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3.3 Entrevistas a stakeholders

3.3.2 Entrevista com os Executivos da Cooperativa A

Na cooperativa A, os entrevistados foram o Presidente e o Superintendente Regional da Cooperativa, sendo que o Presidente está no cargo há 13 anos, tem 56 anos de idade, iniciou suas atividades na cooperativa como associado, vindo a participar do conselho administrativo e fiscal; o Superintendente Regional está no cargo há 1 ano, tem 40 anos de idade, anteriormente atuava como Gerente Regional Administrativo Financeiro da mesma cooperativa, sendo que ambos possuem dedicação integral às atividades e responsabilidade do cargo e não participam de outras entidades representativas.

1. Quais os principais fatores que colaboraram para o crescimento da cooperativa nos últimos anos?

Presidente

Primeiro pelas conquistas de novas Regulamentações do Banco Central (BC), que permitiu novos segmentos de cooperativas de Empresários e de Livre Admissão e que vêm auxiliando no crescimento do cooperativismo como um todo.

Superintendente Regional

A partir de 1998, a cooperativa teve um crescimento fantástico, este crescimento adveio do ingresso no Sistema Sicredi e da melhora de relacionamento com o quadro de associados. Outro fator importante, ocorrido em 2005, foi a possibilidade de livre admissão, que proporcionou a adesão de diversos segmentos da sociedade na quadro de associados. Para gerar resultados, praticamos fortemente a intercooperação com cooperativas de diversos segmentos (profissionais liberais, saúde, serviços, produção), isto fez com que a cooperativa ganhasse sustentabilidade.

2. Na sua opinião, o que a cooperativa faz de diferente no mercado financeiro, quando comparada com um banco comercial?

Presidente

As cooperativas possuem vários diferenciais, tais como a própria filosofia e princípios onde o associado é dono do negócio, pode participar nas decisões, perenidade

e transparência do negócio. Considera-se também a proporcionalidade na distribuição das sobras de acordo com a movimentação do associado dentro da cooperativa; fatores vistos com simpatia pela sociedade, diante disso, o modelo desperta a curiosidade das pessoas em se aproximarem da cooperativa e ao conhecê-la, optam pela associação, em função da percepção da valia dos princípios do cooperativismo.

Superintendente Regional

A cooperativa foca seus esforços no desenvolvimento regional, destacando que os recursos aplicados na cooperativa local, fomentam o desenvolvimento e a riqueza da região, enquanto que num banco os recursos captados vão para as mãos de poucos em qualquer região de atuação do banco. Além disso, atua em parceria com instituições, como o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com a participação em seminários realizados na área de crédito e microcrédito realizados pela instituição.

3. Quais os pontos fortes e fracos da cooperativa frente ao mercado financeiro? O que poderia ser melhorado?

Presidente

O ponto forte do cooperativismo está na proximidade com os associados e na agilidade de atender as suas solicitações. O presidente está presente na região, tem o conselho de administração, tem os coordenadores de núcleo. A governança da cooperativa está muito próxima do associado; como consequência, as decisões são rápidas. O que poderia ser melhorado é que poucas pessoas conhecem efetivamente de fato os diferenciais das cooperativas de crédito, e o grande desafio é levar este conhecimento à população.

Superintendente Regional

Os pontos fortes da nossa cooperativa hoje é pertencer a um sistema forte, Sicredi, que nos credencia para atuação em âmbito local/regional e nacional. O nosso modelo de negócio atual organizado em sistema é revolucionário e moderno. A identificação com a região de atuação e o relacionamento estreito com os associados. Reuniões periódicas para informar o associado sobre novidades da cooperativa, assim como mantê-lo próximo

à instituição. São realizadas duas reuniões mensais de boas-vindas com os sócios. Nesse sentido, o gerente da unidade possui como obrigação realizar reuniões com os novos associados para explicar o funcionamento da cooperativa (características, modo de operação, história do cooperativismo, atuação junto ao Sistema Sicredi e, ainda, sobre grandeza do cooperativismo). A cooperativa também possui um call center ativo com o intuito de marketing de relacionamento com o associado, averiguando sobre a experiência dele com a cooperativa.

