Professor: Raquel Lima Carreira Dos Santos
E com os Gestores, a Palavra....
Entrevista com a Vice-Diretora Mayara Aparecida Rosel leite
Olhar inclusivo
Olhar inclusivo é você enxergar o estudante além da sua deficiência ou transtorno, mas você precisa conseguir fazer com que este possa desenvolver-se física, mental e socialmente, podendo levar uma vida como qualquer outra.
A flexibilização curricular é de suma importância, pois é a adaptação das unidades curriculares baseado na realidade de cada estudante, porém preservando o direito dele ter acesso às habilidades da série ano que ele está cursando. Independente da condição física ou psicológica do educando é de direito dele ter acesso à educação regular, para que possa cumprir seu papel na sociedade de maneira plena e satisfatória.
Mesmo com os professores especialistas, os docentes da sala regular ainda se sentem inseguros sobre como e que trabalhar com cada estudante, seria de grande importância que fossem realizadas oficinas direcionadas a essas formações e que estas fossem de maneira contínua, já que a demanda para o AEE vem crescendo.
101 E.E. Euclides Igesca
Diretor: Salomão Pereira Filho
Vice-diretora: Mayara Apda. Rosel Leite
Viver e aprender juntos é um método que beneficia a todos
Desde 2011, na Escola Estadual Professor Olzanetti Gomes do município de Ferraz de Vasconcelos, se iniciou o Apoio Educacional Especializado – AEE sob a condução e organização da diretora Heloisa Godoy Penteado e professora coordenadora Márcia Teixeira Correia da Silva, apoio, direcionamento e encaminhamentos da Supervisora de Ensino Márcia Cristina Peronti Sasso Brandão, devido ao grande número de estudantes que vinham sendo matriculados com dificuldades e deficiência na aprendizagem.
A possibilidade de contar com um ambiente pedagógico saudável funciona de uma forma terapêutica e reparadora para os estudantes. Por meio dessa nova modalidade, o grupo docente abraçou a causa e cresceu muito profissionalmente e os estudantes se sentiram motivados a aprender e a comunidade escolar se tornou parceira e a escola conhecida no município.
Isso nos proporcionou conhecer a fundo as possibilidades dos estudantes, conforme sua maturidade afetiva e intelectual. Saber os fatores individuais e ambientais presentes e passados que tenham favorecido ou perturbado o desenvolvimento. Fazer ajustes metodológicos para que os objetivos fossem alcançados, estreitamento da parceria dos pais e/ou responsáveis.
Nos momentos das Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo, busca-se compreender as características específicas dos estudantes, segundo seu desenvolvimento evolutivo, não somente dos estudantes com deficiência ou dificuldades, mas um olhar ativo para o desenvolvimento das proficiências de todo o grupo discente.
Ratificamos alguns conceitos como: o estudante deve sentir que o professor não se decepciona com ele por apresentar fragilidades no seu processo de aprendizagem; mas
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entender que os estudantes não são iguais nem aprendem da mesma forma e com materiais idênticos, sendo assim, temos que apresentar propostas diferentes.
Trabalhos em reuniões de responsáveis, a importância da família como um verdadeiro apoio emocional que ajude a manejar, potencializar suas habilidades e superar as fragilidades.
Os trabalhos desenvolvidos no AEE estão baseados a partir dos eixos desenvolvidos no ensino regular. São propostos recursos que possibilitem a percepção e estimulação de habilidades para que o desenvolvimento intelectual do estudante seja ampliado.
Alguns projetos na educação especial vêm sendo desenvolvidos na unidade escolar desde 2009, preparando e organizando o espaço escolar para acolher os estudantes objetivando contribuir para o desenvolvimento, mediante atividades que promovam a conscientização, a socialização e a interação de todos da comunidade escolar. O projeto
“Vejo Flores em você”, atletas das paraolimpíadas de Seul (vencedores da modalidade bocha) estiveram na escola com alguns amigos surdos. Eles fizeram uma palestra emocionante e maravilhosamente agradável onde estudantes, pais, professores e funcionários aprenderam muito sobre a educação inclusiva, superação, valorização, empatia.
Em 2011, foi realizado o projeto “Dia Azul” aproveitando o mês de setembro que é marcado por diversos eventos da comunidade surda. Realizou-se diversas atividades para a conscientização sobre a acessibilidade e a comemoração das conquistas obtidas ao longo dos anos. A escola promoveu a conscientização e socialização dos estudantes, professores e pais no espaço escolar, através da confecção de cartazes feitos pelos próprios alunos sobre o que eles entendem sobre educação inclusiva, coral dos professores e funcionários.
