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TÓPICO 3 – OFERTA DE MOEDA

4.2 POLÍTICA MONETÁRIA RESTRITIVA

A política monetária restritiva é realizada com vistas a conter a inflação e ocorre pela redução da oferta de moeda. Como visto, o BCB pode reduzir a oferta de moeda por meio de:

• aumento das taxas de redesconto;

• aumento das taxas de depósito compulsório;

• venda de títulos no mercado aberto.

Para melhor compreensão, vamos dar um exemplo. Suponha que, para conter um processo inflacionário, o BCB decida realizar uma política monetária restritiva e para isso utilizará o instrumento de venda de títulos públicos. O processo foi assim sintetizado por Mochón (2007, p. 207):

1- O banco central realiza operações no mercado aberto (venda de títulos públicos).

2- A venda de títulos pública reduz a oferta de moeda.

3- A redução da oferta de moeda leva ao aumento na taxa de juros.

4- O aumento da taxa de juros reduz os investimentos das empresas (custo do capital mais alto e consumo reduzido).

5- Reduz a demanda agregada.

6- Reduz a produção, o emprego e a renda.

7- Reduz o consumo (crédito mais caro e desemprego).

8- Reduz o nível geral de preços, ou seja, a inflação.

Nesses casos, com um volume menor de moeda em circulação o preço da moeda se eleva, ou seja, aumenta a taxa de juros básica da economia, a Selic.

Com juros mais altos, aumenta o custo de capital e as empresas produzem menos, geram menos empregos e renda, ou seja, desestimula a economia. Por outro lado, o crédito fica mais caro ao consumidor, que reduz a demanda por bens e serviços, desaquecendo a economia (MOCHÓN, 2007). O resultado é a redução da inflação.

Em suma, uma política monetária restritiva reduz a oferta monetária, provoca a alta na taxa de juros e contém a inflação.

IMPORTANTE

Para realizar as operações de mercado aberto, o Banco Central do Brasil (BCB) utiliza os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Para complementar o conteúdo e despertar a reflexão sobre o papel das autoridades monetárias no processo de controle da oferta de moeda, indicamos o texto de discussão intitulado O Banco Central deveria emitir títulos públicos?, de autoria de Mauricio Dias Leister, economista com atuação na Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Acesse a íntegra do texto em: http://sisweb.tesouro.gov.br/apex/cosis/monografias/obtem_

monografia/382.

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico, você aprendeu que:

• A política monetária tem por objetivo controlar a oferta de moeda e as taxas de juros no país com vistas a manter a estabilidade econômica e promover o crescimento econômico.

• Existem dois tipos de metas para atingir os objetivos de política monetária:

metas intermediárias – que se situam entre o operacional e o objetivo final da política monetária; e metas operacionais – que influenciam a meta intermediária escolhida.

• Para alcançar os objetivos e metas, o BCB utiliza três principais instrumentos: o redesconto, o depósito compulsório e as operações de mercado aberto.

• O redesconto é o instrumento pelo qual o BCB cobra uma taxa para emprestar dinheiro aos bancos comerciais.

• O depósito compulsório é o instrumento pelo qual o BCB exige uma taxa de reserva sobre todos os depósitos do sistema bancário.

• Com as operações de mercado aberto, o BCB opera a compra e venda de títulos públicos.

• A política monetária expansiva tem por objetivo estimular a economia através da redução das taxas de juros e pode usar os instrumentos a partir da redução da taxa de redesconto, da taxa do depósito compulsório e pela compra de títulos públicos.

• A política monetária restritiva tem por objetivo conter a inflação através do aumento das taxas de juros e pode usar os instrumentos a partir do aumento da taxa de redesconto, da taxa do depósito compulsório e pela venda de títulos públicos.

AUTOATIVIDADE

1 Segundo Carvalho et al. (2015, p. 178), na condução da política monetária podem ser traçadas metas intermediárias e metas operacionais: “As metas intermediárias estão entre as metas finais de política e as ações do Banco Central através de seus instrumentos de política. [...] Já as metas operacionais referem-se àquelas variáveis que são de resultado direto da operacionalização de um instrumento de política monetária”.

FONTE: CARVALHO, Fernando J. Cardim et al. Economia monetária e financeira: teoria e política. 3. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para falsas:

( ) As metas intermediárias estão relacionadas às taxas de juros de longo prazo.

