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ENTRE IDEAL E IDEOLOGIA

No documento Dominique Wolton - Pensar a Comunicação (páginas 191-200)

O ideal tornou-se caricatura: esta é, sem dúvida, a percepção que os cidadãos ocidentais têm, afinal, da informação e da comunicação. Sem que o mundo dos média tenha consciência dessa viragem. O público é menos admirativo, talvez menos cego do que o próprio mundo da comunicação.

Há cinco factos que são outros tantos sintomas, e que permitem compreender o desfasamento existente entre o discurso oficial e a realidade. Será, provavelmente, pela capacidade de tomar consciência disso que o indispensável aggiornamento será avaliado. O ângulo escolhido neste capítulo ilustra a linha teórica do livro. Há um sério desfasamento entre o ideal da informação e a realidade, mas também existe uma margem de manobra. Por outras palavras, o objectivo não consiste em denunciar o desfasamento existente entre o discurso normativo sustentado pelos jornalistas acerca de si próprios e o que mantêm acerca da informação. Consiste antes em reflectir sobre as condições a satisfazer para que, para além das contradições, o mundo da informação e da comunicação permaneça fiel aos valores que o fundamentam e que ele exibe. É por esse motivo que este capítulo, consagrado aos cinco sintomas da crise, surge antes do estudo da informação e do jornalismo.

1) A confusão relativa à situação da imprensa nas democracias e nas ditaduras.

Quando se fala aos jornalistas de simplificação, de conformismo, de tirania do acontecimento, de ausência de distanciamento, de lógica de scoops, de efeitos perversos da concorrência, de falta de trabalho, de ausência de perspectiva da actualidade, de resistência ao conhecimento, do peso demasiado grande dado ao acontecimento sobre a análise, de excesso de narcisismo, respondem:

"Atenção! Se critica demasiado está a atentar contra a liberdade da imprensa e a dar crédito a todos aqueles que querem limitá-la. Denunciar o

excesso é fazer o jogo daqueles, e são numerosos neste mundo, que desejariam reduzir a frágil liberdade da informação." Põe-se assim, em pé de igualdade, a vontade ainda bem tímida de regulamentar melhor a profissão de jornalista, a deontologia da informação, os entraves à investigação... e os múltiplos atentados à liberdade de informação nas ditaduras. Toda a crítica da informação é encarada como uma caução dada aos inimigos da liberdade. Qualquer crítica aos jornalistas do Ocidente suscita a resposta seguinte: sabe quantos jornalistas morreram já desde o início do ano, em todo o mundo, no exercício da sua profissão? Como se houvesse alguma relação entre os dois factos. Como se os jornalistas mortos pela liberdade de informação em dezenas de ditaduras servissem de caução à vida, felizmente normal, das dezenas de milhares de jornalistas que trabalham nos países democráticos. Como se houvesse alguma relação entre a facilidade em produzir informação nestes últimos e a luta árdua, frequentemente trágica, travada nesses países para assegurar a mesma liberdade. Como se as dificuldades da informação e do jornalista nas ditaduras pudessem servir de caução à informação no Ocidente. Em suma, uma lógica de amálgama.

2) O segundo sintoma diz respeito à mudança de estatuto da informação na nossa sociedade.

A informação, que foi, no passado, apanágio da luta pela democracia está, hoje, omnipresente. Não só porque é indispensável ao funcionamento da sociedade complexa, mas também, porque todos os agentes, económicos, políticos, militares desejam comunicar. O resultado, em todo o caso, é que toda a gente se exprime e que o público tem cada vez mais dificuldade em fazer o ponto da situação. Como distinguir a informação ligada à imprensa, de milhares de outras informações, económicas, comerciais, institucionais, que circulam na sociedade? Distinção tanto mais difícil de fazer quanto todos os agentes manipulam a informação, utilizando a legitimidade da informação-imprensa para justificar a sua própria informação. Certos jornalistas-vedetas, ao aceitar dar a sua colaboração a este florescimento da informação institucional, contribuem afinal para baralhar as pistas. Resultado? As agências noticiosas, de comunicação e de relações públicas multiplicaram-se em trinta anos e estão omnipresentes junto dos grandes grupos industriais, comerciais e financeiros. As relações informação-verdade tornaram-se, então, mais complexas. Antigamente, nas sociedades fechadas e não democráticas, o segredo era a regra e as informações tinham muitas vezes o objectivo de fazer surgir a verdade. Mas hoje, quando toda a gente informa, a informação já não é

