2 desenvolvimento da pesquisa
Em um primeiro momento, antes mesmo de estabelecermos a configuração de nossas oficinas e nosso enquadramento de trabalho, como orienta a PA, foi necessário desenvolver uma pesquisa diagnóstica (apêndice 1) em relação aos conhecimentos dos alunos sobre os gêneros textuais, o que também está em consonância com os PCN’s (2002).
Essa pesquisa diagnóstica consistiu em uma atividade de leitura e produção envolvendo o gênero reportagem. Partiu-se da leitura e discussão de um exemplar envolvendo a temática preconceito linguístico para que os alunos escrevessem, individualmente, um texto de mesmo gênero. Entretanto, para essa primeira
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produção, não disponibilizamos nenhuma informação sobre a estrutura do gênero, haja vista que nossa intenção era investigar os conhecimentos prévios dos alunos tanto em relação à estrutura do gênero quanto a sua familiaridade com a produção textual e com a respectiva progressão tópica. Cada uma das atividades e ações realizadas, bem como os textos utilizados, estão nas SD, nos apêndices.
Em um segundo momento, desenvolvemos o trabalho de produção textual do gênero textual reportagem envolvendo uma temática diferenciada, a agricultura familiar. Para essa produção, exploramos as dimensões estruturais e comunicativas do gênero, realizamos a criação de questionários para que os familiares dos estudantes, imersos no ambiente da temática proposta, fossem entrevistados e participassem das produções de modo que valorizassem o conhecimento popular sobre a agricultura, atividade que rege a economia dessas famílias.
Além disso, discutimos conjuntamente as respostas dos entrevistados, explorando possibilidades de que pudessem ser abarcadas no texto, posteriormente, escrito. Dando continuidade à atividade, pesquisamos a temática em pauta, na internet, no laboratório de informática da própria escola, para que, além de utilizarem o saber popular, houvesse um contraponto com o saber científico.
Ao longo desse processo, buscamos desenvolver as onze fases da PA anteriormente citadas, exploramos o contexto no qual os estudantes estavam inseridos, associando a temática da produção a um ponto em comum a todos eles: a agricultura. Identificamos, a partir da produção diagnóstica, as fragilidades dos alunos em relação à produção textual escrita; planejamos cada uma de nossas ações a partir das SD; coletamos os dados por meio das produções textuais solicitadas; analisamos e refletimos acerca de cada uma delas. A partir desta última fase citada, lançamos hipóteses sobre como amenizar as fragilidades encontradas nas produções, as quais possibilitaram a elaboração de respectivas intervenções; por fim, observamos a resposta dada pelos sujeitos da pesquisa, o que nos levou a construir esta dissertação.
No decorrer das fases, houve leitura e análise compartilhada de diversas reportagens. Para finalizar essa atividade, desenvolvida conjuntamente com os alunos, aconteceu, ainda, por partes dos sujeitos da pesquisa, duas reescritas do texto até que chegasse ao produto final, o qual constituiu uma revista de reportagens intitulada: Agricultura familiar. Ademais, duas das reportagens foram publicadas no jornal da cidade, Correio Agudense (Anexo 2).
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A partir do trabalho com a reportagem, percebeu-se condições de acrescentar uma nova dificuldade: argumentar. A argumentação exige um posicionamento crítico frente a alguma situação ou problema, diferentemente da reportagem, na qual os fatos são apresentados com neutralidade. Consideramos como um desafio em relação à primeira produção, a tomada de posição e a reunião de argumentos para defender um ponto de vista. Nesse viés, o primeiro artigo de opinião teve como temática um assunto bastante presente na vida dos alunos no momento em que foi produzido: a utilização do celular em sala de aula. O assunto foi muito discutido devido a uma proibição realizada pela escola.
No terceiro momento, houve a produção de um artigo de opinião envolvendo a temática proibição do uso do celular em sala de aula. Para essa produção, realizamos a leitura e análise de diferentes textos do mesmo gênero envolvendo a mesma temática, necessitando, também, de duas reescritas. As últimas oficinas também aconteceram segundo nosso enquadramento de trabalho, envolveram o gênero artigo de opinião, porém com a temática direitos trabalhistas para pequenos
agricultores.
Desse modo, na próxima seção, constam as produções de nosso sujeito de pesquisa, bem como as respectivas análises.
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