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Enquadramento “líderes do segundo escalão”

3.5 ETAPAS DA APLICAÇÃO EMPÍRICA DA METODOLOGIA

4.1.6 Enquadramento “líderes do segundo escalão”

Número de matérias: 7

Porcentagem em relação ao total de matérias: 8%

Dispositivos encontrados e respectivas variáveis mais recorrentes:

• Atribuição de responsabilidade: implementação de nova estratégia para aumentar performance e ganhar mercado (100%)

• Exemplos: relacionados à relação do líder com seus liderados no processo de descentralização de poder e compartilhamento nas tomadas de decisão (71%)

• Tema principal: estratégia diante de problema empresarial (57%)

• Representações: adjetivações e expressões relacionadas à atuação no trabalho (43%)

• Imagem visual: líder é retratado com certa informalidade (camisa e gravata, sem terno) (43%)

O enquadramento com o menor número de matérias foi definido “líderes do segundo escalão” e retrata experiências e situações empresariais de profissionais que atuam em cargos de liderança em estágios inferiores ao topo do comando (vice-presidência, superintendência e diretoria). São matérias que apresentam empresas brasileiras em situações de dificuldade ou oportunidade e uma empresa estrangeira com intenção de ampliar o raio de atuação no Brasil. O tema principal mais recorrente foi a estratégia diante de problema empresarial, e a responsabilidade do líder é atribuída em grande parte à implementação de nova estratégia para enfrentar o desafio ou aumentar a performance e ganhar mercado.

Os títulos e linhas finas a seguir exemplificam a temática geral das matérias deste agrupamento:

Prevenção contra a crise. A Montreal tem saídas para enfrentar a

cingapurização ou chinização da economia (EXAME, ed. 292, p. 40).

O esforço da Scopus para racionalizar. Disciplinados os estoques, a prioridade, agora, é aprimorar os controles (EXAME, ed. 294, p. 29).

A jamanta agora quer ser veloz. Depois de anos correndo por fora, a Volvo lança novos modelos de caminhão, ganha espaço e sonha com a liderança até 1995 (EXAME, ed. 470, p. 50).

Para vencer esses desafios empresarias, Exame relata exemplos da atuação do líder junto à sua equipe. Estabelecendo de modo claro as diretrizes, mantendo a política de portas abertas das salas dos diretores, trabalhando com um equipe dinâmica e entusiasmada, e compartilhando visões e experiências para a tomadas de decisão, a empresa Scopus resolveu problemas e avançou em termos de resultados:

Durante 3 meses, os executivos da empresa realizaram um amplo estudo das possibilidades de comportamento da política e da economia brasileiras. Depois, juntaram-se a 50 funcionários de primeiro e segundo escalões e submeteram os resultados a um seminário que durou 3 dias. Alguns resultados foram surpreendentes (EXAME, ed. 292, p. 40).

Esse processo de descentralização e compartilhamento, como já explicado anteriormente, caracteriza o estilo de liderança democrática, em que, nas tomadas de decisão, as definições e diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, que passa a responder de modo responsável pelas próprias escolhas (TEIXEIRA, 2012). Na matéria da Scopus isso fica claro na declaração do vice-presidente da empresa: “‘Agora’, acrescenta Manasterski, ‘os diretores têm autonomia para resolver problemas que antes eram em geral levados à presidência’ [...] Na opinião dele, a principal finalidade da negociação interna é vencer a resistência de diretores, gerentes e supervisores, que gostariam de ditar modelos calcados na autoridade, ou, no outro extremo, daqueles que preferem a inexistência de regras” (EXAME, ed. 294, p. 29).

Essa comparação citada por Exame remete ao gride gerencial exposto no segundo capítulo (MOUTON; BLAKE, 2000). O compartilhamento das decisões, os modelos calcados na autoridade ou a condução sem a existência de regras equivalem a 3 estilos de liderança do gride:

- o estilo laissez-faire: quando há pouca atenção com as pessoas e com as tarefas, requerendo do líder um esforço mínimo para se conseguir o trabalho necessário e conservar a prerrogativa de membro da organização;

- o estilo autoritário: quando existe muita atenção com a produção e eficiência, e pouca com os colaboradores, procurando-se a eficiência nas operações através de um rearranjo das condições de trabalho de tal modo que o fator humano interfira em mínimo

grau;

- e o estilo democrático: quando o líder atenta tanto à produção quanto à moral e satisfação da equipe, os resultados são alcançados através de pessoas comprometidas e o interesse comum no objetivo da organização leva a relacionamentos de respeito e confiança.

O trecho a seguir, exemplifica essa relação entre líder e equipe de colaboradores:

A Scopus – além de buscar a modernização e a eficiência administrativa – procura ser, basicamente, “uma empresa de gente” [...]. Para isso, considera fundamental para a sobrevivência e o desenvolvimento do negócio obter um elevado clima de motivação entre os funcionários (EXAME, ed. 294, p. 30).

Outra relação possível de ser feita ao estudo sobre a liderança realizado anteriormente diz respeito ao estilo de comportamento do líder. Os trechos anteriores transcritos de Exame ilustram a estrutura de consideração do processo de liderança, que foca na preocupação do líder em desenvolver um ambiente de apoio emocional, conforto e confiança ao grupo, valorizando as relações interpessoais e o desenvolvimento individual (DUBRIN, 2006). Trata-se, portanto, de um estilo de liderança centrado nas pessoas.

Quanto às representações, neste agrupamento predominam adjetivações e expressões relacionadas à forma de atuação do líder no ambiente de trabalho. Para esse enquadramento, Exame usa passagens como “busca por soluções criativas para resolver problemas no trabalho”, “confiante em relação aos próprios produtos”, “acompanhamento do cumprimento de metas”, “20% do tempo do expediente deve ser dedicado à questões vitais”, “preocupação com a satisfação do cliente”.

Figura 19 - Exemplo de matéria do enquadramento “líderes do segundo escalão”: “Prevenção contra a crise”

Fonte: Exame, 1984, ed. 295, p. 40.

Figura 20 - Exemplo de matéria do enquadramento “líderes do segundo escalão”: “Vale a pena recorrer a nomes estrangeiros?”

Fonte: Exame, 1977, ed. 120, p. 46.

Essas imagens reproduzem, respectivamente, as matérias sobre a Montreal, com seu Diretor de Planejamento, e sobre a Indústria Pereira Lopes, com seu vice-presidente, enquadrados como lideranças do segundo escalão envolvidos em situações de

implementação de novas estratégias para aumentar a performance das empresas em que trabalham.

4.2 O LÍDER EM EXAME: COMPARAÇÃO DA PREVALÊNCIA DOS