sinónimo de verdade, ainda que também não seja totalmente falsa. Está, muitas vezes, entre duas águas, obrigando a informação-imprensa a radicalizar- se na investigação, nas revelações, no desvendar de segredos, para se distinguir desse fluxo de informações que a macaqueia. Há uma segunda razão que torna difícil a relação entre informação e verdade. Nas sociedades contemporâneas, a maioria destes problemas já não se reduzem a oposições do tipo preto-branco, verdadeiro-falso. Não só a complexidade das situações económicas e institucionais, torna difícil a relação entre informação e verdade como, ainda por cima, a omnipresença da informação e da comunicação na estratégia dos agentes desloca o sentido da verdade. O paradoxo é que esta dupla evolução é, em grande parte, o resultado da luta pela publicidade, pela democracia... Mas complica imenso a noção de verdade, muito mais simples no passado, durante a batalha pela informação e pela democracia, nos séculos XVIII e XIX. Não só os jornalistas tem que se "distinguir" de todos aqueles que fazem informação e comunicação como, principalmente, o seu trabalho de inquérito passou a ser bastante mais difícil. Com efeito, é mais difícil desvendar e revelar quando tudo está já, aparentemente, à vista na praça pública! Mas, evidentemente, nem tudo está na praça pública e há hoje tantos segredos como antes, só que são mais difíceis de explicar. Assiste-se, então, a um deslocamento imperceptível de scoop, de acontecimentos, de segredos e de revelações. A informação-imprensa, para se distinguir, reforça uma lógica de "revelações", que sempre existiu na imprensa, mas cujo papel poderia ser menos importante com a subida geral do nível cultural e com o espírito crítico acrescido do público.

3) O terceiro sintoma desta mudança diz respeito ao estatuto desse meio da informação e da comunicação.

Hoje em dia é muito mais importante em número do que há cinquenta anos e os jornalistas, ao conviver quotidianamente com os publicitários, com os especialistas em comunicação, os especialistas em relações públicas, os conselheiros de todo o género, não se arriscam a perder a sua identidade mas, sim, a sua visibilidade! Ao mesmo tempo, os jornalistas são muito mais solicitados do que antes, uma vez que toda gente quer aceder ao espaço público. Vêem-se, então, simultaneamente banalizados, numa gigantesca lógica de comunicação, e valorizados, porque são eles que detêm o acesso ao espaço público através dos jornais, da rádio e da televisão. Numa sociedade aberta, não há ninguém que não queira aceder ao espaço público e, para isso, é preciso passar pelos jornalistas. Estes são os "passadores", que gerem o acesso

ao espaço público e que se tornaram "seleccionadores", para não dizer "censores" daquilo que deve ou não existir publicamente.

Há três fenómenos que se acumulam, então, para explicar o reforço da sua situação. Têm que se distinguir deste vasto meio da comunicação que faz, aparentemente, o mesmo ofício que eles e é controlando o acesso ao espaço público que assinalam a sua diferença. Hoje há muito mais mensagens e informações do que antes, o que obriga, de qualquer modo, a uma maior selecção daquilo que deve ou não ser tornado público. Enfim, na nossa sociedade aberta, o espaço público torna-se o principal lugar de visibilidade e, na maioria dos casos, infelizmente, de legitimidade. O resultado? Todos fazem pressão para estarem presentes nele reforçando, quase mecanicamente, o papel daqueles que guardam o seu acesso. Existem, pois, causas objectivas, independentes do comportamento dos jornalistas, que explicam o poder, aliás discutível, que estes detêm hoje na gestão do espaço público.

