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INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO BANCÁRIAS

TÓPICO 3 – INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA

3.2 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO BANCÁRIAS

No âmbito da intermediação financeira podemos também citar as instituições financeiras não bancárias. O BCB (2019f) coloca que as instituições não bancárias são opções para emprestadores e tomadores de empréstimos que buscam acesso a serviços financeiros.

De acordo com o BCB (2019f, p. 1), “são consideradas 'não bancárias' pois não recebem depósitos à vista, nem podem criar moeda (por meio de operações de crédito ). Elas operam com ativos não monetários como ações, CDB, títulos, letras de câmbio e debêntures” .

São exemplos de instituições não bancárias: os bancos de investimentos que atuam mais em médio e longo prazo e os bancos de desenvolvimento, sendo os mais conhecidos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os Bancos Regionais de Desenvolvimento (BRDE).

Os bancos de investimentos oferecem às empresas recursos relacionados ao financiamento de suas necessidades de capital fixo e de giro e em operações de maior escala, como financiamentos de bens de produção, intermediação na colocação de títulos de dívidas emitidos por empresas, entre outras (HOJI, 2012).

No caso dos bancos de desenvolvimento, o BNDES, responsável pela política de investimento de longo prazo do governo federal, é a principal instituição financeira de fomento no país (FORTUNA, 2017).

Vamos conhecer os objetivos básicos do BNDES? Por meio do uso de fundos e programas especiais de fomento, o BNDES objetiva: impulsionar o desenvolvimento econômico, fortalecer o setor empresarial nacional, amenizar os desequilíbrios regionais, promover a integração das atividades dos três grandes setores econômicos, agricultura, indústria e serviços e atuar na promoção do crescimento e diversificação das exportações (FORTUNA, 2017).

Os bancos regionais de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos estados e têm atuação focada no fornecimento de crédito de médio e longo prazo às empresas instituídas no próprio estado.

Você conheceu as principais instituições financeiras não bancárias, mas ainda podemos identificar no sistema financeiro outros intermediadores financeiros. Vamos conhecer a seguir.

4 DEMAIS INTERMEDIADORES FINANCEIROS

Segundo Hoji (2012), também apresentam papel de intermediadores financeiros as sociedades de arrendamento mercantil, as financeiras e as associações de poupança e empréstimos. Hillbrecht (1999) apresenta como outros

As sociedades de arrendamento mercantil realizam operações de leasing, e foram instituídas a partir do “reconhecimento de que o lucro de uma atividade produtiva pode advir da simples utilização de um equipamento e não de sua propriedade” (FORTUNA, 2017, p. 38). Segundo o autor, a operação de leasing pode ser comparada a uma locação, sendo que o cliente ao final do contrato poderá: renovar, adquirir o equipamento ou devolvê-lo à empresa. Os recursos financeiros das sociedades de arrendamento mercantil têm origem principalmente na captação de longo prazo por meio da emissão de debêntures.

DICAS

Debêntures são títulos da dívida pública privada, emitidas por empresas de capital aberto para captar recursos de médio e de longo prazo, e tem suas garantias no patrimônio da empresa que os emite (ASSAF NETO, 2009). Leia mais sobre o assunto em:

https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos07/600_artigo%20debentures.pdf.

Ainda sobre o arrendamento mercantil é importante destacar que existem duas modalidades de leasing, segundo Hoji (2012):

a) Leasing financeiro, regulamentado pelo Banco Central do Brasil, pelo qual a arrendatária paga prestações mensais pelo uso de um determinado bem.

b) Leasing operacional, pelo qual a arrendatária paga uma taxa de arrendamento periódica (semanal, mensal, trimestral etc.)

Hoji (2012) destaca que em ambas as opções, ao final do tempo de uso do equipamento, o bem poderá ser adquirido pela arrendatária, sedo que no caso do leasing operacional, a aquisição poderá ser realizada por um valor estabelecido previamente no contrato, denominado de valor residual garantido, e no caso do leasing operacional, a aquisição se dará de acordo com o preço de mercado.

De acordo com o BCB (2019, p. 1), as sociedades de arrendamento mercantil são fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil e realizem operações que podem ser caracterizadas como financiamento, porém “não são consideradas instituições financeiras, mas sim entidades equiparadas a instituições financeiras”.

