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3.3 Entrevistas a stakeholders

3.3.3 Entrevista com os Executivos da Cooperativa B

Nesta cooperativa, os entrevistados foram o Presidente e o Gerente-Geral da Cooperativa, sendo que o Presidente está no cargo desde fevereiro de 2011, tem 47 anos de idade, iniciou suas atividades na cooperativa como associado, vindo a participar do conselho administrativo no cargo de diretor administrativo, dedica-se em paralelo à atividade de agricultor e também participa do Sindicato Rural da Região; o Gerente-Geral ocupa o cargo há mais de 20 anos, tem 50 anos de idade, anteriormente atuava na parte financeira de outra cooperativa do Ramo Agroindustrial, é dedicado de forma integral às atividades e responsabilidade da função e não participa de outras entidades representativas.

1. Quais os principais fatores que colaboraram para o crescimento da Cooperativa nos últimos anos?

Presidente

O associado percebe na cooperativa uma opção mais acessível para seus negócios, em troca o próprio associado canaliza seus recursos incentivando seu crescimento. A cooperativa proporciona ao associado linhas para investimento em maquinário e oferece os serviços dos bancos comerciais.

Gerente-Geral

A aproximação do conselho da cooperativa junto ao associado para ouvi-lo e estar mais junto, isso acarreta em credibilidade, transparência e prestação de serviços ao produtor. Em recente pesquisa interna realizada, chegamos ao índice de 93% (noventa e três por cento) de aceitação do quadro social.

2. Na sua opinião, o que a cooperativa faz de diferente no mercado, quando comparada com um banco comercial?

Presidente

O primeiro ponto é o atendimento personalizado. A questão de taxas acessíveis, extratos, cheque, juros mais acessíveis, alguns serviços nem são cobrados.

Gerente-Geral

Grande diferencial da cooperativa é a valorização do relacionamento pessoal. Trabalho corpo a corpo. Diferencial em não utilizar o autoatendimento. O associado não cobra a cooperativa para ter autoatendimento. O índice de associados ativos representa 97% dos associados.

3. Quais os pontos fortes da cooperativa frente ao mercado financeiro? O que poderia ser melhorado?

Presidente

Necessidade de crescimento, expansão para diluir custos, a intercooperação era praticada com somente uma cooperativa de produção e agora é prioridade ampliarmos a Intercooperação com outras cooperativas

Gerente-Geral

Custos baixos, por conseguinte, atende o produtor nas necessidades financeiras (valores de operações de crédito muito mais baixas das demais instituições), isso se dá, por a cooperativa não visar ao lucro exorbitante dos bancos comerciais. Outro ponto é que não há discriminação entre associados grandes e pequenos, a taxa do investimento do associado é homogênea. Sobre as sobras geradas na cooperativa o associado tem participação, sendo no conceito da cooperativa quatro os principais geradores de sobras, a saber, O Capital Social investido na cooperativa, pois, é um recurso que permanece por mais tempo na cooperativa; O Depósito à Vista (recursos depositados para as contas emergenciais e pessoais) com custo zero; as Operações de Crédito (o associado toma recursos, com isso, viabiliza o seu negócio e proporciona receitas à cooperativa) e as Aplicações Financeiras (sobras de caixa do associado ajudam no montante da cooperativa), são os quatro pilares trabalhados pela cooperativa.

4. Entre os princípios do cooperativismo de crédito, qual a sua percepção sobre a Intercooperação?

Presidente

Embora sendo uma cooperativa de crédito singular, enxergamos com bons olhos a intercooperação e buscaremos através dela o crescimento, inclusive esperam contar com o apoio das entidades representativas das cooperativas para esta abertura. O entrevistado salienta sobre a existência da intercooperação com somente uma cooperativa e que era um posicionamento da gestão anterior o que acabou prejudicando a expansão da cooperativa. Ainda comenta sobre a intercooperação ocorrendo em empresas privadas da

região e ganhando espaço, enquanto as cooperativas estão se digladiando com questões políticas e culturais.

