4 PADRÕES DE CONSUMO DE EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS DAS
4.1 METODOLOGIA 120
4.2.7 Escala de sustentabilidade 163
Este item objetiva verificar o grau de sustentabilidade das práticas de consumo dos EEE das empresas instaladas no Porto Digital. A sustentabilidade é medida por meio de uma escala de 0 a 100, sendo 100 a nota máxima que expressa o grau ideal de comportamento das empresas. Nos parágrafos a seguir serão apresentados os perfis geral e específicos de compra, uso e destinação, considerando-se os seguintes parâmetros apontados nos quadros 15, 16 e 17:
Quadro 15: Parâmetros de compra utilizados para classificar o grau de sustentabilidade das práticas de consumo
de equipamentos eletroeletrônicos das empresas do Porto Digital.
Parâmetros de compra
1. perfil de sustentabilidade do fabricante
2. características de ecodesign do equipamento: uso de materiais de baixo impacto (recicláveis,
renováveis, não tóxicos, reciclados, etc.) e redução do uso de materiais
3. presença de selos e certificações (Ex: Procel, Energy Star)
4. características de funcionalidade do equipamento: utilização eficiente de energia; baixo
consumo de suprimentos (tinta, bateria, papel, pilha, etc.)
5. durabilidade do equipamento
6. facilidade de manutenção e reparo do equipamento
7. possibilidade de atualização, adaptação e substituição de peças do equipamento 8. serviços oferecidos na garantia
9. facilidade de desmontagem e reciclagem dos equipamentos
10. embalagens dos equipamentos: redução de embalagens e da quantidade de materiais
utilizados; uso de materiais de baixo impacto
11. realização de logística reversa pelos fabricantes e comerciantes (se disponibilizam serviços
de coleta e gerenciamento dos resíduos)
12. sistema de distribuição: transporte e logística adequados e eficientes energeticamente
(biodiesel, uso de energia limpa, renovável, etc.)
13. como é feita a reciclagem dos produtos
35,0% 53,8% 80,0% 50,0% 65,0% 46,2% 20,0% 50,0% 0% 100%
Institucional / Público Corporativo / Privado ONGs / Associações /
Sindicatos Consumidor final / pessoa física
Melhoria na gestão dos REEE X Segmento de mercado
Não Sim
Quadro 16: Parâmetros de uso utilizados para classificar o grau de sustentabilidade das práticas de consumo de
equipamentos eletroeletrônicos das empresas do Porto Digital.
Parâmetros de uso
1. uso correto do equipamento, de acordo com as orientações existentes no manual 2. uso de monitoramento automático de energia (hibernar, suspender, repousar, etc.) 3. desligamento manual dos equipamentos nos momentos de não uso durante o expediente 4. desligamento manual dos equipamentos ao fim do expediente
5. desligamento automático dos equipamentos ao fim do expediente 6. atualizações de softwares e hardwares
7. manutenção preventiva dos equipamentos
8. recuperação (processo de manutenção, reparo, substituição de peças, etc.) em caso de quebra
dos equipamentos
Quadro 17: Parâmetros de destinação e gestão utilizados para classificar o grau de sustentabilidade das práticas
de consumo de equipamentos eletroeletrônicos das empresas do Porto Digital.
Parâmetros de destinação
e gestão
REEE em condição de funcionamento
1. reutilizados (equipamentos são reaproveitados na empresa, através da transferência de
setor/unidade)
2. doados para programas de inclusão digital
REEE sem condição de funcionamento
3. doados para reciclagem (ONGs, cooperativas e associações)
4. encaminhados para logística reversa (retorno ao comerciante ou fabricante) 5. encaminhados para empresas privadas de gerenciamento/reciclagem 6. registro em documentação da destinação dos REEE
7. presença de área, setor ou pessoas responsáveis pela gestão dos REEE 8. orçamento voltado para a gestão dos REEE
9. realização de ações de educação ambiental para o consumo e destinação conscientes dos EEE
Considerando-se a média de avalição destes três grupos, chegou-se a um “grau de sustentabilidade geral” para as práticas de consumo como um todo. O índice de sustentabilidade obtido foi de 56,2. Isto implica em dizer que as empresas fazem apenas um pouco mais da metade do esforço requerido para a obtenção de uma prática ideal.