( ) As metas operacionais podem ser alcançadas por meio das operações de mercado aberto.

( ) Dentre as metas intermediárias encontra-se o controle das reservas bancárias agregadas.

( ) Dentre as metas operacionais pode-se verificar a determinação das taxas de juros básica de curto prazo.

A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

a) ( ) V, F, V, F.

b) ( ) V, V, F, V.

c) ( ) F, V, V, F.

d) ( ) V, F, F, V.

e) ( ) F, V, F, V.

2 As operações de mercado aberto são consideradas o mais ágil instrumento da política monetária do Banco Central do Brasil (BCB) e ocorrem por meio da comercialização dos títulos públicos. Considerando o tema, analise atentamente as afirmativas a seguir.

I- A venda de título público é uma operação que age sobre o aumento da oferta de moeda.

II- A operação de venda de títulos públicos influencia o aumento das taxas de juros.

III- A operação de recompra de títulos públicos influencia a redução das taxas de juros.

IV- A recompra de título público pode ser utilizada para reduzir a quantidade de moeda em circulação.

a) ( ) I, apenas.

b) ( ) II, apenas.

c) ( ) II e III.

d) ( ) III e IV.

3 No caso da existência de um alto nível de inflação, o governo pode promover uma redução da demanda agregada através da elevação da taxa básica de juros da economia. Identifique a seguir a alternativa que apresenta a respectiva política monetária aplicada neste caso:

a) ( ) Política monetária restritiva com a venda de títulos públicos.

b) ( ) Política monetária expansiva com a compra de títulos públicos.

c) ( ) Política monetária expansiva com a redução das taxas de redesconto.

d) ( ) Política monetária restritiva com a redução do depósito compulsório.

UNIDADE 2 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

PLANO DE ESTUDOS

A partir desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer a estrutura do sistema financeiro nacional;

• compreender o funcionamento do sistema financeiro nacional;

• compreender as funções do Banco Central do Brasil;

• conhecer as demais instituições de mediação financeira;

• identificar os objetivos do mercado monetário;

• analisar a intermediação dos recursos financeiros no mercado.

Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL TÓPICO 2 – A FUNÇÃO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL

TÓPICO 3 – INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA TÓPICO 4 – MERCADO MONETÁRIO

TÓPICO 1

CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

UNIDADE 2

1 INTRODUÇÃO

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem um papel central na política monetária brasileira, visto que desempenha a função de intermediar poupadores e investidores no mercado. Por um lado, essa intermediação permite potencializar a produção de bens e serviços pelas empresas, e por outro, permite aos consumidores antecipar ou postergar a aquisição de bens e serviços, de acordo com sua necessidade.

O SFN é composto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo o órgão máximo do SFN o Conselho Monetário Nacional (CMN).

O CMN tem como missão definir as diretrizes de funcionamento do sistema financeiro nacional e formular toda a política de moeda e crédito da economia, por isso, destacaremos seu objetivo e suas funções.

Para a compreensão do tópico, iniciaremos com os estudos da estrutura do sistema financeiro nacional, que é composta pelos mercados: monetário, de crédito, de capitais e de câmbio. Apresentaremos aspectos básico do funcionamento do SFN, cujos serviços prestados aos poupadores e investidores são três: compartilhamento de risco, liquidez e informação.

E por fim, trataremos os principais aspectos da regulamentação do sistema financeiro que tem por objetivo aumentar a informação disponível aos investidores, garantir o adequado funcionamento do sistema financeiro e melhorar o controle sobre a oferta de moeda.

Assim, neste tópico caracterizaremos o sistema financeiro nacional, com destaque para o papel do Conselho Monetário Nacional. Também serão tratados conteúdos complementares que auxiliarão na compreensão do tema, tais como a estrutura, o funcionamento e a regulamentação do SFN. Ao finalizar este estudo você deverá ser capaz de conhecer a estrutura e compreender o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.

2 ESTRUTURA

Com o aumento do uso da moeda nas transações e com fim especulativo, surgiu a necessidade de organizar o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O SFN por meio de mercados específicos, viabiliza as necessidades de transações financeiras das empresas, do setor público, das famílias, das próprias instituições financeiras, enfim dos poupadores e investidores em geral.

Carvalho et al. (2015, p. 212, grifos dos autores) apresentam uma conceituação para sistema financeiro:

[...] constituem-se de instituições e mercados voltados para a viabilização de transações com promessas de pagamento a ser realizado no futuro, feito por agentes, que se tornam assim devedores; e aceitas por outros agentes, como direitos a serem exercidos na mesma data, tornando-os com isto credores dos primeiros.

As relações financeiras oriundas dessa interação “são estabelecidas sempre que um agente econômico é capaz de transferir o comando sobre recursos para terceiros, contra o reconhecimento de uma obrigação (e de seu serviço) por parte do beneficiário”, ou seja, viabiliza a aproximação de quem tem renda e de quem vai utilizá-la para investimentos no setor produtivo (CARVALHO et al., 2015, p. 212, grifo dos autores). A partir desse ínterim, se amplia o sistema financeiro nacional.

Vamos ao estudo da sua estrutura.

Podemos perceber quatro grupos na estrutura do Sistema Financeiro Nacional (HILLBRECHT, 1999). O Quadro 1 resume esta estrutura.

QUADRO 1: ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Estrutura Caracterização

Mercado monetário Executa a política monetária do Governo Federal por meio de compra e venda de títulos da dívida pública e a negociação dos títulos emitidos pelas instituições privadas.

Mercado de crédito Supre as necessidades de caixa de curto e médio prazos das pessoas físicas e jurídicas.

Mercado de capitais Financia as atividades produtivas e o capital de giro das empresas.

Mercado cambial Negocia as moedas internacionais conversíveis pelas instituições credenciadas pelo Banco Central.

FONTE: Adaptado em Hillbrecht (1999) e BCB (2019a)

No mercado monetário, podemos citar como exemplos de títulos da dívida pública, as Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional (NTN) e como exemplos de títulos emitidos pelas instituições privadas, os Certificado de Depósitos Interbancários (CDI), os Certificados de Depósito Bancário (CDB) e as debêntures. Destaca-se que esse mercado opera no curto e no curtíssimo prazo. Em função da importância deste

NOTA

Você já ouviu falar em títulos públicos? São ativos de renda fixa, emitidos pelo governo federal com vistas à captação de recursos para financiar a dívida pública e atividades governamentais, tais como: segurança pública, educação, saúde e infraestrutura (STN, 2019).

No mercado de crédito, os esforços são direcionados para suprir as necessidades de capital de giro das empresas e as necessidades de financiamento de bens e serviços pelos consumidores. O mesmo esforço ocorre no mercado de capitais. Em BCB (2019a, p. 2) temos conceitualmente que mercado de capitais

“é o mercado que permite às empresas em geral captar recursos de terceiros e, portanto, compartilhar os ganhos e os riscos”.

Salientamos que, no caso do mercado de crédito, o financiamento de capital de giro das empresas e bens e serviços são concedidos por bancos comerciais e múltiplos, bancos de investimento, e sociedades de crédito, de financiamento e de investimento. No caso do mercado de capitais, o financiamento de capital de giro das empresas e bens e serviços são concedidos por meio de instrumentos de financiamento como: ações e títulos de crédito (debêntures e comercial papers), que são negociados no mercado primário e no mercado secundário.

DICAS

Os conceitos de mercado primário e mercado secundário são importantes para a compreensão da movimentação dos títulos no sistema financeiro. Mercados primários são aqueles que realizam a primeira operação de compra de um título. Já os mercados secundários são aqueles que possibilitam a negociação contínua desses títulos, posteriores a primeira compra (CARVALHO et al., 2015). Para saber mais acesse:

http://www.investidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/funcionamento_mercado/mercado_

primario.html.

No mercado cambial, entre as moedas negociadas, podemos destacar: o dólar dos Estados Unidos, o iene do Japão, o euro da União Europeia, a libra esterlina da Grã-Bretanha e o franco da Suíça.

Dessa forma, temos o Sistema Financeiro Nacional para fins de viabilizar a circulação da moeda no mercado com a maior liquidez possível. A seguir, vamos conhecer aspectos básicos do funcionamento do sistema financeiro nacional.

3 FUNCIONAMENTO

Você já parou para pensar quais serviços o sistema financeiro presta para a economia? Vamos entender. Hillbrecht (1999, p. 19) diz que o objetivo primordial do sistema financeiro é “[...] transferir fundos de poupadores, cuja renda é maior do que sua disposição em gastar, para aqueles que gostariam de gastar mais do que sua renda e têm boas oportunidades de investimento produtivo”.

