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125 fornecia todo o suporte na Avenida Paulista, oferecia a programação da JP. Nós nos propusemos a fazer essa experiência junto com a AESP.
Por que decidiram migrar?
Você tem hoje, em uma cidade como São Paulo, você tem um nível de ruídos e interferências muito elevado, o que faz com que as emissoras de AM – todas, sem exceção – tenham sua qualidade de sinal bastante prejudicada. Então, precisava-se achar uma alternativa para que o rádio AM pudesse sobreviver no mercado. Já que a qualidade não é boa, as condições técnicas não são boas, se as interferências são elevadas, se você não tem possibilidade ter acesso a outros equipamentos como smartphones, iPods, os receptores androids e tudo mais, então precisava se achar um caminho para mudar isso. E esse caminho era efetivamente através da migração do AM para o FM.
E por que a migração veio antes da digitalização?
Porque, veja, a digitalização foi um processo que já se experimentou no passado e os resultados não foram muito bons. A digitalização ainda não está suficientemente madura.
Então, se imaginava que através da digitalização da faixa de AM nós pudéssemos ter a sintonia e a qualidade que nós imaginávamos poder ter. Porém, todos os testes efetuados pela Abert, pelas associações estaduais, demonstraram que aquela época ainda não estava suficientemente maduro o processo do HD digital.
Por uma questão técnica?
As questões técnicas demonstraram que os projetos não estavam suficientemente maduros e forte para se ter uma programação digital. Tecnologicamente ele não estava avançado a esse ponto.
Na migração, qual o principal benefício para a Jovem Pan?
O principal benefício é, primeiro, uma qualidade de áudio efetivamente boa, possibilidade de sintonia da emissora em locais aonde a interferência na faixa do AM é muito prejudicial – também é um aspecto importante. Terceiro, a possibilidade de sintonia da emissora através de smartphones, através de iPhones, iPads, enfim, todos os demais devices existentes no mercado em que se ouve rádio através do FM, porque esses equipamentos não operam na faixa de AM.
126 E para a Jovem Pan, como fica a questão do FM ter um alcance menor que o AM?
Isso também tem que ser levado em consideração. Porque a emissora vai ter uma menor cobertura através do FM do que aquela cobertura que ela tem hoje no AM. Mas no caso da Jovem Pan, como ela tem hoje uma rede nacional de emissoras operando em 150 mercados brasileiros, nós temos outras possibilidades que não a sintonia direta na Jovem Pan de São Paulo.
E com relação à audiência?
Evidentemente que a gente imagina que haverá uma rica exposição dessa audiência. Hoje no AM de alguma forma é deficitária por conta do sinal. Pessoas têm dificuldade de sintonizar no AM. Então, nós entendemos que quando operar no FM, essas dificuldades estarão superadas.
Há uma crença de que com a migração o público jovem vai ouvir mais o rádio? Ou não?
A impressão que eu tenho é que vai beneficiar todos os públicos sem exceção. Porque, claro, a melhoria da qualidade é benéfica para todos os ouvintes.
Digo isso porque o que se lê muito na literatura é que a migração irá atrair um público mais novo que não se utiliza muito do rádio AM.
Isso pode ter acontecido, eu não quero discordar dessa tese. Mas o objetivo não é trazer o jovem para o rádio AM. É sim dá uma melhor qualidade de áudio para todos os ouvintes de todas as faixas etárias.
Também nessas leituras fala-se muito da queda de anunciantes. A Jovem Pan sentiu isso?
Não, não sentiu. No caso específico da Jovem Pan não, porque como ela é uma emissora jornalística, 100% noticiosa, nós não sentimos queda de patrocínio não. Nós sentimos, evidentemente, como todas as rádios de AM sentiram, uma queda de audiência geral. Por quê? Porque menos ouvintes tiveram condições de continuar ouvindo em função da não boa qualidade do sinal.
Para manter o AM, está mais caro atualmente?
Como os equipamentos hoje tanto de AM quanto de FM são todos digitalizados, você praticamente não tem grandes mudanças a nível de estudo. É claro que você vai ter uma
127 mudança a nível de transmissor, a nível de antena, isso vai demandar novos investimentos.
Mas, hoje, a maioria das emissoras já estão de alguma forma tecnologicamente preparadas para o futuro. A não ser as emissoras de AM muito pequenas e que de alguma forma deixaram de prosseguir no mercado e que não fizeram investimentos. Porque hoje os equipamentos digitais são infinitamente mais baratos do que aqueles então analógicos. Porque hoje é tudo na base do computador, hoje você tem uma série de outras alternativas que no passado você não tinha.
Mas manter as antenas do AM não é mais caro?
O que era mais caro: você tinha um consumo maior de energia, porque você tinha equipamentos que não são como os novos digitalizados, então, é claro, você tem um custo maior de operação no AM. Claro, sem dúvida, mas é proveniente de energia, seja de equipamento mais antigo, muitas vezes as peças desses equipamentos são mais difíceis de serem achados e consequentemente mais cara.
Então, a transmissão no FM vai ficar mais em conta para a emissora.
