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CAPÍTULO V: Objetivos, Instrumentos, Seleção e Caraterização da Amostra

5.2. Apresentação dos Instrumentos

5.2.3. Escala de Ajustamento Diádico (DAS) [Spanier, 1976]

Como vimos, nesta etapa de vida os casais confrontam-se com inúmeros desafios pela entrada de um terceiro elemento na díade, ora este facto comporta um conjunto de exigências específicas às quais o casal deve dar resposta quer por meio da negociação, da ligação a outros contextos da vida, como a família, os amigos, o lazer, a profissão e outros. A dimensão conjugal complexifica-se e torna-se o estudo da conjugalidade especialmente relevante. Optou-se, no presente estudo, pela utilização da Dyadic Adjustment Scale para avaliar precisamente o nível de ajustamento global sendo esta uma escala amplamente usada na literatura (Belsky, Lang, & Rovine, 1985; Burchinal et al., 1999; Hidalgo & Menendez 2003; Huston & Vangelisti, 1995; MacDermid, et al., 1990; Schulz et al., 2006). Esta escala foi adaptada para inúmeras línguas e culturas e tem vindo a ser amplamente utilizada quer na investigação quer em contextos clínicos (Shek, 1995; Touliatos, Perimutter & Straus, 2001).

A Dyadic Adjustment Scale foi um instrumento criado por Spanier em 1976 para medir os componentes do ajustamento conjugal. A escala é composta por dimensões distintas que compõem o ajustamento conjugal: (a) consenso sobre assuntos de importância para o funcionamento conjugal, (b) satisfação diádica, (c) coesão diádica, e (d) expressão afetiva. Spanier (1976) concluiu que a escala poderia ser usada como uma medida geral de ajustamento conjugal, ou as subescalas específicas poderiam ser utilizadas de forma independente, sem

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149 perder a confiabilidade ou a validade de medida. Desde a sua publicação que a escala se tornou um dos instrumentos de medida mais utilizados na investigação da família (Crane, Busby & Larson 1990; Spanier & Cole, 1975). A DAS é composta por 32 itens que procuram aferir a perceção do ajustamento global do relacionamento do casal (Spanier, 1976). O instrumento avalia não só o grau de ajustamento de cada um dos parceiros no relacionamento conjugal como mede ainda o modo como cada um dos cônjuges se encontra simultaneamente comprometido na continuidade do relacionamento (Ulbrich, Coyle & Llabre, 1990).

Apesar do presente questionário remontar a 1976 e das críticas generalizadas em torno da discussão do constructo de ajustamento conjugal, pode verificar-se que o instrumento foi utilizado em mais de 1000 pesquisas até ao momento (Busby, Crane, Larson & Christensen, 1995; Carey, Spector, Lantinga, & Krauss, 1993; Graham, Liu & Jeziorski, 2006; Treboux, Crowell, & Waters, 2004). Para além da sua popularidade internacional não apenas no contexto da investigação mas também ao nível clínico, ele é considerado muito fiável e consistente e altamente relevante ainda hoje na pesquisa com casais (Dinkel & Balck, 2006; Hunsley, Best, Lefebvre & Vito, 2001; Shek,1995; Touliatos et al., 2001). A evidência do conteúdo que o instrumento sugere ao nível do critério e validade do constructo traduz-se na elevada confiabilidade relatada desta escala.

A primeira análise fatorial confirmatória da DAS realizada por Spanier e Thompson (1982), para quatro fatores, explica 94% da covariância entre os itens, confirmando a proposta original. O coeficiente Alpha de Cronbach para a escala total foi de 0, 91. Spanier revelou ainda que os valores da correlação com os resultados do Marital Adjustment Test (MAT; Locke & Wallace, 1959) variavam entre.86 e .88. A DAS relaciona-se ainda fortemente com outras medidas concorrentes para além da MAT (Fisiloglu & Demir, 2000; Kurdek, 1992; Rossier, Rigozzi, Charvoz & Bodenmann, 2006), permitindo aceder e avaliar corretamente casais com e sem dificuldades de ajustamento (Busby et

al., 1995; Crane et al., 1991).

O instrumento acessa à perceção que os cônjuges têm da qualidade do relacionamento através de 32 itens, 30 dos quais em escalas de seis pontos, 2

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itens com respostas “sim” e “não” (Fredman & Sherman, 1987). Contém, como referido, quatro subescalas: satisfação, coesão, consenso e expressão afetiva. A subescala Consenso diádico avalia a perceção do nível de concordância do casal sobre uma variedade de questões básicas da relação constantes em 15 itens, sendo elas: lidar com as finanças familiares; temáticas de lazer; assuntos religiosos; amizades; convencionalidade; filosofia de vida; formas de relacionamento com a família alargada; metas, objetivos e temas considerados importantes; tempo passado em conjunto; tomada de decisões importantes; tarefas domésticas; atividades e interesses nos tempos de lazer; e, finalmente, decisões profissionais.

A subescala Satisfação diádica mede a perceção das questões relativas à satisfação na relação. É constituída por 10 itens, a saber: “com que frequência discute ou considerou divorciar-se, separar-se, ou terminar a sua relação?; Com que frequência você ou o/a seu/sua parceiro/a saem de casa depois de uma disputa?; Em geral, quantas vezes pensa que as coisas entre si e o/a seu/sua parceiro/a estão a correr bem?; Confia no/a seu/sua parceiro/a?; Alguma vez se arrepende de ter casado?; Com que frequência você e o seu parceiro discordam?; Com que frequência você ou o/a seu/sua parceiro/a se deixam “com os nervos à flôr da pele?; Você beija o/a seu/sua parceiro/a”; Finalmente é pedido que se avalie o quanto se está feliz com o relacionamento, numa escala que vai desde extremamente infeliz a perfeito, e os seus sentimentos acerca do futuro da relação, numa escala desde “querer que a relação tenha sucesso a qualquer custo” até “esta relação nunca vai ter sucesso”.

A subescala Coesão diádica toca na questão da partilha emocional do casal, e é constituída pelos 5 itens seguintes: Você e o/a seu/sua companheiro/a envolvem-se conjuntamente em interesses externos? Têm uma troca estimulante de ideias; Riem juntos; Discutem os assuntos calmamente; Trabalham juntos num projeto”.

Finalmente a subescala Expressão diádica de afeto mede a perceção da concordância dos membros do casal, em 4 itens, sobre as demonstrações de afeto, as relações sexuais, o estar demasiado cansado/a para ter sexo, não demonstrar amor.

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5.2.4. Escala de Dimensões da Intimidade (EDI) – [Crespo, Narciso,