4. Entre os princípios do cooperativismo de crédito, qual a sua percepção sobre a Intercooperação?

Presidente

A intercooperação é importantíssima; quando falamos intercooperação, falamos de sistema. Antigamente, havia isolamento e dependência de produtos do Banco do Brasil. Era um planejamento em que você dependia 90% de outra instituição financeira. Após a união das cooperativas em sistema é que foi possível buscar o crescimento das cooperativas. A intercooperação é um dos motivos do nosso crescimento e que nos possibilitou investimento em tecnologia, busca de novos recursos, ter seu próprio banco, ter produtos e serviços criados dentro de suas próprias empresas, enfim a intercooperação é muito importante e motivo de sobrevida das pequenas cooperativas

Superintendente Regional

A intercooperação é fantástica e necessária para a sobrevivência das cooperativas de crédito e também do Sistema. Por participar do Sistema Sicredi, obtém ganho de escala, possibilitando ofertar grande variedade de produtos e serviços financeiros. A qualidade da comunicação e do marketing praticado de forma sistêmica é excelente, além de evidenciar a nível nacional a cooperativa. A gama de produtos e serviços atende todas as expectativas dos associados e auxilia o crescimento da cooperativa. Caso fosse uma cooperativa solteira, certamente, ainda seríamos uma pequena cooperativa. O entrevistado compara o cooperativismo em sistema ao modelo de franquia e ressalta sentir no modelo cooperativista superioridade aos serviços quando comparado com bancos tradicionais. Com o crescimento e atuação em sistema, a cooperativa consegue captar mais recursos e atender todas as demandas por crédito rural de seus associados.

5. A cooperativa pratica a Intercooperação? Como? O que faz?

Presidente

Nós temos a intercooperação que praticamos dentro do sistema com outras cooperativas de crédito, através da criação de produtos e serviços de forma compartilhada. A cooperação e a união são importantes porque você ganha em escala, ganha em qualidade, por isso a intercooperação sistêmica é fundamental. Desenvolvemos também a intercooperação com cooperativas de outros ramos, por exemplo: de produtores rurais, nas quais os associados são atendidos com linhas de crédito, e os recursos financeiros ficam dentro da cooperativa de crédito, essa sinergia proporciona ganho de escala e desenvolvimento na região de atuação.

Superintendente Regional

Além da intercooperação já referida, existe cooperação com outros modelos cooperativos distintos ao de crédito, por exemplo, cooperativas de produção, de serviços e de saúde. Esses vínculos proporcionam a venda de produtos distintos ao de crédito, como no caso da parceria com a cooperativa de saúde, onde seus planos são comercializados dentro das Unidades de Atendimento da cooperativa de crédito para o quadro social.

6. O associado percebe os resultados da intercooperação? Se sim, como?

Presidente

Assim como a nossa dificuldade de vender as vantagens do cooperativismo, alguns percebem a força da marca e rede nacional. Possuir um ponto de atendimento em qualquer parte do Brasil. Mas ainda é uma visão pequena entre os associados e é um fator a ser melhorado.

Superintendente Regional

Sim. Por exemplo, a parceria com a cooperativa na área de saúde proporciona ao associado valores reduzidos. Outra parceria, com cooperativa de agrônomos, proporciona ao associado, em função do laudo técnico, facilidade e credibilidade nos processos de investimento agrícola.

7. Cite um exemplo de intercooperação que agregou resultados ou melhorou a performance da cooperativa. E se não houvesse a Intercooperação, como seria?

Presidente

A participação junto a um sistema forte proporciona confiabilidade à cooperativa, mesmo ela sendo pequena, possui uma grande marca e um posicionamento definido no mercado financeiro, isto só é possível graças à intercooperação em sistema.

Superintendente Regional

Respondida na questão anterior.

