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2.1 E NVELHECIMENTO P OPULACIONAL

2.1.4 Envelhecimento e Morbidade

Tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, as doenças crônicas são causas importantes e dispendiosas de incapacidade e de deterioração da qualidade de vida (ONU, 2002b, p. 2). Segundo respeitados estudos relatados por Doll (1998, p. 99), 9% dos indivíduos com faixa etária entre 65 e 69 anos têm sete ou mais problemas de saúde, enquanto para as pessoas com mais de 80 anos essa percentagem aumenta para 30%.

As doenças crônico-degenerativas, como a obesidade, são responsáveis pelo maior número de internações da população idosa, bem como suas incapacitações (DUARTE; NASCIMENTO, 1996, p. 262). Em indivíduos maiores de 60 anos, a predominância de óbitos relacionados às doenças crônico-degenerativas é evidente (CHAIMOWICZ, 1997, p. 190).

Tavares e Anjos (1999), descrevendo o perfil da população idosa brasileira, observaram que 30,4% dos homens e 50,2% das mulheres apresentavam sobrepeso, sendo esse diagnóstico mais prevalente nas regiões Sul e Sudeste, nos grupos de maior renda, maior escolaridade e melhores condições de moradia.

Os mesmos autores (p. 767) relatam estudos que mostram que ainda não há um consenso sobre o impacto do sobrepeso na longevidade, porém se vêm encontrando associações desse problema com a mortalidade em idosos e questionando-se sua relação com incapacidades, que nestes indivíduos significa autonomia, fator imprescindível para uma boa qualidade de vida. Além disso, cabe destacar que a obesidade é um fator de risco

para outras doenças crônico-degenerativas, como diabetes e cardiopatias (DUARTE; NASCIMENTO, 1996, p. 271).

Quanto ao diabetes, embora essa enfermidade possa ocorrer em qualquer idade, há um aumento importante de sua prevalência na população idosa. É uma das doenças crônicas mais comuns nas pessoas dessa faixa etária. Assim, 80% dos diabéticos têm idade superior a 45 anos (MARCONDES; THOMSEN, 2000, p. 269).

As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte na população adulta, sendo acima dos 60 anos responsável por aproximadamente 40% de todos os óbitos (PASINI et al., 2000, p. 133). No Brasil, em 1990, mais da metade dos óbitos em idosos foi causada por doenças do aparelho circulatório (CHAIMOWICZ, 1997, p. 190).

A etiologia habitual das doenças coronarianas é a aterosclerose, uma afecção cada vez mais comum com o envelhecimento (BEE, 1997, p. 461). A porcentagem de portadores de aterosclerose praticamente dobra a cada dez anos, com o avançar da idade, chegando alguns autores a afirmar que sua presença é observada em quase todos os indivíduos com mais de 60 anos. No homem, o grau de aterosclerose aumenta rapidamente entre os 30 e os 50 anos, e progride gradualmente, atingindo grau máximo aos 60 ou 65 anos. Na mulher, a aterosclerose é mais tardia, progredindo a partir da menopausa (PASINI et al., 2000, p. 133).

A hipertensão arterial também é uma das causas mais importantes de morbidade e mortalidade prematuras, representando um dos problemas de saúde pública mais prevalentes em nosso meio (CARVALHO FILHO et al., 2000, p. 155). O Brasil, com sua vasta população, coloca-se entre os países com maiores contingentes de hipertensos. O terceiro Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial (1998) estabeleceu que níveis de pressão arterial sistólica superior a 130 mmHg e/ou pressão diastólica acima de 90 mmHg não devem ser considerados fisiológicos para idosos.

Além dos problemas cardiovasculares, as causas mais freqüentes de aposentadoria por invalidez são os transtornos mentais e as doenças do aparelho locomotor (MEIRELLES, 2000, p. 309).

Entre os transtornos mentais, os distúrbios psíquicos de maior incidência nos idosos são as síndromes demenciais e depressivas. A OMS estima que 30% a 35% da população maior de 60 anos nos países industrializados apresentam algum tipo de distúrbio

mental e que um a cada dez anciãos sofre de depressão (CARVALHO; FERNANDEZ, 1996, p. 160-161).

A demência é uma síndrome que se manifesta pela diminuição global das funções cognitivas (LEVY; MENDONÇA, 2000, p. 54), manifestando-se com déficit de memória e de outras funções intelectuais, como a linguagem (LUDERS; STORANI, 1996, p. 147). Segundo alguns estudos apresentados por Bee (1997, p. 526), cerca de 5% das pessoas com mais de 65 anos exibem sintomas importantes de demências. A doença de Alzheimer é considerada a causa mais freqüente e responde por 50% das demências, ocorrendo em 4,4% da população acima de 65 anos (LEVY; MENDONÇA, 2000, p. 54).

Quanto à depressão, nos idosos a probabilidade de padecer dessa doença é grande, pois apresentam inúmeras limitações e perdas, tendo como conseqüências sentimentos de autodepreciação. A depressão tem repercussões sociais e individuais importantes devido ao fato de afetar não somente o convívio social, impossibilitando uma rotina de vida satisfatória, mas também pelo risco inerente de morbidade e cronicidade. Pode ser considerada uma doença potencialmente fatal, uma vez que há possibilidade de suicídio em 15% dos casos (CARVALHO; FERNANDEZ, 1996, p. 160).

Com relação às afecções do aparelho locomotor, são diversas as enfermidades que acometem os idosos. Entre elas se destacam as doenças reumáticas e a osteoporose.

As doenças reumáticas, como a artrite, são aquelas que apresentam maior incidência ou prevalência na terceira idade. Segundo dados da Previdência Social, essas enfermidades se constituem na terceira causa mais freqüente de invalidez física temporária ou permanente (MEIRELLES, 2000, p. 309).

A osteoporose é caracterizada por uma perda global da massa óssea, que se faz de forma lenta nas idades mais avançadas, em ambos os sexos, e de maneira acelerada nas mulheres após a menopausa (YUASO; SGUIZZATTO, 1996, p. 341). Pode constituir uma das principais causas de incapacitação (BEE, 1997, p. 460). Nos idosos, uma em cada três mulheres e um em cada seis homens sofrerão de fraturas (YUASO; SGUIZZATTO, 1996, p. 341). Segundo o Ministério da Saúde (1999, p. 17), cerca de 50% dos idosos que fazem fratura de colo de fêmur falecem dentro de um ano, e a metade dos que sobrevivem fica totalmente dependente dos cuidados de outras pessoas.

Dessa maneira, para as pessoas idosas, a saúde assume um papel importante, tendo em vista o número maior de doenças na velhice (DOLL, 1998, p. 99). É indispensável que os especialistas de todas as áreas e a população em geral conscientizem- se sobre a situação do idoso e mobilizem-se para o empreendimento de ações concretas no campo da prevenção, promoção e atenção à saúde para a qualidade de vida dessa população (DUARTE, 1998, p. 296).