3. A PRESENÇA DO ENSINO RELIGIOSO NAS CONSTITUIÇÕES DO BRASIL E NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
3.7 Ensino Religioso nas Constituições de 1967 e
As Constituições de 1967 e 1988 estão inseridas em um contexto marcado por profundas mudanças no país de ordem econômica, política e social. Dentre elas, pode-se citar a instauração de um regime autoritário protagonizado pelo Golpe Militar de 1964 que se caracteriza pela forte repressão aos direitos sociais e conquistas populares. Por outro lado, é importante ressaltar, dentre outros fatos, que o período correspondente à elaboração e promulgação da Carta de 1988 é marcado pelo processo de redemocratização do Brasil com a mobilização e atuação de vários atores sociais. Em ambos os contextos, a relação da Igreja Católica tanto com o governo quanto com outras igrejas sofre alterações. O Ensino Religioso encontra-se no período que compreende essas duas últimas Constituições em um processo de modificação, que culmina com a atual configuração da disciplina.
As mudanças políticas, sociais e econômicas brasileiras correspondentes aos períodos das duas últimas Constituições têm origem na década de 1940, muito embora somente partir da década de 1960 venham a ganhar maior expressão e visibilidade. Vale ressaltar que se encontram refletidas nos textos constitucionais em vários aspectos, dentre eles, da relação do Estado com as religiões, em matéria educacional e consequentemente com relação ao Ensino Religioso. Tomando como ponto de partida o início dessas mudanças, pode-se dizer que:
O país, em uma perspectiva cultural-religiosa, encontra-se a partir da década de 1940 em face de um desafiante período da passagem de uma economia agropastoril para uma realidade de rápida urbanização, ou seja, de uma sociedade aparentemente homogênea para a explicitação de sua realidade pluralista, progressivamente com o vislumbre das novas possibilidades da tecnologia que chega aos lares brasileiros. Além disso, nesse cenário, os movimentos migratórios tanto do campo para a cidade quanto intra-regiões certamente deram maior visibilidade a particularidades culturais regionais, colocando em evidencia o pluralismo religioso (JUNQUEIRA; CORRÊA; HOLANDA, 2007, p. 26).
No plano educacional, o ambiente anterior à outorga da Constituição de 1967 diz respeito à retomada dos debates entre católicos e liberais, tendo como foco
a questão da escola particular e pública, uma vez que a Igreja Católica posicionava- se em favor da escola particular confessional e também na defesa da subvenção dessas escolas por parte do governo, e os representantes da escola nova em favor da escola pública e gratuita sem subvenção às escolas particulares.
Segundo Matos (1996), a Igreja Católica se organiza e passa a atuar por meios de organismos como a Liga Eleitoral Católica, mas, sobretudo, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, a partir da década de 1960, elabora um plano pastoral com o intuito de animar e articular sua ação pastoral em nível regional e nacional por meio de igrejas locais. Isso era feito para garantir a presença da instituição em uma sociedade que passava por profundo processo de transformação:
A experiência do planejamento pastoral teve início com o Plano de Emergência (1962), urgido pelo Papa João XXIII. Bastante simples em sua organização, ele se propunha quatro metas ambiciosas: a renovação da paróquia, do ministério presbiteral, da escola católica, e a promoção da ação da Igreja no campo sócio-econômico (IBIDEM, p.315).
Com relação ao Ensino Religioso, a Igreja Católica vinha desde a década de 1950 modificando aos poucos seu tratamento. O Secretariado da Doutrina Cristã mudou sua denominação para Secretariado Nacional de Ensino de Religião (SNER). Este mecanismo realizou vários encontros para discutir o Ensino Religioso; o resultado foi o surgimento de debates que procuravam diferenciar a Catequese paroquial do Ensino Religioso presente nas escolas públicas (CAETANO, 2007, p. 78).
Outro elemento importante que se inscreve em período anterior à Constituição de 1967 é a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), aprovada em 1961 em meio às disputas entre católicos e escolanovistas, representantes dos ideais liberais. Um ponto importante a ser destacado é a garantia de tratamento entre escolas públicas e privadas, contando inclusive com o encaminhamento de verbas e a legitimação do Ensino Religioso
como elemento eclesial na escola, adotando-se o modelo Confessional, e sendo oferecido sem ônus para os cofres públicos, conforme o Artigo 97 da LDBEN:
Art. 97. O ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de matrícula facultativa, e será ministrado sem ônus para os poderes públicos, de acordo com a confissão religiosa do aluno, manifestada por ele, se for capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável.
