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CAPITULO 3 A GUERRA, A ECONOMIA E, O CÍRCULO SE FECHA

3.1 A BATALHA DO AVAÍ – O CÍRCULO DE FERRO E FOGO

3.1.1 Envolvimento das tropas paraguaias em seu flanco esquerdo

Por volta das onze horas e trinta minutos, cerca de duas horas e meia após iniciado o ataque, a batalha estava decidida. As tropas paraguaias – ala esquerda e centro -, assistiram praticamente inermes, impossibilitadas de fornecer auxílio, a destruição de sua ala direita. Lograram, entretanto, estabelecer uma segunda posição no topo da colina imediatamente limítrofe a primeira. Algum tempo depois, por volta das doze horas e trinta minutos, o Alto- Comando brasileiro, aventando a possibilidade de destruir completamente a unidade de Caballero, resolve apertar o cerco por sua direita (do Exército Brasileiro), para tanto coloca em combate a 1ª Divisão de Cavalaria, com seiscentos homens, apoiados por dois Corpos de Voluntários da Pátria (28º do Rio de Janeiro – Niterói -; e o 51º de Pernambuco).412 As

unidades citadas deveriam atravessar o arroio Avaí, logo abaixo do local em que as tropas do 3º Corpo de Exército o haviam ultrapassado. No local escolhido, havia uma ponte e a linha do telegrafo que ligava Villeta à Assunção. Protegendo a passagem existiam duas unidades paraguaias, uma de cavalaria e outra de infantaria. Os soldados de infantaria estavam posicionados logo após a ponte e foram atacados prontamente por duas linhas de atiradores do 51º Corpo de Voluntários da Pátria. Este Corpo era, anteriormente, Batalhão de Polícia, que engajado no Exército fora ao iniciar-se a Guerra do Paraguai. Os paraguaios recuaram deixando no terreno onze mortos.413 Já na margem esquerda do Avaí, os dois Corpos foram atacados por força de cavalaria. Formaram quadrado e repeliram os atacantes. Em seguida, as tropas de cavalaria brasileira contornaram os dois Batalhões em quadrado atacaram e destruíram os destacamentos paraguaios.414 Abrindo-se a possibilidade de ataque aos elementos da ala esquerda do Exército Paraguaio, pela retaguarda e flanco.415

412 FARIAS, Luiz Eduardo Lopes de. 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado: “Cavalaria da Legião de Tropas

Ligeiras” 1775-2006. Quaraí: 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado, 2006. Disponível em:< http://www.decavalaria.com/index.php/coisas-de-cavalaria/livros/finish/18-livros/93-historico-do-5-r-c-mec> Acesso em 14 jul. 2015. p.145.

413 VILLAR. Alexandre Augusto de Frias apud DUARTE, 1990, v.3, t. IV, p. 94. 414 DUARTE, 1987, v. 3. t. I, p.152-153.

415 “A esse tempo [...], a 1ª divisão de cavallaria, passava da margem direita para a esquerda do Ipané, um pouco

abaixo do ponto onde as tropas do 2º e 3º, corpos tinham transposto aquelle arroio, e, protegido pelos batalhões 28 e 51 de voluntarios, destroçava uma forca de 200 paraguayos que se tinha postado na linha telegraphica de Villeta. e flanqueava a esquerda do inimigo por aquelle lado.” (LIMA, 1872, P.118).

Com o caminho aberto o 1º Corpo de Exército, a 2ª Divisão de Infantaria lançou-se em apoio ao ataque da 1ª Divisão de Cavalaria. “Nos derradeiros momentos da luta, o General- chefe encaminhou o 1º Corpo, até então mantido em reserva, para o flanco direito em apoio à cavalaria de João Manoel.”416 Movimentaram-se as tropas em busca de envolver e cercar o

inimigo417. Pode-se depreender que as tropas do 3º Corpo do Exército, não apenas atacavam violentamente a frente da linha de batalha paraguaia, como também várias unidades do Corpo realizavam manobras de cerco e, em alguns momentos, as tropas do 1º Corpo de Exército ficavam em proteção aos batalhões mais engajados no combate. Na Parte de combate assinada pelo Comandante do 26º Corpo de Voluntários da Pátria, organizado no Ceará, indica que o batalhão realizou o cerco pela retaguarda, posicionando-se entre as tropas paraguaias e a cidade de Villeta, impedindo a retirada das forças paraguaias para a cidade. Como ficou “em proteção”, não teve qualquer baixa. “[...] formei de alas e segui em proteção a um outro batalhão que perseguia o inimigo; vendo este desbaratado completamente, meti em linha. Continuei a marcha em acelerado; formando ultimamente coluna de ataque até Villeta.”418

Em sua Parte, o comando do 1º Corpo de Exército descreve as ordens que recebeu e os objetivos que deveria atingir.

