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2   A SOCIEDADE DE CONSUMO, A GERAÇÃO DE RESÍDUOS E A

2.2   O CICLO DE VIDA DOS EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS (EEE) 43

2.2.4   Recursos energéticos e impactos ambientais 57

O recurso energético é essencial no ciclo de vida dos EEE, pois a energia é um dos insumos necessários para o processo produtivo e para o funcionamento dos equipamentos.

Em relação ao consumo de energia nas etapas do ciclo de vida dos EEE, a maior demanda ocorre, principalmente, nas etapas de produção e uso dos mesmos. Entretanto, a fase de maior consumo (manufatura ou uso) varia com o tipo de equipamento, visto que, como mencionado anteriormente, existe uma grande diversidade de EEE.

Segundo estudo realizado pelo Waste & Resources Action Programme – WRAP (2010), o uso de energia na etapa de produção é determinado pela massa do produto e pela quantidade de componentes eletrônicos: quanto maior o produto e mais complexo e numerosos seus componentes eletrônicos, maior o consumo energético. Desta forma, a composição dos EEE determina o consumo energético, uma vez que plásticos e metais, por exemplo, consomem 140 vezes menos energia para serem produzidos que os componentes eletrônicos (WRAP, 2010). Toma-se como exemplo a máquina de lavar que, embora pese em torno de 50 kg, demanda níveis de energia semelhantes a de uma TV que pesa 15 kg, devido à sua composição, a qual é constituída por apenas 0,2% de componentes eletrônicos, enquanto que na TV essa proporção é de 10% (WRAP, 2010).

Já na fase de uso do ciclo de vida dos EEE, o que determina o consumo de energia é a potência do equipamento, a frequência de uso e o tempo de vida útil de cada aparato (WRAP, 2010). Assim, quanto maior a potência, maior a frequência de uso e mais longo o tempo de uso, maior o consumo energético.

Os desktops, os monitores CRT (tubo de raios catódicos), as telas LCD e os celulares apresentam como fase que mais consome energia em seu ciclo de vida a de produção,

comparada à de uso (WILLIAMS, 2004; EPA, 2001; WRAP, 2010). Em contrapartida, a fase de uso de um notebook representa o maior impacto em seu ciclo de vida, respondendo por 73% do consumo de energia. A fase de produção por sua vez, corresponde a aproximadamente 25% (WRAP, 2010).Na tabela 3 é possível verificar a comparação do consumo de energia durante o ciclo de vida desses equipamentos.

Tabela 3: Consumo de energia de desktops, notebooks e celulares por fase do ciclo de vida de cada

equipamento.

Equipamento Produção Uso

Desktop 81% 19%

Monitor CRT 88% 11%

Tela LCD 51% 30%

Celular 59% 29%

Notebooks 25% 73%

Fonte: WRAP, 2010; Williams, 2004; EPA, 2001

Nota: a soma dos itens pode não totalizar 100%, pois existe consumo de energia em outras etapas do ciclo de

vida destes produtos.

Ainda que a fase de uso seja responsável pelo maior consumo de energia em seu ciclo de vida, os notebooks demandam menos energia para funcionarem que um desktop. Isso ocorre devido ao fato dos mesmos: (i) serem mais eficientes; (ii) possuírem processadores que utilizam menos energia; (iii) possuírem bateria, o que permite gerenciamento de energia; e (iv) apresentarem melhores sistemas de refrigeração (WRAP, 2010).

A demanda de energia de um equipamento refere-se ao quanto de energia ele precisa para funcionar. Já o consumo de energia depende da demanda energética de cada equipamento e o tempo que permanece em uso.

A demanda de energia varia entre equipamentos do mesmo tipo e entre equipamentos diferentes e também de acordo com o estado de ativação. Os equipamentos podem ficar em atividade, quando consomem mais energia; em suspensão (ou dormência), quando consomem um pouco menos de energia, na medida em que as atividades do computador ficam suspensas, mas disponíveis para serem retomadas rapidamente; e em hibernação, quando há o menor consumo de energia, pois nesse estado, o disco rígido é desligado, e as atividades são retomadas apenas com a reinicialização.

Apesar da demanda de energia não ser a mesma para os equipamentos, em um estudo realizado por Bray (2006), são apresentados valores de demandas energéticas genéricos para os seguintes tipos de equipamentos: desktops, monitores CRT e LCD e notebooks, os quais são apresentados na sequência.

Os notebooks são os equipamentos que menos demandam energia para funcionar. Quando ativos demandam 15 W, quando suspensos 3 W e quando em hibernação 2 W (KAWAMOTO et al., 2001 apud BRAY, 2006).

