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ENQUADRAMENTO DO PROGRAMA DE EXECUÇÃO E PLANO DE FINANCIAMENTO

O presente documento constitui o Programa de Execução e Plano de Financiamento do Programa Especial do Parque das Serras de Aire e Candeeiros (PEPNSAC) dando cumprimento ao previsto no n.º 2 do artigo 45.º do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio, que determina o conteúdo documental que acompanha o programa especial.

Nos termos da Lei de Bases da Política Pública de Solos e Ordenamento do Território e Urbanismo (Lei n.º 31/2014, de 30 de maio, na sua versão atual), os programas especiais estabelecem as orientações sobre a forma da respetiva execução, englobando as seguintes matérias:

 A explicitação dos respetivos objetivos e a identificação das intervenções consideradas estratégicas ou estruturantes;

 A descrição e a estimativa dos custos individuais e da globalidade das ações previstas, bem como os respetivos prazos de execução;

 A definição dos meios, dos sujeitos responsáveis pelo financiamento da execução e dos demais agentes a envolver;

 A estimativa da capacidade de investimento público relativa às propostas, tendo em conta os custos da sua execução.

Na sua essência, o Programa de Execução pretende agregar, em torno dos objetivos estratégicos e específicos definidos para o PEPNSAC, o conjunto de medidas e ações consideradas relevantes para o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), enunciando e descrevendo as intervenções prioritárias, incluindo o calendário de execução, a estimativa de custos e o contributo das diversas entidades para a sua execução.

A organização do Programa de Execução e Plano de Financiamento decorre, diretamente, do modelo territorial do PEPNSAC, nomeadamente, dos objetivos gerais e específicos que o configuram, que por sua vez, dão resposta e se articulam com os objetivos que presidiram à criação do PNSAC (Decreto-Lei nº 118/79, de 4 de maio).

1.1 M ETODOLOGIA

A elaboração do presente Programa Especial destina-se a assegurar a recondução dos planos de ordenamento das áreas protegidas (POAP) a programas especiais prevista no n.º 2 do art.º 200.º do RJIGT e não abrange, genericamente, alterações das atuais opções de ordenamento das áreas protegidas e do modelo territorial previsto nos POAP.

Assim, e considerando o disposto no Despacho de elaboração do PEPNSAC, este processo de recondução terá

sobretudo de se traduzir na adaptação do plano de ordenamento vigente ao atual quadro normativo.

Nesta conformidade e por princípio, serão mantidas as soluções e expressão territorial dos regimes de salvaguarda contidos no plano aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 57/2010, de 12 de agosto, só assim não acontecendo quando tais soluções contrariem as disposições legais que regem os programas especiais das áreas protegidas, quando estejam em causa atualizações, retificações e densificações, resultantes de erros ou omissões detetados como resultado da experiência na aplicação do plano, ou quando esteja demonstrado não serem as adequadas para prossecução dos objetivos de proteção dos recursos e valores naturais do PNSAC.

Neste contexto, procurou-se elaborar o presente documento partindo da avaliação do programa de execução que se encontra em vigor, atualizando-o nas dimensões necessárias, e adequando-o ao quadro de referência estratégico atual, em especial aos instrumentos de estratégia e política pública relevantes para a conservação da natureza e da biodiversidade.

A metodologia definida para a elaboração do Programa de Execução e Plano de Financiamento, assentou nas seguintes etapas:

1) Avaliação do programa de execução do plano de ordenamento em vigor:

O exercício de avaliação desenvolveu-se sobre uma matriz que visou aferir o grau de concretização das medidas/ações inscritas no programa de execução em vigor, utilizando, para o efeito uma escala de valoração.

2) Auscultação das entidades representativas dos interesses a ponderar

Pretendeu-se construir o programa de execução e financiamento em articulação com as entidades representativas dos interesses a ponderar (ERIP), através de:

 Disponibilização da matriz de avaliação do programa de execução em vigor às ERIP que compõem a Comissão Consultiva, para que ponderassem o grau de realização do instrumento em vigor;

 Solicitação de contributos às ERIP, relativamente a novas medidas/ações, os quais foram submetidos através da plataforma colaborativa de gestão territorial, ou disponibilizados, diretamente ao ICNF.

3) Elaboração da matriz do programa de execução:

Concluídas as tarefas de avaliação do programa de execução em vigor e recolhidos os contributos das ERIP, passou-se à construção da matriz do programa de execução, para o qual concorreram as seguintes atividades e tarefas:

 Ponderação da pertinência da manutenção das ações inscritas no programa de execução em vigor, em função da avaliação efetuada, bem como do cruzamento com a proposta de Diretivas e Normas de Execução elaboradas no âmbito do processo de recondução;

 Ponderação dos contributos das entidades relativamente à integração de novas medidas/ações;

 Aferição da adequação das medidas e ações existentes e propostas aos objetivos do PEAP e do diploma de criação da Área Protegida;

 Aferição do alinhamento das medidas/ações com outros instrumentos de estratégia e política

 Estruturação das medidas/ações por eixos e domínios específicos de intervenção.

 Identificação do quadro de governação, com a seleção das entidades responsáveis e intervenientes na execução das medidas propostas.

4) Definição do plano de financiamento

Identificadas as medidas/ações estratégicas para a execução dos objetivos do PNSAC, passou-se à etapa de definição dos investimentos associados e identificação das potenciais fontes de financiamento das medidas/ações selecionadas, os quais assumem um caracter eminentemente indicativo.