Achando-me então com a 2ª Divisão de Infantaria, sob o comando do Brigadeiro Salustiano Jerônimo dos Reis, fazendo a reserva dos 2º e 3º Corpos de Exército, que se achavam em porfiado combate, recebi da V. Exa. ordem para que, com a mesma Divisão, avançasse pelo nosso flanco direito, não só para proteger o movimento da 1ª Divisão de Cavalaria, que já se aproximava para carregar sobre o flanco esquerdo e a retaguarda do inimigo, como também envolvê-lo por esse lado, cortando desse modo a sua retirada por esse ponto, como V.Exa. também presenciou, pelo que não pode o inimigo ganhar as matas da margem esquerda do Rio Paraguai, por onde procurava evadir-se.”419

Não se tratava de vencer uma batalha, mas de destruir as tropas inimigas, assim o cerco se fazia necessário para completar a obra de destruição planejada pelos comandantes brasileiros e, também, esperada com ardor por soldados e oficiais que combatiam desde o começo da guerra. O relato de um dos oficiais brasileiros que lutaram nesta batalha demonstra cabalmente o desejo de lutar em um campo aberto sem fortificações de monta. Em que as tropas pudessem “[...] demonstrar no campo de batalha o valor das armas brasileiras, que há

416 DUARTE, 1987, v. 3 t. I, p.106.

417 A 2ª Divisão de Infantaria foi reforçada, ainda, por dois batalhões o 12º e o 24º. (REIS, Salustiano Jerônimo

dos apud DUARTE, 1989, v.3 t.III, p.62.)

418 LISBOA, Pedro Jaime apud DUARTE, 1987, v.3, t. I, p.107. 419 BITTENCOURT apud DUARTE, 1989, v.3 t. III, p.61.

mais de quatro anos procuravam um terreno em que, com facilidade, pudessem manobrar, como o que ontem encontraram.”420

Pode-se, assim, perceber que as unidades do 1º Corpo de Exército foram utilizadas para efetuar o cerco, não apenas na direita do Exército Brasileiro, mas barrando a retirada dos paraguaios em direção à Villeta, onde procuravam entrincheirar-se. Entre Villeta e os soldados paraguaios teremos as tropas da 1ª Divisão de Cavalaria e, as tropas descansadas do 1º Corpo de Exército. Principalmente a 2ª Divisão de Infantaria, com duas Brigadas compostas por sete Batalhões, ou seja, cerca de 2.800 soldados. O sucesso do cerco pode ser mensurado pelo pequeno número de baixas da Divisão. Segundo a Parte do Comando do 1º Corpo de Exército, tiveram fora de combate 43 soldados, dos quais 5 mortos.421

Sobre a atuação do 1º Corpo de Exército, assim se reportou seu comandante, na Parte por ele assinada, em Villeta, relatando que na manobra de cerco, suas tropas, estando “[...] ao alcance da metralha inimiga, desenvolvi-os em linha e, nessa ordem, avancei sempre pelo flanco direito, procurando envolvê-lo pela esquerda, e o introduzi em um círculo de ferro e fogo.”422

O flanco esquerdo dos paraguaios e sua retaguarda estavam hermeticamente vedados, impossibilitando qualquer retirada ou fuga.

3.1.2 Envolvimento das tropas paraguaias em seu flanco direito.

Enquanto as Divisões de Cavalaria, sob o comando do Barão do Triunfo realizavam a manobra de envolvimento pela direita paraguaia, o Comando do Exército Imperial resolveu ampliar a manobra de cerco lançando suas reservas de infantaria e parte da infantaria do 3º Corpo de Exército, em torno das dilaceradas colunas paraguaias. O 36º Corpo de Voluntários da Pátria, que fazia parte do 3º Corpo do Exército, logo após sofrer a carga de cavalaria paraguaia, à qual resistiu tenazmente, presenciou a chegada da cavalaria brasileira ao flanco direito paraguaio. A manobra que a cavalaria brasileira procurava realizar consistia em cercar as unidade já debilitadas dos paraguaios. A aparição de unidades de cavalaria, logo seguida por outra, obrigou à cavalaria paraguaia a empreender fuga tentando alcançar o centro da linha paraguaia, porém a manobra não pode ser realizada a contento, foram cercados e

420 BARRETO, José de Almeida apud DUARTE, 1988, v.3, t. II, p.141. 421 REIS, Salustiano Jerônimo dos apud DUARTE, 1989, v.3, t. III, p.62. 422 BITTENCOURT, Jacinto Machado apud DUARTE, 1989, v.3, t. III, p.61.