O meio da informação e da comunicação passou a ser o "maestro" que decide quem pode aceder ao espaço público. Com o efeito perverso bem conhecido do gargalo: os mediadores, para se protegerem das pressões que sofrem do exterior, autolegitimam-se e consideram as suas escolhas objectivas e justas. Confundem a luz que projectam sobre o mundo com a luz do mundo. Estão convencidos, e isto é verdade sobretudo para a elite jornalística, de que desempenham um papel essencial. O enorme sistema de comunicação das nossas sociedades chega, assim, ao resultado paradoxal de iluminar apenas um número muito limitado de problemas e de interlocutores. São, com efeito, sempre as mesmas personalidades políticas, culturais, científicas, religiosas e militares que se exprimem nos média. O pequeno círculo mediático ilumina com a sua luz o pequeno círculo daqueles que considera mais competentes para se exprimir. Os dois meios têm, assim, a ilusão de que só eles são representativos da realidade...

Isto tem três efeitos viciantes. O primeiro é o de seleccionar, mais do que abrir. O segundo é o de conceder uma legitimidade demasiado grande aos que fazem parte desse primeiro círculo. O terceiro é o de instaurar um sistema em que os seleccionadores e os seleccionados se protegem mutuamente. O mundo da informação e da comunicação beneficia de um prestígio muito maior do que os mundos da ciência, da economia, da religião... A cultura seduz muito menos que a comunicação, tanto mais que, com um pequeno esforço, o mundo da comunicação se apresenta como se fosse culto. E é tido por tal.

Um exemplo simples? A proporção crescente de livros escritos todos os anos pelo meio da imprensa. Se é verdade que sempre houve livros publicados

por jornalistas, também é um facto que o seu número era, antigamente, muito limitado. Hoje em dia, a proporção de romances, ensaios, testemunhos e visões do mundo escritos por gente vinda do meio da comunicação não pára de crescer. E como os seus autores são "conhecidos", os editores são muito menos exigentes em relação a eles do que em relação aos outros autores, pois têm a certeza de vender os livros e de obter "boas críticas" nos média. E como a rubrica "livros" nos jornais quotidianos e nos semanários, na rádio e na televisão, tem um lugar muito limitado, chega-se ao resultado paradoxal seguinte: as obras de que falam os média são geralmente as que foram escritas por gente que pertence ao próprio meio da comunicação... a luz que a comunicação faz incidir sobre certos planos da realidade transforma-se em legitimidade, reduzindo assim a curiosidade em relação a tudo o que se encontra fora do círculo. Sempre houve um "círculo de luz", a iluminar certos aspectos da realidade em detrimento de outros, mas mudou a legitimidade atribuída a esse círculo de luz, ou seja, ao meio da comunicação. Nos nossos dias, com a omnipresença da informação, dos valores da publicidade e da transparência, impôs-se a ideia implícita de que tudo o que é importante é visível. Quando nos apercebemos, para terminar, de que o mundo da comunicação lê apenas jornais e revistas, compreendemos de que maneira se reforça a ideia de que o que é público é legítimo. Instala-se uma ideia simples e falsa: a de que o que é importante é conhecido, logo mediatizado.

Os jornalistas não são os únicos responsáveis por esta situação, tanto mais que só uma minoria de entre eles beneficia dela mas, na medida em que, de um ponto de vista teórico, eles são os "passadores" do espaço público, compreende-se que beneficiem e que abusem, por vezes, dessa situação.

4) A quarta mudança diz respeito às relações entre informação e História.

A História sempre foi violenta e sangrenta mas há, no paradigma democrático, a hipótese de uma relação entre ignorância e violência. A violência seria aumentada pela ignorância e um dos fundamentos da informação seria o de reduzir a ignorância para limitar a violência. Isso foi verdadeiro durante muito tempo mas, hoje, a omnipresença da informação torna este esquema mais complexo. Há três factos recentes que provam os limites deste laço. O primeiro, diz respeito à experiência humanitária. O poderoso movimento que transformou, numa geração, as fronteiras tradicionais da acção política e que demonstrou que a coragem, a vontade de dar testemunho e de agir podiam erradicar a violência, foi ilustrado, durante

um certo tempo, pela fórmula célebre segundo a qual "se mata menos quando as câmaras estão presentes". Foi verdade durante cerca de vinte anos. Mas o jogo foi-se complicando. Da Somália ao Ruanda, passando pela Jugoslávia, sabemos hoje que ver, dizer, mostrar e testemunhar, não impedem a violência. As pessoas aprenderam a matar em frente das câmaras sem grande apreensão. De repente, uma das ideias mais fortes da associação humanitário-