1.2 O BJETIVOS ESTRATÉGICOS DO PEPNSAC

O PNSAC foi criado pelo Decreto-Lei n.º 118/79, de 4 de maio, abrangendo uma área significativa do Maciço Calcário Estremenho, singular pela sua geologia, pela humanização da sua paisagem e por um conjunto de valores naturais diversificado que inclui espécies endémicas de distribuição circunscrita.

O interesse na proteção, conservação e gestão deste território encontra-se igualmente sublinhado pelo facto de integrar o Sítio de Interesse Comunitário “Serras de Aire e Candeeiros” (SICSAC), aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros (RCM) n.º 76/2000, de 5 de julho, agora classificado como Zona Especial de Conservação, através do Decreto-Regulamentar 1/2020, de 16 de março, na qual estão identificados os tipos de habitats naturais e as espécies de fauna e da flora que aí ocorrem, previstos no Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, na sua atual redação.

O POPNSAC na prossecução dos objetivos de proteção, conservação e gestão deste território, estabelecido no diploma de criação do parque natural estabeleceu os regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e fixou o regime de gestão a observar na sua área de intervenção, com vista a garantir a conservação da natureza, a biodiversidade, a geodiversidade, a manutenção e a valorização da paisagem, a melhoria da qualidade de vida e o equilíbrio com o desenvolvimento socioeconómico das populações locais.

Estes objetivos do POPNSAC, apesar de se manterem atuais no contexto da presente recondução, foram objeto de densificação, aos quais se juntam novos objetivos, que derivam não só do imperativo de recondução do plano de ordenamento à figura de programa, como também da adequação a novos desafios para a gestão da área protegida.

Neste contexto, no âmbito do PEPNSAC, foram definidos um conjunto de objetivos gerais e específicos, que se

encontram identificados na Tabela 1.

Tabela 1 – Objetivos gerais e específicos do PEPNSAC

Objetivos Gerais do PEPNSAC (decorrentes do POPNSAC mas atualizados/densificados)

1) Assegurar, à luz da experiência e dos conhecimentos científicos adquiridos sobre o património natural desta área, uma estratégia de conservação e de gestão que permita a concretização dos objetivos que presidiram à criação do PNSAC;

2) Corresponder aos imperativos de conservação dos habitats naturais da fauna e flora selvagens protegidas nos termos do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, alterado pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de fevereiro, e Decreto-Lei n.º 156-A/2013, de 8 de novembro, consagrando as orientações de gestão definidas no Plano Setorial da Rede Natura 2000, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 115-A/2008, de 21 de julho;

3) Fixar o regime de gestão compatível com a proteção e a valorização dos recursos naturais e com o desenvolvimento das atividades humanas em presença, tendo em conta os instrumentos de gestão territorial convergentes na área protegida;

4) Determinar, atendendo aos valores em causa, os estatutos de proteção adequados às diferentes áreas, bem como definir as respetivas prioridades de intervenção de acordo com a respetiva importância e sensibilidade ecológica, assentes em propostas de gestão territorial que promovam a necessária compatibilização entre a salvaguarda e valorização dos valores naturais e o desenvolvimento socioeconómico, com vista a promover uma utilização sustentável do território.

Objetivos Específicos do PEPNSAC (decorrentes do Despacho nº 4269/2017)

a) Promover a conservação dos valores naturais, destacando -se, de entre outros, os prados e arrelvados vivazes, as lajes calcárias, os afloramentos rochosos, os carvalhais, os louriçais e os azinhais, bem como as espécies da fauna associadas a estes biótopos, nomeadamente as aves de rapina, morcegos cavernícolas e a Gralha-de-bico–vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax);

b) Promover a conservação e valorização do património geológico, nomeadamente dos geossítios identificados que incluem por exemplo a Jazida de Icnitos de Dinossáurio de Vale de Meios, assim como das grutas e algares, as quais são também importantes zonas de hibernação e de criação para mais de uma dezena de espécies de morcegos cavernícolas e de nidificação de Gralha-de-bico-vermelho entre outra fauna cavernícola, designadamente de invertebrados;

c) Promover a manutenção de culturas e práticas agrícolas e florestais consentâneas com os objetivos de conservação da natureza, nomeadamente o olival tradicional e o montado esparso, com pastagem em regime extensivo sob coberto;

d) Contribuir para o ordenamento, disciplina e sustentabilidade das atividades agroflorestais, urbanísticas, lazer, animação turística e, particularmente, de extração de massas minerais, pelo seu potencial impacte ao nível da conservação dos valores naturais;

e) Enquadrar e promover a requalificação de áreas degradadas, nomeadamente através da renaturalização e recuperação de habitats naturais;

f) Valorizar e salvaguardar o património paisagístico, arqueológico, arquitetónico, histórico e cultural, com respeito pelas atividades tradicionais, assim como pelos elementos tradicionais do património arquitetónico, nomeadamente as formas de delimitação da propriedade através de muros de pedra seca, que, para além de conferirem uma paisagem singular a esta região, constituem importantes habitats para as espécies de fauna e flora rupícolas;

g) Assegurar a conservação dos habitats naturais e das espécies da fauna e da flora selvagens que estão na base da

classificação como Zona Especial de Conservação, nos termos do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, na sua

redação atual.

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