8. Os Produtos e Serviços disponibilizados pela cooperativa atendem todas as necessidades dos associados? sim ( ) não ( ) em parte ( )

Presidente

Sim. Temos produtos e serviços que atendem, caso haja carência de algum, bastará uma reunião junto à diretoria para tomarmos as providências necessárias para atender ao associado.

Superintendente Regional

Com certeza, atende totalmente. Possuímos todos os produtos do mercado financeiro. Câmbio, financiamento de importação, cartão de crédito, seguro, investimento a longo prazo, poupança, etc., ou seja, quem é associado do Sicredi não precisa ter conta em outro banco. O acesso à internet veio para somar e oferece um sistema robusto para que o associado faça suas operações, é um atendimento complementar pela tecnologia, contudo, o associado não deixa de ter atendimento personalizado. Os caixas eletrônicos também permitem operações. A pessoa jurídica recebe toda a gama de serviços financeiros.

09. No curto e médio prazo (até um ano), a cooperativa pretende disponibilizar algum novo Produto ou Serviço? Sim ( ) não ( ) qual produto?

Presidente

Sim. O Crédito imobiliário, é um produto novo e temos demanda.

Superintendente Regional

Sim. Estamos acompanhando os projetos do sistema buscando a inovação e melhorias com novos produtos.

10. Quando a cooperativa busca disponibilizar um novo produto/serviço, quais as dificuldades encontradas em nível interno e externo?

Presidente

Quando comparado com um banco, o banco cria o produto e disponibiliza no mercado. A cooperativa, antes de criar um produto, pesquisa o associado para após disponibilizar o produto de acordo com a necessidade do associado. O Sicredi, ao criar um produto, possui dificuldade maior pela sua abrangência, a cooperativa, como atua numa região específica, possui um conhecimento elevado do perfil do seu associado.

Superintendente Regional

Havia dificuldade nas questões financeiras. Alto custo de investimento em tecnologia. A atuação independente tornava a cooperativa lenta nas transações. Com o vínculo estabelecido junto ao Sistema Sicredi, os processos tornaram-se ágeis, assim como a abrangência em outros Estados e a padronização dos produtos.

11. Qual o motivo da Cooperativa atuar no mercado filiada ao Sistema Sicredi? Quais são os benefícios? Quais as desvantagens?

Presidente

Importância: a força da marca Sicredi, a credibilidade, ganhos de escala, qualidade, melhores condições de investimento e maior percepção do mercado.

Como desvantagem, a decisão será sempre compartilhada, nem sempre será o melhor para você ou o que você quer, será o melhor para a maioria.

Superintendente Regional

O principal motivo de a cooperativa atuar no Sistema Sicredi é pela necessidade corporativa e de organização. Não é possível visualizar a cooperativa fora do Sistema. Os benefícios grandes, tais como agregar competências, diminuir custos, agregar serviços e principalmente entregar serviços com qualidade superior se comparadas à iniciativa de fazer de forma independente.

Desvantagem, praticamente, não ocorre, porque o Sistema, nas suas esferas de segundo e terceiro graus, é coordenado pelas próprias cooperativas. Também é importante a credibilidade conquistada e a organização do Sistema. A desvantagem seria de alguma vontade isolada que não pode ser aplicada por ser integrante do sistema, mas isso não supera as vantagens de atuar junto ao Sicredi.

A governança do sistema é um modelo admirado em nível internacional, tive oportunidade de participar durante três semanas de intercâmbio com cooperativas de crédito do Texas sobre planejamento estratégico, e a grande questão e curiosidade das cooperativas americanas era saber como o Sicredi conseguiu se organizar num sistema que detém mais de cem cooperativas usando a mesma marca, os mesmos produtos e serviços e tendo uma governança exemplar.

12. Quais os principais desafios da cooperativa para os próximos anos?

Presidente

O principal desafio para os próximos anos é obter 25% (vinte e cinco por cento) do mercado financeiro da região, esta participação dará mais competitividade e ganhos de escala. Como objetivo, até 2015, é chegar em 20% (vinte por cento). Atualmente a cooperativa atinge 10% (dez por cento).

