II. PERSPETIVAS PARA 2017
2.1. Enquadramento Macroeconómico
112. O enquadramento externo da economia nacional permanecerá ligeiramente favorável, ao longo do ano 2017, isto, não obstante o abrandamento da atividade económica na Zona Euro, de acordo com as projeções. O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera, no seu relatório mais recente sobre perspetivas económicas mundiais (julho de 2016) avança, que o ritmo de crescimento do produto global deverá crescer em 3,4% em 2017. As economias avançadas e o grupo das emergentes e em desenvolvimento deverão crescer 1,8% e 4,1%, este ano, respetivamente.
113. Quanto aos parceiros económicos do país, a economia da zona euro deverá manter a sua trajetória de recuperação em 2016, crescendo 1,6%. Neste contexto, espera- se, sobretudo, melhorias na procura externa dirigida à economia nacional e nas transferências privadas.
Figura 26 Crescimento do PIB por Grupo de Países
2.1.2. Perspetivas Económicas Nacionais - 2016 e 2017
114. As perspetivas para a economia cabo-verdiana, em 2016 e em 2017, permanecemcondicionadas pela evolução da conjuntura externa. A gestão macroeconómica estará condicionada por este contexto, pondo em causa a realização das metas estipuladas para o período, caso houver constrangimentos na mobilização dos recursos para a sua materialização.
115. Neste quadro, as políticas públicas cabo-verdianas deverão estar orientadas para melhorar o ambiente de negócio, promovendo, assim, um maior crescimento económico, sustentável no médio prazo, permitindo por um lado, a atração de capitais externos e a densificação do tecido empresarial nacional e consequentemente reduzir a taxa de desemprego, em particular na classe juvenil, relançando o poder de compra das famílias.
116. Relativamente às políticas conjunturais, prevê-se que, no curto/médio prazo, a política monetária permaneça acomodatícia, orientada para a estabilização das reservas externas e a preservação da estabilidade financeira, pese embora com algum foco na dinamização do crédito à economia (que, de acordo com o BCV, deverá crescer em torno de 3,1%, em 2016 e 3,0%, em 2017).
2.1.2.1. Crescimento Económico
117. Conforme avançado no Orçamento de Estado para 2016, a economia nacional deverá crescer entre [3,5% - 4,5%], no final deste ano e 5,5%, em 2017. A previsão de maior crescimento económico, face às estimativas divulgadas pelo INE, baseia-se num cenário de ligeira aceleração da economia mundial, marcada por um crescimento modesto, nos principais parceiros do país, sobretudo na zona euro, com particularidades para Espanha e Portugal. O Fundo Monetário Internacional (FMI) perspetiva que a economia mundial deverá manter a trajetória de recuperação, crescendo 3,2%, em 2016 e 3,5%, em 2017, respetivamente. No médio prazo, de acordo com o FMI, a economia mundial crescerá 3,7%, entre 2018-2020 (média anual).
118. A nível interno, a previsão assenta-se num aumento do rendimento disponível das famílias, favorecido pelo baixo nível de preços, pela melhoria das condições de acesso ao crédito (maior dinâmica no crédito ao sector privado) e do ambiente de negócios, bem como no reforço do investimento privado, sobretudo daqueles financiados com o IDE.
119. Pela ótica da demanda, projetam-se aumentos respetivos de 3,9% e 1,1% para o consumo das famílias e do Governo, enquanto a formação bruta de capital fixo deverá aumentar 8,1%, devido ao desempenho dos investimentos privados que estarão a refletir o arranque e a conclusão das obras de importantes empreendimentos turísticos financiados com IDE. Neste contexto, a demanda interna estará a contribuir em 3,7 p.p. para o crescimento, em 2017.
120. Em relação às exportações e importações de bens e serviços prevêem-se aumentos de 7,0% e 4,5%, respetivamente. Desta forma, espera-se uma contribuição negativa da demanda externa liquida, em 0,1 p.p., para o desempenho da atividade económica em 2016.