Vai, mas o objetivo não é que fique mais em conta. O objetivo é atender melhor a necessidade de audiência do público.
Os ruídos apareceram gradualmente?
A medida que as cidades vão crescendo, isso é diretamente proporcional a esse crescimento.
Por exemplo, você tem uma interferência das redes de energia elétrica. Porque as cidades brasileiras têm a cabeação de energia toda ela em postes, você não tem uma cabeação embutida. Então, isso provoca uma quantidade maior de interferência. O próprio desenvolvimento dos edifícios, das construções, das pontes, do concreto, tudo isso prejudica fundamentalmente o AM. Quanto mais o tempo foi passando, mais difícil foi ficando.
Então, não teve uma data que vocês decidiram que havia a necessidade de migrar.
Não, na verdade, isso vem ocorrendo ao longo dos últimos dez anos. Porque nós sempre preocupados em oferecer o melhor serviço para o nosso público ouvinte, sempre ficamos preocupados com a nossa qualidade, é evidente. E em função disso, já vinha se pensando em alternativas há mais de dez anos atrás. Quais seriam os futuros caminhos do rádio AM? Aí
128 passou-se pela digital e acabou chegando-se a conclusão de que o caminho seria através da faixa de FM.
Algumas emissoras estão com a documentação atrasada, não é?
Não, assim fica parecendo distorcido. O que acontece é que neste momento, 39 emissoras do Norte e do Nordeste já tem frequência outorgada e já foram examinadas pelo Ministério das Comunicações para que possam migrar do AM para o FM. Essas 39 já estão aprovadas nesse momento. Mas até o mês de novembro o Ministério promete estar com 200 emissoras aprovadas. Esse número vem crescendo no dia a dia.
No fim de maio, um fato me chamou a atenção na programação da Jovem Pan. Eu estava ouvindo a JP AM no horário do almoço, quando de repente a equipe do Esporte em Discussão recebe ao vivo o programa Pânico, que vai ao ar no mesmo horário pela JP FM, em um esquema de transmissão simultânea. Por isso eu queria saber: depois da migração, há a possibilidade da migração colidir?
Veja, a programação vai se aprimorando de acordo com a audiência. Nosso objetivo sempre é de prestar o melhor serviço. E é claro que programação é algo vivo e se é algo vivo, está em constante modificação. Não é algo que você faz e deixa lá estática. Então, a programação não só da Jovem Pan mas de qualquer emissora de rádio é um órgão vivo, ele tem que estar acompanhando a evolução de mercado, a evolução do público, a satisfação das necessidades, enfim, a busca desses objetivos em comum.
Então, existe uma possiblidade?
Não, existe uma possibilidade de que as coisas vão se aprimorando. O que será no futuro vai depender do mercado, do público, dos ouvintes. A gente vai se adaptando às novas necessidades.
O Mobilize-se, no caso da Jovem Pan que já tem aplicativo, é útil?
Usa porque o público pode escolher o melhor caminho. Nós temos aplicativos próprios, temos o Mobilize-se, nós estamos aí em todos os segmentos que possibilitem audiência. Tudo o que for bom para o rádio a Jovem Pan adere e participe.
Metodologia de cálculo aplicada em Anápolis, o senhor acredita que foi justa?
129 Não, nós achamos que esse cálculo não seguiu padrões reais do mercado. Só para citar um exemplo: um dos parâmetros que eles usaram foi preço. Só que ao invés de usarem o preço efetivamente praticado, o preço efetivamente vendido, eles usaram o preço de tabela. Existe uma distorção muito grande nisso. Então, isso já foi um dos fatores que alterou profundamente esse valor. Nós fomos contra esse valor porque os critérios de parâmetros utilizados para esse cálculo não são parâmetros e critérios que nós entendemos como justos.
Principalmente diante do Brasil de hoje.
Qual seria a melhor forma de se estruturar essa metodologia?
Existem vários critérios a serem adotados. O que o ministério precisa fazer é escolher um critério justo e correto. Vários caminhos levam a esse resultado, como usar valores justos de comercialização, usarem valores justos de índice de população, usar índices de potencial de consumo. Enfim, critérios que são utilizados pelo mercado normalmente e que devem ser aplicados nessa equação para se chegar ao resultado.
Falta organização para se ter esses dados?
Eu não diria uma certa organização. Falta a definição de parâmetros mais justos.
Na sua opinião: qual o futuro do rádio AM?
Essas emissoras de AM continuarão satisfazendo ao público que será ouvinte exclusivamente de AM. Elas vão continuar no mercado. É claro que elas não terão, talvez, a mesma projeção daquelas que migrarem para a FM. Mas elas vão continuar certamente sobrevivendo. Vão ter que se adaptar a uma nova condição, mas vão sobreviver evidentemente.
Então, não é o fim do rádio AM.
Não, não. Eu não acredito em fim de rádio nenhum. Até hoje ondas curtas, ondas tropicais tem sua faixa de audiência, tem o seu prestígio. Não são rádios de uso comum, mas tem ainda aficcionados, pessoas que gostam e que se interessam por elas. Então, não acredito em fim de rádio nenhum. Vai continuar evoluindo.
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