Ao se analisar cada grupo de parâmetros isoladamente, observaram-se padrões de sustentabilidade distintos em cada um. Elevando o resultado geral, encontra-se o grupo de fatores relacionados ao uso, com grau de sustentabilidade 72,1. Este resultado é reflexo, sobretudo, da elevada frequência das práticas de “atualizações de softwares e hardwares”, “uso correto dos EEE” e “desligamento manual dos equipamentos ao fim do expediente”, aspectos estes relacionados a questões de operacionalização e durabilidade do equipamento.
O fato do grau de sustentabilidade das práticas de uso ser o mais elevado pode estar relacionado com o maior envolvimento do consumidor com o equipamento nesta etapa. É quando o consumidor torna-se usuário, existindo uma relação de posse e de uso direto do equipamento, que é sua ferramenta de trabalho, fruto de um investimento. Então de certa forma a tendência é a preocupação com a funcionalidade e durabilidade do EEE.
A tabela 29 apresenta o grau de sustentabilidade do grupo de parâmetros de uso e de cada parâmetro individualmente.
Tabela 29: Grau de sustentabilidade das práticas de uso dos equipamentos eletroeletrônicos das empresas do
Porto Digital. USO Parâmetros Grau de sustentabilidade dos parâmetros
1. uso correto do equipamento, de acordo com as orientações existentes no manual 84,9
2. atualizações de softwares e hardwares 84,2
3. desligamento manual dos equipamentos ao fim do expediente 82,7
4. uso de monitoramento automático de energia (hibernar, suspender, repousar, etc.) 77,6
5. desligamento manual dos equipamentos nos momentos de não uso durante o expediente 70,2
6. recuperação (processo de manutenção, reparo, substituição de peças, etc.) em caso de
quebra dos equipamentos 67,6
7. manutenção preventiva dos equipamentos 60,7
8. desligamento automático dos equipamentos ao fim do expediente 48,9
GRAU DE SUSTENTABILIDADE DAS PRÁTICAS DE USO 72,1
Por outro lado, reduzindo o grau geral de sustentabilidade, encontram-se os aspectos relacionados às práticas de destinação e gestão dos REEE, com índice de 40,8. Essa baixa performance está fortemente associada à deficiência na gestão dos REEE, expressa através de lacunas quanto a áreas departamentais ou recursos humanos dedicados e inexistência quase que absoluta de recursos orçamentários.
Essa condição evidenciada pode estar relacionada com o fato de que é nesta etapa que o produto não é mais útil para o usuário, não existindo mais um envolvimento direto e de posse, como na fase de uso, caindo a preocupação com o descarte e destino dos REEE. Além dessa questão, outros fatores que contribuem para o baixo grau de sustentabilidade das práticas de destinação são o baixo conhecimento das empresas sobre a problemática associada ao ciclo de vida dos EEE e sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos – e consequentemente sobre as obrigações de cada ator (e isto inclui os consumidores) na destinação e gestão dos REEE.
A tabela 30 apresenta o grau de sustentabilidade do grupo de parâmetros de destinação e gestão dos REEE e de cada parâmetro individualmente.
Tabela 30: Grau de sustentabilidade das práticas de destinação e gestão dos resíduos de equipamentos
eletroeletrônicos das empresas do Porto Digital.
DESTINAÇÃO E GESTÃO DOS RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS Parâmetros
Grau de sustentabilidade
dos parâmetros
REEE em condição de funcionamento
1. doados para programas de inclusão digital 67,6
2. reutilizados (equipamentos são reaproveitados na empresa, através da transferência de
setor/unidade) 54,1
REEE sem condição de funcionamento
3. doados para reciclagem (ONGs, cooperativas e associações) 67,5
4. encaminhados para empresas privadas de gerenciamento/reciclagem 33,1
5. encaminhados para logística reversa (retorno ao comerciante ou fabricante) 29,2
6. presença de área, setor ou pessoas responsáveis pela gestão dos REEE 51,5
7. registro em documentação da destinação dos REEE 37,3
8. realização de ações de educação ambiental para o consumo e destinação conscientes
dos EEE 25,0
9. orçamento voltado para a gestão dos REEE 1,5
GRAU DE SUSTENTABILIDADE DAS PRÁTICAS DE DESTINAÇÃO E
GESTÃO 40,8
Por último, refletindo o padrão médio de sustentabilidade geral, encontra-se o grupo de parâmetros relacionados à compra. Neste caso, a baixa consideração dos aspectos relativos à produção (como o perfil de sustentabilidade do fabricante e as características de ecodesign do produto) e ao pós-consumo (como a realização de logística reversa pelo fabricante e como é feita a reciclagem dos REEE) dos equipamentos é neutralizada pela elevada influência dos fatores associados à funcionalidade e durabilidade na decisão de compra de um EEE, resultando em um índice de sustentabilidade de 55,8.