Realização de atividades que confrontaram a realidade dos estudantes diante de atividades vivenciadas cotidianamente por pessoas com deficiência física e visual de como transpor barreiras arquitetônicas como calçadas, paredes e terrenos acidentados e conheceram profissionais que ultrapassaram as barreiras diversas diante de alguma limitação. Todos os professores dos Anos Finais e Ensino Médio participaram com suas turmas e houve o envolvimento de todas as áreas do conhecimento.
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Os estudantes que frequentam o Apoio Educacional Especializado também têm participado de visitas educativas à Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Esses projetos têm contribuído para a conscientização, a socialização e a interação de todos que fazem parte da comunidade escolar e esclarecedor quanto o que é educação inclusiva, pois a abordagem dos temas é de maneira simples e bem didática, facilitando o entendimento. Também pode-se observar a desmitificação de algum tipo de preconceito que alguém possa ter tido, muitas vezes por falta de informação.
No decorrer dos anos percebeu-se um avanço muito positivo em relação as dificuldades e deficiência de aprendizagem dos estudantes da escola. Os estudantes têm desenvolvido autonomia, segurança e motivação de continuar aprendendo.
Houve a promoção da inclusão de maneira efetiva não apenas oferecemos a esses estudantes a oportunidade de acesso aos conteúdos flexionados, adaptados ou adequados, como também os ensinamos a se tornarem autônomos.
Acreditamos que o desenvolvimento da autonomia é fundamental para a construção da autoestima do indivíduo adulto. Com a autonomia e a autoestima fortalecidas o adolescente e/ou jovem sentem-se motivados a continuar estudando e se desenvolvendo nas diversas áreas da vida, preparando-se inclusive para buscar uma profissão futuramente.
Ao longo desses anos, houve a percepção que a inclusão escolar também promove uma ampla reflexão sobre respeito e diversidade, que são importantes na construção da democracia, para o desenvolvimento de cidadãos conscientes do seu papel e protagonismo juvenil; além de professores motivados em aprimorar conhecimentos na área e a valorização da formação continuada.
Portanto, a escola como um espaço inclusivo significa contribuir para que todos os estudantes tenham uma educação integral, isto é, a oportunidade de desenvolver suas habilidades e competências cognitivas e socioemocionais e buscar suas aspirações e crescimento, nutrindo valores de respeito ao outro e às diferenças, tornando-se cidadãos conscientes do seu papel na sociedade.
E.E. Prof. Olzanetti Gomes
104 Diretora: Heloisa Godoy Penteado
PCAE: Márcia Teixeira Correia da Silva
Um olhar do Gestor para o estudante PAEE
Dirigir uma escola? É como se você estivesse conduzindo um veículo de grande porte, você é o condutor, possui uma grande responsabilidade, precisa estar atento com tudo que está no entorno, precisa ter visão, enxergar além. Porém necessita ter atenção redobrada com os passageiros, zelar pela segurança de todos, verificar se estão com cinto.
Dirigir uma escola é uma tarefa de grande responsabilidade, é um grande desafio é ser responsável por absolutamente tudo.
Gestão é liderar uma equipe, estar ligado ao cotidiano da sala de aula, conhecer estudantes, professores, funcionários, pais e toda a comunidade escolar. Administrar a escola na parte burocrática, acompanhar o trabalho pedagógico, valorizar a qualidade do ensino, o processo ensino/aprendizagem, criar oportunidades de formações com tecnologias e inovações, estudo dos referencias teóricos, estudo sobre a educação inclusiva, socialização de boas práticas desenvolvidas, formações inovadoras que proponham desafios, possam promover momentos de aprendizagens significativas de forma prazerosa, saindo da “mesmice”. E por fim é se colocar no lugar do outro, trabalhando o socioemocional e socio comunitário de toda a equipe escolar, professores, funcionários, a comunidade escolar, é atender pais, estudantes, lideranças do bairro e dar livre acesso a todos que desejam falar comigo em minha sala e oferecer um café, um chá, bala, bombom… é gostar de gente!
Quanto ao público-alvo da Educação Especial (PAEE), vejo normal, como as demais turmas, tenho por todos um carinho enorme, estou sempre cobrando as atividades.
