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ESCALADA, PASSAGEM DE BLOCO E ENCERRAMENTO

o que mostra a prática do Jornal da Globo

PALAVRAS-CHAVE

3.9. ESCALADA, PASSAGEM DE BLOCO E ENCERRAMENTO

Os três são recursos utilizados pela equipe de edição dos telejornais como uma forma de atração da audiência, mas que apesar do efeito persuasivo de manter o telespectador atento e preso àquela progra- mação, não deixa de ser um espaço informativo no telejornal.

As manchetes do que o telespectador vai assistir naquele dia estão na escalada, que tem função parecida como a da primeira página de um jornal impresso. Ao longo da história, foi dada à escalada a responsabili-

Figuras 17 e 18. Imagens da escalada do Jornal da Globo, no dia 13 de junho de 2019.

Fonte: Reprodução do telejornal Jornal da Globo no Globo Play (acesso: 19/03/2020).

Na escalada estão as “manchetes sobre os principais assuntos do dia que abrem o jornal” (Bistane & Bacellar, 2005: 133). De acordo com Paternostro (1999: 142) são “frases curtas, podem ou não ter

teasers: dois ou três takes (5 a 7 segundos) das imagens principais”. Além disso, ao longo do tempo per-

cebe-se que na escalada também estão presentes a vinheta e elementos audiovisuais que fazem parte da identificação de um telejornal, como uma marca d´água e uma trilha musical (BG) específico. Alguns telejornais também usam a presença do repórter com um pequeno teaser anunciando a notícia que ele cobriu, além de trecho de algumas sonoras, sobe som de um momento capturado durante a gravação. Isso varia de acordo com a linha editorial do telejornal e a criatividade da equipe de edição.

As passagens de bloco tem função semelhante a da escalada. Elas surgem para lembrar ao telespectador que haverá um intervalo comercial naquele momento, mas se ele mudar de canal ou deixar de assisir vai perder assuntos importantes. No conceito de Bistane & Bacellar (2005: 135), trata-se de “textos e imagens que encerram um bloco do jornal e chamam reportagens que serão apresentados depois do intervalo”.

Na foto da tela da passagem de bloco do Jornal da Globo, no dia 13 de junho de 2019, podemos ver os elementos gráficos usados para anunciar o que vem no bloco a seguir daquela edição do telejornal.

Figura 19. Imagem de uma das passagens de bloco do Jornal da Globo, no dia 13 de junho de 2019.

Fonte: Reprodução do telejornal Jornal da Globo no Globo Play (acesso: 19/03/2020).

Vale a pena abrir uma discussão para o que os autores generalizam ao usar o termo ‘reportagens’. Mui- tas vezes a passagem de bloco chama assuntos que surgem no bloco seguinte em outros formatos de notícia que não a reportagem. Existem casos em que o factual se desenrola durante o telejornal. O Encerramento do telejornal marca o fim daquela edição. Ele também é formatado de acordo com a linha editorial do telejornal, mas normalmente apresenta elementos audiovisuais como o logotipo do telejornal e sua trilha sonora característica. Em relação ao conteúdo, o formato é utilizado para que o apresentador se despeça do telespectador em nome de toda equipe que o produziu, mas também pode passar informações sobre algum caso importante que continuará a ser abordado ao longo da progra- mação da emissora. ou ainda, chamar algum assunto que será repercutido num telejornal seguinte e na próxima edição do mesmo telejornal.

Figuras 20 e 21. Imagens do Encerramento do Jornal da Globo, no dia 05 de julho de 2019.

Fonte: Reprodução do telejornal Jornal da Globo no Globo Play (acesso: 19/03/2020).

4. METODOLOGIA

Para chegar as conclusões deste trabalho foi utilizada uma metodologia científica já devidamente tes- tada e descrita pela ciência. Trata-se, portanto, de uma pesquisa quantitativa de estudo descritivo, que “são úteis para mostrar com precisão os ângulos e dimensões de um fenômeno” (Sampiere, Callado & Lucio, 2013: 102). O trabalho primordial foi a pesquisa bibliográfica exploratória a fim de se encontrar a maior quantidade possível de conceitos e descrições para os formatos clássicos de notícias descritos nos manuais de telejornalismo. Para Sousa, “de certa forma, todas as pesquisas científicas implicam uma pesquisa bibliográfica” (Sousa, 2006: 616), onde se “reporta e avalia o conhecimento produzido em pesquisas prévias, destacando conceitos, procedimentos, resultados, discussões e conclusões rele- vantes para seu trabalho”.