Figura 27 Evolução do PIB/Ótica da Demanda
Fonte: Ministério das Finanças
2015 2016 2017 2015 2016 2017 PIB Real 1.5 3.6 5.5 1.5 3.6 5.5 Consumo total 1.8 2.5 3.3 1.5 2.2 2.8 Consumo Privado 1.9 3.0 3.9 1.2 2.0 2.6 Consumo Publico 1.5 1.1 1.1 0.3 0.2 0.2 Investimento total 1.7 5.5 7.8 0.5 1.5 2.1 FBCF -2.6 5.6 8.1 -0.7 1.4 2.1 Investimento Publico -1.8 -6.4 -9.3 -0.2 -0.5 -0.7 Investimento Privado -3.0 11.8 15.5 -0.5 1.9 2.8 Variação de existências 130.5 3.7 3.7 1.1 0.1 0.1 Exportações Líquidas 4.2 0.5 -4.6 -0.5 -0.1 0.6 Exportações totais -8.6 8.0 7.0 -4.2 3.6 3.2 Exportações de bens -29.5 5.6 9.4 -4.0 0.5 0.9 Exportações de serviços -0.7 8.7 6.3 -0.2 3.0 2.3 Importações totais -6.0 6.3 4.5 -3.7 3.6 2.6 Importações de bens -7.2 7.5 5.6 -3.4 3.2 2.5 Importações de serviços -2.3 2.8 1.1 -0.4 0.4 0.2
Contr. para crescimento Taxa de Crescimento
121. Perspetiva-se, do lado da oferta, que o crescimento do sector primário deverá atingir 4,6%, mais 0,1 p.p., ante a estimativa de 2016. Espera-se a continuidade da boa performance nos ramos da agricultura e pesca.
122. O sector da indústria deverá crescer 3,0%, em reflexo da boa evolução nos subsectores das indústrias transformadoras e da eletricidade e agua. Espera-se também, em função da retoma dos investimentos, uma melhoria no ramo da construção.
123. Para o sector de serviços, projeta-se um crescimento de 5,9%, mais 1,4 p.p., em relação a 2016. Espera-se a manutenção da tendência de crescimento dos subsectores do alojamento e da restauração, imobiliária, serviços às empresas e administração pública.
Figura 28 Evolução do PIB/Ótica da Oferta
Fonte: Ministério das Finanças
2.1.2.2. Inflação
124. Em relação à esfera nominal, a inflação deverá situar-se no intervalo [0,2%-1,2%], em 2016 e no intervalo [0,7%-1,7%], em 2017. O comportamento esperado dos preços deverá refletir os efeitos desfasados da evolução dos preços das matérias- primas e o impacto da produção agrícola, bem como a inflação prevista nos principais parceiros do país, dado o peso da componente importada no IPC.
2.1.2.3. Sector Monetário e Cambial
125. O Banco de Cabo Verde tem optado por uma orientação da política monetária mais acomodatícia, em linha com a evolução da situação monetária e financeira do país. 2015 2016 2017 2015 2016 2017 PIB Real 1.5 3.6 5.5 1.5 3.6 5.5 Valor Acrescentado 1.0 3.1 5.3 0.9 2.7 4.7 Sector Primario 3.4 4.5 4.6 0.3 0.4 0.4 Sector Secundário -2.6 0.5 3.0 -0.4 0.1 0.4 Sector Terciário 1.5 3.5 5.9 1.0 2.2 3.8 Impostos liquidos 5.3 7.4 6.9 0.6 0.9 0.9
126. Neste contexto, o BCV reforçou, a sua política de afrouxamento monetário, reduzindo o coeficiente das disponibilidades mínimas de caixa de 18% para 15 % e, em 25 pontos base, as suas taxas de juro de referência.
127. Quanto às perspetivas para 2016 e 2017, acredita-se que o Banco Central mantenha inalterado o seu objetivo de política monetária e cambial, continuando a pautar-se pela preservação do regime cambial e pelo objetivo da estabilidade de preços.
128. Relativamente ao crédito à economia, no segundo semestre, destaca-se que, face ao período homólogo, a variação foi positiva em 3,7%. As projeções do BCV mostram que o crédito à economia deverá crescer 3,1% e 3%, em 2016 e 2017, respetivamente.
2.1.2.4. Sector Externo
129. Relativamente à envolvente externa, o quadro das projeções internas para 2016 e 2017 aponta que a recuperação da economia mundial, sobretudo nos principais parceiros de Cabo Verde, poderá levar a uma maior dinâmica na procura externa, afetando positivamente o crescimento das exportações de bens e serviços, impulsionadas, essencialmente, pelo aumento das receitas do turismo.
130. Quanto às importações, a sua evolução estará condicionada pela vitalidade da atividade económica, particularmente, no que se refere ao investimento direto estrangeiro e às condições de financiamento.
131. Contudo, para este ano e o próximo, o saldo da balança de transações entre o país e o resto do mundo deverá permanecer excedentário, com as reservas do país a manterem-se acima dos 4 meses de importação de bens e serviços programados. De acordo com as projeções do BCV, as reservas deverão atingir cerca de 6,4 meses da importação de bens e serviços programados, em 2016 e 2017.