Aquele carinho, cobranças de mãe, é isso, todos os estudantes da Unidade Escolar, sinto como se fossem meus filhos, mas uma mãe chata, que briga.
O público-alvo da Educação Especial são muito espertos e inteligentes, são terríveis. Aprontam com as professoras, com as funcionárias. Quando estávamos no
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presencial, eles saiam da sala de aula, “cabulando”, exatamente como os colegas (dentro da escola), derrubavam carteiras, tinham “manias”, escolhiam salas, os pais os protegiam demais, todos “tinham dó”, “coitadinho”. Chegavam em mim, eu ia aos poucos convencendo as mães da necessidade da autonomia e não ceder, eles não são coitados. Os estudantes antigos da U.E. o desafio foi maior, já estavam acostumados daquela forma, com os “vícios”. Os que cabulava, hoje estão na 3ª Série do Ensino Médio, mas era muito interessante, era só as funcionárias dizer a eles que iam me chamar, eles voltavam pra sala, arrumavam as carteiras. Eles são muito inteligentes, os colegas aprontavam, e eram atendidos por mim, eu convocava a mãe, tomava as providências devidas, conforme o caso, eles tinham essa preocupação, jamais queriam ir na minha sala, por este motivo, orgulho deles, sempre foi ir na minha sala apresentar o trabalho realizado, sabem que eu gosto.
Nesse sentido, o público-alvo da Educação Especial, tenho um olhar especial para com eles no sentido da importância do espaço deles, em virtude dos materiais pedagógicos necessários para trabalhar conforme as habilidades que necessitam serem desenvolvidas. E também quanto ao trabalho desenvolvido pelo Professor de Atendimento Educacional Especializado, que considero esse ser um grande entrave, primeiramente porque ser professor não é tarefa fácil, é missão. E em se tratando da Educação Especial, ouço muito “eu gosto do que faço”, “cada dia que passa fico mais apaixonada pela educação especial”, considero que até houve um grande avanço nessa questão, mas ainda falta muito, recebemos professores “cheios de vícios”, que adquiram em algum lugar e julgam como correto.
Oferecer condições é realmente fazer acontecer, o atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos estudantes, considerando suas necessidades específicas.
É fundamental que a escola desenvolva um trabalho com a família a princípio, porque a maior luta do estudante que possui alguma deficiência, é com a sua própria família, “a superproteção”, colocando-o, em "redoma de vidro”, e muitas vezes até alegam desconhecimento da deficiência, esse estudante precisa se aceitar, reconhecer suas limitações e suas habilidades, não ter vergonha e ter autonomia, a escola possui um papel
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fundamental para esse processo, prezando a ele dignidade e autonomia, acompanhar esse desenvolvimento, esse progresso e o sorriso nos lábios é encantador.
Trabalhar com a Ed. Especial dentro de uma Educação Inclusiva é muito gratificante. Tamanha é a minha felicidade ao olhar nos olhos deles um brilho de entusiasmo, se sentirem capazes, ao verem os sorrisos nos lábios, ao conseguir entender aqueles que falam com dificuldade, ao conversarem comigo transmitindo felicidade, apesar de ainda termos fragilidades e dentre muitos desafios que enfrentamos e da necessidade de acessibilidade na U.E., considero um grande avanço, excelentes resultados e cada dia que passa a demanda está aumentando.
Quando eu era Professora Coordenadora, no ano de 2011, fui acompanhar uma aula de Matemática, o Professor domina muito bem o conteúdo, a aula muito significativa, todos interagiam, observei uma estudante sentada na 2ª carteira, na fileira próxima da janela, aquela estudante com o caderno aberto, olhava para um lado, olhava para o outro, estava angustiada, nada realizava, sentei-me próximo, pedi o caderno, não tinha nenhum conteúdo. Ao término da aula, levei-a até a minha sala e realizei uma sondagem de escrita, observei, que não era alfabetizada.