O material analisado faz parte da amostra selecionada para a tese de doutoramento deste autor. Material este, que foi todo revisto a fim de se encontrar um recorte específico para este trabalho, desenvolvido a partir das referências bibliográficas citadas. Portanto, a análise compreende uma semana construída com as edições de 05, 13, 21 de junho, e, ainda, 01 e 09 de julho de 2019 do Jornal da Globo, da Rede Globo de Televisão, todas disponíveis para consulta no aplicativo de vídeos por demanda da rede. O período analisado iniciou-se numa quarta-feira na intenção de se conseguir montar a semana em que houvesse disponibilidade do telejornal na integra em todos os dias selecionados na amostra.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após apresentar os conceitos e descrições dos principais formatos utilizados pelos jornalistas para a transformação da informação em notícia televisiva, comparando a literatura publicada como o que é exibido no JG, é chegada a hora de uma análse mais quantitativa desses formatos no Jornal da Globo, que selecionamos para estudar neste trabalho.

Foram cinco edições analisadas, totalizando 3 horas, 10 minutos e 20 segundos de conteúdo, além de 80 retrancas (assuntos). No dia 05 de junho o JG durou 00:34:35, com 13 retrancas; no dia 13 de junho foram 00:44:41, com 16 retrancas; em 21 de junho foram 00:39:48 minutos no ar, com 17 retrancas; em 01 de julho a transmissão teve 00:34:47 e 17 retrancas; e no último dia estudado o JG foi exibido com 00:36:29 e 29 retrancas.

Quase todas as edições eram organizadas iniciando com a escalada previamente gravada e terminando com uma nota pelada de encerramento que não foram contabilizadas. Também não contamos, para a análise, as notas cobertas das passagens de blocos que chamavam o intervalo. Nos dias 05/06, 01/07 e 09/07, o JG teve dois intervalos. No dia 13/06 teve quatro passagens de bloco (intervalos) e em 21/06 foram três intervalos.

Voltando a análise para seus objetivos, observa-se agora os formatos clássicos de notícias que foram utilizados. A média das cinco edições aponta que a reportagem continua sendo o formato mais utili- zado, foram 38; A participação ao vivo aconteceu 25 vezes; A nota coberta foi o terceiro formato mais utilizado, aconteceu 11 vezes, seguida de oito notas-pé, três stand-ups, duas notas peladas. No período analisado não encontramos nenhuma ocorrência de entrevista de estúdio, ou audiotape.

Tabela 1. Relação da quantidade de formato de notícia com o dia de exibição do JG.

05/06 13/06 21/06 01/07 09/07 TOTAL Escalada 1 1 1 1 1 5 Reportagem 4 8 9 8 9 38 Ao Vivo 5 3 3 3 11 25 Passagem de Bloco 2 4 3 2 2 13 Nota Coberta 3 2 2 0 4 11 Nota Pelada 0 0 0 1 1 2 Nota-pé 1 3 2 1 1 8 Stand-up 0 0 0 0 3 3 Entrevista de estúdio 0 0 0 0 0 0 Audio Tape 0 0 0 0 0 0 Encerramento 1 1 1 1 1 5

Fonte: produção do autor.

Apesar do número total de reportagens ser maior, precisa-se destacar, por exemplo, que as participações ao vivo de repórter aconteceram mais vezes que as reportagens na edição de 05 de junho e 09 de julho

e que o stand-up só ocorreu em uma edição, no dia 09 de julho, com um giro de repórteres falando sobre o turismo em diferentes regiões do país.

CONCLUSÕES

Este trabalho se propôs conceituar e descrever os formatos clássicos de notícias a partir da análise de uma semana construída do Jornal da Globo. Verificamos uma tendência ao jornalismo com a partici- pação do repórter ao vivo, mesmo que não seja para mostrar o fato acontecendo, mas com seu teste- munho reconstruindo a história que foi acompanhada ao longo do dia.

Por ser o último telejornal da emissora e ser exibido somente cerca de três horas depois do Jornal Nacional (o de maior audiência do país) e, possivelmente os fatos a serem mostrados não serem mais novidade para a audiência que já acompanhou a pauta ao longo do dia, o modo como a edição do Jornal da Globo utiliza a presença do repórter, ao vivo, passa a sensação de que é um modo diferente de se abordar o mesmo assunto de uma nova forma.

Ressaltamos ainda, a ausência de Entrevista de Estúdio e Audiotape, nas edições analisadas. Além dis- so, há uma notória queda no uso do stand up em relação ao todo. Fato que pode ter acontecido pelo avanço tecnológico, que permite a possibilidade do ao vivo por um baixo custo e numa operação mais simples, ou pelo próprio perfil editorial do telejornal.

Outro ponto que observamos também é que frequentemente existem hibridizações nesses formatos de notícias, resultando em um novo formato, ainda não descrito. Isso aconteceu mais de uma vez em todas as edições analisadas. A observação e descrição desses novos formatos é o objetivo da tese de doutorado deste autor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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PATERNOSTRO, V. I. (1999). O texto na TV: manual de telejornalismo. Rio de Janeiro: Elsevier. REZENDE, G. J. DE. (2000). Telejornalismo no Brasil: um perfil editorial. São Paulo: Summus. SAMPIERI, R. H., CALLADO, C. F & LUCIO, M. D. P. B (2013).

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