A demanda energética dos computadores depende significativamente do tipo de monitor utilizado: CRT ou LCD. As telas de CRT podem consumir até cinco vezes mais energia que as de LCD. Para se ter uma ideia, um monitor CRT demanda em média 85 W quando ativo; 5 W em modo suspenso e 0,5 W em modo hibernação. Já uma tela LCD demanda de energia para funcionar 15 W, 1,5 W e 0,5 W quando ativa, em suspensão e em hibernação, respectivamente (KAWAMOTO et al., 2004 apud BRAY, 2006).

Em relação aos desktops (sem os monitores), estes requerem nos modos ativo, suspenso e hibernação: 55 W, 25 W e 1,5 W (KAWAMOTO et al., 2001 apud BRAY, 2006). Assim, um desktop com seu monitor CRT ou LCD demanda de energia para o seu funcionamento, quando ativo, 140 W e 70 W, respectivamente; ou seja, computadores com tela do tipo LCD demandam duas vezes menos energia que um computador com um monitor do tipo CRT.

A grande diferença entre a energia demandada por um computador com monitor CRT ou LCD ocorre quando o aparelho está ativo e quase não há diferença de demanda quando os equipamentos estão suspensos ou hibernando. Os monitores CRT representam mais de 60% da energia requerida por um computador tipo desktop quando ativo, enquanto que as telas de LCD representam apenas 21,5%. Assim, a substituição de monitores CRT por LCD e a adoção de práticas de gerenciamento de energia garantem um uso mais racional e sustentável dos computadores. Ainda que um computador com seu monitor LCD requeira menos energia para funcionar (70 W) – quando comparado ao uso de monitores CRT –, os notebooks demandam cerca de cinco vezes menos energia (15 W). Quando comparado ao modo suspenso, os

notebooks requerem até dez vezes menos energia.

Estas informações podem ser visualizadas na figura 12, onde é possível verificar de maneira sintetizada a comparação da demanda de energia entre os equipamentos mencionados anteriormente.

Figura 12: Comparação da demanda de energia (em watts) entre os computadores e telas em diferentes modos

de funcionamento.

Fonte: Bray, 2006

Os valores apresentados na figura 12 parecem pequenos, entretanto, ao associá-los a quantidade de computadores em uso no mundo e ao tempo em que permanecem ligados, o consumo de energia pode ser bastante significativo. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas os datacenters, os quais são grandes consumidores de equipamentos de informática, consomem 1,5% de toda a energia gerada no país (EPA, 2007).

Um estudo recente realizado pela International Energy Agency – IEA (2014) analisou o consumo de energia pelos equipamentos conectados à internet e verificou que mesmo em modo de suspensão, os equipamentos consomem muita energia para permanecerem recebendo e enviando dados online e que em alguns aparelhos, 80% do consumo de energia é para apenas mantê-los conectados à internet. Segundo o estudo, em 2013, em torno de 80 bilhões de dólares e 400 terawatts/hora – o equivalente ao consumo anual de energia do Reino Unido e Noruega juntos – foram desperdiçados devido ao elevado consumo de energia para manter os aparelhos conectados à internet mesmo em suspensão.

Uma das consequências dessa demanda energética, reflexo do crescente aumento da venda de equipamentos de informática e telecomunicação e do número de aparelhos conectados – em 2013 havia 14 milhões e a previsão é de que em 2020 haja 50 bilhões (IEA, 2014) –, é a necessidade de gerar mais energia e mais infraestrutura para atender a demanda. Isso implica em custos para o consumidor e para o meio ambiente na medida em que mais recursos são retirados da natureza.

Segundo o estudo, evitar esse desperdício de energia significa deixar de lado 133 usinas a carvão com capacidade de 500 megawatts cada e 1,4 milhões de toneladas de carvão por ano. Isto pode ser alcançado através da melhoria da eficiência energética dos equipamentos quando conectados à internet, principalmente quando estão em modo de espera.

140 85 70 55 15 15 30 5 26 25 1,5 3 0 50 100 150 Desktop + CRT CRT Desktop + LCD Desktop LCD Notebook watts Ativo Modo de suspensão

O consumo de energia está associado à geração de gases do efeitos estufa, como o CO2,

que contribuem para o aquecimento global. Para se ter uma ideia da contribuição do uso dos EEE para a emissão de CO2 na atmosfera, estima-se que apenas a indústria de tecnologia da

informação e comunicação gera 2% da emissão global de CO2. Os computadores e os

monitores representam 39% destas emissões (ALLIANCE TO SAVE ENERGY, 2009).

2.2.5 RESÍDUOS DE EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS (REEE) E SUAS