Encaminhei a convocação para mãe, porém aquela ao recordar daquela estudante em sala de aula, recordei do tempo em que eu era estudante, e nas aulas de Educação Física, eu me sentia exatamente como ela, “incapaz”. Na ocasião até perguntei, antes da mãe chegar na U.E., qual seria o procedimento para que eu pudesse encaminhar, aquela estudante para Sala de Recurso, a resposta que tive que não era fácil, além de inúmeros empecilhos. Eu já sabia da existência da Sala de Recurso na EE. Prof. Olzanetti Gomes, quando recebi a mãe orientei referente ao laudo, a mãe providenciou rápido, entrei em contato com a Márcia (Coordenadora na ocasião), a estudante iniciou o atendimento e vários outros encaminhei. O sorriso daquela estudante, foi uma benção, tivemos um norte para direcionar os docentes, realizamos um lindo trabalho com o foco na educação especial. E sempre tive interiorizado dentro de mim, quando eu for Diretora de Escola, a Sala de Recurso será a primeira ação que vou providenciar e será o carro chefe, e assim iniciamos, hoje a Sala de Recurso está pequena. Em 2019, tive a honra de homenagear o 1º Formando da 3ª Série do Ensino Médio, do PAEE.
O estudante da educação especial é incluído pelos colegas. O objetivo principal é integrar os especiais, seja de aprendizado, seja física, ao restante da comunidade. Os
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estudantes aprendem tanto a conviver com o diferente, com a importância da diversidade.
Aprender a lidar com as diferenças existentes na sociedade. Nesse sentido, o ser diferente é normal, já que cada aluno é único e, por isso, diferente.
Para que aconteça de forma efetiva, é necessário que a escola, as famílias e os professores participem ativamente do processo de ensino, além disso, o sentimento de pertencimento deve ser comum entre os alunos.
EE. Prof. Paulo Américo Paganucci
Diretora (autora): Juscycleide Chagas Araújo
Minha Paixão pela Ed. Especial
Sou a Professora Alessandra Andretto Conicelli Sampaio de Educação Especial em Deficiência Intelectual, atuante em Sala de Recursos (AEE- Atendimento Educacional Especializado) na EE Prof. Paulo Américo Paganucci, no município de Ferraz de Vasconcelos.
Minha paixão pela Educação Especial iniciou-se ainda na graduação em Pedagogia no ano de 2007, quando fizemos um seminário em educação inclusiva, e o grupo que fazia parte, escolhemos os estudantes com deficiência nas escolas em salas regulares. O tema era muito novo, então começamos a pesquisar o assunto e encontrei uma matéria na Revista Nova Escola que relatava a história de uma professora de Educação Especial de (sala especial) que ainda existia na época, que realizou um brilhante trabalho com 6 estudantes com deficiências múltiplas, conseguindo incluí-los em sala regular no 6º ano do Ensino Fundamental II.
Após minha conclusão da graduação, sendo que na época não havia muitos cursos em educação especial, fiz uma pós em psicopedagogia, depois de um tempo consegui um contrato na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos e tinha uma aluna com autismo na minha
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sala e com dificuldades de aprendizagem e senti que precisaria me aprimorar para trabalhar com a minha aluna, então comecei me aproximar da Professora do AEE e observar o trabalho dela com minha aluna e os demais estudantes com deficiência da escola, e minha paixão cresceu mais ainda e acabei ainda ganhando uma grande amiga até os dias de hoje.
Fui atrás de cursos de Pós-Graduação na área da Educação Especial, fiz Deficiência Intelectual, depois Autismo e no momento estou concluindo Deficiência Física e alguns cursos de aperfeiçoamento em Deficiência Física, Deficiência Visual e Libras.
Quando ingressei na Rede Estadual em 2019, nas Escola E.E. Olzanetti Gomes, Tacitto Zanguetta e E.E. Prof. Paulo Américo Paganucci, tive várias experiências maravilhosas com os estudantes, mas a que mais me chamou atenção foi uma aluna do Paganucci com Deficiência Intelectual com hipótese em Autismo que tinha muitas dificuldades de socialização, hipersensibilidade auditiva, não conseguindo frequentar de forma assídua a sala regular, só de comentar com ela a possibilidade, a mesma entrava em crise.
Então começamos um trabalho de conscientização com os estudantes (colegas) da sala da estudante e professores, como: o que é deficiência intelectual e autismo, como funciona a inclusão na escola, como funciona uma escola inclusiva, depois começamos com a mãe da estudante e com a estudante da importância e benefícios da mesma estar frequentando a sala comum, da interação social, da aprendizagem e autonomia que a escola proporciona.