§ 1º A formação de classe para o ensino religioso independe de número mínimo de alunos.
§ 2º O registro dos professores de ensino religioso será realizado perante a autoridade religiosa respectiva (BRASIL, 1961).
Em meio a uma situação de crise política, econômica e ideológica, na qual havia greves, carestia e descontentamento com o governo, foi deflagrado o Golpe militar de 1964, que contou com o apoio da forças armadas e também da Igreja Católica, que havia se posicionado contra o comunismo16. Quem assume a
16 A maior parte da Igreja, em relação à quartelada cívico-militar de 1964, por causa principalmente
de um anticomunismo doentio causado por uma consciência ingênua, não conseguia dominar e distinguir diferentes ideologias. A “Marcha do Rosário pelas famílias em favor da paz” no Brasil, capitaneada pelo Padre Peyton, norte-americano, nas vésperas do Golpe, em defesa do país contra o comunismo que a mídia proclamava como iminente, em Porto Alegre, encheu o Largo da Prefeitura com milhares e milhares de pessoas. Essas marchas feitas em todas as principais cidades do Brasil foram o ato de massa que deu legitimidade e respaldo civil-religioso ao golpe que se estava gestando em nosso meio e que fora brecado alguns anos antes pelo Levante pela Legalidade do povo rio- grandense comandado por Leonel Brizola. A Assembleia Geral da CNBB daquele ano de 1964, contra o voto de uma minoria conscientizada, agradeceu publicamente aos militares pelo fato de terem, através do Golpe, “salvado o país do comunismo” e pelo mesmo acontecimento realizaram uma cerimônia de ação de graças a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O golpe militar se deu durante o período em que se realizava o Concílio Vaticano II, que iniciou em 11 de outubro de 1962 com o discurso de abertura do papa João XXIII. Foi realizado em quatro sessões, e só terminou no dia 8 de dezembro de 1965, três anos depois de ter sido iniciado. O poder político cívico-militar não poupou esforços para a cooptação da Igreja Católica pelo simples fato de que é a Igreja da grande maioria do povo brasileiro e de grande influência no mundo inteiro. Por isso, um dos primeiros atos dos golpistas foi fretar um avião, sem despesa nenhuma para a CNBB, para a totalidade dos bispos brasileiros se deslocarem até o Vaticano a fim de participar da sessão conciliar do ano de 1964. Conquistando os bispos, pensavam que também teriam o povo cristão do seu lado. Dentro do avião e depois na Domus Mariae, em Roma, onde o episcopado brasileiro esteve hospedado durante mais de um mês de sessão conciliar, os bispos, apesar do entrecruzamento diário nas aulas conciliares, aproveitaram o ensejo para também eleger a nova direção da CNBB. A maioria conservadora do episcopado elegeu uma diretoria composta de bispos conservadores e como tais, tolerantes em relação ao Golpe. Defenestraram simplesmente Dom Hélder Câmara, que era o secretário executivo da CNBB, logo ele que havia sido o fundador do órgão colegiado dos bispos, atendendo solicitação do Papa João XXIII. Essa deposição do “bispo vermelho”, segundo o epíteto que lhe criaram os militares da ditadura, serviu de cobertura à proibição total que impuseram a toda a imprensa brasileira no sentido de jamais publicar algo sobre Dom Hélder, nem o próprio nome. Também foram demitidos todos os assessores que faziam parte dos quadros da Conferência,
presidência é o General Humberto de Alencar Castelo Branco que, em 1966, encaminhou ao Congresso um Projeto de Constituição que resultou na outorga da Constituição de 1967 em 24 de janeiro.