As financeiras – Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) – são voltadas ao crédito direto ao consumidor (CDC) – ou na expressão popular, voltadas ao crediário – e têm a função de financiar bens de consumo duráveis (FORTUNA, 2017). As financeiras não são caracterizadas como bancos e não precisam necessariamente ser ligadas a bancos. Conforme o BCB (2019a), há financeiras que operam como apoio financeiro de grupos econômicos ligados ao comércio e à indústria, dentre as quais podemos citar as lojas de departamento e montadoras de veículos financiam seus próprios produtos. Ainda, por não serem bancos, os agentes não têm a opção de abrir uma conta-corrente em uma financeira.

As associações de poupança e empréstimos (APE) realizam financiamento imobiliário. De acordo com Fortuna (2017), são instituições sem fins lucrativos, criadas no âmbito da iniciativa de programas federais para a construção ou aquisição da casa própria pela população. Fortuna (2017) diz que atualmente no país existe apenas uma APE, a POUPEX, e é administrada pela Fundação Habitacional do Exército (FHE).

No tocante às bolsas de valores, tradicionalmente no Brasil temos:

• A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F),que negocia com commodities (tais como: dólar, milho, café e boi gordo).

• A Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), que negocia com ações.

Em 2008 ocorreu a fusão entre as duas instituições e originou a BM &

FBovespa. Em 2017 foi criada a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), resultado de uma nova fusão, dessa vez com a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (CETIP) (B3, 2019).

FIGURA 6 – BRASIL, BOLSA, BALCÃO (B3)

FONTE: <https://exame.abril.com.br/mercados/o-que-muda-com-a-b3-a-ex-bmfbovespacetip/>.

Acesso em: 28 maio 2019.

Como visto, cada instituição tem especificidades que variam de acordo com sua atuação e público-alvo, mas todas têm em comum o papel de auxiliar na intermediação no mercado financeiro.

Para finalizar este tópico, você já ouviu falar em Fintech? As Fintechs introduzem inovações e soluções no mercado financeiro. O Banco Central do Brasil traz a explicação sobre os objetivos e o funcionamento desta opção de intermediação financeira. Vamos conhecer um pouco mais sobre o tema.

LEITURA COMPLEMENTAR

FINTECHS

Fintechs são empresas que introduzem inovações nos mercados financeiros por meio do uso intenso de tecnologia, com potencial para criar novos modelos de negócios. Atuam por meio de plataformas on-line e oferecem serviços digitais inovadores relacionados ao setor.

No Brasil, há várias categorias de fintechs: de crédito, de pagamento, gestão financeira, empréstimo, investimento, financiamento, seguro, negociação de dívidas, câmbio e multisserviços.

Podem ser autorizadas a funcionar no país dois tipos de fintechs de crédito: para intermediação entre credores e devedores por meio de negociações realizadas em meio eletrônico – a Sociedade de Crédito Direto (SDC) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), cujas operações constarão do Sistema de Informações de Créditos (SCR).

Sociedade de Crédito Direto (SCD)

O modelo de negócio da SCD caracteriza-se pela realização de operações de crédito, por meio de plataforma eletrônica, com recursos próprios. Ou seja, esse tipo de instituição não pode fazer captação de recursos do público.

Seus potenciais clientes devem ser selecionados com base em critérios consistentes, verificáveis e transparentes, contemplando aspectos relevantes para avaliação do risco de crédito, como situação econômico-financeira, grau de endividamento, capacidade de geração de resultados ou de fluxos de caixa, pontualidade e atrasos nos pagamentos, setor de atividade econômica e limite de crédito.

Além de realizar operações de crédito, as SCD podem prestar os seguintes serviços: análise de crédito para terceiros; cobrança de crédito de terceiros;

distribuição de seguro relacionado com as operações por ela concedidas por meio de plataforma eletrônica e emissão de moeda eletrônica.

Sociedade de Empréstimo entre pessoas (SEP)

A SEP realiza operações de crédito entre pessoas, conhecidas no mercado como peer-to-peer lending. Nessas operações eletrônicas, a fintech se interpõe na relação entre credor e devedor, realizando uma clássica operação de intermediação financeira, pelos quais podem cobrar tarifas. Ao contrário da SCD, a SEP pode fazer captação de recursos do público, desde que eles estejam inteira e exclusivamente vinculados à operação de empréstimo.

Neste caso, a fintech atua apenas como intermediária dos contratos realizados entre os credores e os tomadores de crédito. Os recursos são de terceiros que apenas utilizam a infraestrutura proporcionada pela SEP para conectar credor e tomador. Nesse tipo de operação, a exposição de um credor, por SEP, deve ser de no máximo R$ 15 mil.

