Contributions to the implementation of ISO 45001 (2018) Study case
1. Enquadramento teórico
Um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST) estabelecido, implementado e mantido permite às organizações a melhoria das condições de trabalho, eliminando ou minimizando os riscos, promovendo oportunidades e minimizando as ameaças resultantes das suas atividades e/ou processos, assegurando o cumprimento da sua politica de segurança e saúde no trabalho (SST), com base no ciclo da melhoria contínua (Darabont, Antonov & Bejinariu, 2017; ISO 45001, 2018).
Uma das obrigações da entidade empregadora é promover as condições adequadas dos seus trabalhadores, garantido o cumprimento dos requisitos legais e outros requisitos aplicáveis ou subscritos pela organização. Uma das formas de demonstrar essa preocupação perante as partes interessadas, proativamente, é a utilização de ferramentas de gestão, tal como os referenciais normativos OSHAS 18001 (2007) / NP 4397 (2008), e mais recentemente a norma ISO 45001 (2018), independentemente da dimensão, tipo e natureza da organização (Darabont, Antonov & Bejinariu, 2017).
A norma ISO 45001 (2018), relativa a SGSST, publicada em março de 2018, irá substituir as normas OHSAS 18001 (2007) e NP 4397 (2008), refletindo as necessidades e os desafios do século XXI (APCER, 2018).
Nos últimos quatros anos, verificou-se um aumento significativo do número de organizações certificadas (Figura 1) pelos referenciais normativos OHSAS 18001 (2007) e NP 4397 (2008). De salientar que a implementação destes referenciais normativos e respetiva certificação é voluntária, permitindo evidenciar perante as suas partes interessadas (colaboradores, clientes, fornecedores, entre outras), de uma forma formal e sistemática, o cumprimento dos requisitos normativos e legais, e a respetiva verificação.
Figura 1 – Número de organizações certificadas em SGSST (IPAC, 2018)
Os princípios que motivam a certificação são a melhoria contínua e a evidência de condições de trabalho adequadas à organização (APCER, 2010). A norma ISO 45001 relativa ao SGSST foi desenvolvida por um comité de especialistas em saúde e segurança ocupacional, tendo por base as abordagens dos sistemas de gestão, tais como, as normas ISO 14001 e ISO 9001. Esta norma também teve em consideração outros padrões internacionais nesta área, como o referencial OHSAS 18001, as Diretrizes da OIT-OSH da Organização Internacional do Trabalho, vários padrões nacionais, e as normas e convenções internacionais do trabalho da OIT (Heleno, Monteiro & Correia, 2017).
O desenvolvimento da norma ISO 45001 (2018) foi um processo difícil, pois nem sempre se verificou consenso e normalização de conceitos e práticas dos diferentes intervenientes. Aspetos como, por exemplo, a terminologia e definição de trabalhador, saúde, dano e deterioração, incidente, ou a compreensão da cultura preventiva na empresa foram amplamente discutidos (APCER, 2018).
Face ao descrito anteriormente, considera-se que quando uma organização assume a implementação de um SGSST, significa que a mesma está empenhada em cumprir e demonstrar esse cumprimento, garantindo a sustentabilidade da sua
políticas, práticas e procedimentos organizacionais e operacionais dirigidos a todos os colaboradores envolvidos nas atividades da organização, nas diferentes vertentes, quer ao nível da qualidade, do ambiente e da SST, nomeadamente a evidência do cumprimento dos requisitos legais e regulamentares.
As organizações que apostam nestes modelos de gestão potenciam a excelência, e consequentemente a sustentabilidade da sua atividade (Nisipeanu, Chiurtu & Darabont, 2006; Koivupalo et al., 2015; Heleno, Monteiro & Correia, 2017). 1.1. Segurança e Saúde no Trabalho
Apesar da existência de registos bastante antigos no âmbito da segurança no trabalho, as primeiras deliberações e considerações pertinentes nesta área datam do século XIX, e estão diretamente associadas ao pico da revolução industrial. Um dos exemplos é a interdição do trabalho de menores de 9 anos, e o estabelecimento do limite de 12 horas de trabalho (Freitas, 2011). À medida que os movimentos sociais se tornaram mais poderosos (incluindo os sindicatos), e cumulativamente a nível económico se enfatiza os cálculos das perdas devido a lesões, doenças ocupacionais, e dias de ausência dos trabalhadores, a SST tornou-se um dos critérios de progresso das sociedades, sendo um foco de interesse e integrante das reformas sociais baseadas nos direitos sociais (Freitas, 2011; Živković & Petrović, 2015).