Gerente-Geral

Experiência muito boa. Ocorre entre a cooperativa de crédito, a cooperativa de produção e, ainda, uma corretora de seguros, a qual possui como proprietária a cooperativa de produção. O associado possui assistência técnica, recebe crédito, e garantia para seu investimento. Em síntese, insumos, financiamento e segurança. Um triângulo perfeito, que propicia ganho de escala e espaço físico, uma estrutura onde as três estão atuando, com a vantagem de atuar pessoalmente com o produtor.

5. A cooperativa pratica a Intercooperação? Como?

Presidente

Sim, mas num âmbito muito pequeno, como falado na questão anterior

Gerente-Geral

Resposta na questão anterior. Complementa afirmando sobre o processo da cooperativa: colhe a produção, entrega na cooperativa, quando vende, fecha o ciclo da atividade.

6. O associado percebe os resultados da intercooperação? Se sim, como?

Presidente

Sim percebe, o associado possui horário diferenciado de atendimento, rapidez na liberação de crédito e acesso aos produtos e assistência técnica da cooperativa de produção com juros mais acessíveis.

Gerente-Geral

Sim, pela facilidade de produtos e serviços ofertados a ele. Recebe assistência técnica direta, ao ter facilidade de conversa com o agrônomo, o qual repassa à instituição financeira e à corretora as necessidades do associado. Também o envolvimento na

transformação do produto in natura - a agroindústria -, proporciona um retorno melhor ao produtor (transformação do produto para agregar valor)

7. Cite um exemplo de intercooperação que agregou resultados ou melhorou a performance da cooperativa? E se não houvesse a intercooperação, como seria?

Presidente

A disponibilização de produtos e serviços da cooperativa de produção.

Gerente-Geral

Na cooperativa de crédito, como seria se não houvesse (o entrevistado faz menção ao próprio conceito de intercooperação se confundir com o termo cooperativa). Agrega resultado pelas negociações entre cooperativas e os fornecedores que vendem insumos. No caso da cooperativa de crédito, há o spread (um percentual sobre os valores financiados). Mesmo assim, ela consegue fazer um financiamento com um custo menor para o produtor. E, ainda, o seguro, condição é sine qua non para o financiamento.

8. Os Produtos e Serviços disponibilizados pela cooperativa atendem todas as necessidades dos associados? Sim ( ) não ( ) em parte ( )

Presidente

De modo geral, sim. Pagamento de contas, cartão de crédito, talão de cheques, seguros, entre outros. Falta ainda o pagamento de aposentados.

Gerente-Geral

Sim. Devido à abertura do Banco Central às cooperativas, é possível fazer parcerias com outras instituições, como por exemplo, com o BRDE, que repassa recursos do BNDES. Assim, a cooperativa atende as necessidades do associado em crédito repassado. Também proporciona serviços comuns de pagamentos de faturas como: duplicatas, água, luz, telefone, Impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU), com a vantagem de não cobrar as tarifas. Nesse sentido, o retorno está no dinheiro depositado pelo produtor. Demais serviços bancários também são prestados: talão de cheques, cartão

de crédito Bradesco/Visa internacional, com saque e compras e milhagem em parceria com o banco Bradesco.

09. No curto e médio prazo (até um ano), a cooperativa pretende disponibilizar algum novo Produto ou Serviço? Sim ( ) não ( ) qual produto?

Presidente

Já possuímos o cartão de crédito do Bradesco. Estamos em negociação para firmar parceria direta com o Banco Regional de Desenvolvimento (BRDE) para obter recursos diretos do BNDES.

Gerente-Geral

Autoatendimento e internet. Hoje o produtor não cobra, mas é necessário investir. Atualmente, ele somente consulta extratos pela internet, mas não possuímos transações financeiras. A internet, aqui na cooperativa, significa uma quebra de paradigma, no presente, somente 10% (dez por cento) utilizam-na. Isso se deve pela idade dos associados ser entre 50 (cinquenta) e 60 (sessenta) anos. Contudo, preocupamo-nos com os seus descendentes, a continuidade do negócio. E, ainda, nesse sentido, existe o êxodo rural, questões de arrendamento, venda; a vinda da indústria rural.