-informação foi posta em causa. Isto não invalida, de modo nenhum, o esquema geral, mas complica-o. Em pouco tempo compreendemos que as ditaduras, inclusivamente a de Saddam Hussein no Iraque, aprendem a jogar com a informação e com a comunicação ocidental. Viu-se, e já foi esquecido depressa demais, durante a Guerra do Golfo. E principalmente, apercebemo- nos que, em muitas situações históricas, nada impede a violência. A Jugoslávia é um exemplo trágico. A informação, continuamente presente, não impediu nem a violência, nem a barbárie. É certo que não foi inútil, uma vez que contribuiu para fazer com que os governos agissem, apesar de estarem divididos quanto ao tipo de intervenção a levar a cabo. E, principalmente, facilitou a criação de tribunais internacionais contra os crimes de guerra. Mas todos sentimos, apesar de tudo, que a margem de manobra continua a ser pequena, que nada pode obrigar o cidadão a interessar-se pela informação se ele não o desejar. Ora, no dispositivo humanitário-informação, o público espectador ocidental tem um papel essencial, uma vez que é ele quem faz pressão sobre os governos para que ajam em situações de violência histórica. Mas não há meios para obrigar esse público a informar-se quando este decide virar as costas à informação. A decepção que, década após década, corre o risco de conquistar a opinião pública ocidental, pode ter efeitos determinantes, pois a indignação, no caso do humanitário, continua a ser o principal motor da acção política. É algo que se observa, a uma escala mais modesta, no empolamento dos grandes serões mediáticos destinados a reunir fundos para causas humanitárias ou científicas. A "elasticidade" da opinião pública ocidental — para retomar uma palavra do vocabulário económico — em relação às suas próprias misérias e às do mundo tem limites, dos quais é preciso ter consciência. Poderemos viver permanentemente sob o peso das desgraças do planeta, principalmente quando sabemos que não podemos fazer nada para as aliviar?

O segundo facto tem que ver com o estatuto da informação à escala internacional. Com as facilidades técnicas de uma informação mundial instantânea, é a própria relação entre informação e mundialização que está em causa. No passado, num mundo onde a informação era rara, esta podia

contribuir para aproximar os pontos de vista. Hoje em dia, com a instantaneidade da informação, o mundo está imediatamente presente; demasiadamente presente, depressa demais, sem mediação. Ao ponto de suscitar uma necessidade de afastamento. O cidadão ocidental, o único que assiste em directo às catástrofes planetárias, cansa-se dessa "responsabilidade mundial" que deveria ser a sua. A informação, que se supunha aproximá-lo do mundo, suscita nele um fenómeno de rejeição: "Antes a Corrèze que o Zambeze", segundo a célebre fórmula de R. Cartier. E a expressão é ainda mais verdadeira hoje do que antes, uma vez que, graças à informação e à comunicação, o Zambeze está tão presente como a Corrèze nas cozinhas e nas salas de jantar! A consequência? As condições a satisfazer para que esta informação mundial desempenhe o papel positivo que lhe desejamos, são muito mais difíceis. Numa palavra, seria preciso restabelecer a distância, nos casos em que ela é suprimida devido à eficácia técnica. Como reintroduzir uma distância para evitar a rejeição? Através do conhecimento. É através dele que se "cativa" o outro e que nos familiarizamos com ele. O resultado a que se chega é assim, paradoxal: o conhecimento, que exige sempre esforço, tempo e distanciamento para ler e compreender, torna-se o complemento indispensável para aceitar a imediatez do outro. A lentidão do conhecimento torna-se o meio de contrabalançar a velocidade da informação.