No contexto da regulamentação legal da SST, um dos primeiros marcos históricos está associado à fundação da OIT – Organização Internacional do Trabalho, em 1919, tendo como principal objetivo promover a justiça social e, por essa via, contribuir para a paz universal e duradoura. Na primeira fase desta organização, várias recomendações para implementação de regulamentação legal foram propostas a nível internacional, nomeadamente sobre o trabalho infantil, o trabalho de mulheres na indústria, e os horários de trabalho (ILO, 2018). No âmbito das normas criadas pela OIT para a SST merece destaque a Convenção 155/1992 (Freitas, 2011), que inclui diversos princípios, tal como todas as atividades (incluindo a Administração Pública) devem dispor de Políticas de SST. A nível nacional, em 1976, a Constituição da República Portuguesa publica regulamentação sobre os direitos dos trabalhadores, em 1982 é criado o Conselho Nacional de HST, e em 1991 é publicado pela primeira vez o regime jurídico de enquadramento da SST de acordo com o Decreto-Lei n.º 441/91 (Freitas, 2011).
Com a evolução tecnológica tornou-se evidente a pertinência de desenvolver ferramentas para ajudar a estabelecer e melhorar o ambiente de trabalho no âmbito de SST, fortalecendo as políticas de prevenção de acidentes. Assim surge em 1999 a norma OHSAS 18001, uma norma passível de certificação, cuja sigla significa
Occupational Health and Safety Assessment Series, sempre com o objetivo de retratar
a preocupação das empresas que a implementam, com a integridade física dos seus colaboradores e parceiros (CERTIF, 2018). Em 2005 foi sujeita a uma revisão sistemática, de forma a estar alinhada com o referencial normativo do ambiente, a norma ISO 14001 (2004), tendo originado a norma OHSAS 18001 (2007). Esta foi traduzida surgindo a norma NP 4397 (2008) (APCER, 2010; Tumbaco, Alcivar & Merchán, 2016).
1.2. A implementação da norma ISO 45001
A norma ISO 45001 (2018) vem definir um conjunto de requisitos, que potenciam a melhoria das condições de trabalho e tal como já foi referido, encontra-se alinhada com os referenciais normativos ISO 9001 (2015) e ISO 14001 (2015), permitindo às organizações a implementação de um sistema de gestão integrado. A metodologia proposta para implementar o SGSST de acordo com a norma ISO 45001 (2018), inclui as seguintes etapas: i) realização do diagnóstico de referência; ii) planeamento das ações de forma a garantir o cumprimento dos requisitos legais, normativos e outros aplicáveis à organização; iii) implementação das ações definidas
nos itens anteriores; iv) realização da auditoria interna; v) realização de revisão da gestão. Após a realização destas ações, a gestão de topo da organização decide pela realização da auditoria externa com vista à certificação.
Tendo por base a consulta da ISO 45001 (2018) e a OHSAS 18001 / NP4397, os autores elaboraram uma tabela comparativa (Tabela 1), que permite de forma sistemática constatar as diferenças entre estes diferenciais normativos. As alterações mais relevantes da norma ISO 45001 (2018) incluem, a análise do contexto da organização, a identificação das necessidades e expetativas das partes interessadas, um compromisso mais forte por parte da liderança da organização, o reforço na participação dos trabalhadores, o pensamento baseado no risco, o controlo das atividades subcontratadas e do pessoal externo em relação à SST (Tumbaco, Alcivar & Merchán, 2016; Darabont, Antonov & Bejinariu, 2017; ISO, 2018).
2. Caso prático
Este trabalho apresenta um caso prático, especificamente a uma organização classificada como média empresa, com cerca de 100 trabalhadores, que já dispõe de um conjunto adequado de práticas e procedimentos em matéria de SST, de forma a garantir o cumprimento dos requisitos legais e outros aplicáveis ou subscritos. Contudo, numa perspetiva de melhorar o seu desempenho em matéria de SST, esta empresa pretende implementar os requisitos de acordo com a ISO 45001 (2018), com vista à certificação até final de 2019. A atividade desta organização inclui a produção e a comercialização de embalagens plásticas flexíveis. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, durante 52 semanas por ano, em regime de turnos.
2.1 Metodologia
A implementação de SGSST requer o envolvimento da gestão de topo, a qual, irá assumir as suas responsabilidades e disponibilizar os meios necessários. Este estudo irá abordar a etapa relativa ao planeamento das ações, de forma a garantir o cumprimento dos requisitos legais, normativos e outros aplicáveis à organização, em função dos resultados do diagnóstico de referência.
De forma cumprir o objetivo deste trabalho, foram desenvolvidas as seguintes tarefas: a) levantamento das condições em matéria de SST, através da análise documental e entrevista aos responsáveis das áreas envolvidas; b) definição de ações preliminares, contribuindo para o início da implementação da ISO 45001 (2018). Esta última tarefa foi desenvolvida em reuniões com a presença da administração, diretores, responsáveis das diferentes áreas da organização e consultores externos (cerca de 12 pessoas).
Tabela 1 – Análise comparativa entre a estrutura da ISO 45001 e da OHSAS 18001/NP 4397
ISO 45001 (2018) OHSAS 18001/NP 4397
0. Introdução 0. Introdução
1. Objetivo e campo de aplicação 1. Objetivo e campo de aplicação