A Constituição de 1967 ampliou e centralizou os poderes do presidente da República, modificou o sistema tributário, reduziu a autonomia dos municípios, privou o Distrito Federal de possuir representatividade política na Câmara dos Deputados, dentre outras coisas, “Criou a suspensão de direitos individuais e políticos” (BULOS, 2002, p, 30). Por meio da Emenda Constitucional nº. 1/69, a Constituição de 1967 sofreu mudanças que dizem respeito ao aumento do mandato presidencial para cinco anos, o estabelecimento de eleições indiretas para os governos estaduais e a eliminação das imunidades parlamentares. Com referência à relação entre igreja e Estado:
A Emenda Constitucional nº 01, de outubro de 1969, restringiu formalmente o princípio da colaboração entre Estado e Igrejas (artigos 9 e 11), principalmente nos setores educacional, assistencial e hospitalar. Assim é que o parágrafo 5º do Artigo 153 garantia a plena liberdade de consciência e de crença, mas não a liberdade de culto, como nas Constituições de 34 e 46. Além disso, ficava assegurada a assistência religiosa às forças armadas e foram alteradas as cláusulas de equivalência do casamento religioso ao civil (DANTAS, 2002, p. 56).
Na Constituição de 1967, a educação foi tratada no Artigo 168, segundo o qual seria direito de todos, podendo ser dada tanto no lar quanto na escola, como se pode observar a seguir: “Art.168. A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e de solidariedade humana” (BRASIL, 1967, p. 62). O Ensino Religioso foi tratado no terceiro parágrafo desse artigo, item IV, com a seguinte redação: “§ 3º A legislação do ensino adotará os seguintes princípios e normas: IV - o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá
escolhidos por Dom Hélder. Haviam escolhido para novo presidente Agnelo Rossi e, para o setor dos leigos, o cardeal Vicente Scherer. De volta ao Brasil, o cardeal Scherer fechou a Ação Católica Brasileira especializada, que reunia a fina flor da militância católica totalmente contrária ao Golpe e que sofreu o impacto maior da ditadura, transformando vários deles nos primeiros mártires do regime. Exemplo emblemático foi o assassinato do Padre Henrique Pereira Neto, em Recife. Ele era Assessor da Juventude Universitária Católica - JUC na Diocese de Dom Hélder. Não podendo assassinar o bispo Dom Hélder, o militares mataram o sacerdote mais engajado nos trabalhos pastorais.
disciplina dos horários normais das escolas oficiais de grau primário e médio” (BRASIL, 1967, p. 62).
Com relação à Constituição de 1946, a Carta de 1967 mantém o Ensino Religioso, em caráter facultativo, como componente curricular integrante dos horários das escolas públicas. Entretanto, a Carta de 1946 estabelecia que esse componente curricular deveria ser ministrado de acordo com a confissão religiosa do aluno, o que não aparece no texto de 1967. Por outro lado, a Constituição de 1967 deixa evidente que o Ensino Religioso seria ministrado nas escolas oficiais de grau primário e médio.
Novos acontecimentos surgem após a Constituição de 1967 e incidem sobre o Ensino Religioso. O regime ditatorial, implantado com o golpe de 1964, apresenta-se repressivo e autoritário na medida em que cerceou conquistas populares, promoveu a cassação de membros do executivo com a consequente prisão e também exílio. Tudo era feito em nome da Política de Segurança Nacional que também destituiu e prendeu líderes sindicais. Uma parte considerável da Igreja Católica, que havia apoiado o golpe Militar, toma nova posição diante dos acontecimentos; o grupo progressista denominado de Teologia da Libertação que não apoiou o golpe também toma posição:
A Igreja Católica, constatando o processo de repressão e de iniquidade, imposto pelo regime militar, começou a ter consciência da incompatibilidade entre as pretensões totalitárias dos militares e a verdade do Evangelho. Assim, com um novo modo de ver sua presença e missão na sociedade, tornou-se grande opositora dos militares, assumindo a luta contra os excessos das forças de segurança, em favor da justiça social, da liberdade e da conscientização das pessoas, quanto às medidas injustas e desumanas (CAETANO, 2007, p. 81).
Nessa relação entre Igreja e Estado, havia interesses por parte do governo de que a Igreja fosse colaboradora, enquanto aparato de controle social e, mantenedora da ideologia do estatal:
... o Estado esperava que a Igreja formasse a consciência cristã dos cidadãos, para que esses desempenhassem com honestidade e
dedicação seus deveres para com a sociedade, [...]. Deixava igualmente entrever que as questões políticas, econômicas e sociais eram da responsabilidade do Estado e por este deviam ser conduzidas, sem interferência da Igreja (MARIAE, 1994, p.157).
