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O VEÍCULO INTERFERE NA ESCOLHA DO FIGURINO

Maria Claudia de Souza Batista

4.4. O VEÍCULO INTERFERE NA ESCOLHA DO FIGURINO

Os apresentadores do G1 em 1 minuto atuam dentro do estúdio numa redação e fazem parte de um telejornal com linha editorial mais livre. Mari Palma quando apresentava o G1 usava camisetas des- coladas, com frases em inglês e a maioria fazia referências a bandas como Beattles e a séries ou filmes famosos. Era parte do seu estilo vestir-se assim e virou sua marca registrada. Porém, esse não é o caso dos repórteres de rua dos telejornais clássicos. A marca registrada é a do veículo. Nesse ponto é possível perceber uma diferença básica entre o G1 em 1 minuto e o jornal local da RPCTV, por exemplo.

Figura 2. Mari Palma apresentando o G1 em 1 minuto com camiseta sobre a música “Hey Jude”, da banda “Beatles”.

Figura 3. Mari Palma apresentando o G1 em 1 minuto com camiseta que faz menção aos personagens da série “Friends”.

Fonte: G1

O G1 em 1 minuto se propõe a dar notícias no tempo de 60 segundos e tem uma apresentadora ou apresentador único, para cada edição, que conta as informações. Já no formato de um telejornal local, com edição bastante mais longa, o telespectador não tem contato com apenas um jornalista, mas, sim, com vários, entre apresentador e repórteres. O âncora está no estúdio chamando matérias com repór- teres na rua o tempo todo e é importante manter um padrão entre eles como identidade do veículo. Mari Palma, no caso do G1 em 1 minuto, tem liberdade para construir seu próprio estilo de apresen- tação, até porque o programa é mais livre e de pequena duração. Agora em telejornais tradicionais, as roupas e acessórios errados podem prejudicar a imagem não somente do repórter, mas também do veículo, além de interferir no processo de consumo da notícia.

Quando o figurino se destaca e chama mais atenção do que o conteúdo da notícia está caracterizado o ruído na comunicação, capaz de prejudicar de maneira definitiva o sucesso do processo comunicativo e de pôr em xeque a credibilidade do profissional que trabalha diante das câmeras (Aquino. 2011). Ainda que haja jornalistas de TV com roupas mais chamativas e fora do padrão, os repórteres de rua dos veículos locais tradicionais mantém a formalidade na escolha das roupas, conforme percebido na análise dos programas que será descrita a seguir.

CONCLUSÕES

A roupa tem uma forte influência na mensagem que é passada pelos jornalistas. Talvez nem sempre com relação à notícia ou à informação, mas com a ideia que será formada pelo público sobre o repórter. Como visto, a Mari Palma e outros apresentadores do G1 em 1 Minuto passam uma imagem mais jovem e descolada, porém continuam com a seriedade da notícia e seguindo critérios jornalísticos. O mesmo compromisso com a informação é visto nas reportagens dos jornais Ric Mais e Boa Noite Pa- raná, porém a roupa apresenta outras características.

está na linha editorial, e os veículos de comunicação televisivos tradicionais ainda mantêm o padrão social e formal nas composições.

Camisas sociais, blazer, tons pastéis ou apenas preto e branco continuam sendo adotados pelos pro- fissionais. É uma identidade não somente do repórter, mas também do veículo, além de evitar que a atenção do telespectador seja desviada. Como o G1 é composto por boletins com 1 minuto de duração, a informação é dada de forma muito rápida. Porém o tempo utilizado pelos repórteres é maior, e por isso as frases na camiseta podem tirar a atenção da notícia.

Sendo assim, as roupas dos repórteres de rua de telejornais tradicionais brasileiros seguem o mesmo padrão orientado pelos manuais de telejornalismo, que são escritos por repórteres e apresentadores a partir do que vivem e viveram nas redações. Não houve avanço nos telejornais locais e que seguem a tradição do telejornalismo. Pode-se pensar que se houver o uso de vestimentas menos formais exista o risco de estranhamento por parte do público. Por isso, os tons pastéis, preto e branco e peças sociais formam as composições diárias de cada repórter.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Os 50 anos do homem à Lua numa reedição