Sugerimos que fizesse, no início, 2 aulas diárias, e iria aumentando gradativamente. E assim foi, hoje a estudante ama estar na escola, vem evoluindo a cada dia, em todos os aspectos, em todas as habilidades adaptativas que ela mesma tem dificuldades e em suas potencialidades. Esse ano não sou a professora do AEE da estudante, pois a mesma conseguiu também o diagnóstico de Autismo, e como mencionei no início do relato, estou com a sala de Deficiência Intelectual, mas sempre a encontro pelas dependências da escola e fico tão feliz de ver sua evolução e que de fato está incluída na Escola e saber que valeu a pena cada ação, cada esforço, que houve um resultado satisfatório.
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Só tenho de agradecer a Deus, a família da estudante, os colegas de sala, professores, diretora, coordenador, enfim, todos da escola que ajudaram e contribuíram para que tivéssemos êxito.
EE Prof. Paulo Américo Paganucci Diretora: Juscycleide Chagas Araújo
Professora: Alessandra Andretto Conicelli Sampaio
O que pensam os PCNPs do Núcleo pedagógico?
A formação profissional em favor da inclusão
SANTANA, Claudia Barbosa [email protected]
Como Professora Coordenadora do Núcleo Pedagógico pensei em resgatar uma experiência vivida no meu último ano em sala aula, mas muito válido para a atualidade.
Quando se fala em formação pensamos no tempo e no espaço, mas a formação integral é aquela que nos forma ao longo da vida, por isso minha escolha em trazer um relato vivido na EE Lucy Franco Kowalski, lugar onde vivi uma marcante experiência junto a uma aluna PAEE que poderá continuar contribuindo com a formação docente na atualidade.
Esse relato passou-se em uma 4ª série a qual a mim foi atribuída em 2007, quando assumi como professora efetiva dos Anos Iniciais. Assim, as expectativas vinham de
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todos os lados. Alunos e professora com expectativas enormes. Direção com expectativas maiores ainda em relação a nova professora. Os pais nem se falam, entregavam as crianças no portão para alguém ainda desconhecida. Hoje, levanto a hipótese da ansiedade desses pais que ao término do dia logo iam querer saber sobre a nova professorinha.
Enfim, expectativa é que não faltava nesse primeiro dia. Eu querendo conhecer a turma e consequentemente a turma querendo me conhecer.
Hoje ao relembrar esse dia, parece ser algo simples, mas não é, nunca foi e nunca será. Nessa turma tinha uma aluna público-alvo da ed. especial, - PAEE uma aluna surda que até então eu desconhecia. Afinal, primeiro dia de aula é complicado e parece que tudo que acontece nesse dia torna-se um rótulo para todos envolvidos.
Iniciei a aula me apresentando, contando de minhas expectativas em relação a turma e na sequência pedi que se apresentassem e assim seguimos, eles se apresentando, contando onde moravam, com quem moravam e as expectativas que tinham em relação à professora. Assim fomos até que cheguei à aluna T. e logo perguntei: “Qual seu nome?”
Os gestos de T. foram rápidos e junto com a voz dos alunos que falaram em coro:
“Ela é surda professora?”. Eu na minha ignorância frente a aluna, perguntei: “E qual o nome dela?” E me responderam: “T”. E assim, passei para a aluna seguinte. Naquele momento, inconscientemente estava eu com a minha primeira ação de exclusão. Nada intencional, mas por falta de formação, por ausência de conhecimento. Fui formada em uma época em que pouco se falava de inclusão.
No dia seguinte, fui chamada pela direção, pois a família da aluna lá estava para fazer a primeira reclamação sobre a indelicada atitude da professora. A equipe gestora, em bons tons, tentou apaziguar, colocando-se em defesa à professora que mal conheciam.
Foi nessa defesa que ganhei forças, coragem, ânimo e tudo que pudesse me sustentar para validar a voz da direção e da coordenação, pois deram crédito a minha pessoa e eu jamais poderia decepcioná-los.
Logo me matriculei em um curso de libras, fiz formação na SEE-SP, tive também muito apoio da PCNP de Ed. Especial da Diretoria de ensino, hoje minha companheira de trabalho, e com tudo isso fui avançando nos conhecimentos e aprendendo a lidar com a situação. Com tudo isso, descobri que a aluna T. fazia leitura labial e não libras, pois os
Logo me matriculei em um curso de libras, fiz formação na SEE-SP, tive também muito apoio da PCNP de Ed. Especial da Diretoria de ensino, hoje minha companheira de trabalho, e com tudo isso fui avançando nos conhecimentos e aprendendo a lidar com a situação. Com tudo isso, descobri que a aluna T. fazia leitura labial e não libras, pois os