O Ensino Religioso passa por uma grande crise a partir da entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 5692/71. Essa lei abre a possibilidade de remuneração dos professores com ônus para o Estado, revogando o artigo 97 da LDB anterior e ainda mantém deliberações da LDBEN 4.204/61 “... segundo as quais os professores de Ensino Religioso deveriam ser registrados pela respectiva autoridade religiosa que, também, os capacitaria e os acompanharia” (CAETANO, 2007, p. 87). Entretanto, o elemento propiciador da crise diz respeito à introdução da disciplina de Moral e Cívica no currículo conforme previsto no artigo 7º da nova LDBEN.
As dificuldades surgiram na medida em que os sistemas de Ensino faziam esforços de regulamentar a introdução dos novos componentes curriculares, dentre eles o Ensino Religioso. Nesse episódio, vem à tona a discussão do Ensino Religioso e da questão da liberdade religiosa e de consciência, uma vez que a legislação delegava às igrejas a supervisão e o planejamento das atividades de Ensino Religioso:
A partir de então iniciam-se as discussões, nem sempre tranquilas, sobre a natureza e identidade do Ensino Religioso como disciplina da grade curricular, distinta da Catequese ou ensino da Religião (próprios das Igrejas Cristãs). As dificuldades para se chegar a um acordo quanto ao seu papel na escola pública, o que exigiria uma metodologia e linguagem próprias, levou à estagnação do processo de renovação da prática pedagógica dessa disciplina (DANTAS, 2002, p. 61).
Na década de 1970, destaca-se a atuação do Padre Wofgang Gruen17 que, em suas reflexões, procurou diferenciar o Ensino Religioso da Catequese,
17 Para maiores esclarecimentos acerca da contribuição de Wolfgang Gruen para o Ensino Religioso,
é importante consultar: Idas e Vindas do Ensino Religioso em Minas Gerais. Obra que tem por autor Antônio Francisco da Silva e apresenta pesquisa realizada na Região Metropolitana de Belo
propondo que se deveria conceber o Ensino Religioso como um elemento participante e integrante da vida escolar e não mais ser visto como uma extensão ou um prolongamento eclesiástico no meio educacional.
A década de 1980 é marcada por grave crise econômica e profunda recessão. É também nesse período que ocorre a redemocratização do país. A crise econômica propiciou a perda da legitimidade do regime, e, com isso, abriu-se caminho para que a sociedade se organizasse e adotasse uma postura e enfrentamento a ele.
Com o fim do regime militar, José Sarney assume a Presidência da República em 15 de março de 1985, em lugar de Tancredo Neves18, que havia sido
Horizonte. Nessa pesquisa, Antônio Francisco procura apresentar a proposta e contribuições de Wolfgang Gruen para o Ensino Religioso, sobretudo a partir da perspectiva da legislação educacional, bem como a recepção da mesma em escolas públicas da Rede Estadual (Cf. SILVA, 2007).
18 Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática (união do PMDB com a Frente Liberal,
formada por dissidentes do PDS), é eleito no Colégio Eleitoral no dia 15 de janeiro de 1985, tendo como vice José Sarney. São 480 votos a favor (sendo 166 oriundos de deputados do PDS), contra 180 dados a Paulo Maluf, candidato do PDS, e 26 abstenções. O PT, contrário à eleição indireta e ao acordo feito com os governistas, opta pela abstenção e desliga do partido três deputados que votaram em Tancredo: José Eudes (RJ), Bete Mendes (SP) e Airton Soares (SP). O presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, entregara a Tancredo, no início de janeiro, o documento "A Nova República", programa de governo do partido prevendo eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, renegociação da dívida externa, entre outros pontos. Eleito, Tancredo passa a representar a perspectiva de que todos os males do país começarão a ser sanados rapidamente, mudando as políticas e os objetivos dos governos militares. Mas o acordo com o sistema fora muito amplo. O próprio vice-presidente eleito, José Sarney, é símbolo do poder que supostamente se está então derrotando. Começou sua carreira política na UDN, partido conservador e golpista no pré-64, foi governador e senador eleito pela Arena, cuja presidência ocupou até aderir a Tancredo Neves e tem relações firmes com os setores mais conservadores. Espera-se que seja um vice-presidente discreto, porque todos os louros são do PMDB e