Os fatores associados à funcionalidade e durabilidade dos equipamentos são os que mais influenciam na decisão de compra, dada a relação direta com a questão econômico- financeira e com o uso do equipamento para o desenvolvimento das atividades da empresa. Como é a ferramenta de trabalho, o equipamento tem que possuir os requisitos de performance que atendam às necessidades do usuário. Entretanto, os outros fatores relacionados à produção e ao pós-consumo, por não afetarem diretamente o uso, apresentam uma menor influência na decisão de compra. Quanto aos parâmetros de compra relacionados ao pós-consumo, estes possuem os graus de sustentabilidade mais baixos. Essa situação é condizente com o fato de que o grau de sustentabilidade das práticas de destinação e gestão é o mais baixo entre os grupos apresentados (compra, uso e destinação/gestão), revelando que realmente as empresas dão menos atenção às questão relacionadas ao descarte e gestão dos REEE.
A tabela 31 apresenta o grau de sustentabilidade do grupo de parâmetros de compra dos EEE e de cada parâmetro individualmente.
Tabela 31: Grau de sustentabilidade das práticas de compra de equipamentos eletroeletrônicos das empresas do Porto Digital. COMPRA Parâmetros Grau de sustentabilidade dos parâmetros 1. durabilidade do equipamento 83,5
2. características de funcionalidade do equipamento: utilização eficiente de energia; baixo
consumo de suprimentos (tinta, bateria, papel, pilha, etc.) 77,2
3. serviços oferecidos na garantia 74,3
4. facilidade de manutenção e reparo do equipamento 73,9
5. possibilidade de atualização, adaptação e substituição de peças do equipamento 72,1
6. presença de selos e certificações (Ex: Procel, Energy Star) 70,2
7. perfil de sustentabilidade do fabricante 50,4
8. características de ecodesign do equipamento: uso de materiais de baixo impacto
(recicláveis, renováveis, não tóxicos, reciclados, etc.) e redução do uso de materiais 46,7
9. facilidade de desmontagem e reciclagem dos equipamentos 44,9
10. embalagens dos equipamentos: redução de embalagens e da quantidade de materiais
utilizados; uso de materiais de baixo impacto 36,8
11. realização de logística reversa pelos fabricantes e comerciantes (se disponibilizam
serviços de coleta e gerenciamento dos resíduos) 34,9
12. como é feita a reciclagem dos produtos 31,6
13. sistema de distribuição: transporte e logística adequados e eficientes energeticamente
(biodiesel, uso de energia limpa, renovável, etc.) 29,4
GRAU DE SUSTENTABILIDADE DAS PRÁTICAS DE COMPRA 55,8
O grau de sustentabilidade das práticas de consumo (compra, uso e destinação/gestão) acima mencionadas pode ser visualizado de maneira comparada na figura 54.
Figura 54: Grau de sustentabilidade das práticas de consumo dos equipamentos eletroeletrônicos das empresas
do Porto Digital.
Esta quantificação das práticas de consumo (compra, uso e destinação) dos equipamentos eletroeletrônicos, através da utilização da escala de sustentabilidade, é importante na medida em que fornece à empresa um panorama sobre o seu nível real de atenção para com os aspectos ambientais, em cada uma das etapas do ciclo de vida. Deste modo, permite que ações sejam tomadas com o propósito de melhoria do padrão geral de sustentabilidade da mesma. 40,8 72,1 55,8 56,2 0 20 40 60 80 100
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