Adicionalmente, a SEP pode prestar outros serviços como análise e cobrança de crédito para clientes e terceiros, e emissão de moeda eletrônica.

Os potenciais destinatários dos empréstimos devem ser selecionados com base em critérios como situação econômico-financeira, grau de endividamento, setor de atividade econômica e pontualidade e atrasos nos pagamentos, entre outros.

Sociedade de Empréstimo entre pessoas (SEP) – Crédito

Benefícios das fintechs

• Aumento da eficiência e concorrência no mercado de crédito;

• Rapidez e celeridade nas transações;

• Diminuição da burocracia no acesso ao crédito;

• Criação de condições para redução do custo do crédito;

• Inovação;

• Acesso ao Sistema Financeiro Nacional.

O investidor procura a fintech e disponibiliza seu capital para empréstimo

A fintech conecta quem tem capital disponível com quem precisa

O cliente busca a fintech para solicitar crédito

Será possível fazer mais de um

empréstimo ao mesmo tempo, limitado a R$ 15 mil

por operação

Autorização

Para entrar em operação, as fintechs que quiserem operar como SCD ou SEP devem solicitar autorização ao Banco Central. Além de obter informações sobre os proprietários, o BCB precisa: comprovar a origem e da respectiva movimentação financeira dos recursos utilizados no empreendimento pelos controladores e verificar se há compatibilidade da capacidade econômico-financeira com o porte, a natureza e o objetivo do empreendimento.

No Brasil, as fintechs estão regulamentadas desde abril de 2018 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) – Resoluções nº 4.656 e nº 4657.

FONTE: <https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/fintechs>. Acesso em: 28 maio 2019.

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• A intermediação financeira está ligada à atividade de captação e alocação de recursos financeiros no mercado para poupadores e investidores, denominado de financiamento indireto.

• Os custos de transação em mercados financeiros estão relacionados ao tempo e ao dinheiro que se gasta para realizar as transações com ativos, bens ou serviços.

• Os intermediários financeiros ajudam a reduzir os custos de transação com o uso de caixas automáticos que facilitam os saques e pelo benefício de economia de escala pelo alto volume de transações.

• A seleção adversa se relaciona com a assimetria nas informações, antes que uma transação seja efetuada, que pode levar emprestadores a não disponibilizarem recursos no mercado pelo risco de que tomadores de empréstimos com maior probabilidade de se tornarem inadimplentes, por solicitarem empréstimos com certa regularidade, possam ser os agentes selecionados para receber os recursos.

• O risco moral também é um problema originado pela informação assimétrica e está relacionado a existência de risco, depois que a transação foi efetuada, de que os tomadores de empréstimos não obtenham o retorno esperado em suas atividades, na opinião do emprestador.

• As instituições financeiras bancárias auxiliam o Banco Central do Brasil (BCB) na intermediação da moeda no mercado.

• Os bancos comerciais e os bancos múltiplos se caracterizam como instituições financeiras que recebem depósitos de pessoas físicas e pessoas jurídicas e usam esses depósitos para fazer empréstimos, realizando operações financeiras de concessões de créditos.

• Outra vantagem a ser citada, de acordo com Monteiro e Silva (2014), é que os bancos comerciais também criam moeda, embora não em espécie.

• Os bancos comerciais e múltiplos podem criar moeda por meio dos depósitos à vista nas contas-correntes, é a moeda bancária, também conhecida como moeda escritural.

oferecendo às empresas, por exemplo, financiamento para capital fixo e de giro e em operações de maior escala, como financiamentos de bens de produção e intermediação na colocação de títulos de dívidas emitidos por empresas.

• Também apresentam papel de intermediadores financeiros as sociedades de arrendamento mercantil, que realizam operações de leasing, as financeiras, voltadas ao crédito direto ao consumidor e as associações de poupança e empréstimos, que realizam financiamento imobiliário.

1 Os bancos comerciais e múltiplos podem auxiliar o Banco Central do Brasil na criação de moeda, a denominada moeda bancária ou escritural. Analise atentamente as afirmativas a seguir.

I- Os depósitos à vista nos bancos comerciais.

II- Os empréstimos concedidos pelos bancos comerciais e múltiplos.

III- Transação de debêntures pelas instituições financeiras não bancárias.