o centro das esperanças é Tancredo Neves. Tancredo realiza, em janeiro e fevereiro, viagem internacional, sempre com o tema da dívida externa em pauta: Itália, Vaticano, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos, México e Argentina. Seu prestígio só faz crescer. O sentimento de mudança é grande. Mas o anúncio do seu ministério, no dia 12 de março, é algo decepcionante. Vários expoentes da Arena estão presentes, como Antônio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações e Aureliano Chaves (vice-presidente do general Figueiredo) no Ministério de Minas e Energia. No Ministério da Fazenda, de onde se esperam as maiores mudanças de política econômica, outra decepção: Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, conservador politicamente e adepto da ortodoxia econômica. O PMDB não gosta, mas não tem espaço para protestar em função do apoio de que Tancredo desfruta na sociedade. Entre as importantes, o partido fica com as pastas da Agricultura (Pedro Simon), do Planejamento (João Sayad) e do Trabalho (Almir Pazzianotto). Decepção maior, porém, se dá na véspera da posse. Doze horas antes da solenidade Tancredo Neves é internado no Hospital de Base, em Brasília, para sofrer uma cirurgia de diverticulite. Depois de algumas horas de polêmica sobre quem deveria tomar posse em seu lugar, se José Sarney ou Ulysses Guimarães (presidente da Câmara dos Deputados), Sarney é empossado interinamente pelo Congresso Nacional. Dias depois reúne o ministério para ler texto feito por Tancredo acerca da prioridade do controle das contas públicas e do combate à inflação. Tancredo jamais tomará posse. Sofre nova cirurgia em Brasília no dia 20 e é transferido para São Paulo no dia seguinte, sendo submetido a nova operação no dia 26. Os médicos divulgam boletins em que tentam mostrar otimismo e chegam a realizar uma foto com Tancredo sentado, ainda no hospital de Brasília. São
eleito o primeiro presidente civil após a vigência da ditadura militar, mas que faleceu por grave doença antes de tomar posse. Nesse sentido, após a instalação do novo governo, foi convocada nova Assembleia Constituinte:
Durante a Assembleia Constituinte que preparava a Constituição de 1988, houve muitos debates contando com a participação de vários setores da sociedade civil e política. Dentre outros, pode-se citar a elite, os setores populares, as instituições religiosas, as organizações educacionais, as áreas de saúde e os meios de comunicação (CAETANO, 2007, p. 92).
No campo educacional, as discussões foram intensas. Elas se davam por meio de organizações que representavam divergentes interesses e que visavam influenciar a redação da nova constituição.
Durante os debates da Constituinte (1987-88) e nas Constituições estaduais que se lhe seguiram, a questão do Ensino Religioso voltou a ser amplamente discutida. A manutenção do dispositivo do Ensino Religioso foi defendida por entidades católicas, como a Associação Brasileira de Escolas de Ensino Superior (ABESC), Associação de Educação Católica (AEC), Campanha Nacional pela Escola da Comunidade (CNEC) e também pela Federação Nacional de Estabelecimentos de Ensino Particular (FENEN), que apresentaram mais de oitocentas mil assinaturas favoráveis às emendas pró-Ensino Religioso na escola pública de ensino fundamental e médio.
Já as entidades componentes do Fórum de Educação pela Escola Pública, que defendiam o "ensino laico", chegaram a reunir duzentos e oitenta mil assinaturas a favor da proposta contra o Ensino Religioso nas escolas públicas (DANTAS, 2002, p. 63).
Segundo Caetano (2007), a Constituição de 1988, em atendimento às reivindicações dos grupos religiosos cristãos (sobretudos católicos), incluiu o Ensino Religioso conforme o Artigo 210 (CAETANO, 2007, p. 94), § 1º: “O Ensino Religioso,
feitas mais quatro cirurgias em São Paulo e os médicos dizem que a primeira internação não se devera a diverticulite, mas sim a um tumor benigno. No dia 21 de abril ele morre. Até o dia 24, quando é sepultado em São João Del Rey, onde o presidente eleito nascera 75 anos antes, o corpo de Tancredo Neves recebe homenagens de multidões de pessoas em São Paulo, em Brasília e em Belo Horizonte. O desencanto toma conta do país, que tanto apostara na mudança. No dia seguinte, sem festa e sem público, Sarney toma posse em definitivo.
de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas