4 CONVERGÊNCIA DOS MEIOS
4.6 ERGONOMIA INFORMACIONAL E MULTIMIDIALIDADE
Em nossas observações acerca dos subcampos de investigação da Ergonomia que pensamos contribuir para este estudo, nos detivemos particularmente na abordagem da Ergonomia Informacional (EI) e levantamos algumas reflexões colhidas em artigos científicos e demais publicações que julgamos pertinentes. Nossa leitura chegou em alguns pontos de convergência que consideramos levantar discussão. O primeiro deles é quanto à natureza da EI, bem como o de suas atribuições. Como defendido por Santos e Fialho (1997) e também por Melo, Cursino e Villarouco (apud CAVALCANTI e SOUZA), entre outros pesquisadores – cada um acrescentando ou suprimindo apenas algum elemento dentre os muitos outros que demonstram afinidade –, essa subdivisão aborda parâmetros que são próprios também da linguagem verbal/visual, dela emprestando alguns requisitos, tais como: legibilidade, visibilidade, leiturabilidade, compreensibilidade, orientabilidade, componentes sígnicos, compatibilização e consistência, quantificação da informação, priorização, ordenação e padronização, etc.
Como defendem Silva e Silva (p. 6, 2010), a ergonomia informacional pode ser entendida como a disciplina que se detém sobre o “arranjo dos dispositivos de sinalização, informação e comando, com vistas a otimizar as condições de percepção do trabalhador, visando a preservação da segurança da pessoa”. E prosseguem lembrando a incidência cada vez maior da utilização
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de produtos e sistemas complexos por todos e que tal evolução acaba demandando ações que derivam diretamente e em função de ações como receber, processar e agir a partir dessas informações acessadas. A seu ver, as interações proporcionadas “podem ser esquematicamente descritas no modelo homem-máquina” (SILVA E SILVA, 2010, p. 37). Neste modelo, o homem receberia as informações da máquina e atuaria sobre ela acionando um dispositivo de controle que seja.
As autoras concluem que a informação, dessa maneira, estaria inteiramente relacionada à ergonomia. O raciocínio parte do princípio que ela, a informação, figura como um qualificador da consciência do indivíduo e de seu grupo social e para isso citam Moraes (2002). Defendem que o fluxo do conhecimento acaba por estar completo ou se realiza com a assimilação da informação através do usuário que está na posição de destino final do acontecimento do fenômeno da informação, criado a partir de “linguagem iconográfica e verbal, famílias tipográficas; avisos e advertências, documentos, manuais de instrução e sistemas de sinalização” (IDEM, p. 59).
Tal raciocínio é concluído tendo como base a importância da visão para a captação de informação, a partir do ponto de vista da percepção, instalada num mesmo período de tempo e com uma quantidade de informações que é enorme, exigindo que essa disposição seja a mais adequada possível, a fim de que os olhos do usuário-alvo tenham uma maior capacidade de percebê-las, inicialmente, e assimilá-las, posteriormente.
Ora, refletimos que, numa revista digital acessada a partir de um dispositivo móvel, temos que levar também em consideração o simples fato que esses elementos descritos acima ainda são influenciados por outras características potenciais, tais como a incidência de luminosidade, o ajuste de tamanho de fontes e demais elementos que são permitidos dentro do dispositivo, a funcionalidade e o tempo de resposta a partir do toque do usuário, o direcionamento do tablet e sua orientação quando esteja em utilização vertical ou horizontal segundo o eixo, além do próprio peso do aparelho em si a interferir na experiência e, sobretudo, no desempenho da tarefa de leitura desenvolvida.
Não obstante, além das características descritas acima, ainda há uma outra série de variáveis a serem levadas em consideração, tais como a
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natureza da fonte tipográfica escolhida e a sua dimensão inicial, o espaço utilizado entre as linhas do texto, a utilização de recursos de caixa alta e baixa, seja nos títulos, intertítulos ou no corpo normal do texto, recursos tais como o itálico ou negrito, o tamanho das colunas e o alinhamento do texto. Aliados a estes tópicos, há que se considerar também o nível de facilidade ou dificuldade com que esses elementos podem ser reconhecidos pelos usuários num modelo que seja considerado coerente, ao que chamamos de legibilidade. A própria visibilidade também é parte importante nesse processo, pois prevê que a qualidade visual de um caractere ou símbolo disposto nesse produto possa ser suficiente para que se torne possível a sua distinção visual do suporte no qual ele está ancorado ou ainda no seu entorno.
Completam os pontos a serem observados o que a maioria dos autores entende por leiturabilidade, ou seja, o teor de reconhecimento das informações grafadas em texto quando estas estão dispostas em configurações que se façam significativas, tais como palavras, frases, orações, sentenças e/ou textos contínuos. Interessante acrescentar que há também os autores que defendam a leiturabilidade de imagens, ao que chamam de multimidialidade ou características multimodais. Assim, a compreensibilidade também torna-se um ponto importante pois diz respeito ao entendimento correto que o usuário faz do significado pretendido ao uso do símbolo e consequente sapiência da informação. Por fim, a orientabilidade, produzindo uma sequência lógica das mensagens, uma ordem de acesso.
Apresentados os principais elementos a observar, acrescentamos que, para uma seção específica voltada à Ergonomia Informacional dentro da análise gráfica deste presente estudo, utilizaremos, assim como Spinillo et al apud Waarde (2010), um protocolo que se baseia no que eles chamam de três níveis: a) componentes gráficos (verbais, pictóricos, esquemáticos e compostos); b) relações entre componentes gráficos (proximidade, similaridade, proeminência, sequência); e c) apresentação gráfica global (consistência, características físicas, estética).
Levando em consideração que nosso objeto de estudo está inserido num campo de posicionamento que dialoga com uma série de interseções, consideramos que qualquer tentativa de associação que se vá fazer, implicará na escolha de determinadas particularidades e funcionalidades a estudar que
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acabará gerando detrimento em relação a outras. Sendo assim, pontuamos que, assim como anteriormente utilizado por Melo, Cursino e Villarouco (2007), na tentativa de estabelecer algum tipo de metodologia que lhes fosse favorável, na nossa abordagem, nos valemos de uma análise que remeta à Metodologia Ergonômica do Sistema Humano-Tarefa-Máquina (Moraes e Mont’alvão), compreendendo os cinco tópicos apresentados considerados imprescindíveis nesse processo:
a) apreciação ergonômica (fase na qual a observação se fundamenta no levantamento da disposição das mensagens visuais, buscando verificar a existência de algum elemento que possa interferir de algum modo na transmissão efetiva da informação desejada);
b) diagnose ergonômica (consistindo na observação da padronização, com a presença de elementos simbólicos e também a partir da busca de características como compreensibilidade e visibilidade, entre outros);
c) projetação ergonômica (estabelecimento de necessidades da tarefa, construção de esquemas e parâmetros de campo de visão e área acional, desenvolvimento de projeto ergonômico);
d) avaliação, validação e/ou testes ergonômicos (após a construção de modelo teste, preparação de requisitos para teste, ratificação ou retificação do projeto); e
e) detalhamento ergonômico e otimização (sugestão efetiva de soluções a partir dos dados levantados e resultados obtidos para melhor compreensão da informação).
Consideramos, a partir da realização dessa observação preliminar que apresentamos aqui, que tal linha de abordagem ergonômica encontra uma aproximação tal com o modelo proposto por Rodriguez Bravo e desenvolvido por Waechter (2004 e 2010) e a ser melhor detalhado nos capítulos seguintes, dos procedimentos metodológicos e da análise do corpus. Como adiantamento, deve-se perceber que a fase de apreciação ergonômica seria contemplada durante a realização dos passos de “identificação, contexto de processo de
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comunicação, recorte experimental, composição de amostra e de sujeitos”; a diagnose ergonômica seria observada durante os procedimentos de “identificação de problemas”; a projetação ergonômica, na “composição de amostras com variáveis manipuladas”; a fase de avaliação, validação e/ou testes ergonômicos seria observada na “composição de grupos de sujeitos, com teste experimental”; e, por fim, o detalhamento ergonômico ocorreria durante as etapas de “verificação de soluções e identificação das soluções”.
Vale salientar, no entanto, que a análise ergonômica configura-se neste trabalho como apenas uma etapa em busca de respostas quando ocorrer o confronto com os usuários e, sobretudo, que foi utilizada como experimento para a produção paralela de protótipos como fruto da reflexão teórica deste trabalho (melhores exemplicados no apêndice deste documento). Nossa investigação maior tem sua base na discussão total do modelo supracitado (Bravo e Waechter) adaptando-o a configuração das mensagens veiculadas em revistas nos dispositivos móveis (daí a importância do acompanhamento no tablet da disposição dessas mensagens) e no seu conseqüente impacto diante dos leitores que com elas entram em contato.
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