IMPORTANTE

Carvalho et al. (2015) destacam a importância do sistema financeiro na ação reguladora que permite que os agentes tenham informações para realizar uma operação mais eficiente de mercado. A regulação pode ser efetivada por meio das leis ou por meio das instituições especializadas como o Banco Central do Brasil (BCB).

A transferência de recursos citada por Hillbrecht (1999) pode ser realizada de duas formas:

• Direta: por meio da atuação dos mercados financeiros, no qual o tomador de empréstimo negocia diretamente com quem empresta. Para essa negociação são utilizados instrumentos financeiros, que têm a característica de ser assegurados pela promessa de pagamento futuro baseado na renda futura ou nos ativos de quem toma empréstimo.

• Indireta: por meio das instituições financeiras, no qual o tomador de empréstimo negocia com intermediários, tais como bancos comerciais, factorings, seguradoras, fundos de investimentos, dentre outros.

Quando tratamos de mercado financeiro, dois termos bastante utilizados são: empréstimos e financiamentos. Vamos conhecer a diferença entre estes dois termos observando quadro a seguir:

ATENCAO

QUADRO 2 – DIFERENÇA ENTRE EMPRÉSTIMO E FINANCIAMENTO Saiba a diferença entre empréstimo e financiamento

Empréstimo Financiamento

O dinheiro recebido não tem destinação obrigatória

O dinheiro recebido está vinculado à aquisição de determinação bem ou serviço, como, por exemplo,

a aquisição de um veículo ou equipamentos FONTE: BCB (2019, p. 1)

Os serviços prestados pelo sistema financeiro aos poupadores e investidores são três: compartilhamento de risco, liquidez e informação (HILLBRECHT, 1999).

Vamos entender:

• Compartilhamento de risco: ao possibilitar aos poupadores diversificarem o portfólio de ativos.

• Liquidez: ao possibilitar a troca de um ativo por outro com maior facilidade.

• Informação: ao possibilitar que os poupadores acompanhem a situação de liquidez dos ativos de seus portfólios.

NOTA

Portfólio na linguagem financeira é uma carteira diversificada de ativos, sendo que, de acordo com Assaf Neto (2009), a teoria do portfólio está relacionada com a composição de uma carteira de ativos (diversificação), com a finalidade de minimizar a relação risco/

retorno para o investidor. Um portfólio pode ser composto, por exemplo, por ações, títulos de renda fixa (títulos da dívida pública ou privada) e commodities. A escolha dependerá do estudo das melhores opções e da maior ou menor propensão ao risco do investidor.

Hillbrecht (1999) apresenta um exemplo ilustrativo dos serviços prestados pelo sistema financeiro: vamos supor que João tenha um valor poupado e queira comprar ações. João analisa as ações de duas empresas:

a) A primeira empresa rende 15% quando a economia está em expansão, nesse caso, na metade do tempo. E rende 5% quando a economia está em recessão.

b) A segunda empresa rende 15% quando a economia está em recessão e 5%

quando a economia está em expansão.

Supondo que João invista em apenas uma das empresas, seu retorno médio será de 10% (média entre 5% e 15% a cada metade de tempo). Como o cenário econômico é apenas uma previsão, o rendimento é incerto e João se expõe a riscos. A opção para minimizar o risco seria então diversificar seu portfólio, aplicando 50% de seus recursos em cada uma das empresas e assim obter 10% de retorno, independentemente da recessão ou da expansão econômica.

No tocante à liquidez, que refere-se à facilidade de trocar um ativo por outro, ou trocar um ativo por bens e serviços, os intermediários financeiros permitem essa facilidade ao orientar a aplicação em portfólios mais líquidos.

Com relação à informação, o sistema financeiro presta serviços de produção e disseminação de informações que subsidiam a tomada de decisão.

Por exemplo, saber o que os possíveis tomadores de empréstimos farão com os recursos adquiridos, e se terão capacidade de pagar o empréstimo, pois a inadimplência é um risco para os emprestadores (poupadores). Hillbrecht (1999, p. 21, grifo do original) assinala que:

Toda vez que um tomador de empréstimo possui uma informação relevante que não seja do conhecimento do poupador, surge o problema de informação assimétrica. Nesse caso, uma das partes (o poupador) não tem a informação necessária para tomar uma decisão correta e a transferências dos fundos pode não se efetuar.