IV- A transferência de fundos do emprestador ao tomador de empréstimo.

Agora, assinale a alternativa que apresenta o assunto relacionado à criação de moeda escritural:

a) ( ) I, apenas.

b) ( ) I e II.

c) ( ) I, II e III.

d) ( ) I, II e IV.

2 “Transações envolvem certo grau de incerteza. Um contrato pode não ser completamente eficiente quando um dos lados possui mais informação que o outro, surgindo assim, um problema de assimetria de informação. Há dois importantes problemas de assimetria de informação: Seleção adversa e Risco moral, que aparecem na relação Credor-Tomador”.

FONTE: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/10137>. Acesso em: 3 jun. 2019.

Com base no texto apresentado e nos estudos realizados, caracterize em até 10 linhas a seleção adversa e o risco moral, apresentando as semelhanças e as diferenças entre os dois problemas.

3 Hillbrecht (1999) afirmou que custos de transação em mercados financeiros estão relacionados ao tempo e ao dinheiro que se gasta para realizar as transações com ativos, bens ou serviços. Considerando os estudos realizados, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I- Os intermediários financeiros ajudam a reduzir custos financeiros.

PORQUE

II- Utilizam tecnologias como caixas automáticos que reduzem os custos relacionados a saques e obtêm benefício de economia de escala pelo grande volume de transações.

AUTOATIVIDADE

a) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

b) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.

c) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.

d) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.

TÓPICO 4

MERCADO MONETÁRIO

UNIDADE 2

1 INTRODUÇÃO

O mercado monetário minimiza o risco de liquidez no sistema financeiro ao viabilizar a comercialização de uma série de títulos com relativa atratividade para investidores em geral, com diversas modalidades de rendimentos e variados prazos.

Para a compreensão do tópico, estudaremos o objetivo do mercado monetário, que atua para executar a política monetária do Governo Federal e para isso utiliza o instrumento de compra e venda de títulos da dívida pública e a negociação dos títulos emitidos pelas instituições privadas.

Veremos que os principais papéis negociados no mercado monetário em termos de dívida pública são as Letras do Tesouro Nacional (LTN), Notas do Tesouro Nacional (NTN - F), Notas do Tesouro Nacional (NTN - B) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e os principais papéis negociados da dívida privada são os Certificados de Depósitos Interbancários (CDI), os Certificados de Depósito Bancário (CDB) e as debêntures.

E, por fim, trataremos os aspectos gerais do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e de forma complementar conheceremos a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (CETIP), que foram criados para dar sustentação às negociações dos títulos públicos e privados.

Assim, neste tópico caracterizaremos o mercado monetário, a partir de seus objetivos e dos principais papéis negociados. Também serão tratados conteúdos complementares que auxiliarão na compreensão do tema, tais como o Sistema Especial de Liquidação e Custódia e a Câmara de Custódia e Liquidação que tornam mais ágil a movimentação de títulos públicos e privados no mercado monetário e, por consequência, propiciam maior segurança ao Sistema Financeiro Nacional. Ao finalizar este estudo você deverá ser capaz de identificar os objetivos do mercado monetário.

2 OBJETIVOS DO MERCADO MONETÁRIO

O mercado monetário tem como objetivo executar a política monetária do Governo Federal por meio de compra e venda, pelo Banco Central, de títulos da dívida pública emitidos pelo Tesouro Nacional e a negociação dos títulos emitidos pelas instituições privadas (HILLBRECHT, 1999).

Mendes (2009, p. 185) diz que “o mercado monetário é como um mercado de bens e serviços, em que a mercadoria a ser negociada é a moeda, cujo valor a ser negociado é a taxa de juros (correspondente ao preço no mercado de bens e serviços), a qual depende da demanda (por moeda) e da oferta (de moeda)”. E o governo atua tanto sobre a demanda (indiretamente) como sobre a oferta da moeda (diretamente). Cabe salientar que a movimentação da moeda é realizada por meio da negociação dos títulos das dívidas pública e privada.

Podemos adicionar ao mercado monetário o objetivo de assegurar liquidez ao sistema financeiro, uma vez que comercializa uma série de títulos com relativa atratividade para investidores em geral, com diversas modalidades de rendimentos e prazos variados.