O terceiro facto diz respeito àquilo a que chamamos a ingerência mediática. Uma vez que saber tudo, imediatamente, parece uma solução demasiado simples para reduzir a violência da História, os média ocidentais reflectem sobre uma estratégia mais subtil, de ingerência mediática. Esta consiste em escolher as situações sobre as quais é possível pesar, a priori. Visar certas situações e fazer pressão torna-se mais eficaz do que agir. Mas, até que ponto podem as nações ocidentais sustentar, em certos países, a existência de "média independentes" (1)? Que deveremos entender por média independentes? Não existirá um risco de boomerang, afinal idêntico ao que acontece com as ONG (Organizações Não Governamentais) e com certas acções humanitárias, onde a lógica da comunicação ocupa um lugar crescente? Uma coisa é certa: a omnipresença dos média no plano internacional cria uma situação inédita na História, sobre a qual ainda não se reflectiu o suficiente e que não pode consistir em acreditar, como se pensou de boa-fé durante umas três décadas, que quanto mais média e informação houver, melhor. Até que ponto é que a mundialização dos média perturba, ou é um factor favorável do jogo eminentemente complexo das relações internacionais? As tentações de

"diplomacia mediática" são, evidentemente perigosas, mas o simples facto de numerosos agentes da comunicação pensarem nisso é um indício desta ideia, corrente nos média ocidentais, de que é "normal" que intervenham nas relações internacionais. Também neste caso a Guerra do Golfo (2) deveria, pelo contrário, ter feito tomar consciência do perigo desta atitude. Mas como o conflito foi curto, aparentemente justo e ganho pelos Ocidentais, não constituiu para eles o sinal de alarme que deveria ter sido. Em suma, quanto mais importante for o lugar ocupado pelos média na cena internacional, maior será, para eles, a tentação de querer pesar sobre as relações entre os países. A questão está em saber até que ponto isso é possível, uma vez que sabemos agora que a realidade já não opõe a informação pura, honesta, ao serviço da verdade, à lógica política obscura e duvidosa.

5) O último sintoma da inversão da relação com a informação diz respeito à confiança do público.

Vimos que, na teoria democrática, essa confiança é a base da legitimidade jornalística. É porque os jornalistas têm a confiança do público — apreciação eminentemente qualitativa — que podem desempenhar o seu papel essencial de contra-poder. É devido a esta confiança que podem trabalhar. Se esta se desagrega, a sua autonomia em relação aos diferentes poderes desaparece. Ora, há cerca de duas décadas que esta confiança tem vindo a ser abalada, em quase todos os países, devido aos excessos da informação e da comunicação, directamente ligados às facilidades técnicas da produção de informação, às consequências da concorrência e ao factor, mais geral, da expansão do mundo da comunicação.

Os jornalistas aproveitam-se disso, mas o público vê a distância que vai dos discursos à realidade. Está consciente do desfasamento existente entre o discurso de neutralidade e as mil e uma maneiras através das quais os média se ligam, quanto mais não seja por meio de laços financeiros, aos múltiplos condicionalismos dos mundos industrial, financeiro e político. Se a História demonstra que a informação sempre esteve associada ao dinheiro, os laços entre ambos nunca foram tão fortes, nomeadamente devido ao desenvolvimento das diversas indústrias da comunicação e nunca antes a informação e a comunicação tiveram um papel tão importante na sociedade. O resultado, em todo o caso para o público, é que alguma coisa se quebrou no

2 Para mais pormenores sobre o encadeamento dos factos, veja-se: War Game. L'Information et la

guerre, Capítulo I, "La guerre du Golfe en direct" e capítulo IV, "La presse va plus vite que l'événement". Para a análise veja-se ibid., capítulo IX, "L'Information devant l'histoire et l'action" e o capítulo XI, "Les mutations culturelles".

"contrato de confiança" sem que os jornalistas se preocupem com isso. Já ninguém acredita "naturalmente" em nada. A informação e os jornalistas são facilmente postos em causa, mas o mundo da informação não tem consciência disso, porque os cidadãos não dizem nada e continuam a informar-se, num mercado florescente. Na verdade, a procura de informação aumenta e,

No documento Dominique Wolton - Pensar a Comunicação (páginas 191-200)