Ao produzir e disseminar as informações, o sistema financeiro auxilia a superar essa dificuldade e a reduzir o problema de informação assimétrica no sentido de garantir que os fundos sejam transferidos e canalizados para tomadores de empréstimos com as melhores oportunidades de investimento.

DICAS

Para auxiliar os mercados financeiros, podemos destacar o papel da bolsa de valores. Podemos considerar como principal razão para a existência da bolsa de valores a capacidade de proporcionar liquidez aos títulos financeiros, reduzindo o tempo de realização das negociações e compatibilizando os preços de acordo com a oferta e a demanda. No Brasil, a principal bolsa é a BMF & Bovespa – Bolsa de Mercadorias e Contratos Futuros do Brasil & Bolsa de Valores de São Paulo, que atuam juntas desde 2008. Para acompanhar o mercado financeiro você pode acessar o site da Bovespa. Disponível em: http://www.

bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br.

Cabe destacar o trabalho do Banco Central do Brasil no sentido de aumentar a concorrência no setor financeiro. Segundo o Banco Central do Brasil:

A concentração observada no setor bancário brasileiro não é muito diferente da concentração observada em outros setores da economia.

Em setores como o Sistema Financeiro Nacional, onde o modelo de negócios é naturalmente beneficiado por ganhos de escala (o custo da atividade cai mais que proporcionalmente ao aumento do tamanho) é comum a presença de pequeno número de grandes empresas (BCB, 2019a, p. 2).

Da mesma forma que em outros setores da economia, quanto maior a concorrência, mais eficiência pode ser alcançada pelo setor e consequentemente os preços dos produtos financeiros tendem a ser mais acessíveis à população. O BCB (2019a) exemplifica que: quanto maior a concorrência na oferta de crédito, menor tende a ser a taxa de juros cobrada nessas operações.

Portanto, o sistema financeiro funciona para permitir a facilitação entre poupadores e investidores e para que os preços dos produtos financeiros sejam concorrenciais. Para que a facilitação transcorra de forma ordenada é necessário regulamentar o funcionamento, tema que veremos a seguir.

4 REGULAMENTAÇÃO

Você sabia que o sistema financeiro é um dos setores mais regulamentados do mundo? Vamos conhecer os principais aspectos da regulamentação. Segundo Hillbrecht (1999), os três os principais motivos para a regulamentação do sistema financeiro são:

1- Aumentar a informação disponível aos investidores.

2- Garantir o adequado funcionamento do sistema financeiro.

3- Melhorar o controle sobre a oferta de moeda.

Segundo Carvalho et al. (2015), os principais órgãos regulamentadores que compõem o Sistema Financeiro Nacional (SFN) são: Conselho Monetário Nacional (CMN), Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O órgão máximo do SFN é o Conselho Monetário Nacional (CMN). Vamos conhecer sua missão e objetivo.

A missão normativa básica do Conselho Monetário Nacional (CMN) é definir as diretrizes de funcionamento do sistema financeiro nacional e formular toda a política de moeda e crédito da economia, com o objetivo de atender a seus interesses econômicos e sociais (BCB, 2019). De forma mais específica, dentre as funções do CMN, pode-se citar:

- Adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia;

- Regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos;

- Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras;

- Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros;

- Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;

- Coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa (BCB, 2019, p. 1).

Vamos conhecer as instituições normativas que se vinculam ao CMN na figura a seguir:

FIGURA 1 – INSTITUIÇÕES NORMATIVAS E SUPERVISORAS VINCULADAS AO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

FONTE: Adaptado de BCB (2019a, p. 1)

Nesta figura temos o CMN que, como órgão normativo, determina regras gerais para o funcionamento do SFN. Temos ainda o BCB e a CVM que, como órgãos supervisores, “trabalham para que os cidadãos e os integrantes do sistema financeiro sigam as regras definidas pelos órgãos normativos” (BCB, 2019a, p. 1).

Nesta figura temos o CMN que, como órgão normativo, determina regras gerais para o funcionamento do SFN. Temos ainda o BCB e a CVM que, como órgãos supervisores, “trabalham para que os cidadãos e os integrantes do sistema financeiro sigam as regras definidas pelos órgãos normativos” (BCB, 2019a, p. 1).