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Esclarecimentos sobre os pecados: 1Jo 5,14-21

2. EXPOSIÇÃO PASSO A PASSO

2.5. Esclarecimentos sobre os pecados: 1Jo 5,14-21

Assim como o Evangelho segundo João não acaba com a conclusão, mas há um epílogo após a conclusão, também a Primei-ra Carta de João tem um epílogo após a conclusão, que tPrimei-raz alguns esclarecimentos a respeito do pecado. O texto desse epílogo está a seguir.

5 14E esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.

15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido. 16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele ore, e Deus dará a vida ao irmão; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve orar. 17Toda injustiça é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que é gerado de Deus não peca; ao contrário, aquele que foi gerado de Deus, ele o guarda, e o Maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está no poder do Maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência, para conhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos no Verdadeiro, quando estamos em seu Filho Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro Deus e a Vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

No início desta perícope, o tema é o de pedir a Deus com con-fiança e segundo a sua vontade (1Jo 5,14). Este tema já tinha apare-cido em 1Jo 3,22. Quem pede assim sabe que será ouvido e sabe até que já alcançou o que pediu (1Jo 5,15).

Na sequência, o autor da Carta trata de um pedido especial: a oração por um irmão que está cometendo um pecado. Aqui, ele es-tabelece uma distinção entre pecado que conduz à morte e pecado que não conduz à morte. Se se trata de pecado que não conduz à morte, sim: que se ore pelo irmão e Deus lhe dará a vida (1Jo 5,16).

No entanto, embora nem todo pecado conduza à morte, é importan-te saber que toda injustiça é pecado (1Jo 5,17). O autor usa novamen-te uma palavra que apareceu no começo da Carta, na primeira vez que tratou do tema do pecado, quando escreveu: “Se confessamos nossos pecados, então Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1,9).

Esta é a terceira vez que aparece a questão de pecar ou não pecar na Primeira Carta de João. Relembrando: a primeira vez foi em 1Jo 1,7–2,2; a segunda vez foi em 1Jo 3,3-9. A cada vez, a perspectiva é diferente, como já foi visto. Na primeira vez, a perspectiva era a de reconhecer que todos somos pecadores, enquanto, na segunda vez, a perspectiva era a da pessoa que se deixou levar pelo pecado, o que aqui, neste epílogo, na terceira vez que volta o assunto, corresponde ao pecado que conduz à morte.

Também se pode fazer a ligação de 1Jo 5,16-17 com 1Jo 3,14-15, quando o autor da Carta escrevia que quem odeia seu irmão é um homi-cida. O ódio ao irmão é a origem de onde procede o pecado que conduz à morte. Por outro lado, quem ama seu irmão passou da morte à vida.

O próximo versículo traz as mesmas particulares que 1Jo 5,1.

Também aqui, aquele que foi gerado de Deus se refere ao Filho, que guarda do mal todo aquele que é gerado de Deus pela prática da jus-tiça e do amor (1Jo 5,18). Aqueles que são de Deus não estão sob o poder do mal que domina sobre o mundo (1Jo 5,19).

Ao longo da Carta, várias vezes seu autor tratou de atitudes que caracterizou como mentirosas. Ao final da Carta, muda e, em tom positivo, trata do Verdadeiro, que é Deus e seu Filho Jesus Cristo, Deus verdadeiro e Vida eterna (1Jo 5,20). Para saber que conhecemos o Verdadeiro, o Filho de Deus nos deu o discernimento. Este versículo se liga a 1Jo 3,24 e 4,13, onde aparece o dom do Espírito. É pelo Espí-rito, dom do Pai e do Filho, que temos o discernimento para conhecer o Verdadeiro.

O último versículo traz uma admoestação dirigida aos filhi-nhos: “guardai-vos dos ídolos”. Os ídolos são os falsos deuses ou as falsas representações do Verdadeiro.

No Documento de Aparecida, da V Conferência Geral do Episco-pado Latino-Americano e do Caribe, há um parágrafo que menciona a idolatria dos bens terrenos e como, diante dela, Jesus nos oferece a vida verdadeira. É o parágrafo 109. Eis o texto:

Diante de uma vida sem sentido, Jesus nos revela a vida íntima de Deus em seu mistério mais elevado, a comunhão trinitária.

É tal o amor de Deus, que faz do homem, peregrino neste mundo, sua morada: “Viremos a ele e viveremos nele” (Jo 14,23). Diante do desespero de um mundo sem Deus, que só vê na morte o final definitivo da existência, Jesus nos oferece a ressurreição e a vida eterna na qual Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28). Diante da idolatria dos bens terrenos, Jesus apresenta a vida em Deus como valor supremo: “De que vale alguém ganhar o mundo e perder a própria vida?” (Mc 8,36) (DAp, n. 109).

Quanto a este estudo, faltam apenas as considerações finais que deverão retomar, necessariamente, o tema: “Para que n’Ele nos-sos povos tenham vida – Primeira Carta de João”, e o lema: “Nós ama-mos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19) do Mês da Bíblia 2019. Antes, porém, fica uma pergunta para ajudar a trazer para hoje a mensagem final da Primeira Carta de João.

1. De quais ídolos de hoje temos que nos guardar?