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3 COMPETÊNCIAS E COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO

3.1 ENTENDENDO O CONCEITO DE COMPETÊNCIAS

O processo de formação do indivíduo, além do convívio familiar, resulta do desenvolvimento de conhecimentos e práticas profissionais, educacionais, sociais e culturais. A esse resultado dá-se o nome de competências. Logo, o desenvolvimento de competências está associado as interações dos indivíduos, de acordo com as suas qualificações e desempenhos nos campos profissional e social.

O estudo sobre competências fornece aos profissionais que trabalham com a informação disponibilizada em variados formatos e dispositivos a possibilidade de perceber a importância do desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias a um gestor de espaços informacionais, que vão além da simples atualização profissional, mas, sobretudo, o conhecimento necessário para sua projeção funcional e principalmente como mediadores e facilitadores de informação. Cabe aos profissionais arquivistas, bibliotecários e museólogos ofertarem de modo qualitativo e igualitário a organização, ou ao meio ao qual ele está inserido, estratégias para desenvolvimento social da pessoa humana.

O aumento da produtividade, a competitividade e a motivação são alguns dos aspectos que resultam do acompanhamento e do desenvolvimento de competências nos profissionais. Autores como Fleury e Fleury (2001) e Le Boterf (2003) estudam e analisam os conceitos das competências em seus processos de aprendizagem e aplicação.

De todo modo, a competência é vista na perspectiva do preenchimento dos vazios cognitivos do indivíduo. Ela está relacionada ao conceito da aprendizagem, da apreensão de saberes e do desenvolvimento humano, conforme as suas necessidades profissionais ou pessoais. Para Perrenoud, os trabalhos sobre competências consistem em

- primeiramente, em relacionar cada uma delas a um conjunto delimitado de problemas e de tarefas;

- em seguida, em arrolar os recursos cognitivos (saberes, técnicas, savoir-faire, atitudes, competências mais específicas) mobilizados pela competência em questão (PERRENOUD, 2000, p.13).

Afinal, qual a definição de competências? Quais são os valores atribuídos ao indivíduo para que ele venha a ser considerado um profissional competente? De acordo com o Dicionário de Administração e Negócios, o verbete competência é a “capacidade pessoal para realizar eficientemente uma tarefa” (DUARTE, 2011, p.232). O glossário de termos técnicos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sinaliza que a competência é a

capacidade de articular e mobilizar condições intelectuais e emocionais em termos de conhecimentos, habilidades, atitudes e práticas, necessários para o desempenho de uma determinada função ou atividade, de maneira eficiente, eficaz e criativa, conforme a natureza do trabalho (OIT, 2002, p.22).

Para Le Boterf (2003), a competência profissional está associada a administração da complexidade, que obedece a um conjunto de saberes que se caracterizam em:

saber agir com pertinência; saber mobilizar saberes e conhecimentos em um contexto profissional; saber integrar ou combinar saberes múltiplos e heterogêneos; saber transpor; saber aprender e aprender a aprender; saber envolver-se”. (LE BOTERF, 2003, p.38).

Trabalhar essas questões no indivíduo significa ampliar o conhecimento sobre determinados elementos, assumir ou transferir responsabilidades e identificar oportunidades até então não percebidas. Fleury e Fleury acreditam que as competências são baseadas em saberes que são adquiridos ao longo da vida e que agregam valores ao indivíduo e a organização. Esses autores (2001, p.188) acreditam que a competência é resultado de “[...] um saber agir responsável e reconhecido que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”.

Ainda de acordo com Fleury e Fleury, o desenvolvimento das competências se dá quando o indivíduo põe em prática seus conhecimentos, habilidades e atitudes (conjunto de

saberes) e tem como resultado a agregação de valores sociais e econômicos, tanto para si, como para a organização, conforme apresenta a figura 3.

Figura 3 - Competências como fonte de valor para o Indivíduo e para a Organização

Fonte: FLEURY; FLEURY (2001, p. 188)

Com base nessas relações, acredita-se que o ambiente ao qual o indivíduo está inserido é fundamental para o desenvolvimento de suas competências. A medida em que o indivíduo interage, sua capacidade cognitiva aumenta e, em consequência disso, facilita o desenvolvimento das competências por ele adquiridas.

Castells (1999) afirma que a sociedade vivência a “Era da Informação”, ou “informacionalismo” e que estão todos conectados por “redes de informações” que favorecem o estabelecimento de relações e interações homem-máquina. Para ele (1999, p. 23), “nossas sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma oposição bipolar entre a Rede e o Ser”, consequentemente, essas interações exigem que o sujeito esteja cada vez mais apto a lidar com as tecnologias digitais e informacionais, desenvolvendo competências específicas para suprir as necessidades da sociedade.

O avanço das ferramentas e suportes informacionais, a busca por conhecimento e ampliação de habilidades tecnológicas e digitais têm mobilizado tanto as organizações como os indivíduos em busca de informações e conhecimento. Um indivíduo que trabalha com a informação, por exemplo, tem a oportunidade de desenvolver novas competências, baseadas nos conhecimentos, habilidades e atitudes que ele possui em conformidade com o que a empresa lhe oferece ou com a função que lhe é atribuída, além da atenção que deve ser dada ao contexto social contemporâneo.

Nesse ambiente, há um tema em constante expansão na CI que é a Competência em Informação, enfatizando a capacidade do indivíduo de lidar com a informação de modo efetivo e eficaz, afinal a sociedade em que vivemos é plural.

Compartilha-se a informação e constroem-se elos com a diversidade. Portanto, as tecnologias de informação e de comunicação e as formas de utilizá-las necessitam de processos a serem desenvolvidos para atender a uma geração do conhecimento e do uso de tecnologias da informação que se modificam a cada instante. O processo envolvido em captar, processar, comunicar informações deve ser dotado de qualificação para o exercício do trabalho de quem organiza e media informação para essa sociedade, podemos dizer, de profissionais competentes em informação.