10. Quando a cooperativa busca disponibilizar um novo produto/serviço, quais as dificuldades encontradas em nível interno e externo?

Presidente

Alto investimento, necessidade de fazer parcerias.

Gerente Geral

No caso da Internet, é mudar a cultura de quem não usa esta tecnologia para passar a usá-la.

11. Qual o motivo da cooperativa atuar de forma independente no mercado financeiro? Quais são os benefícios? Quais são as desvantagens?

Presidente

Independência. A decisão é dela, o lucro é dela, caminhamos com nossas próprias pernas; nossa cooperativa é enxuta, nossas sobras são boas, e o próprio associado percebe e divulga estas vantagens.

Gerente-Geral

A cooperativa já fez parte de um sistema chamado Cocecrer, onde também foi criado uma central a qual passou a agregar outras cooperativas pequenas. No cooperativismo, independente do tamanho da cooperativa no momento da participação e votação no conselho você tem apenas um voto, e a realidade apresentada à época era de que apenas quatro cooperativas pagavam 80% dos custos da Central, esta realidade fez com que começasse um movimento desfiliação, pois a independência garantiria a autonomia e agilidade nas decisões necessárias para as grandes cooperativas continuarem seu ritmo de crescimento. Outro ponto foi a questão de solidariedade sistêmica, que por participar de um sistema passa ser obrigatório as cooperativas participantes, conforme determinação do Banco Central, o qual não possui a estrutura necessária para atender todas as singulares, no entanto, a possibilidade de crescimento nacional ¨deu medo¨ e surgiu uma dúvida: Como tratar a ingerência? Pois o paternalismo da central não permitia a cobrança mais dura das cooperativas com problemas econômicos e de gestão.

Hoje, a maneira correta de entrar no mercado é através da atuação em sistema, onde os custos são menores e você consegue ganhos de escala. Mas temos virtudes, embora, os custos sejam maiores, a estrutura atual não perde a identidade. Contudo, hoje, não se cria cooperativa sem ela ser filiada a uma central. O Banco Central limita a atuação das singulares. Para o Banco Central, o papel de uma central é importante, inclusive, ele concede a ela o papel de auditoria das sisgulares. No caso de uma cooperativa singular independente como é o nosso caso, o Banco Central exige auditoria independente, isto trás mais custos.

12. Quais os principais desafios da cooperativa para os próximos anos?

Presidente

Os desafios são muitos, primeiro é uma nova gestão de forma democrática com a participação de toda a diretoria e dos associados; buscar novas parcerias com outras cooperativas e bancos, ampliar os negócios através da intercooperação.

Gerente-Geral

Estamos num período de mudanças, em razão de problemas econômicos com a cooperativa de produção, nossa principal parceira de negócios. Estes problemas geraram dúvidas no quadro social e no mercado quanto à solidez da cooperativa de crédito. Em face disto, nossos principais desafios são: a mudança do nome da cooperativa, o qual já foi autorizado pelo Bacen; buscar novos associados para que o empreendimento tenha continuidade e pôr em prática a intercooperação com outras cooperativas para gerar mais resultados. Isso acarreta investimento em campanhas de Comunicação e Marketing.

13. A intercooperação na cooperativa é utilizada como uma ferramenta de Gestão Estratégica?

Presidente

Sim, Através da interligação com outra cooperativa de produção e queremos ampliar esta forma de atuação e gestão.

Gerente-Geral

Sim, é fundamental para a geração de resultados

14. A Cooperativa possui um Fundo Garantidor para as operações dos associados?

Presidente

Gerente-Geral

Atualmente não possuímos, faz falta e é muito importante. Você precisa dar segurança e conforto para o associado, atualmente a própria cooperativa garante as operações, é uma relação de confiança entre associado e cooperativa. O Fundo é importante e necessário, pois a cooperativa fica, e as pessoas mudam.

3.3.4 Análise do reflexo da intercooperação sistêmica e não sistêmica na gestão das