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Escala de Qualidade de Vida (WHO) WHOQOL – Bref.

OPINIÃO DA INSTITUCIONALIZAÇÃO

4.5.3. Escala de Qualidade de Vida (WHO) WHOQOL – Bref.

O WHOQOL-100 (World Health Organization Quality Of Life) é um instrumento que adota um conceito amplo, multidimensional e transcultural, baseando-se no pressuposto de que a qualidade de vida é um conceito subjetivo, inerente às noções individuais de cada um, ou seja, à perceção individual (Apêndice 6). Este instrumento

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psicométrico é composto por dimensões positivas e negativas (Fleck, Leal, Louzada, Xavier, Chachamovich, Vieira, Santos & Pinzon, 1999a).

Atendendo a que o WHOQOL-100, composto por 100 questões e subdividido em seis domínios se tornava extenso, surgiu assim a necessidade de elaborar um outro, mais curto e que exigisse menos tempo no seu preenchimento, mantendo-se, per si, as suas características psicométricas (Canavarro, Simões, Vaz Serra, Pereira, Rijo, Quartilho, Gameiro, Paredes & Carona, 2007; Fleck, Chachamovich, & Trentini, 2003).

Por conseguinte, foi desenvolvida uma versão abreviada, o WHOQOL-Bref aferida para a população portuguesa por Canavarro, Simões, Vaz Serra, Pereira, Rijo, Quartilho, Gameiro, Paredes e Carona em 2007. O WHOQOL-Bref é composto pelas 26 questões que obtiveram boas qualidades psicométricas (Fleck, 1999b). Esta versão abreviada surge assim subdividida em dois domínios de âmbito geral que avaliam a perceção da qualidade de vida de um modo geral e a satisfação com a sua saúde, bem como outros quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e ambiente (Apêndice 6 e Apêndice 13). Cada domínio é constituído por um conjunto de 24 facetas, sendo cada uma destas avaliada por uma questão (correspondente a um item) (Canavarro et al., 2007; Fleck, Louzada, Xavier, Chachamovich, Vieira, Santos & Pinzon, 2000).

É relevante enunciar a proeminência de uma faceta geral de qualidade de vida avaliada por duas questões neste instrumento, uma delas sobre a qualidade de vida em geral e outra sobre a perceção geral da saúde. Assim, o WHOQOL-Bref apresenta um total de 24 facetas específicas e uma de qualidade de vida geral. Em cada uma das facetas consta numa descrição de um estado, comportamento, capacidade ou uma perceção ou experiência subjetiva (Canavarro, Simões, Pereira & Pintassilgo, 2005).

As respostas para as questões do WHOQOL-Bref (à semelhança da escala original) são medidas através de uma escala de tipo Lickert, de cinco pontos. As questões são respondidas através de quatro tipos de escalas, em função do seu conteúdo: intensidade, capacidade, frequência e avaliação, encontrando-se enunciadas quer de forma positiva, quer de forma negativa (Canavarro et al., 2007).

Assinala-se que três itens, formulados de forma negativa, devem ser invertidos, considerando a disposição dos resultados dos domínios num sentido positivo e a interpretação dos resultados feita de forma linear. Assim, esta linearidade influi que resultados mais elevados caracterizam uma melhor qualidade de vida (Canavarro et al., 2005).

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Torna-se pertinente enunciar que os resultados são analisados em função das pontuações obtidas nos quatro domínios e na faceta geral de qualidade de vida e, deste modo, não há uma pontuação total do instrumento. Por conseguinte, o resultado de cada domínio é calculado através da média dos resultados (variando entre 0 e 100) das questões que o constituem, sendo esta média multiplicada por 100, de modo a serem comparáveis os resultados dos domínios deste instrumento com os do WHOQOL-100 (Canavarro, Serra, Simões, Pereira, Gameiro, Quartilho, Rijo, Carona & Paredes, 2006).

Como foi explicitado anteriormente, este instrumento permite inferir que os resultados nos vários domínios representam a perceção individual da qualidade de vida em cada domínio em particular e os resultados mais elevados correspondem a uma melhor qualidade de vida. Assim, desenha-se um perfil da qualidade de vida, obtido através dos scores dos quatro domínios, sendo quanto mais alto o score, melhor é a perceção de qualidade de vida (Canavarro et al., 2007).

Neste instrumento de avaliação com uma disposição mais abreviada, está presente a premissa de que ao preservar cada uma das 24 facetas do instrumento original (o

WHOQOL-100), foi possível manter a compreensão do constructo - qualidade de vida -

incluindo itens, não só referentes a aspetos físicos e psicológicos, mas também relativos ao meio ambiente e relações sociais. Este facto torna-se numa importante vantagem quando se trata de realizar um estudo onde não seja recomendado utilizar instrumentos com tantos itens como o WHOQOL-100, como é o caso de estudos onde a amostra é representativa de uma população idosa e iletrada. Outra vantagem deste instrumento subjaz na sua construção com base numa noção multidimensional, transcultural e subjetiva de qualidade de vida; tornando-o num instrumento conceptualmente fundamentado, sendo por isso uma forma de permitir uma comparabilidade dos resultados em estudos internacionais.

Tal como foi referido anteriormente, o WHOQOL-Bref está validado e adaptado para a população portuguesa, tendo os resultados dos estudos desta versão mostrado que o instrumento apresenta características satisfatórias favoravelmente com medidas de precisão (consistência interna, estabilidade temporal) e de validade (validade discriminante, validade de constructo, e correlação com outros instrumentos) (Canavarro et al., 2007). Refira-se, no entanto que, na versão para português o WHOQOL-Bref apresentou alguma fragilidade ao nível da consistência interna no domínio - Relações Sociais, sendo esta a única limitação apresentada pelos autores (Canavarro et al., 2007).

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No entanto, estes justificam o reparo dizendo que esse resultado poderá estar relacionado com o pressuposto de que este domínio apenas abrange três itens, sendo, per si, um número relativamente menor ao número de itens que fazem parte dos outros domínios.

A escolha deste instrumento, versão portuguesa do WHOQOL-Bref, surgiu da necessidade e da utilidade de avaliar a qualidade de vida em idosos com um instrumento validado para a população portuguesa. Recorreu-se à versão abreviada do WHOQOL-100 por ser uma alternativa útil, uma vez que a versão longa poderia ser de difícil aplicabilidade com esta população e, por conjuntamente serem utilizados outros seis instrumentos de avaliação, além do questionário sociodemográfico. Consequentemente procurou-se usar um instrumento que não fosse complexo, que pudesse ser facilmente entendido e respondido pelos idosos, possibilitando a sua rápida aplicação.