Superintendente Regional

O sucesso do futuro está nas ações que você faz agora, e um grande desafio da cooperativa é aumentar a base de associados e atingir em 2015 a marca dos 100 mil associados. Outro desafio é atrair os jovens para o cooperativismo, os quais possuem

necessidades distintas. Também acompanhar a evolução social que está em alteração e mudança, antigamente o Sicredi atuava na Classe A e B1, agora, devemos atuar e entender a classe C, e atraí-la para o cooperativismo, mostrando que temos todos os produtos e serviços financeiros necessários.

13. A intercooperação na cooperativa é utilizada como uma ferramenta de Gestão Estratégica?

Presidente

Sim. É a maneira que temos de agregar mais negócios à cooperativa.

Superintendente Regional

Sim, a própria atuação em sistema já possui na sua essência a prática da intercooperação

14. Qual vantagem de a cooperativa possuir Fundo Garantidor para operações dos associados?

Presidente

Procuramos divulgar muito essa vantagem para os associados, até porque os bancos utilizam contras as cooperativas o fator de elas não possuírem garantia do Banco Central (Bacen), assim, o fundo garantidor ameniza essa situação. Por estarmos num sistema, possuímos atualmente os seguintes fundos: para perdas com fraudes decorrentes de processos eletrônicos, temos o Fundo Garantidor de Transações Eletrônicas (FGTE); para perdas que possam comprometer a estrutura patrimonial decorrente de perdas na carteira de crédito, instituímos o Fundo Garantidor Sicredi (FGS); para situação de insolvência de cooperativa, foi instituído o Fundo Garantidor de Depósitos (FGD), que garante depósitos de até R$ 60 mil por CPF. Agora mais importante que os fundos é a solidariedade através da intercooperação entre as cooperativas do sistema, que tem por

1 Classes A, B e C são referências sobre a segmentação das classes sociais brasileiras, de acordo com a sua

renda, em síntese, a “A”, corresponde às pessoas com maior renda; “B” classe média e, a C, antes atribuída às pessoas mais carentes financeiramente, com pouco poder aquisitivo. Mas, nos últimos anos, com as novas políticas sociais e o crescimento econômico do Brasil, esse segmento da população vem adquirindo poder de consumo e hoje atrai empresas dos mais diversos segmentos. [Nota do autor].

objetivo sanar problemas com uma cooperativa filiada, mesmo que os fundos não cubram a prática da solidariedade sistêmica irá sanar o problema, no entanto o ”socorro” será feito também na forma de administrar a cooperativa, pois não basta injetar recursos se não mudar a forma de administrar ou a diretoria da mesma.

O risco de mercado, de crédito, de liquidez existe, como todos os inerentes do negócio. Mas os riscos são minimizados através da especialização da estrutura do banco. O Sistema Sicredi serve de modelo, pela sinergia.

Superintendente Regional

Embora não há exigência legal para que as cooperativas tenham, acredito que é necessário, temos visto experiências negativas de cooperativas que são dissolvidas/liquidadas, e os associados é que bancam o prejuízo. Quando você paga o fundo garantidor, ele é dolorido, mas quando você precisa socorrer uma cooperativa, você vê a importância do mesmo. O Sicredi se organizou de tal maneira que garante várias situações que podem ocorrer com as cooperativas filiadas, sendo: Fundo garantidor de solidez o qual ta a solidez necessária para o cooperativismo filiado ao Sicredi; Fundo de Desenvolvimento para fomentar o cooperativismo de crédito; Fundo para transações eletrônicas para fraudes eletrônicas que possam ocorrer aos associados que usam a internet para fazer suas operações. Houve uma evolução muito grande nas entidades centralizadoras (banco e centrais) através da profissionalização dos profissionais pertencentes a estas. O Sicredi será no futuro será o que as cooperativas são na Holanda e na Alemanha.