NOTA

Segundo Carvalho et al. (2015), ao estudar o mercado monetário podemos adicionar a abordagem do sistema monetário, que é o conjunto de instituições que pode criar meios de pagamentos: Banco Central do Brasil (BCB) que cria moeda manual e bancos comerciais e bancos múltiplos (que tem carteira comercial) que criam a moeda escritural.

Em suma, o mercado monetário viabiliza a comercialização de títulos, o que influencia na liquidez do mercado e produz efeitos sobre a política monetária.

A seguir, vamos estudar os principais papéis negociados no mercado monetário.

3 PRINCIPAIS PAPÉIS NEGOCIADOS

Dentre os papéis negociados no mercado monetário, podemos citar os títulos de dívida pública e os títulos de dívida privada (HOJI, 2012). Para falar de títulos da dívida pública, precisamos abordar o papel da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Tesouro Direto no contexto do mercado monetário.

A STN foi criada em 1986 pelo Ministério da Fazenda e atua no fortalecimento das finanças públicas do país. Em 1993, a STN assumiu as atividades de emissões de títulos da dívida pública, interna e externa e em 2002 foi lançado,

em parceria com a Bolsa de Mercadorias e Futuros Bovespa, o programa Tesouro Direto, instrumento de incentivo à formação de poupança que viabiliza a venda pela internet de títulos públicos a cidadãos (STN, 2019).

Segundo a STN (2019), os títulos da dívida pública podem ser divididos em:

QUADRO 5 – CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA

FONTE: STN (2019, p. 2)

Título Característica Observação

Letras do Tesouro Nacional

(LTN) Prefixado

(taxa contratada) Resgate único ao fim da aplicação.

Notas do Tesouro Nacional

(NTN - F) Prefixado

(taxa contratada) Pagamento de juros a cada seis meses e no vencimento.

Notas do Tesouro Nacional

(NTN - B) Pós-fixado

(IPCA + taxa contratada) Pagamento de juros a cada seis meses e no vencimento.

Letras Financeiras do Tesouro

(LFT) Pós-fixado

(Selic + taxa contratada) Resgate único ao fim da aplicação.

Os quatro títulos públicos descritos neste quadro estão entre os mais negociados pelo Tesouro Direto. Cabe reforçar que as operações com títulos públicos têm efeito sobre a política monetária e, por isso, além de serem utilizadas para incentivar a poupança, são utilizadas nas medidas de controle da oferta de moeda, ora para controlar inflação, ora para promover o crescimento econômico.

DICAS

Conheça o funcionamento do Tesouro Direto e entenda um pouco mais sobre os títulos públicos negociados. Acesse: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto.

Ainda, no tocante ao papel do mercado monetário na política monetária do país, Hoji (2012) destaca que:

a) Se o objetivo for reduzir liquidez no mercado financeiro, o Banco Central coloca títulos à venda. Neste caso, os compradores pagam em moeda, reduzindo a moeda em circulação.

b) Se o objetivo for aumentar a liquidez do mercado financeiro, o Banco Central resgata os títulos antes do vencimento, aumentando a moeda em circulação.

E quais são os exemplos de títulos emitidos pelas instituições privadas?

De acordo com Fortuna (2017), os mais negociados são:

• Os Certificado de Depósitos Interbancários (CDI): também conhecido como Depósito Interfinanceiro (DI), são títulos emitidos pelas instituições financeiras, restrito ao mercado interbancário, por isso sua função é transferir recurso de uma instituição para outra. Nas palavras de Fortuna (2017, p. 118): “[...] para que o sistema seja mais fluído, quem tem dinheiro sobrando, empresta para quem não tem”. Os títulos DI podem ser prefixados e negociados em prazos mais curtos, por exemplo, dentro de um mês; ou pós-fixados, com prazos mais longos, com prazos mínimos que variam de acordo com a especificidade do título.

• Os Certificados de Depósito Bancário (CDB): são títulos de dívida emitidos por bancos – comerciais, múltiplos, de investimento e de desenvolvimento – e podem ser adquiridos por investidores. Podem ser prefixados, com um investimento que apresenta o rendimento e o prazo definido no início da aplicação e podem ser pós-fixados, com a correção dos valores por uma taxa

• Os Certificados de Depósito Bancário (CDB): são títulos de dívida emitidos por bancos – comerciais, múltiplos, de investimento e de desenvolvimento – e podem ser adquiridos por investidores. Podem ser prefixados, com um investimento que apresenta o rendimento e o prazo definido no início da aplicação e podem ser pós-fixados, com a correção dos valores por uma taxa