4 MATERIAL E MÉTODO
4.3 PERCURSO METODOLÓGICO
Como foi inicialmente apresentado, a escolha da metodologia adequada é essencial para guiar o pesquisador e validar os resultados da pesquisa. Logo, para o desenvolvimento
deste estudo e, consequentemente, desta dissertação, foram selecionados o método, as técnicas e o instrumento que nortearam esta pesquisa.
Buscou-se autores que dissertassem sobre o assunto e pudessem indicar os caminhos metodológicos a serem seguidos. Os autores que contribuíram para a metodologia utilizada neste trabalho foram Quivy e Campenhoudt (1995), Gil (2008), Bardin (2016), Minayo (2012) e Triviños (1987). A pesquisa foi dividida em quatro etapas:
a primeira consistiu no levantamento bibliográfico e documental sobre o objeto de pesquisa;
a segunda, configurou-se na coleta de dados a partir das entrevistas realizadas com os gestores de arquivos, bibliotecas e museus e possibilitou traçar o caminho da análise; a terceira foi a comparação entre a literatura, as entrevistas e os indicadores
preconizados pela IFLA, resultando na elaboração de novos indicadores para a avaliação das competências em informação dos gestores de arquivos, bibliotecas e museus;
a quarta, a escrita da dissertação e apresentação dos resultados deste estudo e pesquisa. Face a isso, após a definição do objeto de pesquisa e das instituições a serem estudadas, buscou-se fazer um levantamento bibliográfico sobre o tema, em meio digital e em visitas as bibliotecas da UFBA.
Através da internet, a consulta aconteceu em bases de dados nacionais e internacionais - como a Scielo, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), o Portal Capes e a Web of Science -, além dos repositórios institucionais de universidades brasileiras, como os da UFBA, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o da Universidade de Brasília (UNB). Nas bibliotecas, a busca por materiais aconteceu em livros e, principalmente, em dissertações e teses produzidos sobre o objeto deste estudo.
Os principais termos utilizados nas estratégias de busca foram: information literacy, competência em informação, competência informacional e alfabetização informacional. Além destes, foram utilizados também, com o auxílio dos operadores booleanos, os termos: arquivo, biblioteca, museu, Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia. Os textos encontrados estavam, na maioria em língua portuguesa, mas foi possível encontrar textos nas línguas inglesa, espanhola e francesa. As publicações escolhidas em meio digital correspondem ao período de 2000 à 2017.
Pautada no objetivo buscado nesta pesquisa, que foi o de identificar as Competências em Informação necessárias para que os gestores de arquivos, bibliotecas e museus
possam colaborar com a difusão do conhecimento na atualidade, e seguindo o pensamento de Quivy e Campenhoudt (1995, p.25) quando afirmam que “[...] uma proposição só tem direito ao estatuto científico na medida em que pode ser verificada pelos fatos [...]”, foi realizada a comparação entre o levantamento bibliográfico sobre o tema, as entrevistas realizadas e os indicadores de desenvolvimento de habilidades em informação (DHI) da IFLA para criar novos indicadores de DHI a fim de identificar as competências em informação desenvolvidas pelos gestores de arquivos, bibliotecas e museus.
Desse modo, como tipo de pesquisa, optou-se por uma pesquisa aplicada pois, em consonância com Silva e Menezes (2005, p.20) “[...] objetiva gerar conhecimentos para a aplicação prática e dirigidos à solução de problemas específicos [...]”. A abordagem dessa pesquisa é qualitativa, pois ela
responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, ds aspirações, das crenças, dos valores, e das atitudes (MINAYO, 2012, p.21).
Nesse sentido, o foco qualitativo da pesquisa está na compreensão das atividades dos gestores de arquivos, bibliotecas e museus a partir do uso das Competências em Informação para a difusão do conhecimento nestes espaços.
O instrumento de coleta de dados utilizado foi a entrevista. A escolha desse instrumento de coleta foi baseada no pensamento de Triviños (1987, p.146), ao afirmar que a entrevista “[...] ao mesmo tempo que valoriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação[...]”. Ela permite a interação entre o pesquisador e o entrevistado, facilita a resolução de dúvidas e auxilia na compreensão de ideias secundárias.
A técnica de pesquisa escolhida foi a análise de conteúdo, preconizada por Bardin e utilizada por muitos pesquisadores nas Ciências Sociais, que visa a análise das comunicações através da descrição por categorias. Esta técnica foi selecionada para ser utilizada neste trabalho pois, além de facilitar na construção de indicadores através de categorias de análise, ela auxilia na compreensão da fala dos indivíduos em seu contexto organizacional e contribui para o desenvolvimento de pesquisas secundárias.
Segundo Bardin, a análise de conteúdo é
um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens (BARDIN, 2016, p.48).
Seu papel consiste em atribuir sentidos as comunicações e contribuir para a descoberta de novas acepções ou conteúdos. Conforme Bardin (2016, p.125), a análise de conteúdo possui três fases ou “pólos cronológicos”:
a pré-análise;
a exploração do material;
tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
Segundo Bardin (2016, p.125), a pré-análise consiste na “escolha dos documentos a serem submetidos à análise, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação”, que não necessariamente devem ser usados nesta ordem. Neste caso, foram realizadas a leitura de textos da área, as entrevistas e a comparação com os indicadores desenvolvidos pela IFLA.
A exploração do material, segunda fase da análise de conteúdo, “[...] é a análise propriamente dita[...]”. É a fase em que as categorias são criadas, decompostas e enumeradas a fim de se obter os resultados da pesquisa (BARDIN, 2016, p.131). Essa exploração do material resultou na terceira fase da análise de conteúdo, o tratamento dos resultados e
interpretação. Para isso, a pesquisa seguiu o método indutivo, pois este segue do particular
para o geral, uma vez que, conforme Gil (2008, p.10), “coloca a generalização como um produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares”.
Nesta última fase foram feitas as inferências e interpretações necessárias para atingir ao terceiro objetivo específico que consistiu em verificar, a partir dos indicadores elaborados, as Competências em Informação necessárias para que os gestores de arquivos, bibliotecas e museus possam efetivar a difusão do conhecimento em seus espaços de trabalho. Isto posto, no capítulo seguinte encontram-se a apresentação e análise de dados realizados nesta pesquisa.